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Cimpor reativa Centro de Produção da Moagem de Sines

18 June 2026 at 02:05

O Centro de Produção da Moagem de Sines, no distrito de Setúbal, encerrado em 2010, foi agora reativado pela Cimpor para responder aos desafios da descarbonização no setor da construção, divulgou a empresa.

Em comunicado, a Cimpor revelou que o arranque oficial da instalação, que esteve em operação entre 2002 e 2010, foi «antecipado em dois meses», depois de ter sido «profundamente modernizada».

Segundo a empresa, o Centro de Produção da Moagem de Sines tem capacidade para processar mais de 400 mil toneladas de escória moída de alto forno (GGBFS), em regime de laboração contínua.

Esta matéria-prima é utilizada na «produção de cimentos e betões mais sustentáveis e com uma menor pegada carbónica», indicou.

No arranque da laboração, a Cimpor adiantou que «já dispõe de 2.500 toneladas de escória moída prontas para expedição». 

Em termos logísticos, a instalação está operacional e encontram-se reunidas as condições para a expedição a granel, estando previsto o arranque da operação de enchimento de ‘big bags’ ainda esta semana, assinalou.

Na mesma nota, a empresa explicou que a unidade foi alvo de uma reconversão tecnológica que permitirá, no futuro, «processar outras matérias-primas com benefícios ambientais relevantes».

Segundo a Cimpor, além de se tratar de «uma infraestrutura decisiva na estratégia de sustentabilidade da empresa», o início das operações deste centro «reforça a sua presença no relevante ‘hub’ industrial de Sines».

Para o diretor do Centro de Produção da Moagem de Sines, Ricardo Alvim, citado no comunicado, o arranque da unidade representa «o culminar de um processo desafiante» de «coordenação e superação técnica». 

«O que fizemos foi cimentar mais um importante pilar da nossa estratégia de descarbonização, enquanto consolidamos capacidade operacional» para «o futuro da produção de materiais inovadores e sustentáveis», sustentou.

A Cimpor precisou que “a progressão para um regime de exploração com maior número de turnos será faseada, dependendo da conclusão do processo de certificação do produto e da evolução das necessidades do mercado”.

«A reativação da unidade constitui um importante contributo para a economia local, através da criação de emprego direto e indireto e da dinamização do tecido empresarial da região», realçou.

Para a empresa, que não revelou o investimento na reativação deste centro, a localização estratégica junto ao Porto de Sines representa «uma vantagem competitiva fundamental, facilitando a receção e expedição de produtos de forma eficiente para os mercados nacional e internacional».

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Bateria de areia armazena energia e reduz emissões em 70%; entenda

16 June 2026 at 22:14

Tecnologia que vem ganhando atenção, sobretudo entre operadores de energia, indústrias e governos, a chamada bateria de areia consegue resolver um problema endêmico em países com demanda por aquecimento no inverno: armazenar energia renovável, eólica ou solar, em larga escala e por longos períodos.

Não se trata de uma bateria elétrica, como as de celular ou automotivas, mas sim de um sistema que armazena energia na forma de calor, usando areia ou materiais granulares como meio térmico. Visualmente, ela se parece com um grande silo metálico isolado termicamente — tipo um tanque ou contêiner de aço.

Preenchida com toneladas de areia comum ou resíduos minerais, essas caixas metálicas chegam a reunir 2 mil toneladas de material em um único tanque. Resistências elétricas aquecem esse granulado a temperaturas elevadíssimas durante períodos de excesso de energia na rede.

Inspirada na ideia de que a areia da praia permanece quente à noite, e que nem sempre a energia renovável está disponível quando precisamos, a tecnologia atual surgiu na Finlândia com a empresa Polar Night Energy. A primeira versão comercial da bateria de areia foi instalada em junho de 2025, na cidade de Pornainen.

Apesar do nome, o material armazenado nessa cidade — para a empresa de aquecimento urbano Loviisan Lämpö — foi pedra-sabão triturada. A energia armazenada na estrutura de 13 metros de altura por 15 de largura equivale a cerca de um mês de calor local no verão e a uma semana no inverno.

Resultados da caixa de areia no seu primeiro ano: 70% menos emissões

Após completar um ano de operação, a bateria de Pornainen cumpriu todas as metas previstas. Segundo a Polar Night, o sistema atingiu uma eficiência superior a 85% no armazenamento térmico — ou seja, recuperou a maior parte da energia utilizada para aquecer o granulado na forma de calor.

No total, a rede de aquecimento local registrou redução de 70% nas emissões climáticas, eliminou completamente o consumo de óleo e reduziu em 60% o uso de biomassa, assegurando um fluxo contínuo de calor com elevado grau de confiabilidade.

Elemento estratégico do sistema, a arbitragem energética armazena calor em períodos de baixa no mercado spot. Com isso, a eletricidade foi adquirida a preços até 80% inferiores à média — e, em alguns meses, mais de 90% abaixo — o que torna a operação altamente competitiva do ponto de vista econômico.

O projeto não só atendeu plenamente às metas, como também aumentou a capacidade da rede de aquecimento da cidade. Além de conectar a maior parte dos edifícios públicos de Pornainen — escola, prefeitura e biblioteca — a bateria de areia passou a fornecer aquecimento para uma nova arena poliesportiva e uma escola reformada.

Da cidade à indústria: próximos desafios para a bateria de areia

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A escalabilidade da tecnologia é apontada como um dos principais atrativos para aplicações industriais de grande porte • Polar Night Energy/Divulgação

O sucesso da bateria de areia no aquecimento urbano pode abrir caminho para a descarbonização industrial. A tecnologia permitiria a setores que demandam muito calor — como cimento, aço e alimentos — substituir combustíveis fósseis por energia térmica armazenada a partir de eletricidade renovável, aproveitada quando há maior oferta e menor custo.

Em um comunicado de imprensa, Sauli Antila, sócio operacional da CapMan — fundo de private equity que financia a Loviisan Lämpö —, afirma que, “após um ano de operação, podemos afirmar com confiança que estamos satisfeitos com o resultado”, e que “isso ajuda a reduzir a incerteza também para outras organizações”.

Na prática, o case da bateria de areia de Pornainen demonstrou que esse projeto é bem mais do que um experimento local — ele mostra um caminho viável e mais barato para armazenar energia renovável também em escala industrial, especialmente onde as baterias tradicionais não dão conta.

A diretora de operações da Polar Night, Liisa Naskali, afirma que a nova tecnologia entregou reduções significativas de emissões de forma economicamente competitiva: “o projeto é um exemplo concreto da transição energética — produção baseada em combustão sendo substituída por energia renovável”, conclui em um comunicado.

Saúde da bateria é o novo “km” do carro elétrico usado; entenda

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