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Quer passear em Alcoutim? Já lá há bicicletas elétricas partilhadas

Alcoutim já tem um sistema de bicicletas elétricas partilhadas, no âmbito do projeto Vilas em Movimento, uma parceria entre a Fundação Galp e Câmara Municipal deste concelho do Nordeste Algarvio.

A iniciativa, inaugurada esta sexta-feira, representa um investimento superior a 100 mil euros e pretende promover soluções de mobilidade mais sustentáveis, incentivar estilos de vida ativos e reforçar a valorização do território.

O novo sistema, inaugurado numa cerimónia que contou com as presenças de Paulo Paulino, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, e de Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp, disponibiliza 14 bicicletas elétricas e quatro estações de partilha, localizadas na biblioteca municipal, no centro náutico, na praia fluvial e no parque de caravanas.

A infraestrutura estará ao serviço de residentes e visitantes, facilitando deslocações no concelho e promovendo uma forma mais sustentável de descobrir Alcoutim.

Desenvolvido pela CME – Construção e Manutenção Eletromecânica, empresa portuguesa especializada em soluções de mobilidade partilhada, o sistema inclui bicicletas elétricas, estações de carregamento e uma plataforma digital de gestão e utilização, adaptada às características do território.

Inserida numa região de elevado valor ambiental, junto ao rio Guadiana, esta iniciativa contribui para uma utilização mais sustentável do espaço público, promove a mobilidade suave e reforça a ligação das pessoas à natureza e ao património local.

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“Este projeto representa mais um passo na estratégia que temos vindo a desenvolver para valorizar Alcoutim enquanto território sustentável, inovador e com qualidade de vida. Com este sistema de bicicletas elétricas partilhadas, oferecemos novas formas de mobilidade para residentes e visitantes, promovemos hábitos mais saudáveis e reforçamos a ligação ao património natural e cultural do concelho”, afirmou Paulo Paulino.

“Este sistema de bicicletas elétricas é um exemplo concreto de como a sustentabilidade pode gerar valor para as comunidades, promovendo uma mobilidade mais sustentável e reforçando a ligação das pessoas ao território”, diz Sandra Aparício. Este investimento integra uma estratégia mais ampla que a Fundação Galp tem vindo a desenvolver no Baixo Guadiana, em parceria com o Município de Alcoutim, a ODIANA e outras entidades locais”.

O sistema de bicicletas elétricas partilhadas integra o programa de investimento social da Galp e da sua Fundação Galp em Alcoutim, que inclui iniciativas nas áreas da energia, mobilidade sustentável, inclusão social e desenvolvimento comunitário.

Entre essas iniciativas destaca-se também o projeto Vilas em Movimento Baixo Guadiana 2.0, desenvolvido pela ODIANA com o apoio da Fundação Galp, que promove o envelhecimento ativo e combate o isolamento social e geográfico da população mais idosa dos concelhos de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Desenvolvido em parceria com o Município de Alcoutim e agentes locais, este programa gera benefícios duradouros para a população, promovendo a valorização do território, a coesão social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades do Baixo Guadiana.

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No Teatro de Palha, há de tudo

Há cinema, música, teatro, novo circo, dança, e, acima de tudo, uma grande escultura «efeméra e habitável» onde tudo acontece. É o Teatro de Palha do Lavrar o Mar que regressa, de 27 de Junho a 26 de Julho, ao Parque Industrial da Feiteirinha, em Aljezur.

Feito de palha, luz, vento e noite, o Teatro de Palha regressa como lugar de encontro entre criação artística, natureza e comunidade. Nesta edição, a programação parte de uma pergunta simples: o que fazemos com aquilo que pesa? Com o peso das memórias, das histórias, dos afetos, dos objetos, das paisagens e do próprio tempo.

Para criar a arquitetura desta IV edição do Teatro de Palha, Pedro Quintela partiu da geometria da lebre-do-mar, um peculiar molusco marinho existente na região.

Construído mais uma vez com a cumplicidade dos agricultores locais, o Teatro de Palha nasce a partir de um único material: a palha, abundante no território e presente nestas paisagens nesta altura do ano.

A programação abre no dia 27 de Junho com os Terrakota, colectivo português que cruza ritmos afro, reggae, ecos balcânicos e sonoridades de diferentes geografias numa celebração da mistura e da liberdade. Seguem-se propostas internacionais como “Par le Boudu”, de Bonaventure Gacon, figura incontornável do circo contemporâneo; “Barolosoul’O”, da companhia francesa Barolosolo, uma viagem poética entre música, água e pequenos naufrágios do quotidiano; e “People”, de Claudio Stellato, onde dança, novo circo e artes visuais se encontram num universo entre caos, humor e humanidade.

O Teatro de Palha recebe ainda a Orquestra do Algarve, dirigida por Martim Sousa Tavares, que revisita a magia do cinema mudo através da obra-prima The General, de Buster Keaton, e encerra com a Orquestra de Jazz do Algarve e o concerto “Caribe Libre”, uma viagem pelos ritmos afro-caribenhos que deram origem ao Latin Jazz.

A gastronomia volta também a transformar-se em experiência artística com “400 gramas para partilhar – Uma ode à convivialidade”, uma criação da companhia belga Laika – Théâtre des Sens com a participação do Turak Théâtre. Cada participante contribui com 400 gramas de ingredientes que serão transformados numa refeição colectiva, onde cozinhar e comer se tornam gestos de encontro e partilha.

O cinema regressa ao Teatro de Palha com o ciclo “Paisagens da Memória e do Futuro”, com curadoria de Candela Varas. Entre 28 de Junho e 23 de Julho serão apresentados seis filmes que atravessam diferentes geografias emocionais, políticas e artísticas: “One to One: John & Yoko”, de Kevin Macdonald; “Arco”, de Ugo Bienvenu; “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho; “Um Poeta”, de Simón Mesa Soto; “A Pequena Amélie”, de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han; e “Orlando Pantera”, de Catarina Alves Costa.

Pela primeira vez, o Teatro de Palha apresenta um programa dedicado a famílias, convidando crianças e adultos a descobrir este espaço através de propostas onde a imaginação é uma forma de olhar o mundo.

O programa reúne cinco experiências de dança, música, marionetas, magia, objectos e cinema: “Abraço”, de Berna Huidobro; “Arco”, de Ugo Bienvenu; “Chão de Meninos”, de Madalena Victorino e convidados; “A Pequena Amélie”, de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han; e “Mundo dos Mundos”, de Madalena Victorino com Matilde Tudela, Francisca Poças e Susana Vilar.

Durante todo o período do Teatro de Palha poderá ainda ser visitada a exposição “10 anos | 134 cartazes”, que reúne uma década de criação gráfica da Lavrar o Mar, com assinatura da 1000olhos, transformando o espaço num arquivo vivo de memórias, projectos e encontros.

O programa completo está disponível aqui, onde também podem ser adquiridos os bilhetes.

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Museu Zer0 entra numa nova etapa com “lugar-depois”

Um “lugar-depois”, que marca uma nova etapa do Museu Zer0, com forte dimensão crítica, experimental e internacional, sem nunca deixar de estar alinhada com o pensamento visionário que esteve na origem deste projeto vivo.

Em Setembro de 2025, os antigos silos e armazéns da Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, passaram de espaço industrial desativado há décadas a «centro vivo de criação artística».

Nesse mês, resultado de um trabalho e ambição de anos, nascia oficialmente o primeiro museu de arte digital do país. Fundado por Paulo Teixeira Pinto, antigo presidente do Banco Comercial Português (BCP), que se mudou para o Algarve e iniciou o desafio de criar, no interior da região, um espaço dedicado à arte digital, este Museu entra agora numa nova fase, com uma nova direção, que quer fazer cumprir os valores de sempre, mas levar o projeto ainda mais longe.

Para marcar esta transição, o Zer0 reabre com “lugar-depois”, exposição inaugurada oficialmente esta terça-feira, 9 de Junho, e que estará patente até ao dia 7 de Dezembro.

Para Fátima Marques Pereira, atual presidente, «o nome da exposição diz tudo».

«Houve uma inauguração que foi, na verdade, um sucesso e da qual nós nos orgulhamos muito. Agora, este é o momento mais difícil do museu, porque este é o momento em que toda a gente tem os olhos no Museu Zer0 e quer saber o que é que esta nova direção vai fazer, do ponto de vista artístico e do ponto de vista do funcionamento», diz, em entrevista ao Sul Informação.

A poucos dias da grande inauguração, Fátima Marques Pereira falava com o nosso jornal sobre o desafio que esta nova direção enfrenta e sobre o gosto que é poder estar aos comandos de um projeto como este: «um projeto com o qual me identifiquei desde o início», confessa.

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Fátima Marques Pereira. Foto: Edgar Pires | Sul Informação (arquivo)

Ao lado de Mónica Félix, vice-presidente, Fátima Marques Pereira não tem qualquer pudor em afirmar que este é «o projeto mais difícil e desafiante» da sua vida.

O convite para fazer parte da direção – que conta ainda com as vogais Dália Paulo, Sónia Gemas Donário e Madalena Duarte – surge em resultado do sucesso do segundo momento de inauguração do Museu, em Outubro de 2025, pelo qual foi responsável pela programação, e foi, para Fátima «irrecusável».

«É irrecusável, mas também é um desafio porque uma coisa é trabalharmos, como eu sempre trabalhei, como gestora pública. Aí eu sei com que linhas é que me coso, porque o Estado, desde logo, tem um orçamento estipulado para o projeto. Aqui nós temos que ir à procura», diz, realçando a importância do mecenato nestes projetos.

«Eu espero que a comunidade empresarial compreenda que a cultura é transformadora de tudo e que as empresas percebam a importância de apoiarem a cultura e as artes. Dinamizar o território do ponto de vista empresarial também tem que ser dinamizar o território do ponto de vista social e cultural. E isso é fundamental para nós e para a região», salienta.

“lugar-depois” surge ainda num momento particularmente significativo para a instituição, já que o Museu Zer0 foi distinguido, no passado dia 17 de Maio, com o Prémio de Arquitetura do Algarve 2025, na categoria Equipamento, Serviço e Indústria.

Este novo ciclo ficou ainda marcada pela realização, no passado dia 8 de Junho, véspera da inauguração da exposição, do Fórum Cultura dedicado à relação entre arte e tecnologia, promovido pela ministra da Cultura Margarida Balseiro Lopes.

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Foto: Luz Venceslau | Sul Informação

«A realização deste Fórum no Museu Zer0 representa um reconhecimento institucional da relevância crescente do Museu enquanto plataforma ativa de pensamento, criação e produção e articulação territorial. Simultaneamente, posiciona “lugar-depois” como o primeiro gesto curatorial desta
nova direção, uma afirmação artística, contemporânea e de compromisso com o futuro», refere a direção.

Reunindo artistas cujas práticas atravessam instalação, som, media arte, imagem e experimentação contemporânea, a exposição propõe o Barrocal algarvio como «espaço ativo de pensamento e produção cultural situada», já que o território surge como «campo de relação entre natureza, tecnologia, memória, matéria e transformação social», refletindo preocupações como a ecologia, sustentabilidade, identidade, pertença, inteligência tecnológica e modos futuros de habitar.

Ao longo de sete meses, a mostra expande-se além do espaço expositivo através de um programa contínuo de mediação, conversas, ativação territorial e produção de conhecimento, criando condições para que artistas, curadores, investigadores, comunidade e instituições participem ativamente na sua construção.

Será ainda acompanhada por uma programação paralela que inclui encontros com artistas e curadores, conversas públicas, visitas mediadas, sessões de reflexão, atividades educativas e momentos de partilha entre diferentes agentes culturais e criativos.

«O Museu Zer0 é um projeto único em Portugal. Eu não tenho qualquer dúvida relativamente a isso. Tenho muitas dúvidas relativamente a outras questões, mas não de que é um projeto único e transformador para a região – porque não se encontra, aos pontapés, museus ou centros de arte no interior do país, mas também porque tem uma dimensão colaborativa e comunitária muito grande», salienta ainda ao nosso jornal Fátima Marques Pereira.

De acordo com a presidente, este é um Museu que nasceu para «estar de portas abertas a todos» e é nesse sentido que a direção continuará a trabalhar.

“lugar-depois” pode ser visitado de quarta a segunda-feira, das 11h00 às 19h30. Nas últimas sextas-feiras de cada mês, o horário é das 15h00 às 23h00.

Fotos: Luz Venceslau | Sul Informação

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