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Leão XIV: a coragem dos limites | Por Miguel Freitas

14 June 2026 at 07:30

Neste tempo em que a velocidade substitui a reflexão, em que a tecnologia avança mais depressa do que a consciência, em que a inteligência artificial promete tudo e tudo questiona, em que a guerra volta a procurar legitimidade moral, em que o trabalho humano corre o risco de se tornar peça descartável de uma engrenagem sem rosto, é raro surgir uma voz capaz de interromper o ruído. Uma voz serena, mas firme. Uma voz que recorda limites, quando o mundo celebra apenas a ausência deles.

Leão XIV chegou ao pontificado sem estridência. Mas há inícios que não precisam de espetáculo. Precisam apenas de clareza. E a Encíclica Magnifica Humanitas é precisamente isso: um gesto de clareza num tempo de confusão moral. Um texto que devolve densidade às palavras humanidade, responsabilidade e dignidade. E que recusa aceitar como inevitável aquilo que apenas resulta da desistência ética.

O Papa fala-nos da inteligência artificial como a nova Torre de Babel. Não pela tecnologia em si, mas pela tentação antiga que nela regressa: a ilusão de omnipotência. A ideia de que tudo o que pode ser criado deve necessariamente ser usado. A crença de que o progresso técnico contém, por si só, progresso humano. Recorda-nos que uma civilização pode acumular conhecimento e, ainda assim, perder sabedoria.

Fala-nos da contenção, palavra quase desaparecida do léxico contemporâneo. Contenção como virtude política. Como prudência civilizacional. Como consciência de que há fronteiras que existem para proteger o humano de si próprio. Afirma que delegar decisões morais em algoritmos não representa apenas um erro técnico; representa uma abdicação espiritual. E deixa uma pergunta incómoda: quem responde pela consciência quando a consciência deixa de responder?

É também neste contexto que Leão XIV estabelece um paralelo particularmente poderoso entre a inteligência artificial e o desarmamento nuclear. Recorda que a Igreja há muito se comprometeu com o desarmamento atómico como serviço à paz e à dignidade humana. E acrescenta que também a inteligência artificial precisa hoje de ser “desarmada”: libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão ou morte. Porque, tal como a energia nuclear, a tecnologia nunca pode ser neutra quando colocada ao serviço do poder sem consciência. As decisões sobre a técnica, insiste, nunca devem ser separadas da responsabilidade moral de quem as toma.

Enfrenta também, com rara frontalidade, a teoria da “guerra justa”. Num tempo em que os conflitos regressam revestidos de justificações estratégicas, geopolíticas ou até humanitárias, Leão XIV recusa a normalização da violência. Recusa a transformação da morte em cálculo aceitável. Refere que nenhuma guerra permanece justa quando os civis se tornam estatística, quando a destruição se converte em espetáculo, quando a linguagem militar substitui a linguagem humana. Fala de paz, não como ingenuidade, mas como exigência moral. Porque a paz não é ausência de conflito; é presença de humanidade.

E fala-nos do trabalho. Do novo proletariado invisível. Dos homens e mulheres substituídos silenciosamente, fragmentados pela lógica da produtividade absoluta, avaliados por métricas que ignoram cansaço, família, tempo e afeto. Fala de uma servidão administrada por notificações e disponibilidade permanente. De uma precariedade sofisticada que transforma a insegurança em normalidade. Recorda que o trabalho não pode ser apenas função económica. Tem de continuar a ser espaço de dignidade, participação e sentido.

Leão XIV escreve como quem observa o mundo sem ilusões, mas sem ceder ao cinismo. Há na Magnifica Humanitas uma coragem rara: a coragem de impor perguntas num tempo obcecado por respostas rápidas. A coragem de defender o humano quando tudo parece empurrar para a sua diluição.

Depois de tudo isto, continua a acreditar. A acreditar que a técnica pode servir sem dominar. Que a política pode recuperar grandeza. Que a economia pode reencontrar justiça. E que o verdadeiro risco do nosso tempo talvez não seja o excesso de tecnologia, mas a ausência de consciência capaz de a limitar.

Foi talvez essa rara combinação de lucidez e esperança que me trouxe de volta a este espaço de escrita. Para poder continuar a acreditar.

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Algarve ganha fôlego com feriados de junho e hotéis perto da lotação esgotada

13 June 2026 at 18:00

A ocupação hoteleira no Algarve vai rondar os 80% durante as miniférias proporcionadas pelos feriados de junho, com um ligeiro aumento da procura face ao ano passado, disseram esta terça-feira à Lusa fontes do setor.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Hélder Martins, disse à Lusa que a expectativa era que a ocupação na região no período dos feriados de 4 e 10 de junho rondasse os 80%.

“A nossa expectativa é que nesta semana dos feriados nós vamos ultrapassar os 80% de ocupação, o que é muito bom”, afirmou, sublinhando que o mercado português é o que mais está a contribuir para os resultados alcançados pelo turismo algarvio nesta altura.

Quem optou por ir para a região está também a beneficiar de uns dias com tempo quente e sem chuva, com a meteorologia a ajudar as famílias a usufruir dos primeiros dias de praia, observou o presidente da associação empresarial algarvia. “Para as empresas […], é o aquecer os motores e, a partir de agora, entrarmos aqui já num período de época média-alta até chegarmos à época alta. Portanto, estamos satisfeitos com a procura que houve”, concluiu.

Também o presidente do Turismo do Algarve afirmou que os feriados contribuíram para um ligeiro aumento da procura de portugueses pela região, “embora os níveis se mantenham” em linha com os registados no ano passado.

Em declarações à agência Lusa, André Gomes sublinhou que o Algarve continua a ser “um destino de eleição” para o mercado interno durante períodos festivos, refletindo-se numa dinâmica positiva da atividade turística.

“Os feriados são tradicionalmente aproveitados por muitos portugueses para pequenas escapadas e o Algarve continua a ser uma das principais escolhas”, referiu. Segundo o responsável, estes períodos funcionam também como um “bom indicador” para o comportamento da procura na época alta.

Vem aí “uma época alta positiva”

Apesar do incremento registado nos últimos dias, André Gomes assinalou que “o reporte dos hoteleiros” aponta para um pequeno aumento de reservas do mercado interno, “embora sem variações significativas face à ocupação turística do ano anterior”.

O presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) destacou, no entanto, que o desempenho verificado “reforça a confiança do setor para os próximos meses”, numa altura em que a região ainda se prepara para o pico da procura turística.

“Estamos a falar de um destino consolidado como o Algarve, que tem mantido níveis de procura consistentes, nomeadamente por parte do mercado nacional”, frisou, apontando para a resiliência do destino.

Segundo o responsável, os atuais indicadores permitem antever uma época alta positiva, à semelhança de anos anteriores, sustentada tanto pelo mercado interno como pela procura internacional.

“É isso que nos leva a acreditar que, mais uma vez, a região do Algarve terá um bom desempenho ao nível da atividade turística durante a época alta”, afirmou, mostrando-se confiante quanto à evolução da procura nos próximos meses.

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Mundial2026: As participações de Portugal, edição a edição

13 June 2026 at 16:00

Portugal viveu nos Mundiais uma história de contrastes: começou com derrotas pesadas, encantou com Eusébio em Inglaterra e voltou a aproximar-se do topo quatro décadas depois.

1934: Portugal ‘frágil demais para a Espanha

Depois de não ter estado na qualificação para a primeira edição do Mundial, em 1930, Portugal estreou-se na corrida à edição de 1934, mas, num apuramento decidido numa única eliminatória, ‘esbarrou’ numa Espanha muito mais forte.

Crédito: Magnific

A primeira mão realizou-se em Madrid e tudo ficou desde logo decidido, com os espanhóis a golearem por 9-0, em 11 de março de 1934, com cinco golos de Isidro Lángara, dois de Luis Regueiro, um de Eduardo Valiño ‘Chacho’ e outro de Martí Ventolrá.

Na segunda mão, uma semana depois, em Lisboa, num jogo para ‘cumprir calendário’, o benfiquista Vítor Silva ainda adiantou a formação das ‘quinas’, mas um ‘bis’ de Lángara, para um total de sete na eliminatória, selou novo triunfo espanhol (1-2).

1938: Peyroteo não conseguiu ‘dobrar’ a Suíça

A qualificação para o Mundial de 1938 foi disputada num único jogo, em Milão, na Itália, e Portugal foi afastado da fase final pela Suíça, ao perder por 2-1, de nada valendo o tento de Peyroteo, num jogo em que atirou quatro vezes ao ‘ferro’.

Os helvéticos, que haviam chegado aos quartos de final em 1934, adiantaram-se para 2-0, com tentos de Georges Aeby e André Abegglen III, que, depois marcaria três na fase final, com o ‘leão’ Peyroteo a reduzir a diferença.

Segundo ‘rezam’ as crónicas da altura, Portugal teve uma série de oportunidades para, pelo menos, empatar o jogo, mas quatro remates embateram nos ‘ferros’ da baliza suíça, incluindo uma grande penalidade apontada por Cruz.

1950: Espanha afasta Portugal do Brasil

Pela segunda vez em três qualificações, Portugal disputou o acesso à fase final com a Espanha e, uma vez mais, acabou derrotado, comprometendo a presença no Brasil, em 1950, novamente no primeiro jogo, em Madrid.

O 5-1, selado por um ‘bis’ de Telmo Zarra, um tento de Estanislao Basora, um de José Panizzo e outro de Luis Molowny, contra um de Fernando Cabrita, jogador do Olhanense, deixaram o apuramento espanhol mais do que encaminhado. Na segunda mão, em Lisboa, Portugal conseguiu, ao quinto jogo, não perder na qualificação para o Mundial, com os tentos dos ‘violinos’ Travassos e Jesus Correia a valerem um empate a dois. Zarra e Augustín Gainza marcaram para a Espanha.

1954: Áustria também forte demais para Portugal

Portugal jogou o apuramento para o Mundial de 1954 com a Áustria e, a exemplo do que acontecera com a Espanha, na corrida às edições de 1934 e 1950, o ‘sonho’ morreu logo ao primeiro jogo, desta vez com uma goleada em Viena por 9-1. Erich Probst (cinco golos), Theodor Wagner (dois), Ernst Ocwirk e Ernst Happel ‘escreveram’ o triunfo dos austríacos, que ficariam em terceiro na Suíça, batidos por 6-1 nas meias-finais pela campeã RFA (32 à sensacional Hungria, na final). Pela formação lusa, marcou o benfiquista José Águas, sendo que, na segunda mão, no Estádio Nacional, em Lisboa, um esquema mais defensivo implementado por Salvador do Carmo não deu para ganhar, mas evitou nova derrota (0-0).

1958: Portugal ganha, mas cai perante Irlanda do Norte e Itália

Portugal alcançou, ao 10.º jogo, o primeiro triunfo num jogo de qualificação para o Mundial, mas não conseguiu chegar à Suécia, em 1958, ao ficar no último lugar do Grupo 8 de apuramento, atrás de Irlanda do Norte e da Itália.

A formação lusa começou a comprometer o apuramento nos dois primeiros jogos, ambos com a Irlanda do Norte, ao empatar 1-1 em Lisboa, onde o ‘violino’ Vasques apontou o tento luso, e perder 3-0 em Belfast.

Ao terceiro jogo, Portugal logrou o histórico primeiro triunfo em Mundiais, em 26 de maio de 1957, por 30, na receção à Itália, com tentos de Vasques, do portista António Teixeira e de Matateu (Belenenses), mas depois caiu, ao perder em San Siro por 3-0.

1962: Portugal até com Luxemburgo perdeu, na estreia de Eusébio

Portugal voltou a falhar a qualificação para o Mundial, em 1962, ao ficar bem atrás da Inglaterra no Grupo 6 de qualificação, sendo inclusive batido pelo Luxemburgo, no encontro que assinalou a estreia do ‘rei’ Eusébio com internacional ‘AA’. O começo foi prometedor, com um 6-0 ao Luxemburgo, selado com um ‘hat-trick’ de Yaúca, mas, ao segundo jogo, num ‘onze’ com oito benquistas que dias depois conquistariam a Taça dos Campeões, só foi possível empatar (1-1) na receção à Inglaterra.

Seguiu-se a deslocação ao Luxemburgo e uma ‘escandalosa’ derrota por 4-2, em 8 de outubro de 1961, na estreia de Eusébio, que marcou. Depois, obrigado a ganhar, Portugal, apesar de uma boa exibição, tombou em Wembley por 2-0.

1966: Portugal consegue terceiro lugar na estreia

Após sucessivas eliminações – seis para Mundiais e duas para Europeus -, Portugal qualificou-se para a fase final do Mundial de 1966 e, em Inglaterra, encantou, conseguindo o terceiro lugar, catapultado pelo ‘rei’ Eusébio, a grande figura da prova. O ‘Pantera Negra’, que já tinha sido o herói do apuramento, ao apontar sete dos nove tentos de Portugal, que se superiorizou a Checoslováquia, Roménia e Turquia, foi o melhor marcador da fase final, com nove golos, quatro deles à Coreia do Sul.

Os ‘magriços’ bateram Hungria (31), Bulgária (3-1) e o bicampeão Brasil (3-1), na fase de grupos, os norte-coreanos (0-3 para 5-3), nos ‘quartos’, para caírem nas ‘meias’ face à anfitriã Inglaterra (1-2). Ainda se salvou o ‘bronze’, face à URSS (2-1).

1970: Novo falhanço, claro, após o ‘brilharete’

Depois de encantar os ingleses, em 1966, Portugal voltou a iniciar, no Europeu de 1968, uma série de oito qualificações falhadas, que prosseguiram na corrida ao Mundial de 1970, com um lamentável quarto posto do Grupo 1.

Perante a Roménia, que se qualificou, Grécia e Suíça, a seleção lusa ficou no último lugar, isto depois de ter começado da melhor forma, com um expressivo 3-0 na receção aos romenos, selado por um ‘bis’ de Jacinto Santos e um tento de Jacinto João.

Depois, os romenos não mais perderam e Portugal não mais ganhou: perdeu por 4-2 em Atenas e por 20 na receção à Suíça, empatou 2-2 na receção aos gregos, caiu por 1-0 em Bucareste e, a acabar, empatou 1-1 em Berna.

1974: Portugal incapaz de bater Bulgária e Irlanda do Norte

Os dois triunfos face ao Chipre foram insuficientes para Portugal conseguir um lugar no Mundial de 1974, na RFA, já que não conseguiu bater a Bulgária e a Irlanda do Norte, face às quais somou três empates, em quatro jogos.

Portugal começou bem, com uma goleada por 4-0 na receção ao Chipre, um triunfo em Nicósia por 1-0, selado pelo ‘leão’ Chico Faria, e um empate a um golo em Coventry, na Inglaterra, face à Irlanda do Norte, graças a um penálti de Eusébio, aos 87 minutos.

O ‘Pantera Negra’ não mais marcaria por Portugal (41 tentos) e a seleção lusa fraquejou, depois, face à Bulgária (1-2 em Sófia e 2-2 em Lisboa, na despedida de Eusébio), selando o ‘adeus’, ainda antes de novo empate, em casa, com a Irlanda do Norte (1-1).

1978: Portugal sem argumentos perante a Polónia

Portugal fez uma boa fase de qualificação para o Mundial de 1978, na Argentina, com apenas uma derrota, mas que teve um peso imenso na eliminação, pois aconteceu em casa perante a Polónia (0-2), que terminou o Grupo 1 só com um empate cedido.

Após o desaire com os polacos, vencedores com um ‘bis’ de Lato, a seleção lusa somou três triunfos consecutivos, dois com a Dinamarca (1-0 em casa e 4-2 fora) e no Chipre, mas, depois, ao quinto jogo, não conseguiu ganhar em Chorzow (1-1). A Polónia ficou, desde logo, qualificada, de nada valendo a Portugal fechar com uma goleada, na receção ao Chipre (4-0, com o ‘leão’ Manuel Fernandes a chegar aos quatro golos na fase de apuramento). O desaire a abrir comprometeu.

1982: Portugal afastado pela também eliminada Suécia

Portugal superiorizou-se no confronto direto com a Escócia e não perdeu com a Irlanda do Norte, as seleções do Grupo 6 que se qualificaram para o Mundial de 1982, em Espanha, mas perdeu o apuramento com a também eliminada Suécia. Uma exibição do ‘outro Mundo’ de Bento, em Glasgow (0-0), indicou o caminho para Espanha, seguindo-se dois triunfos caseiros, com a Irlanda do Norte (1-0) e Israel (30), mas, após um excelente começo, Portugal somou quatro derrotas consecutivas.

A seleção lusa perdeu por 1-0 em Belfast e, depois, cedeu duas vezes com a Suécia, por 3-0 em Solna e 1-2 em Lisboa, ficando desde logo eliminado. Ainda assim, perdeu por impensáveis 4-1 em Israel, para, no fecho, bater em casa a Escócia por 2-1.

1986: Golos de Carlos Manuel não apagaram ‘vergonha’ Saltillo

Duas décadas depois, Portugal voltou à fase final do Mundial, em 1986, graças a um grande golo de Carlos Manuel, em Estugarda, com a RFA (1-0), ‘gracinha’ que o médio do Benfica repetiu já no México, na estreia, com a Inglaterra (1-0).

Tudo parecia correr de feição à formação de José Torres, mas o ‘caso Saltillo’, um conflito entre jogadores e dirigentes da FPF por causa de prémios e outros assuntos, ‘acabou’ por tudo ‘secar’, sendo que a lesão de Bento também não ajudou. Num Grupo F que apurou três seleções, Portugal – que na qualificação deixara pelo caminho Suécia e Checoslováquia – acabou por ser o único a cair, ao perder por 1-0 com a Polónia e por 3-1 com Marrocos, de nada valendo um tento de Diamantino.

1990: Portugal não ‘pôde’ com Bélgica e Checoslováquia

Portugal não conseguiu bater a Bélgica e Checoslováquia, somando com ambas um empate em casa e um desaire fora, e, por isso, ficou fora do Mundial de 1990, em Itália, como terceiro do Grupo 7, à frente de Suíça e Luxemburgo.

Portugal começou a comprometer na receção à Bélgica (1-1), num embate em que Rui Barros falhou golos em série e Silvino deu um grande ‘frango’, após o tento de Vítor Paneira, e, entre dois triunfos com a Suíça, claudicou em Bruxelas (3-0). A queda na Checoslováquia (1-2), ao sexto jogo, ditou, praticamente o adeus, uma vez, que, após um 30 no Luxemburgo, era ainda preciso golear em casa por quatro golos os checoslovacos, mas só foi possível empatar a zero.

1994: Portugal eliminado pela Itália e a Suíça

Portugal lutou até ao final pelo apuramento para o Mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos, mas acabou a um ponto da Suíça e dois

da Itália, no terceiro lugar do Grupo 1, que também incluía Escócia, Malta a Estónia. Portugal entrou a empatar na Escócia, que depois golearia na Luz por 5-0, venceu, como lhe competia, os embates com Malta e Estónia, e não perdeu com a Suíça, face à qual empatou 1-1 em Berna e ganhou no Porto por 1-0, com um tento de João Vieira Pinto. O problema de Portugal foram as derrotas com a Itália, por 3-1 nas Antas e, a acabar, por 1-0 em San Siro, onde era preciso ganhar e a equipa lusa pouco fez para o conseguir. “É preciso varrer a porcaria que há na FPF”, clamou o selecionador Carlos Queiroz.

1998: Marc Batta afasta Portugal de França

Uma decisão ‘escandalosa’ do árbitro francês Marc Batta, ao expulsar Rui Costa com um segundo amarelo por alegada demora a sair do campo quando ia ser substituído, ‘impediu’ Portugal de vencer na Alemanha e de se qualificar para o Mundial de 1998.

No jogo decisivo, em Berlim, Pedro Barbosa adiantou Portugal, mas, contra 10, Ulf Kirsten empatou e salvou os alemães, comprometendo o apuramento luso, que na última jornada era possível se a Ucrânia empatasse na Arménia, onde triunfou.

A formação das ‘quinas’ pode também queixar-se de si própria, de um arranque com um ‘nulo’ na Arménia e um desaire por 2-1 em Kiev. Portugal ainda empatou em casa com a Alemanha e na Irlanda do Norte, acabando a um ponto dos ucranianos e três dos alemães.

2002: Qualificação memorável ‘desbarata’ na Coreia do Sul

Portugal saiu invicto da qualificação, com a ‘geração de ouro’ no topo, após o terceiro posto no Euro2000, afastando uma ‘grande’ Holanda, mas na fase final, com Figo, então o melhor do Mundo, sem condições físicas, a equipa lusa dececionou.

O facilitismo com que o selecionador luso, António Oliveira, encarou o jogo de estreia custou um desaire por 3-2 com os Estados Unidos, que um 4-0 à Polónia, com um ‘hat-trick’ de Pauleta, não foi suficiente para ‘emendar’.

Na última ronda, o empate teria bastado, face à Coreia do Sul, mas Portugal, reduzido a 10, pelas expulsões de João Vieira Pinto e Beto, e muito infeliz, perdeu por 1-0, num jogo em que o avançado terá acertado um murro no árbitro após ter visto o vermelho.

2006: Portugal volta às meias-finais, 40 anos depois

Quarenta anos depois do feito dos ‘magriços’, Portugal chegou novamente às meias-finais do Mundial, em 2006, depois de uma qualificação sem derrotas, sete pontos à frente do segundo e que incluiu um 7-1 à Rússia, após um 2-2 no Liechtenstein.

Na Alemanha, Portugal só foi travado nas meias-finais, por uma França que já tinha sido ‘carrasca’ nas ‘meias’ dos Europeus de 1984 e 2000, e um penálti, mais do que escusado, cometido por Ricardo Carvalho e transformado por Zinédine Zidane.

Antes, Portugal bateu Angola (1-0), Irão (2-0) e México (2-1) na fase de grupos, ultrapassada ao segundo jogo, e afastou Holanda (1-0) e Inglaterra (3-1 nos penáltis, após 120 minutos sem golos) após batalhas intensas. No jogo do ‘bronze’, 1-3 com a Alemanha.

2010: Portugal esbarra na Espanha, após passar ‘play-off’

Portugal precisou de um ‘play-off’, com a Bósnia-Herzegovina (1-0 em casa e 1-0 fora), para garantir um lugar no Mundial de 2010, na África do Sul, onde caiu nos oitavos de final, afastado pela Espanha, que viria a conquistar a prova.

Um único golo sofrido, apontado por David Villa, acabou com o ‘sonho’ de Portugal, que, na primeira fase, somou dois empates a zero, com Costa do Marfim e Brasil, e a goleada da prova, ao bater a Coreia do Norte por 7-0, num jogo em que só Tiago ‘bisou’.

Na segunda aparição num Mundial, já com um dos melhores jogadores do Mundo, Cristiano Ronaldo voltou a só marcar um golo – em 2006 faturou de penálti ao Irão -, depois de ter ficado em ‘branco’ na qualificação.

2014: Portugal desilude no Brasil, conquistado no ‘play-off’

Quatro golos de Cristiano Ronaldo, no ‘play-off’ com a Suécia, de Zlatan Ibrahimovic, valeram a Portugal a terceira qualificação consecutiva para um Mundial, mas, em 2014, no Brasil, a desilusão foi grande, com o ‘trambolhão’ na fase de grupos. A formação das ‘quinas’ começou muito mal, ao sofrer uma pesada goleada (0-4) face à Alemanha, e quase tudo comprometeu no segundo jogo, com os Estados Unidos, ao permitir a reviravolta de 1-0 para 12, não conseguindo mais do que um empate (2-2).

Portugal ficou necessitado de golear o Gana na última ronda, mas só venceu por 2-1, com Cristiano Ronaldo, muito desinspirado, a selar o triunfo aos 80 minutos, sem evitar tornar-se o primeiro ‘Bola de Ouro’ em título a cair na fase de grupos.

2018: Portugal fica no primeiro jogo a eliminar, com Uruguai

Um arranque em ‘grande’ de Cristiano Ronaldo, com um ‘hat-trick’ à Espanha, seguido do golo da vitória sobre Marrocos, não teve sequência e Portugal caiu no Mundial de 2018 ao primeiro jogo a eliminar, perante o Uruguai. Depois do 3-3 com os espanhóis e do 1-0 aos marroquinos, a seleção lusa começou a ‘emperrar’ com um 1-1 com o Irão, cedido já nos descontos, para, depois, ser afastado por um ‘bis’ de Edinson Cavani, caindo nos ‘oitavos’, como em 2010. Para chegar à Rússia – quinta fase final seguida -, a formação comandada por Fernando Santos teve de esperar pelo último jogo, no qual foi competente, vencendo a Suíça por 2-0, na Luz, depois de uma entrada em falso precisamente em solo helvético (0-2).

2022: Seleção lusa volta aos ‘quartos’, mas não passa Marrocos

Portugal voltou, 16 anos depois, aos quartos de final, mas não passou essa fase, ao perder por 1-0 com Marrocos, depois de cilindrar a Suíça por 6-1, com um ‘hat-trick’ de Gonçalo Ramos, que ascendeu ao ‘onze’ luso no lugar de Cristiano Ronaldo.

No Grupo H, o conjunto de Fernando Santos selou o apuramento após dois jogos, ao vencer Gana (3-2) e Uruguai (2-0), seguindo-se um desaire por 2-1 frente à Coreia do Sul, num jogo marcado pela reação do capitão luso quando foi substituído. Para marcar presença no Qatar, Portugal voltou a precisar de ‘tempo extra’, superando nos play-offs, em casa, Turquia (3-1) e Macedónia do Norte (2-0), após a surpreendente derrota caseira com a Sérvia (1-2), a fechar o Grupo A.

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O problema não é o divórcio. O problema é o conflito | Por Joaquim Manuel da Silva

13 June 2026 at 15:20

Durante muitos anos (e ainda hoje) discutimos uma questão que parecia decisiva: será melhor para uma criança crescer com os pais juntos ou com os pais separados?

Hoje sabemos que essa não é a pergunta mais importante.

A investigação científica das últimas décadas tem demonstrado, de forma consistente, que aquilo que mais prejudica o desenvolvimento das crianças não é a separação dos pais em si mesma. O verdadeiro problema é a exposição prolongada ao conflito, ao medo, à insegurança e à perda de relações afetivas significativas.

Uma criança que vive numa família aparentemente intacta, mas marcada por discussões constantes, hostilidade e tensão emocional, pode sofrer mais do que uma criança cujos pais se separaram, mas conseguiram construir uma relação parental respeitadora e cooperante.

Podemos simplificar a realidade em três cenários.

– Pais juntos e em conflito permanente.

– Pais separados e em conflito permanente.

– Pais separados, mas capazes de cooperar e colocar os filhos acima das suas divergências.

A evidência aponta claramente para que este último cenário seja, em regra, o mais favorável ao desenvolvimento da criança.

E aponta também para que o segundo seja frequentemente o mais destrutivo.

Porque ao conflito junta-se a perda da convivência diária com um dos pais, os conflitos de lealdade, os sentimentos de abandono e, muitas vezes, anos de litigância que transformam a infância num campo de batalha.

O problema não está na forma jurídica da família.

Está no conflito.

E hoje sabemos que esse conflito não produz apenas sofrimento emocional.

Produz alterações reais no desenvolvimento da criança.

Afeta a forma como o cérebro se organiza.

Afeta os mecanismos de resposta ao stress.

Afeta a aprendizagem.

Afeta a saúde futura.

A criança não vive o conflito apenas na mente.

Vive-o no corpo inteiro.

Talvez por isso a verdadeira questão ética não seja descobrir quem tem razão.

Nem quem ganhou o processo.

Nem quem venceu a última batalha.

A verdadeira questão é outra:

Que direito tem um adulto de sacrificar o bem-estar dos seus filhos para continuar uma guerra contra o outro progenitor?

Ao longo da minha experiência profissional aprendi uma lição simples.

Os conflitos persistentes raramente sobrevivem quando uma das partes deixa de os alimentar.

Quando deixa de responder à agressão com agressão.

Quando deixa de procurar culpados.

Quando deixa de precisar de vencer.

Quando deixa de precisar de ter razão.

Quando passa a preocupar-se mais com a saúde dos filhos do que com a derrota do outro progenitor.

Ninguém discute sozinho.

Ninguém faz uma guerra sozinho.

O conflito exige cooperação.

A paz também.

É neste contexto que deve ser entendida a residência alternada.

Não como uma solução mágica.

Não como um objetivo em si mesmo.

Mas como um possível instrumento para garantir a presença de ambos os pais na vida da criança e reduzir dinâmicas de exclusão.

O essencial continua a ser o mesmo: reduzir o conflito.

Porque a pergunta decisiva não é:

«Com quem vive a criança?»

A pergunta decisiva é:

«Em que ambiente emocional vive a criança?»

Uma criança criada na paz, no respeito e na cooperação terá normalmente condições para crescer de forma saudável.

Uma criança criada no medo, na hostilidade e na guerra permanente pagará frequentemente esse preço durante muitos anos.

Às vezes durante toda a vida.

E quando isso acontece, não perde apenas a criança.

Perde a família.

Perde a comunidade.

Perde a sociedade inteira.

Talvez esteja na altura de compreendermos uma verdade simples: proteger as crianças não significa escolher um dos pais.

Significa protegê-las da guerra entre eles.

Talvez a verdadeira medida do amor pelos filhos não esteja naquilo que fazemos por eles, mas sim naquilo que somos capazes de deixar de fazer ao outro progenitor por causa deles.

Porque o amor sem segurança não é amor; é apenas uma necessidade adulta disfarçada de afeto.

Nota bibliográfica: As ideias expostas neste texto apoiam-se na prática do autor e, doutrinalmente, entre outros, nos trabalhos de Vincent Felitti, Bruce Perry, Bessel van der Kolk, Jack Shonkoff e John Bowlby sobre trauma, desenvolvimento infantil e teoria do apego.

Leia também: Universidade do Algarve disponibiliza provas digitais gratuitas para preparação das avaliações nacionais | Por Mauro Figueiredo

Universidade do Algarve disponibiliza provas digitais gratuitas para preparação das avaliações nacionais | Por Mauro Figueiredo

13 June 2026 at 11:00

Num momento em que as avaliações externas em formato digital assumem um papel cada vez mais relevante no sistema educativo português, a Universidade do Algarve acaba de disponibilizar uma nova funcionalidade gratuita na plataforma MILAGE APRENDER+, permitindo aos alunos prepararem-se para as provas nacionais em ambiente digital igual ao das avaliações oficiais.

A novidade surge numa altura em que milhares de alunos do ensino básico se preparam para realizar provas e exames em formato digital, exigindo não apenas a consolidação dos conteúdos curriculares, mas também a familiarização com novas formas de interação, navegação e resolução de questões no computador.

Desenvolvida pela Universidade do Algarve e atualmente explorada pela Associação Ser MILAGE, a plataforma MILAGE APRENDER+ passou a permitir a geração automática de provas de treino digitais, estruturadas de forma igual às provas oficiais disponibilizadas pelo EduQA. Os alunos podem realizar múltiplas tentativas, praticar ao seu próprio ritmo e receber feedback imediato sobre o seu desempenho, identificando mais facilmente os conteúdos em que apresentam maiores dificuldades.

MAURO FIGUEIREDO – Coordenador do Projeto MILAGE APRENDER+ da Universidade do Algarve
Os resultados alcançados demonstram a crescente adesão da comunidade educativa a este modelo de aprendizagem

Esta funcionalidade integra-se num projeto educativo que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a apoiar escolas de diferentes regiões do país na integração das tecnologias digitais ao serviço das aprendizagens. Resultado da investigação académica e da experiência acumulada em contexto escolar, a plataforma MILAGE APRENDER+ procura responder a um dos grandes desafios da educação contemporânea: utilizar a tecnologia não apenas como um recurso complementar, mas como uma plataforma educativa capaz de promover uma aprendizagem mais ativa, personalizada e inclusiva.

Disponível gratuitamente para todas as disciplinas, desde o pré-escolar até ao 12.º ano de escolaridade, a plataforma reúne vídeos educativos, recursos digitais interativos, atividades diferenciadas e funcionalidades de acompanhamento que permitem aos professores monitorizar o progresso dos seus alunos em tempo real.

O modelo pedagógico da MILAGE assenta em princípios reconhecidos pela investigação educacional como potenciadores do sucesso escolar. A autonomia dos alunos é incentivada através da realização de atividades ao seu próprio ritmo, enquanto mecanismos de gamificação contribuem para aumentar a motivação e o envolvimento nas tarefas propostas. Paralelamente, os processos de autoavaliação e avaliação entre pares promovem a reflexão crítica sobre as aprendizagens e o desenvolvimento de competências de responsabilidade e autorregulação.

Uma das características mais valorizadas pelos professores é a possibilidade de diferenciar percursos de aprendizagem dentro da mesma turma. Através da plataforma, é possível identificar dificuldades específicas, acompanhar a evolução individual dos alunos e disponibilizar recursos adequados às necessidades de cada um, promovendo uma resposta educativa mais equitativa e ajustada à diversidade existente nas escolas.

Também as famílias assumem um papel importante neste processo. Através das contas de encarregado de educação, os pais podem acompanhar o percurso dos seus educandos, consultar o trabalho realizado e participar de forma mais ativa no acompanhamento das aprendizagens.

A plataforma promove igualmente a participação ativa da comunidade educativa, incentivando professores e alunos a criar e partilhar recursos educativos digitais que podem ser reutilizados por outros utilizadores, promovendo uma cultura de colaboração, inovação pedagógica e construção coletiva do conhecimento.

A introdução das novas provas digitais de treino representa mais um passo na evolução deste ecossistema educativo. Além de apoiar os alunos na preparação para as avaliações externas, a plataforma permite agora aos professores criar gratuitamente testes digitais de avaliação sumativa, utilizando questões próprias ou recorrendo ao vasto banco de recursos educativos já disponível.

Anualmente, o projeto promove a Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel no Projeto MILAGE e os Prémios MILAGE APRENDER+, iniciativas que visam divulgar boas práticas educativas e reconhecer o trabalho desenvolvido por alunos e professores em escolas de todo o país. A edição de 2026 realiza-se nos dias 8 e 9 de julho, em Matosinhos.

Os resultados alcançados demonstram a crescente adesão da comunidade educativa a este modelo de aprendizagem. Atualmente, a plataforma MILAGE APRENDER+ disponibiliza cerca de 80 mil recursos educativos digitais e registou, apenas no presente ano letivo, mais de um milhão de problemas resolvidos pelos alunos. Desde a sua criação, a plataforma já impactou mais de 223 mil alunos.

A dimensão nacional do projeto reflete-se também na diversidade de escolas, regiões, disciplinas e níveis de ensino envolvidos. Da educação pré-escolar ao ensino secundário, os professores utilizam diariamente a plataforma para apoiar as aprendizagens, criar recursos educativos digitais, acompanhar o progresso dos alunos e promover práticas pedagógicas mais personalizadas e inclusivas.

Os dados recolhidos em diferentes contextos educativos evidenciam igualmente resultados encorajadores. Em várias escolas que integraram iniciativas apoiadas pela plataforma MILAGE APRENDER+, verificaram-se melhorias significativas nos desempenhos dos alunos.

Os números representam apenas uma parte do impacto alcançado. Mais significativa é a forma como professores, alunos e famílias reconhecem na plataforma uma ferramenta capaz de tornar a aprendizagem mais motivadora, mais personalizada e mais próxima das necessidades reais de cada estudante.

Ao longo dos últimos anos temos acompanhado milhares de alunos, professores e famílias que utilizam diariamente a plataforma. Essa proximidade às escolas tem-nos permitido compreender melhor os desafios que enfrentam e desenvolver soluções que procuram responder às necessidades reais dos diferentes contextos educativos.

Num contexto em que a transformação digital da educação continua a colocar novos desafios às escolas, a experiência acumulada ao longo dos últimos anos reforça a convicção de que a inovação tecnológica produz melhores resultados quando é colocada ao serviço das pessoas e integrada em práticas pedagógicas que valorizam o papel dos professores.

A plataforma encontra-se disponível gratuitamente em webmilage.ualg.pt, permitindo a qualquer aluno, professor ou encarregado de educação explorar os seus recursos e funcionalidades. Mais informações sobre a Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel no Projeto MILAGE e os Prémios MILAGE APRENDER+ podem ser consultadas em milagelearnmore.org.

Continuaremos, por isso, a trabalhar para que a tecnologia contribua para uma educação mais inclusiva, mais humana e mais capaz de responder aos desafios de uma sociedade em permanente transformação.

MILAGE APRENDER+ em números

  • 223 278 alunos impactados desde 2016
  • 79 660 recursos educativos digitais criados
  • 1 086 328 problemas resolvidos em 2025/2026
  • Recursos disponíveis do pré-escolar ao 12.º ano
  • Utilização em escolas de norte a sul do país
  • Plataforma gratuita: webmilage.ualg.pt
  • Conferência e Prémios MILAGE 2026: milagelearnmore.org

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Infantário Pimpão: mais de 40 anos dedicados à infância em Tavira

13 June 2026 at 10:00

A funcionar como creche para crianças dos 0 aos 2 anos e jardim de infância dos 3 aos 5, o Infantário Pimpão é hoje uma das instituições de referência na educação de infância em Tavira. Fundado em fevereiro de 1983, o espaço acompanha há mais de quatro décadas várias gerações de famílias tavirenses.

Numa fase inicial, o infantário funcionou onde é hoje a Escola D. Manuel I em Tavira, acolhendo sobretudo filhos de funcionários do Ministério da Educação. Em setembro de 1989, abriu portas para a restante comunidade e mudou-se para as instalações construídas de raiz, onde continua a funcionar até hoje.

Maria Luís, presidente da direção, e Eugénia Sousa, diretora pedagógica, estão ligadas ao Pimpão há 42 anos. As duas educadoras assumiram a direção em 1996, numa altura marcada por dificuldades financeiras que chegaram a colocar em risco a continuidade da instituição.

“Pegámos nisto para salvar o nosso posto de trabalho e o das restantes funcionárias”, recordam as responsáveis. Com uma gestão rigorosa e muito esforço pessoal, conseguiram recuperar a estabilidade da instituição sem comprometer o projeto educativo nem a qualidade do trabalho desenvolvido com as crianças.

Educação participativa e ligação próxima às famílias

Ao longo dos anos, o Pimpão distinguiu-se pela aposta numa educação participativa, próxima das famílias e centrada no desenvolvimento infantil. “Nunca vimos a creche apenas como um espaço para guardar crianças”, sublinham ao POSTAL.

A instituição trabalha segundo as orientações curriculares estruturadas em três áreas fundamentais: formação pessoal e social, expressão e comunicação e conhecimento do mundo para a educação infantil, desenvolvendo projetos pedagógicos adaptados aos interesses e necessidades das crianças, referiu a presidente ao POSTAL.

A aprendizagem é construída através da exploração, da comunicação e da interação com o meio envolvente, numa metodologia que valoriza a curiosidade natural dos mais novos.

A relação com as famílias continua a ser uma das principais marcas do infantário. Os pais podem acompanhar de perto o quotidiano das crianças, numa lógica de “porta aberta” que, segundo as responsáveis, fortalece a confiança e o envolvimento familiar.

“As crianças são o melhor veículo de comunicação. São elas que mostram aos pais aquilo que aprenderam e viveram aqui”, acrescenta Maria Luís ao POSTAL.

Gerações de tavirenses continuam ligadas ao Pimpão

Ao longo das últimas décadas, o Infantário Pimpão estabeleceu ainda parcerias com diversas entidades locais, escolas profissionais, universidades e instituições internacionais.

Atualmente, muitas das crianças que passaram pelo infantário regressam enquanto pais dos novos alunos, algo que as responsáveis encaram como reflexo do impacto que o Pimpão continua a ter na comunidade tavirense.

Para Eugénia Sousa, o segredo continua a estar na forma como vivem diariamente a profissão. “Transformar as ações educativas numa festa é o mais importante”, afirma, acrescentando que “se nós não estivermos motivadas, também não conseguimos motivar as crianças.”

Já Maria Luís resume o percurso no Pimpão como “um privilégio”.

“Transformar a educação num prazer continua a ser o mais importante”, concluem as responsáveis.

EJ/CM

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Partos aumentaram 3,7% em Portugal em 2025, com mães estrangeiras concentradas no Algarve e Lisboa

13 June 2026 at 08:30

Portugal registou 87.130 partos em 2025, mais 3.071 do que no ano anterior, o que representa um aumento de 3,7%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)

A subida interrompe a quebra verificada entre 2023 e 2024 e retoma a tendência de crescimento observada desde 2022. De acordo com a publicação “Estatísticas dos partos”, o número de partos aumentou em todas as regiões do país, com exceção da Madeira, onde se registou uma diminuição de 3,3%.

Os dados do INE destacam ainda o crescimento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira, que passou de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025. Estas parturientes residem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.

“O conjunto de nacionalidades estrangeiras mais representadas manteve-se em relação ao ano anterior, reforçando o peso no total de partos, com destaque para o Brasil (10,5% do total de partos em 2025)”, salienta o INE.

A região Norte registou o maior número de partos de mulheres residentes em Portugal, com 29,8% do total, seguindo-se a Grande Lisboa, com 25,6%, e a região Centro, com 13,7%. Nos últimos 20 anos, aumentou também a idade das parturientes.

Entre 2003 e 2025, a proporção de partos de mães com 35 ou mais anos passou de 17,2% para 32%. O INE sublinha ainda que as cesarianas aumentaram de 27,1% para 38,6% dos partos realizados em hospitais entre 1999 e 2024. Em 2025, 98,5% dos nascimentos ocorreram em estabelecimentos hospitalares.

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Irritações cívicas | Por Mendes Bota

13 June 2026 at 07:30

Num raro momento de generosidade para com os contribuintes, a Assembleia da República aprovou em 2006 uma nova Lei das Finanças Locais (Lei 2/2007 de 15 de Janeiro), na qual conferiu a cada Município 5% das receitas do IRS liquidado anualmente por quem tenha domicílio fiscal na sua área geográfica. Mas também foi dada a cada autarquia a possibilidade de devolver essa receita aos cidadãos, total ou parcialmente, assim aliviando a carga fiscal que asfixia a grande maioria (de quem paga impostos). Uma consulta ao sítio electrónico da Autoridade Tributária traz algumas revelações interessantes. Apenas seis dos municípios algarvios decidiram no sentido de devolver essas quantias na sua totalidade: Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Lagos, Loulé e Vila do Bispo. Outros, ficam-se a meio caminho. S. Brás de Alportel, Silves e Vila Real de Santo António não devolvem um tusto, mas compreende-se. A um falta-lhe dimensão orçamental e territorial, outro deve ter uma visão ideológica do problema, e o terceiro continua afogado em dívidas passadas. Agora, dois dos municípios mais pujantes do Algarve, são dos mais avarentos. Faro, devolve a ninharia de 0,5%, e Olhão prescinde apenas de 1%. Há um elo comum chamado António Pina. Liderava Olhão, e agora chefia Faro. O sovina é o mesmo.

Claro que este é o tipo de irritação que encontra nos políticos o alvo mais fácil, o bode expiatório de todos os males, o exutório da frustração colectiva feita de um cúmulo de frustrações individuais. Aqui, o alvo está mesmo ali à frente como numa tenda de feira onde se atiram bolas de trapos para derrubar os bonecos. O pior são as irritações que advêm da falta de civismo dos cidadãos, e quando se multiplicam os exemplos quotidianos da falta de ética, onde prevalece o chico-espertismo de alguns, em claro desrespeito pelo próximo e pelas regras de convivência de toda a comunidade. Existem hoje condições no sistema escolar como nenhum de nós alguma vez sonhou. Todos os anos sai das universidades um número inacreditável de doutores, mestres, prof-docs. O analfabetismo clássico roça taxas marginais. A (des)informação tomou conta em excesso do nosso quotidiano, mas – porém todavia contudo como se costumava recitar antigamente – parece que os valores cívicos estão em queda livre.

Nunca houve tantas leis, tantas posturas municipais, tantos regulamentos, tantos sinais e códigos proibitivos, mas impressiona o número de indivíduos que têm prazer em vandalizar infraestruturas que pertencem a todos, como jardins, transportes, mobiliário urbano, monumentos, fachadas, contentores de lixo até. Independentemente da guerra dos guarda-sóis que subitamente se declarou nas nossas praias, é irritante ver quem se levanta cedo só para marcar com toalhas os espaços de areia que outros virão ocupar mais tarde, ou cativam espreguiçadeiras nas piscinas de prédios e hotéis. É irritante ver como certos automobilistas não respeitam as filas de trânsito, e intrometem-se mais à frente dos outros, sem vergonha nem rebuço. Há demasiados loucos na estrada, que se mocam dos limites de velocidade e da segurança de terceiros. Irrita que a polícia raramente esteja onde se pensa que faz falta. Irrita, ver certos adiantados mentais estacionar em lugares destinados a veículos de pessoas com certas dificuldades. Já para não falar, nos transportes públicos, de quem ocupa lugares reservados para idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.

Causa irritação ver tanta gente de telemóvel na mão, ou nas orelhas, a falar aos gritos no meio da rua ou no interior de uma carruagem de combóio ou de autocarro, incomodando os outros, esparramando a sua própria privacidade como se estivesse numa cabine telefónica sem porta. Há um acréscimo de gente que atira garrafas, restos de comida, papéis, papelões e detritos de jardinagem para o meio da rua, sabendo que alguém terá de limpar a porcaria que faz. Tudo isto são irritações cívicas. Já agora, redireccionando os binóculos na direcção de quem manda nisto tudo, é revoltante ver a escassez de lugares destinados ao público que se encontra nas gares rodoviárias, ferroviárias ou aeroportuárias. Está tudo feito para o negócio, e para a exploração do zé povinho. Esgotados os parcos assentos disponíveis, a alternativa é ficar de pé, ou pagar comes e bebes para ficar sentado no espaço dos concessionários. Num país onde a taxa de atraso dos transportes é gigantesca, ninguém parece preocupado em servir o público como deve ser. É preciso é que pague e que consuma, mesmo que não lhe apeteça. Falta-nos cada vez mais a dimensão ética na atitude cívica. Que se lixem os princípios, salve-se quem puder, parece ser o mote dos tempos que correm.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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Três dias de festa assinalam os 555 anos de Moncarapacho

12 June 2026 at 18:54

Moncarapacho celebra, entre os dias 19 e 21 de junho, os seus 555 anos de existência, com três dias de programação dedicada à cultura, à música, ao património, à história e à participação comunitária.

A efeméride assinala mais de meio milénio de identidade, tradição e ligação à comunidade, num programa que convida a população e os visitantes a associarem-se a um dos momentos mais marcantes da história da freguesia.

Segundo a Freguesia de Moncarapacho, as comemorações pretendem assinalar “mais de meio milénio de identidade, património, tradição e comunidade”, valorizando o percurso histórico de uma das mais antigas freguesias do Algarve.

Para Jorge Pereira, presidente da Freguesia de Moncarapacho, “celebrar 555 anos de Moncarapacho é celebrar gerações de homens e mulheres que construíram esta terra, preservaram a sua identidade e transmitiram o seu legado. Estas comemorações pretendem ser um momento de encontro entre a história e o futuro, envolvendo toda a comunidade numa homenagem ao património, às coletividades e às pessoas que fazem de Moncarapacho uma terra única”.

“Mais do que assinalar uma data, estas festividades pretendem afirmar o orgulho de ser moncarapachense e reforçar a valorização da história, identidade e património, de uma das mais antigas freguesias do Algarve”, conclui.

Três dias dedicados à identidade e ao património local

Organizadas pela Freguesia de Moncarapacho, com o apoio do Município de Olhão, as comemorações arrancam na sexta-feira, dia 19, às 18:00, no antigo edifício da Junta de Freguesia, com a abertura de uma exposição dedicada ao Rancho Folclórico de Moncarapacho.

O programa prossegue na Praça Major João Xavier de Castanheda, junto ao Largo da Junta de Freguesia, com atos solenes, incluindo o hastear da bandeira ao som do Hino Nacional, pela Banda Filarmónica 1.º de Dezembro de Moncarapacho e pelas vozes de Pedro Viola e Teresa Viola.

A noite inclui ainda uma homenagem a antigos presidentes e cidadãos da freguesia, a leitura do histórico discurso de Cristóvão Norte no Parlamento, em 20 de junho de 1991, sobre a elevação de Moncarapacho a vila, e um concerto da Banda Filarmónica 1.º de Dezembro de Moncarapacho, às 21:45.

Casa-Museu, tradição, debate e música no programa

No sábado, dia 20, o programa é dedicado ao património e à tradição, com uma demonstração etnográfica do Rancho Folclórico de Moncarapacho, no Mercado.

Um dos momentos centrais será a reabertura da Casa-Museu Dr. José Fernandes Mascarenhas, seguida de um roteiro por vários espaços religiosos e culturais da vila.

Às 17:30, na Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho, será apresentada a obra “Moncarapacho – História e Património”, de Francisco Lameira e Martina Del Rio. A noite prossegue na Praça Major João Xavier de Castanheda com um concerto de harpa de Helena Madeira, às 21:45, e a atuação da Beira Mar Band, às 23:15.

No domingo, dia 21, as comemorações começam com o 5.º Passeio de Carros Clássicos de Moncarapacho, às 09:30, seguindo-se uma Missa de Ação de Graças, às 12:00, na Igreja Matriz.

A tarde será marcada por um debate sobre os desafios e oportunidades do património local, às 16:00, em colaboração com a APOS, e por uma sessão de teatro com o grupo AlmaMonca, às 17:30, na Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho.

O encerramento das festividades estará a cargo do Agrupamento de Música de Câmara da Orquestra do Algarve, num concerto às 19:00, na Igreja Matriz, integrado no Ciclo APOS e no âmbito do Bicentenário da Câmara Municipal de Olhão.

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Câmara de Faro esclarece situação após colapso de edifício na Rua Cunha Matos

12 June 2026 at 18:30

O Município de Faro esclarece que continua a acompanhar a situação relacionada com o colapso de um edifício localizado na Rua Cunha Matos, ocorrido no passado dia 16 de abril.

Segundo a autarquia, desde a ocorrência do sinistro têm sido desenvolvidas “todas as diligências necessárias com vista à mitigação dos impactos decorrentes do sinistro”, mantendo contactos permanentes com os representantes do edifício afetado e com a entidade titular da obra de construção de um edifício habitacional e comercial no gaveto da Rua Aboim Ascensão com a Rua Cunha Matos.

De acordo com o Município, esta intervenção esteve na origem da ocorrência, tendo os trabalhos da obra sido imediatamente suspensos após o colapso.

Face à gravidade da situação, à complexidade técnica das intervenções realizadas e das que ainda faltam executar, bem como à necessidade de garantir a segurança do edificado adjacente e do espaço público envolvente, a Câmara Municipal de Faro solicitou a colaboração técnica do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve.

Rua Cunha Matos mantém-se condicionada por razões de segurança

A colaboração do Instituto Superior de Engenharia tem como objetivo apoiar a avaliação das causas do sinistro e das condições de segurança no local.

Das análises realizadas, concluiu-se que, nesta fase, ainda não estão reunidas as condições necessárias para proceder à reabertura da Rua Cunha Matos.

O Município sublinha que “A manutenção do condicionamento da via constitui uma medida indispensável para garantir a segurança de pessoas e bens”, bem como para permitir a conclusão das averiguações, perícias técnicas e trabalhos de demolição considerados necessários.

Paralelamente, com base nas conclusões técnicas emitidas pelo Instituto Superior de Engenharia, foi possível apurar que o projeto de estabilidade, escavação e contenção periférica da obra “não observava requisitos técnicos essenciais previstos nas normas legais e regulamentares aplicáveis”.

Câmara manifesta intenção de declarar nulidade da licença

Neste contexto, por deliberação tomada em reunião de Câmara realizada em 8 de junho, foi manifestada a intenção de declarar a nulidade da licença da referida obra.

A Câmara Municipal de Faro reafirma, no comunicado, “o seu compromisso com a salvaguarda da segurança pública” e garante que continuará a acompanhar a situação “com a máxima atenção e celeridade”.

A autarquia adianta ainda que continuará a promover todas as medidas necessárias à reposição da normalidade logo que estejam reunidas as condições técnicas e de segurança adequadas.

O Município agradece a compreensão e colaboração de todos os munícipes e apela ao “rigoroso respeito pelos perímetros de segurança atualmente instalados no local”.

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Faro reforça oferta de lazer com abertura da NEOFUN

12 June 2026 at 18:10

A NEOFUN abriu portas em Faro e trouxe ao Algarve uma nova experiência de entretenimento interativo indoor, dirigida a famílias, grupos de amigos, empresas e turistas.

O novo espaço apresenta-se como um centro de jogos interativos e tecnológicos, inspirado em conceitos internacionais de entretenimento imersivo que têm vindo a ganhar destaque em vários países.

Segundo a NEOFUN, o centro “combina atividade física, tecnologia e trabalho em equipa através de desafios interativos onde os participantes entram literalmente dentro do jogo”.

Com várias salas equipadas com sensores, iluminação inteligente e tecnologia de última geração, os jogadores são desafiados a cumprir dezenas de missões que testam rapidez, coordenação, estratégia e espírito de equipa.

Entretenimento imersivo para diferentes idades

A experiência foi pensada para diferentes idades e níveis de habilidade, oferecendo uma alternativa moderna aos formatos tradicionais de entretenimento.

De acordo com a empresa, os jogos foram desenhados para “incentivar o movimento físico, a cooperação e a competição saudável”, promovendo momentos de lazer ativos e participativos.

A abertura da NEOFUN representa também um investimento na diversificação da oferta de entretenimento da região, contribuindo para reforçar a atratividade de Faro como destino turístico e de lazer durante todo o ano.

O novo espaço está localizado na Rua Francisco Barreto, n.º 28, em Faro, e funciona de quarta-feira a domingo, entre as 11:00 e as 19:00.

Mais informações podem ser obtidas através do email geral@neofun.pt, do website www.neofun.pt e das redes sociais da NEOFUN, no Instagram @neofun.pt e no Facebook NEOFUN.

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Faro celebra motricidade infantil com mais de 2.500 alunos

12 June 2026 at 17:41

A Pista de Atletismo de Faro acolhe a primeira edição da Festa da Motricidade, uma iniciativa que reúne mais de 2.500 alunos dos agrupamentos de escolas do concelho.

O evento arrancou esta semana, nos dias 11 e 12 de junho, com a participação de 600 crianças de 31 turmas da educação pré-escolar, integradas no projeto “Crescer Ativo”, dinamizado pelo Departamento de Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Faro.

Ao longo destes dois dias, os mais novos participaram em jogos, percursos motores e atividades de deslizamento com trotinetes, skates e bicicletas, num ambiente que o Município descreve como marcado “pela aprendizagem, pela diversão e pelo movimento”.

Iniciativa promove atividade física desde a infância

A Festa da Motricidade prossegue entre os dias 15 e 19 de junho, com a participação dos alunos do 1.º, 2.º e 3.º anos do ensino básico.

Os alunos do 1.º e 2.º anos integram o projeto “Saber Correr, Saltar e Lançar”, que promove a aprendizagem e o aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais associadas à corrida, ao salto e aos lançamentos.

Já os alunos do 3.º ano participam no projeto “Saber Pedalar”, que visa a aquisição e consolidação das competências básicas de utilização da bicicleta, sensibilizando para hábitos de mobilidade ativa, segura e sustentável.

Segundo a autarquia, o evento assinala o encerramento das atividades desenvolvidas ao longo do ano letivo no âmbito do Programa de Apoio à Educação Física e ao Desporto Escolar.

Mais do que uma demonstração das aprendizagens realizadas, esta primeira edição pretende afirmar-se como “um momento anual de celebração da atividade física e do desenvolvimento infantil”, proporcionando às crianças experiências positivas associadas ao movimento, ao convívio e à prática desportiva.

O Município de Faro sublinha que mantém o compromisso com a promoção de estilos de vida ativos, saudáveis e inclusivos desde a infância.

A autarquia agradece ainda o envolvimento dos agrupamentos de escolas do concelho e o apoio da Escola Profissional D. Francisco Gomes de Avelar, através da participação dos alunos dos cursos de Técnico de Ação Educativa e de Animador Sociocultural, que contribuíram para a organização e dinamização da iniciativa.

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Arraial Solidário angaria fundos para melhorar refeitório da Associação de Paralisia Cerebral de Faro

12 June 2026 at 17:13

A Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC) de Faro  promove, no próximo dia 19 de junho, a partir das 18:00, o XIII Arraial Solidário.

A iniciativa decorre no pátio exterior da sede da APPC Faro, situada na Rua da Guiné-Bissau, n.º 2, em Faro, nas traseiras do Centro de Saúde, e prolonga-se até às 24:00.

Segundo a associação, o evento tem este ano como finalidade “angariar fundos para a requalificação do refeitório dos nossos clientes”, contribuindo para melhorar as condições de conforto, funcionalidade e bem-estar durante as refeições.

Aberto a toda a comunidade, o arraial terá entrada no valor de cinco pólenes, com direito a prato de comida.

Noite junta música, marcha popular e solidariedade

A animação musical ficará a cargo do grupo “Gerações”, estando também prevista a atuação da Marcha da APPC Faro.

De acordo com a organização, o XIII Arraial Solidário pretende ser uma noite de convívio, animação e solidariedade, envolvendo a comunidade numa causa ligada à melhoria das condições de vida das pessoas apoiadas pela instituição.

A APPC Faro apela à participação da população, sublinhando: “Juntos, podemos contribuir para a melhoria das condições de vida das pessoas apoiadas pela APPC Faro. Participe, divirta-se e faça a diferença!”

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Projeto ‘Vilas em Movimento’ leva bicicletas elétricas partilhadas a Alcoutim

12 June 2026 at 16:44

A Fundação Galp e o Município de Alcoutim inauguraram esta sexta-feira um novo sistema de bicicletas elétricas partilhadas, no âmbito do projeto Vilas em Movimento.

A iniciativa representa um investimento superior a 100 mil euros e pretende promover soluções de mobilidade mais sustentáveis, incentivar estilos de vida ativos e reforçar a valorização do território.

O sistema foi inaugurado numa cerimónia que contou com a presença de Paulo Paulino, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, e de Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp.

A nova infraestrutura disponibiliza 14 bicicletas elétricas e quatro estações de partilha, localizadas na Biblioteca Municipal, no Centro Náutico, na praia fluvial e no parque de caravanas.

Sistema quer facilitar deslocações e valorizar o território

Segundo a Fundação Galp, o sistema ficará ao serviço de residentes e visitantes, “facilitando deslocações no concelho e promovendo uma forma mais sustentável de descobrir Alcoutim”.

Desenvolvido pela CME – Construção e Manutenção Eletromecânica, empresa portuguesa especializada em soluções de mobilidade partilhada, o sistema integra bicicletas elétricas, estações de carregamento e uma plataforma digital de gestão e utilização, adaptada às características do território.

Inserida numa região de elevado valor ambiental, junto ao rio Guadiana, a iniciativa contribui para uma utilização mais sustentável do espaço público, promove a mobilidade suave e reforça a ligação das pessoas à natureza e ao património local.

Para Paulo Paulino, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, “este projeto representa mais um passo na estratégia que temos vindo a desenvolver para valorizar Alcoutim enquanto território sustentável, inovador e com qualidade de vida”.

O autarca acrescenta que “com este sistema de bicicletas elétricas partilhadas, oferecemos novas formas de mobilidade para residentes e visitantes, promovemos hábitos mais saudáveis e reforçamos a ligação ao património natural e cultural do concelho”.

Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp, afirma que “Este sistema de bicicletas elétricas é um exemplo concreto de como a sustentabilidade pode gerar valor para as comunidades, promovendo uma mobilidade mais sustentável e reforçando a ligação das pessoas ao território”.

Este investimento integra uma estratégia mais ampla que a Fundação Galp tem vindo a desenvolver no Baixo Guadiana, em parceria com o Município de Alcoutim, a ODIANA e outras entidades locais.

O sistema de bicicletas elétricas partilhadas integra o programa de investimento social da Galp e da Fundação Galp em Alcoutim, que inclui iniciativas nas áreas da energia, mobilidade sustentável, inclusão social e desenvolvimento comunitário.

Entre estas iniciativas destaca-se o projeto Vilas em Movimento Baixo Guadiana 2.0, desenvolvido pela ODIANA com o apoio da Fundação Galp, que promove o envelhecimento ativo e combate o isolamento social e geográfico da população mais idosa dos concelhos de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Desenvolvido em parceria com o Município de Alcoutim e agentes locais, este programa pretende gerar benefícios duradouros para a população, promovendo a valorização do território, a coesão social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades do Baixo Guadiana.

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Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

12 June 2026 at 16:07

As igrejas da Misericórdia e de Santa Maria do Castelo, em Tavira, estão apuradas para a próxima fase das Novas 7 Maravilhas de Portugal, na categoria religião.

Segundo o Município de Tavira, ambas as candidaturas assumem particular relevância por serem “as únicas igrejas algarvias a concurso nesta edição”, representando não só Tavira, mas também o património religioso, artístico e histórico da região.

Fachada da Igreja da Misericórdia de Tavira. Crédito: CMT

A autarquia sublinha que este apuramento constitui “um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido, ao longo dos últimos anos, em prol da valorização, promoção e dinamização do património religioso”, reforçando a importância destes monumentos na identidade cultural e turística do concelho.

A Igreja da Misericórdia de Tavira surge no concurso como um dos monumentos mais relevantes da arte e da consciência humanista no Sul do país. Fundada em 1541 pela Santa Casa da Misericórdia, é apresentada pela organização como “a mais notável expressão da arquitetura renascentista no Algarve”.

Duas igrejas representam Tavira e o Algarve

A Igreja da Misericórdia distingue-se pelo portal escultórico, pelos retábulos barrocos e pelos painéis de azulejos de 1760, que representam as 14 obras de misericórdia.

Interior da Igreja da Misericórdia de Tavira. Crédito: CMT

Já a Igreja de Santa Maria do Castelo impõe-se, segundo a candidatura, como “um verdadeiro palimpsesto da história portuguesa”, reunindo elementos da verticalidade gótica, da exuberância manuelina e das marcas neoclássicas deixadas após o terramoto de 1755.

A autarquia destaca que este monumento é “muito mais do que um edifício religioso: é um lugar onde se cruzam reconquista, memória nacional e identidade cultural profunda”.

Igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira. Crédito: CMT

A votação pode ser feita através dos números 761 207 095, para a Igreja da Misericórdia de Tavira, e 761 207 096, para a Igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira. Também é possível votar através da App TVI Pass. Cada voto tem o custo de 1 euro, acrescido de IVA.

A meia-final regional do Algarve realiza-se no dia 27 de junho, em Olhão, às 15:00. Os dois patrimónios mais votados em cada categoria seguem para a final regional, sendo que a lista final dos apurados desta fase será conhecida a 11 de julho.

Mais informações aqui.

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“Silves Subterrânea” dá a conhecer espaços arqueológicos escondidos da cidade

12 June 2026 at 15:31

O Município de Silves promove, este sábado, dia 13 de junho, a iniciativa “Silves Subterrânea”, integrada nas Jornadas Europeias de Arqueologia 2026.

A atividade inclui um conjunto de visitas guiadas a espaços arqueológicos e estruturas históricas existentes sob a cidade, dando a conhecer ao público parte do património menos visível de Silves.

Segundo a autarquia, a iniciativa permitirá descobrir “alguns dos mais importantes espaços arqueológicos e estruturas históricas existentes sob a cidade”, proporcionando aos participantes “uma perspetiva única sobre o património escondido de Silves”.

Reconhecida pela riqueza do seu legado histórico e arqueológico, Silves conserva sob ruas, edifícios e monumentos vários testemunhos de diferentes épocas, que ajudam a compreender a evolução da cidade ao longo dos séculos.

Visitas revelam património escondido sob a cidade

O programa inclui visitas acompanhadas às ruínas arqueológicas localizadas sob a Biblioteca Municipal de Silves, à Couraça Islâmica, ao Poço-Cisterna, à Cisterna da Rua do Castelo e às Ruínas Arqueológicas da Arrochela.

Estas visitas decorrem às 10:00 e às 16:00, tendo como ponto de encontro a Biblioteca Municipal de Silves.

Ao longo do dia, será ainda possível visitar o Poço-Cisterna, integrado no Museu Municipal de Arqueologia, e a Cisterna da Rua do Castelo, situada a norte da Sé Catedral, entre as 10:00 e as 13:00 e das 15:00 às 18:00, através de visitas acompanhadas.

De acordo com o Município de Silves, a iniciativa pretende “aproximar a comunidade do património arqueológico local”, sensibilizando para a sua importância histórica, científica e cultural.

A autarquia sublinha ainda que estas ações procuram promover a valorização e salvaguarda deste legado para as gerações futuras.

Integradas nas Jornadas Europeias de Arqueologia, as atividades associam Silves a uma rede de centenas de cidades europeias que, todos os anos, abrem os seus sítios arqueológicos ao público e promovem o conhecimento da arqueologia.

A participação é gratuita. Para mais informações, os interessados podem contactar o setor de Património/Arqueologia através do número 282 440 800 ou do email arqueologia@cm-silves.pt.

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“O que devo ter em atenção para fazer compras mais saudáveis?”

12 June 2026 at 15:10

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO

O que devo ter em atenção para fazer compras mais saudáveis?

A DECO INFORMA… 

Fazer escolhas alimentares equilibradas e saudáveis é essencial para a saúde e bem-estar de todos. Cada escolha influencia o ambiente, a economia local e o futuro da alimentação. Sejam alimentos frescos ou processados e embalados é preciso dar atenção ao rótulo, à origem, ao prazo de validade e às condições de conservação. 

Sabendo que somos o que comemos, a DECO apresenta algumas dicas para que faça compras saudáveis: 

  1. Antes de ir às compras:  

Defina o seu orçamento; 

Planeie as refeições da semana; 

Faça a lista de compras. 

  1. Durante as compras: 

Leia atentamente os rótulos: ingredientes, prazo de validade, modo de conservação e utilização; 

Procure a declaração nutricional: atenção às gorduras, açúcares e sal. 

Informe-se sobre as datas de validade: 

  • “Consumir até”: indica segurança alimentar e não deve ser ultrapassada. 
  • “De preferência antes de”: indica a qualidade do alimento que ainda pode ser consumido se mantiver bom aspeto e odor. 

Cuidado com as alegações nutricionais e de saúde como “rico em fibra” ou “baixo teor de gordura”. Estas alegações exigem provas científicas.  

Verifique a origem e a frescura dos alimentos: 

  • Frutas e legumes: devem estar firmes, com cor viva e sem manchas; 
  • Peixe: deve ter olhos brilhantes, guelras vermelhas e odor fresco a mar; 
  • Carne: deve apresentar cor viva e aspeto húmido, sem odor forte. 
  1. Conservar os alimentos em casa 

Arrume os alimentos frescos corretamente no frigorifico (temperatura 0–5 º C); 

Os alimentos congelados conservam a sua qualidade nutricional (temperatura – 18 Cº). 

                    DICA DECO: 

Descongele os alimentos no frigorífico e não volte a congelá-los.  

  1. Faça escolhas sustentáveis  

Escolha produtos locais e sazonais, com menor impacte ambiental; 

Opte por comprar a granel ou avulso sempre que possível; 

Evite desperdícios alimentares. 

Conhecer os seus DIREITOS enquanto consumidores de bens e serviços é o primeiro passo para ser um cidadão mais ativo, interventivo e participativo. Acompanhe o projecto da DECO – TUDO A QUE TEM DIREITO – QUE pretende tornar os serviços de informação e apoio ao consumidor mais acessíveis e próximos em todo o território nacional.  

Este projeto é cofinanciado pela União Europeia, através do Single Market Programme.

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Cantor tavirense Kássio leva música ao “Domingão” em Quarteira

12 June 2026 at 14:40

O artista Kássio atua este domingo, 14 de junho, no programa “Domingão”, da SIC, numa emissão especial realizada a partir da cidade de Quarteira.

A presença do cantor promete levar música, animação e proximidade ao público, numa tarde marcada pelo ambiente festivo característico do formato televisivo.

Reconhecido como uma das vozes da música ligeira portuguesa, Kássio conta com uma carreira de mais de duas décadas e prepara-se para subir ao palco itinerante da SIC, levando os seus temas ao público presente em Quarteira e aos telespectadores em todo o país.

Música e animação em direto a partir de Quarteira

A atuação no “Domingão” será também uma oportunidade para celebrar o espírito festivo da época e para o público acompanhar alguns dos maiores sucessos do artista, num programa conhecido pela energia, pela interação com as ruas e pela proximidade com as comunidades locais.

Natural de Tavira, Kássio é um cantor e artista português com uma carreira consolidada de mais de 25 anos, ligada à música ligeira, ao pop e à presença em programas de televisão.

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Jazz, pôr do sol e Ria Formosa marcam nova aposta cultural em Olhão

12 June 2026 at 12:50

O Olhão South Jazz apresentou oficialmente o cartaz da sua primeira edição, marcada para os dias 24 e 25 de julho de 2026, no Parque Ribeirinho Poente, em Olhão.

A apresentação pública decorreu no dia 9 de junho, ao pôr do sol, numa sessão aberta à comunidade realizada no Parque Ribeirinho Poente, com vista para a Ria Formosa.

Durante o encontro foram revelados a imagem oficial do evento, o cartaz, o mapa do recinto, os espaços previstos e os dois palcos que irão receber os artistas: o Palco Principal e o Palco Cantaloupe.

Segundo a organização, o momento contou ainda com uma atuação ao vivo de Sara Badalo, que antecipou “a atmosfera que se quer criar nos dias 24 e 25 de julho: música ao vivo, fim de tarde, encontros ao pôr do sol, magnífica vista sobre a Ria e uma experiência pensada para ser vivida ao ar livre”.

Evento estreia-se com dois dias de música junto à Ria Formosa

A primeira edição do Olhão South Jazz vai decorrer ao longo de dois dias, entre as 18:00 e as 00:00, no Parque Ribeirinho Poente, junto à Marina de Olhão.

O cartaz reúne nomes nacionais ligados ao jazz e a outras sonoridades, incluindo Júlio Resende, Áurea, Orquestra de Jazz do Algarve e Sara Badalo.

Para Ricardo Calé, presidente da Câmara Municipal de Olhão, “o Olhão South Jazz é mais um passo na afirmação de Olhão como uma cidade aberta à cultura e às experiências ao ar livre. Este evento valoriza o Parque Ribeirinho Poente como espaço de convívio e fruição pública, aproximando a comunidade da música e contribuindo para uma programação cultural cada vez mais diversificada e acessível”.

Recinto terá lounge, food trucks e Ria Market

Para além dos concertos, o recinto contará com zona lounge, food trucks, bar, photospot, espaços de ativação e o Ria Market, uma área dedicada ao artesanato, marcas independentes e projetos locais.

Depois da apresentação pública, a organização deixa o convite para os dias 24 e 25 de julho, quando “todos os caminhos levam ao Parque Ribeirinho Poente, junto à Marina de Olhão, onde a música, o pôr do sol e a Ria Formosa se encontram para dar vida à primeira edição do Olhão South Jazz”.

Os bilhetes já se encontram disponíveis e podem ser adquiridos através do link de bilheteira disponibilizado no website e nas redes sociais do Olhão South Jazz.

Toda a informação sobre o evento e o acesso à bilheteira podem ser consultados no site oficial olhaosouthjazz.pt e nas redes sociais do festival, no Instagram @olhão.southjazz e no Facebook Olhão South Jazz.

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Filosofia portuguesa, a provável existência | Por Jorge Queiroz

12 June 2026 at 12:30

Há uma filosofia portuguesa? Foram diversas as tentativas de sínteses da História da Filosofia Portuguesa.

Nos séculos XVI e XVII a teoria geocêntrica foi substituída pela heliocêntrica, a Terra deixou de ser centro do universo, provou-se girar à volta do sol, a descoberta provocou mudanças profundas. As ciências autonomizaram-se da religião, a filosofia ganhou asas, capacidades e liberdade critica.

Encontramos centenas de obras de filosofia produzidas por autores portugueses ou de períodos anteriores à nacionalidade. As marcas são o debate do cristianismo primitivo face às heresias, identidades, o “encoberto” e o messianismo, sebastianismo, e o Destino, Quinto Império, problemáticas psicanalíticas mais recentes sobre “ser português”.

Da filosofia, repositório de temas da existência, uma breve viagem sobre Portugal.

JORGE QUEIROZ
Sociólogo

Na Idade Media surgiram teólogos como Paulo Orósio do século V, natural de Bracara Augusta, foi a Hipona conhecer Santo Agostinho, ambos escreveram obras inspiradas na tomada de Roma por Alarico I, o primeiro a “História contra os Pagãos” e Agostinho na “Cidade de Deus” reflecte sobre os Bárbaros e o ataque a Roma.

São Martinho de Dume, ou de Braga, no século VI, foi um bispo que escreveu o “De Correctione Rusticorum”, influenciado pelos ciclos astrais sugeriu o início equinocial do ano, a mudança da designação romana dos dias da semana para a forma actual.

Pedro Hispano ou João XXI (1215-1277), único Papa português, foi médico, professor, teólogo, escreveu a “Summulæ Logicales”, análise da lógica aristotélica que teve 260 edições em toda a Europa. Papa durante oito meses, morreu em Viterbo soterrado por um desmoronamento no palácio onde vivia.

D. Duarte (1391-1438), décimo rei de Portugal, o “Rei Filosofo”, escreveu o “Leal Conselheiro” e um manual de cavalaria, o “Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela”. Morreu vitimado pela peste deixando herdeiro menor, o futuro rei Afonso V “o Africano”.

O Infante D. Pedro (1392-1449) o mais culto da dinastia de Avis, “Infante das Sete Partidas” viajou pela Europa, foi regente dez anos por morte do irmão D. Duarte e por vontade popular. A “Carta de Bruges” dirigida ao irmão contém reflexões e recomendações sobre a boa governação ainda actuais. Escreveu o “Tratado da virtuosa benfeitoria”, traduziu o “Livro dos ofícios” de Cícero. Justo e ético, morreu em Alfarrobeira numa cilada da aristocracia feudal, deixou obra relevante, foi injustamente apagado da História de Portugal.

Com a expansão marítima portuguesa, revelou-se Duarte Pacheco Pereira (1460-1533), cosmógrafo que negociou o Tratado de Tordesilhas, estava na armada de Pedro Alvares Cabral que “achou” o Brasil, deixou o misterioso “Esmeraldo Situ Orbis”, desaparecido durante 400 anos, reflecte a ciência sustentada pela prática, a “madre de todas as cousas”.

Damião de Góis (1502-1574) destacou-se nos centros da cultura europeia, foi secretário da feitoria de Antuérpia, guarda-mor da Torre do Tombo, conheceu Erasmo e Loyola, na sua extensa obra destacam-se a Crónica de D. Manuel I, universalista com temas inovadores. Despertou invejas, o companheiro jesuíta Simão Rodrigues denunciou-o à Inquisição como erasmista, foi maltratado e preso. Morreu em Alenquer, terra natal onde hoje existe um museu com o seu nome, dedicado às vítimas do Santo Ofício.

Francisco Sanches (1550-1622), foi um filósofo céptico, adversário do pensamento de Aristóteles, a sua obra de referência é “Quod nihil scitur” ou “O Que nada se sabe”.

O jesuíta Padre António Vieira (1608 -1697), missionário e pregador no Brasil e também filosofo, usou sermões para defender ideais humanistas e os indígenas, a abolição da escravatura. Em 2013 a obra completa de Vieira foi publicada em trinta volumes.

Luís António Verney (1713-1792), filosofo “estrangeirado” foi personalidade destacada do iluminismo português, criticou os jesuítas pela excessiva teorização e dogmatismo, o ensino devia basear-se na experiência. Escreveu o “Verdadeiro Método de Estudar” editado em 1746 a pedido de D. João V, colaborou na reforma do ensino, defendeu que a escola elementar devia ser para ambos os sexos e para todas as classes sociais, paga pelo Estado. Exilou-se em Roma, devido às ameaças, onde morreu.

O atribulado século XIX, com invasões napoleónicas, fuga da corte para o Brasil, guerra civil entre liberais e absolutistas, o ultimato inglês deu origem a acesos debates e à ascensão das correntes republicanas. Sucederam-se pensadores como Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846) anti idealista defendeu a separação entre filosofia e ciência, teve a oposição de Guerra Junqueiro (1850-1923) Sampaio Bruno (1857-1915), Teófilo Braga (1843.-1924),…

A Geração de 70, reflecte o mal-estar do século XIX, os “Vencidos da Vida” teve continuidade no século XX, no debate entre as visões europeístas e antieuropeístas.

Entre a I Republica e o Estado Novo entre 1910 e 1932 surgiu a revista “A Águia” órgão da Renascença Portuguesa nela escreveu António Sérgio. O movimento filosófico da Escola do Porto, inspirou-se em Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Amorim Viana e outros.

Em 1943, Álvaro Ribeiro publicou “O Problema da Filosofia Portuguesa”, considerava que o pensamento filosófico em Portugal não era autónomo, porque exposto a sistemas filosóficos estrangeiros, a dialéctica de “castiços” e “estrangeirados”.

Cabral de Moncada afirmou em 1960 que a “preocupação nacionalista mais ou menos extravagante, é fortemente detractora das filosofias estrangeiras e quase xenófoba“, António Braz Teixeira considerava a ideia de Deus, que as relações entre a filosofia e a religião são o cerne do debate especulativo português, Fernando Pessoa como uma «forma de provincianismo mental».

Eduardo Lourenço em finais do século XX afirmou “logo que nos aproximamos da linha tórrida do racional tornamo-nos tímidos, ficamos paralisados, perdemos a imaginação”.

Personalidade filosófica singular e libertária não enquadrável em grupos foi Agostinho da Silva (1904-1994), exiliado político, expulso do ensino por se recusar a assinar a declaração de que não participava em “organizações subversivas”. Foi para o Brasil em 1947 onde leccionou em Universidades, regressou a Portugal em 1969. Deixou extensa obra como as “Sete cartas a um jovem filósofo” (1945), “Carta Vária” (1989) e “Vida conversável” (1994).

Entre os filósofos da segunda metade do século XX de uma corrente com proximidades com a psicologia social e a psicanalise destacaram-se os irmãos Fernando e José Gil, Mário Sotto Mayor Cardia, Eduardo Lourenço.

A filosofia portuguesa é um oceano de turbulências, o mistério de existir.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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