Já está tudo pronto no vestiário da Seleção Brasileira no Metlife Stadium, o estádio de Nova York/Nova Jersey que vai receber a partida contra o Marrocos, neste sábado (13), e também a grande final da Copa do Mundo de 2026.
A Seleção Brasileira inicia a Copa do Mundo de 2026 carregando não apenas expectativas, mas também experiências das últimas campanhas frustradas no torneio. Entre eliminações, pressão sobre estrelas e dificuldades emocionais em jogos decisivos, o Brasil chega tentando transformar erros do passado em aprendizado.
Com uma geração mais madura e com um elenco que mistura nomes experientes e jovens em ascensão, a seleção comandada por Carlo Ancelotti tenta evitar os erros que derrubaram equipes brasileiras em outras Copas. A CNN Brasil separou quatro aprendizados que podem servir para o tão sonhado hexacampeonato.
Respeitar o momento
Uma das maiores lições recentes vem justamente da campeã mundial de 2022. A Seleção da Argentina começou mal a Copa do Catar, perdendo para a Arábia Saudita logo na estreia. A partir dali, o técnico Lionel Scaloni percebeu que precisaria mudar.
A Argentina campeã não foi exatamente a que começou o torneio. Scaloni alterou peças, mexeu no sistema e deu espaço para jogadores que viviam melhor momento durante a competição, como Enzo Fernandez e Julian Alvarez.
O Brasil chega em situação parecida. Alguns jogadores seguem entre os melhores do mundo em seus clubes, mas sem repetir o mesmo desempenho na seleção. Ao mesmo tempo, jovens talentos como Endrick e Rayan pedem passagem e vivem excelente fase. A grande questão para Ancelotti é justamente entender quem realmente merece espaço pelo rendimento atual.
Comemoração de Endrick, atacante do Brasil, no gol marcado contra o Egito, em Cleveland • Rafael Ribeiro/CBF
Copa não se vence apenas com estrelas
Talvez nenhum exemplo represente melhor isso do que a Copa de 2006. O Brasil chegou à Alemanha cercado por enorme expectativa, com um elenco considerado “galáctico”. Ronaldinho Gaúcho em seu auge, Ronaldo, Adriano, Kaká e companhia formavam um time repleto de estrelas.
Na prática, porém, a seleção nunca funcionou coletivamente da maneira esperada. O excesso de individualidades acabou virando símbolo daquela eliminação para a França nas quartas de final. Até hoje, a equipe é lembrada como uma das melhores seleções da história — no papel.
Jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2006. • Antonio Scorza/AFP
As últimas Copas reforçaram essa ideia. A Argentina campeã em 2022 tinha Lionel Messi como protagonista, mas venceu principalmente por ter um coletivo extremamente competitivo e comprometido.
Outro aprendizado importante envolve o aspecto emocional. Em 2014, Neymar chegou como principal esperança do país aos 22 anos, carregando a pressão de protagonista e camisa 10 antes mesmo da lesão sofrida nas quartas de final.
Thiago Silva, que já era tido como experiente e consolidado zagueiro, se isolou e foi às lágrimas antes da disputa de pênaltis nas oitavas de final contra o Chile. Thiago Silva era o capitão da seleção.
Depois, veio o 7 a 1 contra a Alemanha, partida marcada não apenas pelo colapso técnico, mas também emocional. As imagens de jogadores abatidos durante e após o jogo viraram símbolo daquela derrota. O zagueiro David Luiz e o goleiro Júlio Cesar apareceram abatidos em entrevista pós jogo.
Thomas Müller comemora gol no 7 a 1 contra o Brasil • Mike Egerton/PA Images via Getty Images
Discutir o tema publicamente inclui o cuidado psicológico nas estratégias de preparação para a competição.Mente saudável está ligada a melhores desempenhos em competições esportivas.
Geração mais madura pode virar vantagem
Diferentemente de outros ciclos, o Brasil chega em 2026 com uma base muito parecida com a da Copa de 2022. Jogadores como Alisson, Marquinhos, Casemiro, Danilo e o próprio Neymar viveram juntos a última campanha.
A diferença agora é a maturidade. Muitos desses atletas encaram possivelmente a última Copa da carreira, o que pode gerar uma mobilização diferente dentro do elenco.
Além disso, o maior tempo de convivência pode ajudar em algo que é fundamental: entrosamento. Em uma competição decidida nos detalhes, conhecer melhor os companheiros e já ter vivido grandes jogos juntos pode se transformar em vantagem importante para a seleção brasileira.
O comando técnico da Seleção Brasileira ostenta o maior vencimento entre as federações que disputam a Copa do Mundo. Contratado pela CBF em maio de 2025, o italiano Carlo Ancelotti estendeu recentemente seu vínculo com a entidade até o encerramento do ciclo de 2030.
Atualmente, os vencimentos do treinador somam 9,5 milhões de euros (cerca de R$ 55,8 milhões na cotação atual). As informações são do jornal “La Gazzetta dello Sport”.
Os valores praticados no contrato do comandante do Brasil o isolam no topo do levantamento, com uma margem considerável sobre os demais concorrentes. A segunda posição é ocupada pelo alemão Thomas Tuchel. O atual técnico da seleção da Inglaterra, que recebe 5,9 milhões de euros (R$ 34,6 milhões).
Em contrapartida, o atual campeão mundial, Lionel Scaloni, aparece na décima colocação do ranking. O comandante da seleção da Argentina tem vencimentos estimados em 2,3 milhões de euros (R$ 13,5 milhões). Gustavo Alfaro, do Paraguai, surpreendeu com a nona colocação.
Confira os dez profissionais mais bem pagos
Carlo Ancelotti (Brasil) – 9,5 milhões de euros (R$ 55,8 milhões)
Thomas Tuchel (Inglaterra) – 5,9 milhões de euros (R$ 34,6 milhões)
Julian Nagelsmann (Alemanha) – 4,9 milhões de euros (R$ 28,8 milhões)
Fabio Cannavaro (Uzbequistão) – 4 milhões de euros (R$ 23,5 milhões)
Roberto Martínez (Portugal) – 4 milhões de euros (R$ 23,5 milhões)
Didier Deschamps (França) – 3,8 milhões de euros (R$ 22,3 milhões)
Marcelo Bielsa (Uruguai) – 3,5 milhões de euros (R$ 20,5 milhões)
Ronald Koeman (Holanda) – 3 milhões de euros (R$ 17,6 milhões)
Gustavo Alfaro (Paraguai) – 2,5 milhões de euros (R$ 14,7 milhões)
Lionel Scaloni (Argentina) – 2,3 milhões de euros (R$ 13,5 milhões)
A Seleção Brasileira não chama atenção apenas pelos títulos e craques. Ao longo da história das Copas do Mundo, os uniformes usados pelo Brasil também marcaram época e viraram símbolos de diferentes gerações do futebol mundial.
Da tradicional camisa amarela com detalhes verdes aos modelos azuis e brancos utilizados em partidas históricas, a seleção teve uniformes que ficaram eternizados por conquistas, derrotas traumáticas e atuações inesquecíveis.
Nas primeiras edições do torneio, disputados em Uruguai e Itália, o Brasil jogou de camisa branca, com detalhes em azul na gola.
A formação da Seleção Brasileira que conquistou a primeira vitória em Copas do Mundo • Álbum comemorativo da Copa do Mundo de 1930 da Associação Uruguaia de Futebol
Copa do Mundo de 1938
Para o torneio disputado na França, o Brasil manteve seu uniforme principal majoritariamente branco, com a inclusão de uma gola V com detalhes em azul.
Brasil derrotou a Polônia por 6 a 5, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 1938, em Estrasburgo • Divulgação/X/@FIFAWorldCup
Copa do Mundo de 1550
Na edição que marcou a primeira Copa disputada no Brasil, a seleção usou um modelo similar ao dos primeiros anos, com a adição do escudo da CBD.
A seleção brasileira na copa de 1950 • Gamma-Keystone via Getty Images
Copa do Mundo de 1954
Após o trauma da final contra o Uruguai em 1950, o Brasil estreou em 54 a camisa amarela que se tornaria tão famosa. Com gola polo, a peça tinha detalhes em amarelo, como nos dias de hoje.
Os capitães José Naranjo (à esquerda, 1926 – 2012), do México, e José Carlos Bauer (1925 – 2007), do Brasil, trocam flâmulas antes da partida de suas equipes pela fase de grupos da Copa do Mundo, em Genebra, Suíça, em 16 de junho de 1954 • Getty Images
Copa do Mundo de 1958 e 1966
Na Copa do primeiro título mundial da seleção, o uniforme foi similar ao usado em 1954, com a aplicação do emblema bordado. O mesmo uniforme foi usado oito anos depois, na Copa da Inglaterra.
A Seleção Brasileira posando com o troféu após a conquista da Copa do Mundo Fifa de 1958 • UPI/Bettmann Archive/Getty Images
Copa do Mundo de 1962
O modelo da camisa amarela teve suas primeiras grandes mudanças, com um design de gola diferente, e a opção por mangas longas durante o torneio, disputado no Chile.
Time do Brasil campeão da Copa do Mundo em 1962 • Foto: Allsport/Hulton
Copa do Mundo de 1970
Uma das seleções mais memoráveis da história do Brasil usou um uniforme igualmente memorável. A gola redonda e detalhe em verde da manga são referenciados até mesmo em modelos mais atuais.
O atacante Jairzinho na vitória do Brasil sobre a Itália na Copa de 1970 • Foto: Reprodução/FIFA
Copa do Mundo de 1974
Modelo similar ao de 1970, com a adição de três estrelas, referentes aos tricampeonato.
Brasil e Zaire se enfrentaram pela Copa do Mundo de 1974, na Alemanha • VI-Images via Getty Images
Copa do Mundo de 1978
Com detalhes de listras nas mangas, a camisa é lembrada como uma das mais bonitas e identificáveis da seleção.
Copa do Mundo de 1978, disputa do terceiro lugar: Itália 1 x 2 Brasil. Nelinho aponta e grita algo durante a fila antes da partida, River Plate, Buenos Aires • Mirrorpix via Getty Images
Copa do Mundo de 1982
Modelo estreou o emblema da CBF, substituindo o da CBD. Camisa contava com visual limpo, sem grandes detalhes.
Jogo da segunda fase do Grupo C da Copa do Mundo de 1982 entre Brasil e Argentina no Estádio Sarrià, em Barcelona, em 2 de julho de 1982, vencido pelo Brasil por 3 a 1. Diego Maradona se defende da marcação de Falcao. • Mirrorpix via Getty Images
Copa do Mundo de 1986
Versão de 1986 teve o retorno de um logo de fornecedor de material esportivo, assim como adição de uma gola mais elaborada.
Referee Chris Bambridge looks on as Elzo #19, Defensive Midfielder for the Brazil national football team and Julio Salinas #19, Forward for the Spain national football team challenge for the football during their 1986 FIFA World Cup Group D match on 1st June 1986 at the Estadio Jalisco, Guadalajara, Mexico. The Brazil won the match 1 – 0. (Photo by David Cannon/Allsport/Getty Images) • Getty Images
Copa do Mundo de 1990
Camisa de 1990 marca o início da produção de uniformes com estrutura mais moderna, abandonando o uso de algodão como material principal.
Meio-campista brasileiro Alemão em partida contra a Costa Rica pela fase de grupos da Copa do Mundo de 1990. • Peter Robinson – PA Images via Getty Images
Copa do Mundo de 1994
Icônica camisa do Tetra teve como grande diferencial a aplicação de padrões no tecido, que são usados até os dias de hoje.
Romário comemora gol contra Camarões na Copa do Mundo de 1994 • Tony Marshall/EMPICS via Getty Images
Copa do Mundo de 1998
Mais um modelo especialmente memorável, a camisa de 1998 é tida como um pilar na evolução do design dos uniformes, com listras e detalhes em sua estrutura.
França. Copa de 1998 na França. O time do Brasil posado na final de 98 no Stade de France, em Saint-Denis. Da esq. p/ dir. Taffarel (1), Cesar Sampaio (5), Rivaldo (10), Aldair (3), Junior Baiano (4), Cafu (2), Ronaldo (9), Roberto Carlos (6), Leonardo (11), Bebeto (20) e Dunga (8). – Crédito: • FÁBIO M. SALLES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:2573
Copa do Mundo de 2002
A camisa do Penta tem uma série de padrões e detalhes que a tornam única, e representante de sua geração. A peça contava com uma espécie de malha interna, para absorção de suor.
Juninho atuando pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002 • Tony Marshall/Getty Images
Copa do Mundo de 2006
Uma gola mais estruturada em um tom de amarelo um pouco mais opaco eram destaques da camisa de 2006, que divide opiniões até hoje.
Jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2006. • Antonio Scorza/AFP
Copa do Mundo de 2010
Em uma Copa que marcou a reconstrução da seleção, um uniforme mais sóbrio em relação aos modelos anteriores.
Zagueiro Lúcio em jogo da Seleção Brasileira na Copa de 2010 • Foto: Michael Steele/Getty Images
Copa do Mundo de 2014
Na copa do Mundo do Brasil, a seleção usou mais uma camisa de design simples, com uma gola contornada em verde e poucas distrações.
Neymar nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014 contra a Colômbia • Foto: Robert Cianflone/Getty Images
Copa do Mundo de 2018
A camisa para a Copa do Mundo de 2018 retomou o uso de elementos mais modernos, com detalhes mais afiados e tecido tecnológico, com texturas à mostra.
Seleção Brasileira que defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2018 • Divulgação/CBF
Copa do Mundo de 2022
Na última Copa do Mundo, disputada no Qatar, o uniforme da seleção ganhou destaque pela padronagem inspirada na onça-pintada, além de um tom de amarelo diferente do tradicional.
Vini Jr celebra gol marcado pelo Seleção Brasileira contra a Coreia do Sul na Copa de 2022 no Catar • Tom Jenkins/Getty
Copa do Mundo de 2026
Com referências a mantos icônicos do passado, a camisa do Brasil para 2026 é repleta de detalhes, incluindo um tecido com estampas e logos destacados.
Novos uniformes da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo serão usados nos amistosos contra França e Croácia • Montagem com imagens de Divulgação/Nike
A Copa do Mundo FIFA 2026 será a maior da história em número de participantes e reúne algumas das principais seleções do planeta na disputa pela tão sonhada taça. O ranking masculino da Fifa ajuda a indicar quais equipes chegam ao torneio entre as favoritas.
Atualmente, a Seleção da Argentina, liderada por Lionel Messi e atual campeã mundial, ocupa a liderança do ranking masculino. A equipe venceu os últimos cinco jogos e soma 1.877,27 pontos.
Logo atrás aparece a Seleção da Espanha, considerada por muitos uma das equipes que apresentam o melhor futebol do momento. O time comandado por Luis de la Fuente tem como principal destaque o jovem Lamine Yamal. O camisa 10 do Barcelona, no entanto, deve desfalcar os primeiros jogos por conta de uma lesão.
A Seleção da França fecha o top 3. Vice-campeã no Catar e campeã mundial em 2018, a equipe segue com uma geração estrelada, liderada por Kylian Mbappé, além de nomes como Désiré Doué e Michael Olise, destaque recente do Bayern de Munique.
Veja o top 10 do ranking:
1- Argentina (1877.27 pontos)
Messi marcou o segundo gol da Argentina contra a Islândia • Photo by Omar Vega/Getty Images
2 – Espanha (1874.71 pontos)
Yamal durante amistoso entre Espanha e Egito • David Ramos/Getty Images
3 – França (1870.70 pontos)
Mbappé comemora gol contra a Seleção Brasileira • Foto: Divulgação/ @equipedefrance
4 – Inglaterra (1828.02 pontos)
5 – Portugal (1767.85 pontos)
6 – Brasil (1765.86 pontos)
Raphinha e Vinicius Jr. em jogo pela Seleção Brasileira • Buda Mendes/Getty Images
7 – Marrocos (1755.10 pontos)
8 – Holanda (1753.57 pontos)
9 – Bélgica (1742.24 pontos)
10 – Alemanha (1735.77 pontos)
Como o ranking é feito?
O atual modelo de pontuação do ranking, adotado desde agosto de 2018, funciona por meio da soma ou subtração de pontos após cada partida, considerando fatores como força do adversário, importância do jogo e expectativa de resultado.
Diferente do sistema anterior, o cálculo não é mais feito com base em médias ao longo de um período. Veja o ranking completo aqui.
Ao todo, serão distribuídos US$ 727 milhões (aproximadamente R$ 3,99 bilhões) entre as seleções participantes, valor 50% superior ao pago na Copa de 2022, no Catar.
A maior parte da quantia, US$ 655 milhões (cerca de R$ 3,60 bilhões), será destinada exclusivamente à premiação esportiva das 48 seleções classificadas.