Praias de Quarteira ao Garrão recuperam areal mas solução é temporária
A reposição de areia entre as praias de Quarteira e Garrão garantiu a segurança balnear a tempo do verão numa das zonas mais procuradas da costa algarvia, embora os efeitos alcançados sejam provisórios, disse um investigador.
A agência Lusa esteve nessa área costeira do concelho de Loulé, e já com a época balnear em curso, constatou que os cerca de seis quilómetros de areal, que se estendem de Quarteira para nascente, têm agora dezenas de metros de largura, mas há uns meses a água do mar chegava aos apoios de praia e à base das arribas.
“Hoje vemos uma praia larga, com várias dezenas de metros, quando há dois meses tínhamos a água, a cada maré alta, a tocar a arriba e a promover a erosão da mesma. Efetivamente, o trabalho efetuado de realimentação foi muito rápido, extenso e oneroso, como todos são, e terão de continuar a ser, se quisermos manter a qualidade balnear e diminuir o risco nas praias”, disse à Lusa o investigador Óscar Ferreira, da Universidade do Algarve.
Em causa está a alimentação artificial das praias entre Quarteira e o Garrão, naquele concelho do distrito de Faro, classificada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) como uma “das mais relevantes intervenções no litoral algarvio”, destinada a “travar o recuo da linha de costa e assegurar a sustentabilidade deste território”.
Óscar Ferreira estimou que o reforço de areia efetuado poderá proteger a costa por um período “de 12, 15 anos”, mas salientou que esse tempo varia de localização para localização e será sempre uma proteção “temporária”, embora tenha “vantagens”, como a alimentação de outros locais através da própria dinâmica de movimentação dos sedimentos pelo mar.
“A areia que depois será transportada daqui irá alimentar, por exemplo, a zona da Quinta do Lago e da Praia de Faro”, exemplificou, frisando que “há zonas que serão beneficiadas indiretamente” e, ao fim de algum tempo, terá de se “voltar a fazer uma intervenção exatamente nesta mesma zona”.
Questionado sobre a existência de outros métodos para garantir que há a areia necessária para prática balnear em segurança nas praias, o investigador respondeu que há paredões, como os existentes em Quarteira, que impedem o embate do mar nos edifícios situados junto à orla costeira, mas advertiu que, “sozinhos, não dão areia, só dão pedra”.
“Neste momento a grande solução, por muito perene que seja, é a recolocação de areia nos locais onde ela, efetivamente, faz falta, onde ela deixou de existir por algum motivo. Em locais urbanos fortemente densificados não é possível fazer ou usar outros planos como a relocalização ou o reordenamento, mas em áreas, por exemplo, como aquela que nós temos aqui atrás, a zona do Forte Novo, ou até alguma área de Vale do Lobo, que está mais em risco, temos de começar a apostar cada vez mais em planos de ordenamento que tenham relocalização”, alertou Óscar Ferreira.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, classificou como “gratificante” ver as praias com dezenas de metros de areia e a poderem ser utilizadas pelos banhistas em segurança, dada a importância do turismo de verão para a economia do concelho.
“É preciso ter estado aqui e ter passado aquilo que passámos nos últimos dois anos para perceber o quão contentes ficamos a olhar para estas praias agora. Começar a ver as pessoas já a poderem utilizar a praia, para nós é mesmo gratificante e é extremamente importante para a nossa economia”, afirmou o autarca.
Telmo Pinto salientou que, apesar dos esforços para diversificar a oferta, “o grande impulsionador” da economia do Algarve continua a ser o turismo do verão e, por isso, era importante fazer rapidamente com a alimentação artificiar de areia nessa zona costeira.
“Portanto, quando nós chegávamos aqui, víamos isto cheio de rochas, com a água a chegar a limites, e nós estamos aqui a falar de diferenças de 50, 60, 70 metros, era assustador para nós perceber que o dínamo deste litoral podia estar em causa e o verão [também estaria] em causa para todas estas pessoas”, comparou.
Por Miguel Hugo Cruz (texto) e Luís Forra (foto) da agência Lusa
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