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Maioria vê erro de Flávio Bolsonaro no Caso Master e suspeita de envolvimento ilegal, aponta pesquisa Quaest

10 June 2026 at 13:59

O Caso Master passou a produzir desgaste político direto sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).

O levantamento mostra que 65% dos entrevistados consideram que o parlamentar errou ao pedir apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, enquanto 58% afirmam acreditar que ele pode estar escondendo algum tipo de envolvimento ilegal relacionado ao escândalo que atingiu o Banco Master.

Esta foi a primeira rodada da Quaest realizada após as revelações envolvendo o senador e o dono do Banco Master. Diferentemente dos levantamentos anteriores, o instituto dedicou um capítulo específico para medir o grau de conhecimento da população sobre o caso e seus possíveis impactos políticos.

Os dados são divulgados no mesmo levantamento em que Flávio aparece em queda nos cenários eleitorais testados pela pesquisa. No primeiro turno da disputa presidencial, o senador caiu de 33% para 29% das intenções de voto. No segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recuou de 41% para 38%.

A pesquisa indica que o escândalo já alcançou parcela relevante da população brasileira. Segundo a Quaest, 42% dos entrevistados afirmam conhecer bem o Caso Master, enquanto 25% dizem já ter ouvido falar do assunto, mas sem informações detalhadas.

Outros 33% afirmaram desconhecer completamente o episódio.

Pedido de financiamento é reprovado

A reprovação à atuação de Flávio Bolsonaro aparece de forma expressiva quando os entrevistados são questionados sobre as negociações entre o senador e Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a Quaest, 65% consideram que Flávio "errou e deveria ter evitado" pedir financiamento ao banqueiro.

Já 17% avaliam que o senador "acertou e não há nada demais" na conduta, enquanto 18% não souberam ou preferiram não responder.

A percepção negativa também se repete quando o instituto pergunta sobre o conteúdo das conversas entre Flávio e Vorcaro. Para 60% dos entrevistados, as negociações levantaram suspeitas. Outros 19% classificaram os contatos como normais, enquanto 21% não souberam opinar.

Maioria suspeita de envolvimento ilegal

A Quaest também mediu diretamente o grau de desconfiança da população em relação ao senador.

Segundo a pesquisa, 58% acreditam que Flávio Bolsonaro pode estar escondendo algum envolvimento ilegal relacionado ao Caso Master. Outros 27% afirmam que ele não está envolvido, enquanto 15% não souberam responder.

O levantamento mostra ainda que 62% dos entrevistados acreditam que o senador sabia que Daniel Vorcaro estava envolvido em práticas de corrupção. Apenas 26% avaliam que Flávio desconhecia a situação do banqueiro.

Família Bolsonaro passa a ser mais associada ao escândalo

Outro dado que chama atenção é a mudança na percepção sobre quem foi mais prejudicado politicamente pelo Caso Master.

Em março, 11% apontavam a família Bolsonaro como principal afetada pelo escândalo. Em maio, esse percentual havia recuado para 9%. Agora, em junho, chegou a 16%.

Apesar disso, a maioria dos entrevistados continua avaliando que o episódio atingiu diversos atores políticos e institucionais simultaneamente. Para 44%, "todos eles" foram prejudicados pelo caso.

Impacto eleitoral

A Quaest também procurou medir se as revelações envolvendo Flávio Bolsonaro alteraram a disposição do eleitor em apoiá-lo na disputa presidencial.

Metade dos entrevistados (50%) afirmou que as notícias não mudaram sua posição porque já não votaria no senador. Outros 26% disseram que continuam apoiando sua candidatura mesmo após tomarem conhecimento do episódio.

Entre aqueles que admitiram alguma mudança de percepção, 12% afirmaram que o caso diminuiu a vontade de votar em Flávio Bolsonaro. Já 6% disseram que passaram a ter mais disposição para apoiá-lo.

Os números sugerem que o Caso Master já integra o conjunto de fatores que influenciam a imagem pública do senador. Embora a Quaest não estabeleça relação direta entre o episódio e a queda registrada por Flávio nas intenções de voto, o levantamento indica que o escândalo passou a produzir efeitos mensuráveis na percepção do eleitorado sobre o principal nome do bolsonarismo na corrida presidencial de 2026.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.

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© Geraldo Magela/Agência Senado; Esfera Brasil/Reprodução

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) aponta que as revelações do Caso Master envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) já causam impacto eleitoral

BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a perdas com o Master

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O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou nesta terça-feira (9) que o banco estatal do Distrito Federal precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a "possíveis perdas" decorrentes de negócios feitos com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Souza, o “provisionamento” ou “capitalização” funcionará como uma reserva necessária para preservar o fôlego financeiro, evitando a quebra da instituição

O valor foi calculado após uma auditoria interna descobrir que, dos R$ 30 bilhões em títulos comprados do Master, ao menos R$ 8,8 bilhões podem estar perdidos. Destes, pelo menos R$ 2,6 bi não têm lastro, ou seja, não há nenhuma garantia real de o BRB ser reembolsado.

Notícias relacionadas:

“Eu podia colocar [na provisão de perdas] só os R$ 2,6 bi que simplesmente não existem, mas não é só isto. Existem outros ativos frágeis que, na análise que fizemos, chegam a R$ 8,8 bi”, explicou Souza.

Para cobrir o rombo e acalmar os correntistas e o mercado, o Governo do Distrito Federal (GDF), principal acionista do banco, com 53,7% das ações, estruturou um projeto de lei que, se aprovado pela Câmara Legislativa do DF, o autorizará a fazer um empréstimo de R$ 6,6 bi ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – uma entidade privada mantida com as contribuições obrigatórias de bancos públicos e privados. A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio.

“Como vamos completar os R$ 8,8 bi [de provisionamento]? Com a securitização da dívida do GDF”, explicou Souza ao participar, nesta terça-feira (9), de uma audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

A securitização permite ao GDF receber, antecipadamente, créditos a vencer. Na primeira etapa, em 25 de maio, o BRB recebeu R$ 1,17 bi, já integralizados. A expectativa de Souza é que o banco arrecade, com o mecanismo, no mínimo mais R$ 3 bi por meio da operação financeira estruturada com a participação do banco BTG Pactual.

“Precisaremos de apenas R$ 2,2 bi para termos o aporte de R$ 8,8 bi”, disse Souza, destacando que, para levar o plano adiante integralmente, é necessário que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprove o projeto de lei já homologado pelo STF.

“É um projeto de lei importantíssimo para a sobrevivência do BRB. Fundamental”, comentou Souza ao reconhecer que, hoje, o BRB é “o maior problema” do sistema financeiro nacional e que a recuperação do banco estatal não está sendo fácil.

“Este problema [envolvendo o Master] é muito maior e o BRB é a maior vítima”, o presidente do BRB, referindo-se ao fato do banco administrar cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais recolhidos por determinação de tribunais de justiça de quatro estados (AL; BA; MA e PB) e do Distrito Federal. Além disso, o BRB responde, hoje, por cerca de 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal, controlando uma carteira de quase R$ 15 bilhões.

 “Se o BRB desaparecer, for liquidado ou mesmo for sancionado pelo Banco Central com um regime de administração extraordinária temporária [Raet, uma intervenção], será um problema não só para Brasília, mas para todos os locais onde o banco está presente”, comentou Souza.

O presidente do BRB garantiu que, com o provisionamento, o banco tem condições estruturais para seguir operando. “Hoje, ele já é mais saudável do que era em novembro, quando cheguei. Nunca deixou de cumprir uma obrigação e segue operando regularmente.”

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a perdas com o Master

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O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou nesta terça-feira (9) que o banco estatal do Distrito Federal precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a "possíveis perdas" decorrentes de negócios feitos com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Souza, o “provisionamento” ou “capitalização” funcionará como uma reserva necessária para preservar o fôlego financeiro, evitando a quebra da instituição

O valor foi calculado após uma auditoria interna descobrir que, dos R$ 30 bilhões em títulos comprados do Master, ao menos R$ 8,8 bilhões podem estar perdidos. Destes, pelo menos R$ 2,6 bi não têm lastro, ou seja, não há nenhuma garantia real de o BRB ser reembolsado.

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Para cobrir o rombo e acalmar os correntistas e o mercado, o Governo do Distrito Federal (GDF), principal acionista do banco, com 53,7% das ações, estruturou um projeto de lei que, se aprovado pela Câmara Legislativa do DF, o autorizará a fazer um empréstimo de R$ 6,6 bi ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – uma entidade privada mantida com as contribuições obrigatórias de bancos públicos e privados. A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio.

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A securitização permite ao GDF receber, antecipadamente, créditos a vencer. Na primeira etapa, em 25 de maio, o BRB recebeu R$ 1,17 bi, já integralizados. A expectativa de Souza é que o banco arrecade, com o mecanismo, no mínimo mais R$ 3 bi por meio da operação financeira estruturada com a participação do banco BTG Pactual.

“Precisaremos de apenas R$ 2,2 bi para termos o aporte de R$ 8,8 bi”, disse Souza, destacando que, para levar o plano adiante integralmente, é necessário que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprove o projeto de lei já homologado pelo STF.

“É um projeto de lei importantíssimo para a sobrevivência do BRB. Fundamental”, comentou Souza ao reconhecer que, hoje, o BRB é “o maior problema” do sistema financeiro nacional e que a recuperação do banco estatal não está sendo fácil.

“Este problema [envolvendo o Master] é muito maior e o BRB é a maior vítima”, o presidente do BRB, referindo-se ao fato do banco administrar cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais recolhidos por determinação de tribunais de justiça de quatro estados (AL; BA; MA e PB) e do Distrito Federal. Além disso, o BRB responde, hoje, por cerca de 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal, controlando uma carteira de quase R$ 15 bilhões.

 “Se o BRB desaparecer, for liquidado ou mesmo for sancionado pelo Banco Central com um regime de administração extraordinária temporária [Raet, uma intervenção], será um problema não só para Brasília, mas para todos os locais onde o banco está presente”, comentou Souza.

O presidente do BRB garantiu que, com o provisionamento, o banco tem condições estruturais para seguir operando. “Hoje, ele já é mais saudável do que era em novembro, quando cheguei. Nunca deixou de cumprir uma obrigação e segue operando regularmente.”

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PF estuda incluir Vorcaro na 'difusão prateada' da Interpol para rastrear dinheiro no exterior

6 June 2026 at 00:53

A Operação Compliance Zero estuda pedir a inclusão de Daniel Vorcaro na difusão prateada da Interpol para identificar e até mesmo bloquear remessas de ativos do ex-dono do Banco Master para fora do País.

A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão nesta sexta-feira, 5.

Vorcaro é o alvo principal da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias do Master. A difusão prateada foi implantada no organograma da Interpol - a Polícia que mantém ligações com forças de segurança em todo o mundo - com o fim específico de alcançar dinheiro ilícito.

A estratégia da PF - desde que a Procuradoria-Geral da República (PGR) concorde com a medida e que haja anuência do Supremo Tribunal Federal (STF), além do endosso das autoridades americanas - é seguir o caminho de valores que Vorcaro enviou aos Estados Unidos e que também podem ter sido usados para financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Vorcaro teria remetido para um fundo dos EUA cerca de R$ 60 milhões para essa finalidade. O fundo é controlado por um advogado que mantém ligações com Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA.

Vorcaro negocia há cerca de três meses os termos de uma delação premiada na Operação Compliance Zero. A primeira tentativa acabou frustrada. O Estadão apurou que ele continua resistindo a endurecer sua proposta. A advogados de seu relacionamento ele tem dito que fez repasses a políticos por ‘amizade’, sem exigir contrapartidas.

Nas remessas aos EUA para bancar Dark Horse, o ex-dono do Master teve como intermediário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

O chefe da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, avalia ser importante instaurar um inquérito exclusivo para identificar se o dinheiro enviado por Vorcaro aos Estados, de fato, foi usado também para custear o filme sobre Bolsonaro.

A inclusão de Vorcaro na difusão prateada da Interpol depende, ainda, de uma manifestação da Procuradoria-Geral da República e de decisão do STF sobre qual ministro ficará responsável por essa medida.

O caso pode ficar com André Mendonça, que é o relator da Compliance Zero, ou com Alexandre de Moraes, relator das investigações que envolvem Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.

© Ana Paula Paiva

Daniel Vorcaro, principal controlador e ex-presidente do Banco Master
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