A ocupação hoteleira no Algarve vai rondar os 80% durante as miniférias proporcionadas pelos feriados de junho, com um ligeiro aumento da procura face ao ano passado, disseram esta terça-feira à Lusa fontes do setor.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Hélder Martins, disse à Lusa que a expectativa era que a ocupação na região no período dos feriados de 4 e 10 de junho rondasse os 80%.
“A nossa expectativa é que nesta semana dos feriados nós vamos ultrapassar os 80% de ocupação, o que é muito bom”, afirmou, sublinhando que o mercado português é o que mais está a contribuir para os resultados alcançados pelo turismo algarvio nesta altura.
Quem optou por ir para a região está também a beneficiar de uns dias com tempo quente e sem chuva, com a meteorologia a ajudar as famílias a usufruir dos primeiros dias de praia, observou o presidente da associação empresarial algarvia. “Para as empresas […], é o aquecer os motores e, a partir de agora, entrarmos aqui já num período de época média-alta até chegarmos à época alta. Portanto, estamos satisfeitos com a procura que houve”, concluiu.
Também o presidente do Turismo do Algarve afirmou que os feriados contribuíram para um ligeiro aumento da procura de portugueses pela região, “embora os níveis se mantenham” em linha com os registados no ano passado.
Em declarações à agência Lusa, André Gomes sublinhou que o Algarve continua a ser “um destino de eleição” para o mercado interno durante períodos festivos, refletindo-se numa dinâmica positiva da atividade turística.
“Os feriados são tradicionalmente aproveitados por muitos portugueses para pequenas escapadas e o Algarve continua a ser uma das principais escolhas”, referiu. Segundo o responsável, estes períodos funcionam também como um “bom indicador” para o comportamento da procura na época alta.
Vem aí “uma época alta positiva”
Apesar do incremento registado nos últimos dias, André Gomes assinalou que “o reporte dos hoteleiros” aponta para um pequeno aumento de reservas do mercado interno, “embora sem variações significativas face à ocupação turística do ano anterior”.
O presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) destacou, no entanto, que o desempenho verificado “reforça a confiança do setor para os próximos meses”, numa altura em que a região ainda se prepara para o pico da procura turística.
“Estamos a falar de um destino consolidado como o Algarve, que tem mantido níveis de procura consistentes, nomeadamente por parte do mercado nacional”, frisou, apontando para a resiliência do destino.
Segundo o responsável, os atuais indicadores permitem antever uma época alta positiva, à semelhança de anos anteriores, sustentada tanto pelo mercado interno como pela procura internacional.
“É isso que nos leva a acreditar que, mais uma vez, a região do Algarve terá um bom desempenho ao nível da atividade turística durante a época alta”, afirmou, mostrando-se confiante quanto à evolução da procura nos próximos meses.
Portugal viveu nos Mundiais uma história de contrastes: começou com derrotas pesadas, encantou com Eusébio em Inglaterra e voltou a aproximar-se do topo quatro décadas depois.
1934: Portugal ‘frágil demais para a Espanha
Depois de não ter estado na qualificação para a primeira edição do Mundial, em 1930, Portugal estreou-se na corrida à edição de 1934, mas, num apuramento decidido numa única eliminatória, ‘esbarrou’ numa Espanha muito mais forte.
Crédito: Magnific
A primeira mão realizou-se em Madrid e tudo ficou desde logo decidido, com os espanhóis a golearem por 9-0, em 11 de março de 1934, com cinco golos de Isidro Lángara, dois de Luis Regueiro, um de Eduardo Valiño ‘Chacho’ e outro de Martí Ventolrá.
Na segunda mão, uma semana depois, em Lisboa, num jogo para ‘cumprir calendário’, o benfiquista Vítor Silva ainda adiantou a formação das ‘quinas’, mas um ‘bis’ de Lángara, para um total de sete na eliminatória, selou novo triunfo espanhol (1-2).
1938: Peyroteo não conseguiu ‘dobrar’ a Suíça
A qualificação para o Mundial de 1938 foi disputada num único jogo, em Milão, na Itália, e Portugal foi afastado da fase final pela Suíça, ao perder por 2-1, de nada valendo o tento de Peyroteo, num jogo em que atirou quatro vezes ao ‘ferro’.
Os helvéticos, que haviam chegado aos quartos de final em 1934, adiantaram-se para 2-0, com tentos de Georges Aeby e André Abegglen III, que, depois marcaria três na fase final, com o ‘leão’ Peyroteo a reduzir a diferença.
Segundo ‘rezam’ as crónicas da altura, Portugal teve uma série de oportunidades para, pelo menos, empatar o jogo, mas quatro remates embateram nos ‘ferros’ da baliza suíça, incluindo uma grande penalidade apontada por Cruz.
1950: Espanha afasta Portugal do Brasil
Pela segunda vez em três qualificações, Portugal disputou o acesso à fase final com a Espanha e, uma vez mais, acabou derrotado, comprometendo a presença no Brasil, em 1950, novamente no primeiro jogo, em Madrid.
O 5-1, selado por um ‘bis’ de Telmo Zarra, um tento de Estanislao Basora, um de José Panizzo e outro de Luis Molowny, contra um de Fernando Cabrita, jogador do Olhanense, deixaram o apuramento espanhol mais do que encaminhado. Na segunda mão, em Lisboa, Portugal conseguiu, ao quinto jogo, não perder na qualificação para o Mundial, com os tentos dos ‘violinos’ Travassos e Jesus Correia a valerem um empate a dois. Zarra e Augustín Gainza marcaram para a Espanha.
1954: Áustria também forte demais para Portugal
Portugal jogou o apuramento para o Mundial de 1954 com a Áustria e, a exemplo do que acontecera com a Espanha, na corrida às edições de 1934 e 1950, o ‘sonho’ morreu logo ao primeiro jogo, desta vez com uma goleada em Viena por 9-1. Erich Probst (cinco golos), Theodor Wagner (dois), Ernst Ocwirk e Ernst Happel ‘escreveram’ o triunfo dos austríacos, que ficariam em terceiro na Suíça, batidos por 6-1 nas meias-finais pela campeã RFA (32 à sensacional Hungria, na final). Pela formação lusa, marcou o benfiquista José Águas, sendo que, na segunda mão, no Estádio Nacional, em Lisboa, um esquema mais defensivo implementado por Salvador do Carmo não deu para ganhar, mas evitou nova derrota (0-0).
1958: Portugal ganha, mas cai perante Irlanda do Norte e Itália
Portugal alcançou, ao 10.º jogo, o primeiro triunfo num jogo de qualificação para o Mundial, mas não conseguiu chegar à Suécia, em 1958, ao ficar no último lugar do Grupo 8 de apuramento, atrás de Irlanda do Norte e da Itália.
A formação lusa começou a comprometer o apuramento nos dois primeiros jogos, ambos com a Irlanda do Norte, ao empatar 1-1 em Lisboa, onde o ‘violino’ Vasques apontou o tento luso, e perder 3-0 em Belfast.
Ao terceiro jogo, Portugal logrou o histórico primeiro triunfo em Mundiais, em 26 de maio de 1957, por 30, na receção à Itália, com tentos de Vasques, do portista António Teixeira e de Matateu (Belenenses), mas depois caiu, ao perder em San Siro por 3-0.
1962: Portugal até com Luxemburgo perdeu, na estreia de Eusébio
Portugal voltou a falhar a qualificação para o Mundial, em 1962, ao ficar bem atrás da Inglaterra no Grupo 6 de qualificação, sendo inclusive batido pelo Luxemburgo, no encontro que assinalou a estreia do ‘rei’ Eusébio com internacional ‘AA’. O começo foi prometedor, com um 6-0 ao Luxemburgo, selado com um ‘hat-trick’ de Yaúca, mas, ao segundo jogo, num ‘onze’ com oito benquistas que dias depois conquistariam a Taça dos Campeões, só foi possível empatar (1-1) na receção à Inglaterra.
Seguiu-se a deslocação ao Luxemburgo e uma ‘escandalosa’ derrota por 4-2, em 8 de outubro de 1961, na estreia de Eusébio, que marcou. Depois, obrigado a ganhar, Portugal, apesar de uma boa exibição, tombou em Wembley por 2-0.
1966: Portugal consegue terceiro lugar na estreia
Após sucessivas eliminações – seis para Mundiais e duas para Europeus -, Portugal qualificou-se para a fase final do Mundial de 1966 e, em Inglaterra, encantou, conseguindo o terceiro lugar, catapultado pelo ‘rei’ Eusébio, a grande figura da prova. O ‘Pantera Negra’, que já tinha sido o herói do apuramento, ao apontar sete dos nove tentos de Portugal, que se superiorizou a Checoslováquia, Roménia e Turquia, foi o melhor marcador da fase final, com nove golos, quatro deles à Coreia do Sul.
Os ‘magriços’ bateram Hungria (31), Bulgária (3-1) e o bicampeão Brasil (3-1), na fase de grupos, os norte-coreanos (0-3 para 5-3), nos ‘quartos’, para caírem nas ‘meias’ face à anfitriã Inglaterra (1-2). Ainda se salvou o ‘bronze’, face à URSS (2-1).
1970: Novo falhanço, claro, após o ‘brilharete’
Depois de encantar os ingleses, em 1966, Portugal voltou a iniciar, no Europeu de 1968, uma série de oito qualificações falhadas, que prosseguiram na corrida ao Mundial de 1970, com um lamentável quarto posto do Grupo 1.
Perante a Roménia, que se qualificou, Grécia e Suíça, a seleção lusa ficou no último lugar, isto depois de ter começado da melhor forma, com um expressivo 3-0 na receção aos romenos, selado por um ‘bis’ de Jacinto Santos e um tento de Jacinto João.
Depois, os romenos não mais perderam e Portugal não mais ganhou: perdeu por 4-2 em Atenas e por 20 na receção à Suíça, empatou 2-2 na receção aos gregos, caiu por 1-0 em Bucareste e, a acabar, empatou 1-1 em Berna.
1974: Portugal incapaz de bater Bulgária e Irlanda do Norte
Os dois triunfos face ao Chipre foram insuficientes para Portugal conseguir um lugar no Mundial de 1974, na RFA, já que não conseguiu bater a Bulgária e a Irlanda do Norte, face às quais somou três empates, em quatro jogos.
Portugal começou bem, com uma goleada por 4-0 na receção ao Chipre, um triunfo em Nicósia por 1-0, selado pelo ‘leão’ Chico Faria, e um empate a um golo em Coventry, na Inglaterra, face à Irlanda do Norte, graças a um penálti de Eusébio, aos 87 minutos.
O ‘Pantera Negra’ não mais marcaria por Portugal (41 tentos) e a seleção lusa fraquejou, depois, face à Bulgária (1-2 em Sófia e 2-2 em Lisboa, na despedida de Eusébio), selando o ‘adeus’, ainda antes de novo empate, em casa, com a Irlanda do Norte (1-1).
1978: Portugal sem argumentos perante a Polónia
Portugal fez uma boa fase de qualificação para o Mundial de 1978, na Argentina, com apenas uma derrota, mas que teve um peso imenso na eliminação, pois aconteceu em casa perante a Polónia (0-2), que terminou o Grupo 1 só com um empate cedido.
Após o desaire com os polacos, vencedores com um ‘bis’ de Lato, a seleção lusa somou três triunfos consecutivos, dois com a Dinamarca (1-0 em casa e 4-2 fora) e no Chipre, mas, depois, ao quinto jogo, não conseguiu ganhar em Chorzow (1-1). A Polónia ficou, desde logo, qualificada, de nada valendo a Portugal fechar com uma goleada, na receção ao Chipre (4-0, com o ‘leão’ Manuel Fernandes a chegar aos quatro golos na fase de apuramento). O desaire a abrir comprometeu.
1982: Portugal afastado pela também eliminada Suécia
Portugal superiorizou-se no confronto direto com a Escócia e não perdeu com a Irlanda do Norte, as seleções do Grupo 6 que se qualificaram para o Mundial de 1982, em Espanha, mas perdeu o apuramento com a também eliminada Suécia. Uma exibição do ‘outro Mundo’ de Bento, em Glasgow (0-0), indicou o caminho para Espanha, seguindo-se dois triunfos caseiros, com a Irlanda do Norte (1-0) e Israel (30), mas, após um excelente começo, Portugal somou quatro derrotas consecutivas.
A seleção lusa perdeu por 1-0 em Belfast e, depois, cedeu duas vezes com a Suécia, por 3-0 em Solna e 1-2 em Lisboa, ficando desde logo eliminado. Ainda assim, perdeu por impensáveis 4-1 em Israel, para, no fecho, bater em casa a Escócia por 2-1.
1986: Golos de Carlos Manuel não apagaram ‘vergonha’ Saltillo
Duas décadas depois, Portugal voltou à fase final do Mundial, em 1986, graças a um grande golo de Carlos Manuel, em Estugarda, com a RFA (1-0), ‘gracinha’ que o médio do Benfica repetiu já no México, na estreia, com a Inglaterra (1-0).
Tudo parecia correr de feição à formação de José Torres, mas o ‘caso Saltillo’, um conflito entre jogadores e dirigentes da FPF por causa de prémios e outros assuntos, ‘acabou’ por tudo ‘secar’, sendo que a lesão de Bento também não ajudou. Num Grupo F que apurou três seleções, Portugal – que na qualificação deixara pelo caminho Suécia e Checoslováquia – acabou por ser o único a cair, ao perder por 1-0 com a Polónia e por 3-1 com Marrocos, de nada valendo um tento de Diamantino.
1990: Portugal não ‘pôde’ com Bélgica e Checoslováquia
Portugal não conseguiu bater a Bélgica e Checoslováquia, somando com ambas um empate em casa e um desaire fora, e, por isso, ficou fora do Mundial de 1990, em Itália, como terceiro do Grupo 7, à frente de Suíça e Luxemburgo.
Portugal começou a comprometer na receção à Bélgica (1-1), num embate em que Rui Barros falhou golos em série e Silvino deu um grande ‘frango’, após o tento de Vítor Paneira, e, entre dois triunfos com a Suíça, claudicou em Bruxelas (3-0). A queda na Checoslováquia (1-2), ao sexto jogo, ditou, praticamente o adeus, uma vez, que, após um 30 no Luxemburgo, era ainda preciso golear em casa por quatro golos os checoslovacos, mas só foi possível empatar a zero.
1994: Portugal eliminado pela Itália e a Suíça
Portugal lutou até ao final pelo apuramento para o Mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos, mas acabou a um ponto da Suíça e dois
da Itália, no terceiro lugar do Grupo 1, que também incluía Escócia, Malta a Estónia. Portugal entrou a empatar na Escócia, que depois golearia na Luz por 5-0, venceu, como lhe competia, os embates com Malta e Estónia, e não perdeu com a Suíça, face à qual empatou 1-1 em Berna e ganhou no Porto por 1-0, com um tento de João Vieira Pinto. O problema de Portugal foram as derrotas com a Itália, por 3-1 nas Antas e, a acabar, por 1-0 em San Siro, onde era preciso ganhar e a equipa lusa pouco fez para o conseguir. “É preciso varrer a porcaria que há na FPF”, clamou o selecionador Carlos Queiroz.
1998: Marc Batta afasta Portugal de França
Uma decisão ‘escandalosa’ do árbitro francês Marc Batta, ao expulsar Rui Costa com um segundo amarelo por alegada demora a sair do campo quando ia ser substituído, ‘impediu’ Portugal de vencer na Alemanha e de se qualificar para o Mundial de 1998.
No jogo decisivo, em Berlim, Pedro Barbosa adiantou Portugal, mas, contra 10, Ulf Kirsten empatou e salvou os alemães, comprometendo o apuramento luso, que na última jornada era possível se a Ucrânia empatasse na Arménia, onde triunfou.
A formação das ‘quinas’ pode também queixar-se de si própria, de um arranque com um ‘nulo’ na Arménia e um desaire por 2-1 em Kiev. Portugal ainda empatou em casa com a Alemanha e na Irlanda do Norte, acabando a um ponto dos ucranianos e três dos alemães.
2002: Qualificação memorável ‘desbarata’ na Coreia do Sul
Portugal saiu invicto da qualificação, com a ‘geração de ouro’ no topo, após o terceiro posto no Euro2000, afastando uma ‘grande’ Holanda, mas na fase final, com Figo, então o melhor do Mundo, sem condições físicas, a equipa lusa dececionou.
O facilitismo com que o selecionador luso, António Oliveira, encarou o jogo de estreia custou um desaire por 3-2 com os Estados Unidos, que um 4-0 à Polónia, com um ‘hat-trick’ de Pauleta, não foi suficiente para ‘emendar’.
Na última ronda, o empate teria bastado, face à Coreia do Sul, mas Portugal, reduzido a 10, pelas expulsões de João Vieira Pinto e Beto, e muito infeliz, perdeu por 1-0, num jogo em que o avançado terá acertado um murro no árbitro após ter visto o vermelho.
2006: Portugal volta às meias-finais, 40 anos depois
Quarenta anos depois do feito dos ‘magriços’, Portugal chegou novamente às meias-finais do Mundial, em 2006, depois de uma qualificação sem derrotas, sete pontos à frente do segundo e que incluiu um 7-1 à Rússia, após um 2-2 no Liechtenstein.
Na Alemanha, Portugal só foi travado nas meias-finais, por uma França que já tinha sido ‘carrasca’ nas ‘meias’ dos Europeus de 1984 e 2000, e um penálti, mais do que escusado, cometido por Ricardo Carvalho e transformado por Zinédine Zidane.
Antes, Portugal bateu Angola (1-0), Irão (2-0) e México (2-1) na fase de grupos, ultrapassada ao segundo jogo, e afastou Holanda (1-0) e Inglaterra (3-1 nos penáltis, após 120 minutos sem golos) após batalhas intensas. No jogo do ‘bronze’, 1-3 com a Alemanha.
2010: Portugal esbarra na Espanha, após passar ‘play-off’
Portugal precisou de um ‘play-off’, com a Bósnia-Herzegovina (1-0 em casa e 1-0 fora), para garantir um lugar no Mundial de 2010, na África do Sul, onde caiu nos oitavos de final, afastado pela Espanha, que viria a conquistar a prova.
Um único golo sofrido, apontado por David Villa, acabou com o ‘sonho’ de Portugal, que, na primeira fase, somou dois empates a zero, com Costa do Marfim e Brasil, e a goleada da prova, ao bater a Coreia do Norte por 7-0, num jogo em que só Tiago ‘bisou’.
Na segunda aparição num Mundial, já com um dos melhores jogadores do Mundo, Cristiano Ronaldo voltou a só marcar um golo – em 2006 faturou de penálti ao Irão -, depois de ter ficado em ‘branco’ na qualificação.
2014: Portugal desilude no Brasil, conquistado no ‘play-off’
Quatro golos de Cristiano Ronaldo, no ‘play-off’ com a Suécia, de Zlatan Ibrahimovic, valeram a Portugal a terceira qualificação consecutiva para um Mundial, mas, em 2014, no Brasil, a desilusão foi grande, com o ‘trambolhão’ na fase de grupos. A formação das ‘quinas’ começou muito mal, ao sofrer uma pesada goleada (0-4) face à Alemanha, e quase tudo comprometeu no segundo jogo, com os Estados Unidos, ao permitir a reviravolta de 1-0 para 12, não conseguindo mais do que um empate (2-2).
Portugal ficou necessitado de golear o Gana na última ronda, mas só venceu por 2-1, com Cristiano Ronaldo, muito desinspirado, a selar o triunfo aos 80 minutos, sem evitar tornar-se o primeiro ‘Bola de Ouro’ em título a cair na fase de grupos.
2018: Portugal fica no primeiro jogo a eliminar, com Uruguai
Um arranque em ‘grande’ de Cristiano Ronaldo, com um ‘hat-trick’ à Espanha, seguido do golo da vitória sobre Marrocos, não teve sequência e Portugal caiu no Mundial de 2018 ao primeiro jogo a eliminar, perante o Uruguai. Depois do 3-3 com os espanhóis e do 1-0 aos marroquinos, a seleção lusa começou a ‘emperrar’ com um 1-1 com o Irão, cedido já nos descontos, para, depois, ser afastado por um ‘bis’ de Edinson Cavani, caindo nos ‘oitavos’, como em 2010. Para chegar à Rússia – quinta fase final seguida -, a formação comandada por Fernando Santos teve de esperar pelo último jogo, no qual foi competente, vencendo a Suíça por 2-0, na Luz, depois de uma entrada em falso precisamente em solo helvético (0-2).
2022: Seleção lusa volta aos ‘quartos’, mas não passa Marrocos
Portugal voltou, 16 anos depois, aos quartos de final, mas não passou essa fase, ao perder por 1-0 com Marrocos, depois de cilindrar a Suíça por 6-1, com um ‘hat-trick’ de Gonçalo Ramos, que ascendeu ao ‘onze’ luso no lugar de Cristiano Ronaldo.
No Grupo H, o conjunto de Fernando Santos selou o apuramento após dois jogos, ao vencer Gana (3-2) e Uruguai (2-0), seguindo-se um desaire por 2-1 frente à Coreia do Sul, num jogo marcado pela reação do capitão luso quando foi substituído. Para marcar presença no Qatar, Portugal voltou a precisar de ‘tempo extra’, superando nos play-offs, em casa, Turquia (3-1) e Macedónia do Norte (2-0), após a surpreendente derrota caseira com a Sérvia (1-2), a fechar o Grupo A.
Durante muitos anos (e ainda hoje) discutimos uma questão que parecia decisiva: será melhor para uma criança crescer com os pais juntos ou com os pais separados?
Hoje sabemos que essa não é a pergunta mais importante.
A investigação científica das últimas décadas tem demonstrado, de forma consistente, que aquilo que mais prejudica o desenvolvimento das crianças não é a separação dos pais em si mesma. O verdadeiro problema é a exposição prolongada ao conflito, ao medo, à insegurança e à perda de relações afetivas significativas.
Uma criança que vive numa família aparentemente intacta, mas marcada por discussões constantes, hostilidade e tensão emocional, pode sofrer mais do que uma criança cujos pais se separaram, mas conseguiram construir uma relação parental respeitadora e cooperante.
Podemos simplificar a realidade em três cenários.
– Pais juntos e em conflito permanente.
– Pais separados e em conflito permanente.
– Pais separados, mas capazes de cooperar e colocar os filhos acima das suas divergências.
A evidência aponta claramente para que este último cenário seja, em regra, o mais favorável ao desenvolvimento da criança.
E aponta também para que o segundo seja frequentemente o mais destrutivo.
Porque ao conflito junta-se a perda da convivência diária com um dos pais, os conflitos de lealdade, os sentimentos de abandono e, muitas vezes, anos de litigância que transformam a infância num campo de batalha.
O problema não está na forma jurídica da família.
Está no conflito.
E hoje sabemos que esse conflito não produz apenas sofrimento emocional.
Produz alterações reais no desenvolvimento da criança.
Afeta a forma como o cérebro se organiza.
Afeta os mecanismos de resposta ao stress.
Afeta a aprendizagem.
Afeta a saúde futura.
A criança não vive o conflito apenas na mente.
Vive-o no corpo inteiro.
Talvez por isso a verdadeira questão ética não seja descobrir quem tem razão.
Nem quem ganhou o processo.
Nem quem venceu a última batalha.
A verdadeira questão é outra:
Que direito tem um adulto de sacrificar o bem-estar dos seus filhos para continuar uma guerra contra o outro progenitor?
Ao longo da minha experiência profissional aprendi uma lição simples.
Os conflitos persistentes raramente sobrevivem quando uma das partes deixa de os alimentar.
Quando deixa de responder à agressão com agressão.
Quando deixa de procurar culpados.
Quando deixa de precisar de vencer.
Quando deixa de precisar de ter razão.
Quando passa a preocupar-se mais com a saúde dos filhos do que com a derrota do outro progenitor.
Ninguém discute sozinho.
Ninguém faz uma guerra sozinho.
O conflito exige cooperação.
A paz também.
É neste contexto que deve ser entendida a residência alternada.
Não como uma solução mágica.
Não como um objetivo em si mesmo.
Mas como um possível instrumento para garantir a presença de ambos os pais na vida da criança e reduzir dinâmicas de exclusão.
O essencial continua a ser o mesmo: reduzir o conflito.
Porque a pergunta decisiva não é:
«Com quem vive a criança?»
A pergunta decisiva é:
«Em que ambiente emocional vive a criança?»
Uma criança criada na paz, no respeito e na cooperação terá normalmente condições para crescer de forma saudável.
Uma criança criada no medo, na hostilidade e na guerra permanente pagará frequentemente esse preço durante muitos anos.
Às vezes durante toda a vida.
E quando isso acontece, não perde apenas a criança.
Perde a família.
Perde a comunidade.
Perde a sociedade inteira.
Talvez esteja na altura de compreendermos uma verdade simples: proteger as crianças não significa escolher um dos pais.
Significa protegê-las da guerra entre eles.
Talvez a verdadeira medida do amor pelos filhos não esteja naquilo que fazemos por eles, mas sim naquilo que somos capazes de deixar de fazer ao outro progenitor por causa deles.
Porque o amor sem segurança não é amor; é apenas uma necessidade adulta disfarçada de afeto.
Nota bibliográfica:As ideias expostas neste texto apoiam-se na prática do autor e, doutrinalmente, entre outros, nos trabalhos de Vincent Felitti, Bruce Perry, Bessel van der Kolk, Jack Shonkoff e John Bowlby sobre trauma, desenvolvimento infantil e teoria do apego.
Num momento em que as avaliações externas em formato digital assumem um papel cada vez mais relevante no sistema educativo português, a Universidade do Algarve acaba de disponibilizar uma nova funcionalidade gratuita na plataforma MILAGE APRENDER+, permitindo aos alunos prepararem-se para as provas nacionais em ambiente digital igual ao das avaliações oficiais.
A novidade surge numa altura em que milhares de alunos do ensino básico se preparam para realizar provas e exames em formato digital, exigindo não apenas a consolidação dos conteúdos curriculares, mas também a familiarização com novas formas de interação, navegação e resolução de questões no computador.
Desenvolvida pela Universidade do Algarve e atualmente explorada pela Associação Ser MILAGE, a plataforma MILAGE APRENDER+ passou a permitir a geração automática de provas de treino digitais, estruturadas de forma igual às provas oficiais disponibilizadas pelo EduQA. Os alunos podem realizar múltiplas tentativas, praticar ao seu próprio ritmo e receber feedback imediato sobre o seu desempenho, identificando mais facilmente os conteúdos em que apresentam maiores dificuldades.
MAURO FIGUEIREDO – Coordenador do Projeto MILAGE APRENDER+ da Universidade do Algarve
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Esta funcionalidade integra-se num projeto educativo que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a apoiar escolas de diferentes regiões do país na integração das tecnologias digitais ao serviço das aprendizagens. Resultado da investigação académica e da experiência acumulada em contexto escolar, a plataforma MILAGE APRENDER+ procura responder a um dos grandes desafios da educação contemporânea: utilizar a tecnologia não apenas como um recurso complementar, mas como uma plataforma educativa capaz de promover uma aprendizagem mais ativa, personalizada e inclusiva.
Disponível gratuitamente para todas as disciplinas, desde o pré-escolar até ao 12.º ano de escolaridade, a plataforma reúne vídeos educativos, recursos digitais interativos, atividades diferenciadas e funcionalidades de acompanhamento que permitem aos professores monitorizar o progresso dos seus alunos em tempo real.
O modelo pedagógico da MILAGE assenta em princípios reconhecidos pela investigação educacional como potenciadores do sucesso escolar. A autonomia dos alunos é incentivada através da realização de atividades ao seu próprio ritmo, enquanto mecanismos de gamificação contribuem para aumentar a motivação e o envolvimento nas tarefas propostas. Paralelamente, os processos de autoavaliação e avaliação entre pares promovem a reflexão crítica sobre as aprendizagens e o desenvolvimento de competências de responsabilidade e autorregulação.
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Os dados recolhidos em diferentes contextos educativos evidenciam igualmente resultados encorajadores. Em várias escolas que integraram iniciativas apoiadas pela plataforma MILAGE APRENDER+, verificaram-se melhorias significativas nos desempenhos dos alunos.
Os números representam apenas uma parte do impacto alcançado. Mais significativa é a forma como professores, alunos e famílias reconhecem na plataforma uma ferramenta capaz de tornar a aprendizagem mais motivadora, mais personalizada e mais próxima das necessidades reais de cada estudante.
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Num contexto em que a transformação digital da educação continua a colocar novos desafios às escolas, a experiência acumulada ao longo dos últimos anos reforça a convicção de que a inovação tecnológica produz melhores resultados quando é colocada ao serviço das pessoas e integrada em práticas pedagógicas que valorizam o papel dos professores.
A plataforma encontra-se disponível gratuitamente em webmilage.ualg.pt, permitindo a qualquer aluno, professor ou encarregado de educação explorar os seus recursos e funcionalidades. Mais informações sobre a Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel no Projeto MILAGE e os Prémios MILAGE APRENDER+ podem ser consultadas em milagelearnmore.org.
Continuaremos, por isso, a trabalhar para que a tecnologia contribua para uma educação mais inclusiva, mais humana e mais capaz de responder aos desafios de uma sociedade em permanente transformação.
A funcionar como creche para crianças dos 0 aos 2 anos e jardim de infância dos 3 aos 5, o Infantário Pimpão é hoje uma das instituições de referência na educação de infância em Tavira. Fundado em fevereiro de 1983, o espaço acompanha há mais de quatro décadas várias gerações de famílias tavirenses.
Numa fase inicial, o infantário funcionou onde é hoje a Escola D. Manuel I em Tavira, acolhendo sobretudo filhos de funcionários do Ministério da Educação. Em setembro de 1989, abriu portas para a restante comunidade e mudou-se para as instalações construídas de raiz, onde continua a funcionar até hoje.
Maria Luís, presidente da direção, e Eugénia Sousa, diretora pedagógica, estão ligadas ao Pimpão há 42 anos. As duas educadoras assumiram a direção em 1996, numa altura marcada por dificuldades financeiras que chegaram a colocar em risco a continuidade da instituição.
“Pegámos nisto para salvar o nosso posto de trabalho e o das restantes funcionárias”, recordam as responsáveis. Com uma gestão rigorosa e muito esforço pessoal, conseguiram recuperar a estabilidade da instituição sem comprometer o projeto educativo nem a qualidade do trabalho desenvolvido com as crianças.
Educação participativa e ligação próxima às famílias
Ao longo dos anos, o Pimpão distinguiu-se pela aposta numa educação participativa, próxima das famílias e centrada no desenvolvimento infantil. “Nunca vimos a creche apenas como um espaço para guardar crianças”, sublinham ao POSTAL.
A instituição trabalha segundo as orientações curriculares estruturadas em três áreas fundamentais: formação pessoal e social, expressão e comunicação e conhecimento do mundo para a educação infantil, desenvolvendo projetos pedagógicos adaptados aos interesses e necessidades das crianças, referiu a presidente ao POSTAL.
A aprendizagem é construída através da exploração, da comunicação e da interação com o meio envolvente, numa metodologia que valoriza a curiosidade natural dos mais novos.
A relação com as famílias continua a ser uma das principais marcas do infantário. Os pais podem acompanhar de perto o quotidiano das crianças, numa lógica de “porta aberta” que, segundo as responsáveis, fortalece a confiança e o envolvimento familiar.
“As crianças são o melhor veículo de comunicação. São elas que mostram aos pais aquilo que aprenderam e viveram aqui”, acrescenta Maria Luís ao POSTAL.
Gerações de tavirenses continuam ligadas ao Pimpão
Ao longo das últimas décadas, o Infantário Pimpão estabeleceu ainda parcerias com diversas entidades locais, escolas profissionais, universidades e instituições internacionais.
Atualmente, muitas das crianças que passaram pelo infantário regressam enquanto pais dos novos alunos, algo que as responsáveis encaram como reflexo do impacto que o Pimpão continua a ter na comunidade tavirense.
Para Eugénia Sousa, o segredo continua a estar na forma como vivem diariamente a profissão. “Transformar as ações educativas numa festa é o mais importante”, afirma, acrescentando que “se nós não estivermos motivadas, também não conseguimos motivar as crianças.”
Já Maria Luís resume o percurso no Pimpão como “um privilégio”.
“Transformar a educação num prazer continua a ser o mais importante”, concluem as responsáveis.
Portugal registou 87.130 partos em 2025, mais 3.071 do que no ano anterior, o que representa um aumento de 3,7%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)
A subida interrompe a quebra verificada entre 2023 e 2024 e retoma a tendência de crescimento observada desde 2022. De acordo com a publicação “Estatísticas dos partos”, o número de partos aumentou em todas as regiões do país, com exceção da Madeira, onde se registou uma diminuição de 3,3%.
Os dados do INE destacam ainda o crescimento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira, que passou de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025. Estas parturientes residem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.
“O conjunto de nacionalidades estrangeiras mais representadas manteve-se em relação ao ano anterior, reforçando o peso no total de partos, com destaque para o Brasil (10,5% do total de partos em 2025)”, salienta o INE.
A região Norte registou o maior número de partos de mulheres residentes em Portugal, com 29,8% do total, seguindo-se a Grande Lisboa, com 25,6%, e a região Centro, com 13,7%. Nos últimos 20 anos, aumentou também a idade das parturientes.
Entre 2003 e 2025, a proporção de partos de mães com 35 ou mais anos passou de 17,2% para 32%. O INE sublinha ainda que as cesarianas aumentaram de 27,1% para 38,6% dos partos realizados em hospitais entre 1999 e 2024. Em 2025, 98,5% dos nascimentos ocorreram em estabelecimentos hospitalares.
Num raro momento de generosidade para com os contribuintes, a Assembleia da República aprovou em 2006 uma nova Lei das Finanças Locais (Lei 2/2007 de 15 de Janeiro), na qual conferiu a cada Município 5% das receitas do IRS liquidado anualmente por quem tenha domicílio fiscal na sua área geográfica. Mas também foi dada a cada autarquia a possibilidade de devolver essa receita aos cidadãos, total ou parcialmente, assim aliviando a carga fiscal que asfixia a grande maioria (de quem paga impostos). Uma consulta ao sítio electrónico da Autoridade Tributária traz algumas revelações interessantes. Apenas seis dos municípios algarvios decidiram no sentido de devolver essas quantias na sua totalidade: Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Lagos, Loulé e Vila do Bispo. Outros, ficam-se a meio caminho. S. Brás de Alportel, Silves e Vila Real de Santo António não devolvem um tusto, mas compreende-se. A um falta-lhe dimensão orçamental e territorial, outro deve ter uma visão ideológica do problema, e o terceiro continua afogado em dívidas passadas. Agora, dois dos municípios mais pujantes do Algarve, são dos mais avarentos. Faro, devolve a ninharia de 0,5%, e Olhão prescinde apenas de 1%. Há um elo comum chamado António Pina. Liderava Olhão, e agora chefia Faro. O sovina é o mesmo.
Claro que este é o tipo de irritação que encontra nos políticos o alvo mais fácil, o bode expiatório de todos os males, o exutório da frustração colectiva feita de um cúmulo de frustrações individuais. Aqui, o alvo está mesmo ali à frente como numa tenda de feira onde se atiram bolas de trapos para derrubar os bonecos. O pior são as irritações que advêm da falta de civismo dos cidadãos, e quando se multiplicam os exemplos quotidianos da falta de ética, onde prevalece o chico-espertismo de alguns, em claro desrespeito pelo próximo e pelas regras de convivência de toda a comunidade. Existem hoje condições no sistema escolar como nenhum de nós alguma vez sonhou. Todos os anos sai das universidades um número inacreditável de doutores, mestres, prof-docs. O analfabetismo clássico roça taxas marginais. A (des)informação tomou conta em excesso do nosso quotidiano, mas – porém todavia contudo como se costumava recitar antigamente – parece que os valores cívicos estão em queda livre.
Nunca houve tantas leis, tantas posturas municipais, tantos regulamentos, tantos sinais e códigos proibitivos, mas impressiona o número de indivíduos que têm prazer em vandalizar infraestruturas que pertencem a todos, como jardins, transportes, mobiliário urbano, monumentos, fachadas, contentores de lixo até. Independentemente da guerra dos guarda-sóis que subitamente se declarou nas nossas praias, é irritante ver quem se levanta cedo só para marcar com toalhas os espaços de areia que outros virão ocupar mais tarde, ou cativam espreguiçadeiras nas piscinas de prédios e hotéis. É irritante ver como certos automobilistas não respeitam as filas de trânsito, e intrometem-se mais à frente dos outros, sem vergonha nem rebuço. Há demasiados loucos na estrada, que se mocam dos limites de velocidade e da segurança de terceiros. Irrita que a polícia raramente esteja onde se pensa que faz falta. Irrita, ver certos adiantados mentais estacionar em lugares destinados a veículos de pessoas com certas dificuldades. Já para não falar, nos transportes públicos, de quem ocupa lugares reservados para idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
Causa irritação ver tanta gente de telemóvel na mão, ou nas orelhas, a falar aos gritos no meio da rua ou no interior de uma carruagem de combóio ou de autocarro, incomodando os outros, esparramando a sua própria privacidade como se estivesse numa cabine telefónica sem porta. Há um acréscimo de gente que atira garrafas, restos de comida, papéis, papelões e detritos de jardinagem para o meio da rua, sabendo que alguém terá de limpar a porcaria que faz. Tudo isto são irritações cívicas. Já agora, redireccionando os binóculos na direcção de quem manda nisto tudo, é revoltante ver a escassez de lugares destinados ao público que se encontra nas gares rodoviárias, ferroviárias ou aeroportuárias. Está tudo feito para o negócio, e para a exploração do zé povinho. Esgotados os parcos assentos disponíveis, a alternativa é ficar de pé, ou pagar comes e bebes para ficar sentado no espaço dos concessionários. Num país onde a taxa de atraso dos transportes é gigantesca, ninguém parece preocupado em servir o público como deve ser. É preciso é que pague e que consuma, mesmo que não lhe apeteça. Falta-nos cada vez mais a dimensão ética na atitude cívica. Que se lixem os princípios, salve-se quem puder, parece ser o mote dos tempos que correm.