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BCE corta projeção de crescimento para este ano e vê mais inflação

11 June 2026 at 13:23

Mais inflação, menos crescimento: o Banco Central Europeu (BCE) cortou nas projeções para o crescimento da zona euro este ano e no próximo enquanto atualizou em alta as expectativas para a inflação, citando a questão energética como principal motivo para as revisões.

A autoridade monetária europeia aponta agora a um avanço de 0,8% no PIB este ano, antes de o bloco da moeda única crescer 1,2% e 1,5% em 2027 e 2028, respetivamente. Antes, nas projeções de março, a expectativa passava por um crescimento de 0,9% este ano, 1,3% no próximo e 1,4% em 2028.

“As perspetivas permanecem incertas, com riscos ascendentes para a inflação e descendentes para o crescimento. As implicações totais da guerra na inflação de médio prazo e no crescimento dependerão da intensidade e duração do choque energético, bem como na magnitude dos seus efeitos indiretos e de segunda ordem”, lê-se no comunicado do banco central desta quinta-feira.

Do lado dos preços, os técnicos do BCE apontam agora a 3% este ano, ou seja, uma revisão significativa em relação aos 2,6% previamente esperados. Para 2027, a projeção passa por 2,3%, também acima dos 2% anteriormente previstos, e para 2028 o banco aponta agora a 2%, ou seja, marginalmente abaixo dos 2,1% inscritos nas previsões de março.

Já nas anteriores projeções o banco explicitava a questão energética como o principal motor da inflação, embora, à altura, a dinâmica se prendesse sobretudo com medidas orçamentais e fiscais relacionadas com a transição energética. Agora, com novo choque energético a assolar o Velho Continente, a expectativa é de um alastramento das pressões aos restantes sectores.

Isso mesmo é reconhecido no comunicado do banco, que fala numa “trajetória mais elevada para os preços da energia que, de alguma forma, é expectável que se transmita aos bens alimentares, bens e serviços”.

[notícia atualizada às 13h31]

BCE volta a subir juros pela primeira vez desde 2023

11 June 2026 at 13:18
BCE

Acabou o ciclo de normalização monetária. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira subir os juros diretores para a zona euro em 25 pontos base (pb) naquela que foi a primeira subida desde setembro de 2023 face a uma inflação que não dá sinais de abrandamento. A decisão era já largamente esperada pelo mercado.

As taxas de referência para a moeda única ficam assim entre 2,25% e 2,65% depois desta subida, o que mantém o indicador ainda distante das mais recentes leituras da inflação. O índice de preços no consumidor (IPC) disparou nos últimos meses, fruto do choque energético resultante da decisão norte-americana e israelita de bombardear o Irão, e saltou de uma subida homóloga de 2,6% em março para 3,2% em maio, o valor mais alto desde setembro de 2023.

Na mesma linha, a inflação subjacente, com 2,5% em maio, está 0,3 pp acima das projeções do BCE de março, enquanto o subindicador referente aos serviços também está em valores pouco confortáveis para a autoridade monetária, com 3,5%.

“Com a decisão de hoje, o Conselho de Governadores mantém-se bem posicionado para navegar a incerteza causada pela guerra”, lê-se no comunicado do BCE, que reforça que não se compromete com qualquer decisão futura ou caminho pré-definido para os juros.

Perante este cenário, a ECBWatch, uma ferramenta de monitorização das taxas implícitas de mercado, apontava para uma probabilidade de 100% de uma subida de 25 pb esta quinta-feira. A juntar à avaliação de investidores e analistas, vários membros do Conselho de Governadores haviam manifestado, na anterior reunião de política monetária, apoio a um aumento dos juros, o que deixava antecipar esta possibilidade.

Ainda assim, o BCE volta a ver-se numa delicada equação entre o controlo da inflação, que corre atualmente significativamente acima do objetivo de médio prazo do banco, cifrado em 2%, e os efeitos na economia real, que mostra uma fragilidade considerável e um forte risco de estagflação.

A atenção dos investidores estará centrada na política monetária daqui para a frente, quando as perspetivas se tornam menos claras. O cenário base passa por duas subidas até final do ano, incluindo a desta quinta-feira, o que deixaria a taxa terminal deste ano entre 2,5% e 2,9%. Ainda assim, e mantendo-se as leituras da inflação no nível atual, a taxa de juro real permaneceria negativa, sublinhando a complexidade da situação no bloco da moeda única.

[notícia atualizada às 13h34]

Intesa e BPM em disputa pela aquisição do Banco MPS

9 June 2026 at 07:00

A banca italiana prepara-se para uma batalha de licitações pelo Monte dei Paschi di Siena (MPS), com o Intesa Sanpaolo e o Banco BPM a disputarem o controlo da instituição.

Esta segunda-feira, a Intesa anunciou uma oferta de 30,6 mil milhões de euros pela instituição financeira, o que criaria o segundo maior banco europeu considerando a capitalização de mercado.

A oferta também representa um prémio de 12,5% em relação à cotação final na sessão de sexta-feira.

O MPS é o banco mais antigo de Itália, sendo que a oferta da Intesa assume um valor de mercado de 27,4 mil milhões de euros. A instituição foi resgatada pelo governo italiano em 2017 e posteriormente reprivatizada em 2023 e 2024.

Desde então que a instituição é vista como um alvo apetecível para consolidação, em linha com várias operações desta natureza que têm ocorrido nos últimos semestres na economia italiana.

A oferta da Intesa surge depois de o BPM ter sinalizado, na passada semana, a sua intenção de discutir uma possível fusão com o MPS. Perante esta vontade do banco, o diretor executivo da Intesa, Carlo Messina, classificou a posição do BPM como “uma declaração de amor”, por oposição à oferta concreta e real da sua instituição.

A Intesa tornou-se no maior banco italiano depois de adquiri a UBI em 2020, saltando da quarta posição para o topo da banca transalpina e ultrapassando o UniCredit. Caso se confirme a aquisição do MPS, o novo banco passa o BNP Paribas e o BBVA como a segunda maior instituição financeira europeia, atrás apenas do Santander.

As ações da Intesa caíram mais de 2% durante a sessão desta segunda-feira, enquanto as do MPS valorizaram mais de 10%. Já o BPM valorizou modestamente, abaixo de 1%.

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