O que mais?
É quarta-feira, o meu dia de fecho, por isso, quando alguém ler isto, o resultado já será notícia velha. Mas é impossível não mencionar o primeiro jogo de Portugal no Mundial, porque, por aqui, é só nisso que toda a gente pensa ou fala. Não tenho dúvidas de que o desfecho terá sido positivo para o nosso lado, mas ser português traz sempre aquela ansiedade habitual que a maioria de nós sente, muito embora este ano tenhamos tantas hipóteses como qualquer uma das grandes seleções de arrecadar o grande troféu. Nós, como povo, há muito que sofremos de tudo: desde derrotas humilhantes e dolorosas até à alegria de uma grande vitória.
A questão é que a grande vitória só aconteceu uma vez; o resto tem sido, bem… um desafio. Nem seria preciso dizer (mas menciono de qualquer forma) que relativamente poucas nações europeias se podem gabar de já terem sido campeãs e, naquele dia, a vitória foi algo de transcendente. Veremos. Ainda parecemos ser um bocado instáveis, pelo que é difícil ter a certeza de qual será a atitude que levaremos para o campo. Apesar disso, temos agora uma seleção nacional na qual podemos ousar confiar, uma excelente mistura de juventude e experiência. CR7 irá cantar o seu canto do cisne em Mundiais, por isso esperemos que consiga evocar alguma da sua magia extra para ajudar a equipa a chegar à final. Na minha opinião, jogamos até melhor em campo sem ele, embora ele mereça todo o respeito do mundo; portanto, se ele diz que está pronto, confiamos nele. Não tem como correr mal, desde que cumpram o plano (acho eu).
E já que estou no assunto, devo dizer que este Mundial tem sido inédito pelo número de injustiças que estão aparentemente a ser cometidas, sem uma única palavra por parte da organização. Foi bastante óbvio desde o início que Infantino, presidente da FIFA, era o cão de colo de DT, por isso não só era claro que as injustiças seriam perpetradas, como também era evidente que o Sr. Infantino iria assobiar para o lado. A questão da água: não é permitida a entrada com garrafas, mas ao menos que a vendessem barata ou a dessem de graça para as pessoas se hidratarem! Por falar nisso, também há aquelas “pausas para hidratação” de dois minutos para os jogadores, que nunca precisaram delas no passado, se excluirmos a Arábia Saudita. Coincidentemente, as estações de televisão aproveitam esse tempo para vender publicidade astronomicamente cara, para entreter a malta enquanto os rapazes bebem.
Os bilionários parecem sempre levar a melhor, especialmente nos “US of A”. E o preço dos bilhetes, credo! Milhares de dólares! O que aconteceu à história de unir toda a gente? Essa é a ideia que a FIFA adora associar a este torneio. Vão dizer isso à seleção do Irão, que joga todos os jogos em solo americano mas é obrigada a voar de volta para o México (onde está instalada e a treinar) imediatamente a seguir a cada partida, enquanto as outras seleções se podem restabelecer nas calmas, como dita o protocolo. O pobre do árbitro somali, que ia estrear-se num Mundial, foi recambiado para trás depois de horas a fio de interrogatórios. Ia ser o mais jovem de sempre num Campeonato do Mundo. Mesmo entre os que conseguiram entrar, houve muitos que tiveram de aguentar horas de interrogatório. Que raio de sítio. Nem sequer é irónico que um país que causou e continua a causar estragos a todo o planeta e aos seus habitantes esteja com uma superparanoia de que uma seleção que está a disputar aquele que é, indiscutivelmente, o maior evento desportivo do mundo, lhes vá fazer mal, ou que um jovem árbitro, a viver o sonho de uma vida, estivesse ali para outra coisa que não isso. O ladrão tem sempre medo de ser roubado.
Seja como for, espero que quando isto sair na sexta-feira, estejamos todos com um sorriso no rosto.
Raul Freitas/MS
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