DBRS eleva rating da Caixa Geral de Depósitos para A (high) com tendência “positiva”

A agência de notação financeira Morningstar DBRS anunciou hoje a subida do rating de emissor de longo prazo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de “A” para A (high), mantendo a tendência em Estável. A agência reviu ainda em alta o rating de curto prazo para R-1 (middle) (anteriormente R-1 (low)) e melhorou a perspetiva dos depósitos de longo prazo de Estável para Positiva.
Esta melhoria reflete a solidez financeira e a resiliência do banco público português, num contexto de forte rentabilidade e consolidação da qualidade dos seus ativos.
Em comunicado a agência de rating anuncia que “elevou os seus credit ratings da Caixa Geral de Depósitos, incluindo o Long-Term Issuer Rating e o Long-Term Senior Debt credit rating para A (high) de “A”. A Morningstar DBRS também elevou o Short-Term Issuer Rating credit rating do Bank para R-1 (middle) de R-1 (low). Simultaneamente, a Morningstar DBRS confirmou os credit ratings de Long-Term Deposits e Short-Term Deposits do Bank em A (high) e R-1 (middle), respetivamente, uma vez que estão ao mesmo nível da República de Portugal (Portugal; com rating A (high) e Positive trend pela Morningstar DBRS). A DBRS alterou a trend do Long-Term Deposits credit rating do Bank para Positive de Stable. As trends dos restantes credit ratings mantêm-se Stable. A DBRS também subiu a Intrinsic Assessment (IA) da CGD para A (high) de “A” e manteve a sua Support Assessment em SA3″.
De acordo com a DBRS, a revisão em alta da nota da CGD é sustentada por uma geração de resultados “robusta e resiliente”, impulsionada pelo crescimento sólido do crédito e por uma gestão controlada dos custos operacionais.
Em 2025, a CGD registou lucros recorde de 1.900 milhões de euros (um crescimento de 9,8% em termos homólogos). No primeiro trimestre de 2026, a tendência positiva manteve-se, com os lucros a atingirem os 396,7 milhões de euros.
O rácio de eficiência (cost-to-income) fixou-se em 30,7% no total do ano de 2025 e em 39,1% no primeiro trimestre de 2026, valores que demonstram uma estrutura operacional altamente otimizada.
Apesar da descida das taxas de juro ter pressionado a margem financeira para 2,4% em 2025 (face aos 2,8% em 2024), o primeiro trimestre de 2026 já deu sinais de recuperação, com um crescimento em cadeia de 5,6%.
A agência de rating destacou também a melhoria contínua na qualidade do balanço do banco liderado do por Paulo Macedo. O rácio de crédito malparado (NPL ratio) desceu para 1,4% no final de março de 2026 (abaixo da média europeia de 1,9%).
No que toca à CGD em Moçambique (onde está através do BCI), o rácio de exposição não produtiva (NPE) subiu ligeiramente para 1,7% devido ao incumprimento da dívida soberana de Moçambique. Excluindo este impacto geopolítico específico, o rácio NPE fixar-se-ia nuns limpos 1,0%.
Ao nível da solvabilidade, o grupo CGD apresenta uma posição de capital considerada “forte”, com um rácio CET1 de 21,2% em março de 2026, o que representa uma almofada confortável de 11,8% acima dos requisitos mínimos regulamentares.
As melhorias na notação de crédito refletem a geração de resultados robusta e resiliente da CGD, apoiada por um crescimento de crédito sólido, uma elevada margem de juros líquida, custos operacionais bem controlados e um custo de risco negativo, mesmo num ambiente de taxas de juro mais normalizado
A confirmação dos ratings de depósitos da CGD em A (high) — agora com tendência Positiva — coloca o banco em total alinhamento com a avaliação soberana da República de Portugal (atualmente classificada em A (high) com tendência Positiva pela DBRS).
Para que o rating da CGD volte a subir no futuro, a agência avisa que será necessária uma trajetória contínua de rentabilidade ao longo do ciclo económico e, fundamentalmente, uma subida prévia ou concomitante do próprio rating de Portugal. Por outro lado, uma deterioração material prolongada nos resultados ou na qualidade dos ativos poderá resultar numa revisão em baixa.