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Bastidores. Porque é que BCE achou "necessário" subir juros

Em 2022 o BCE foi surpreendido pela subida de salários e margens das empresas. Eventuais progressos de paz podem aproximar BCE de cenário mais benigno e tornar subida de juros em julho menos provável.

© Felix Schimdt/ECB

Christine Lagarde teve a primeira conferência de imprensa acompanhada pelo novo vice-presidente, o croata Boris Vujčić.
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Mudança de casa está entre os eventos mais stressantes da vida, indica inquérito

isenção habitação

A ideia de mudar de casa é, para muitos, sinónimo de incómodo. Mas um inquérito recente sugere que o impacto emocional pode ser mais profundo do que se pensava — rivalizando com alguns dos momentos mais marcantes da vida.

A evidência científica reforça esta perceção: a mudança de residência figura há décadas entre os principais fatores de stress identificados pela psicologia, nomeadamente na escala de Holmes e Rahe (1967), uma das mais utilizadas para medir o impacto de eventos de vida no stress.

Segundo um inquérito divulgado pela empresa Clean Bees, baseado numa amostra de mil norte-americanos que mudaram de residência em 2024, 82% classificaram a experiência como stressante e 42% admitem ter chorado durante o processo. Mais de um terço dos inquiridos afirmou que mudar de casa foi mais exigente do que organizar um casamento, enquanto quase um em cada cinco considerou a experiência mais difícil do que um divórcio. Em 14% dos casos, a mudança foi mesmo apontada como mais stressante do que a morte de um familiar.

Os resultados ajudam a explicar uma perceção comum: mudar de casa vai muito além de transportar bens de um ponto para outro. Pressões financeiras, decisões constantes, esforço físico, rotinas interrompidas e uma lista interminável de tarefas urgentes transformam o processo num verdadeiro teste de resistência.

Estudos académicos confirmam este impacto: uma investigação publicada na revista Urban Science (2022) conclui que mudanças residenciais estão associadas a níveis mais elevados de stress, sobretudo em contextos de instabilidade ou mobilidade frequente.

O inquérito — citado num comunicado empresarial — indica ainda que praticamente todos os participantes enfrentaram dificuldades, sendo a gestão do stress o principal desafio. Mais de metade acredita, aliás, que a complexidade de uma mudança é frequentemente subestimada.

Outros dados internacionais apontam no mesmo sentido: um estudo divulgado pela plataforma britânica Inside Conveyancing (2023) indica que 57% dos inquiridos consideram mudar de casa o evento mais stressante da vida, acima de marcos como ter filhos ou divorciar-se.

Entre as tarefas mais exigentes destaca-se o empacotamento, apontado como o mais stressante, difícil, demorado e indesejado. Para 43% dos inquiridos, foi também a fase que consumiu mais tempo. Ainda assim, mais de um quarto revelou que, um mês depois da mudança, continuava a organizar a nova casa.

A relevância deste fator é consistente com dados do relatório “Moving Trends 2025”, da plataforma Anytime Estimate, que identifica o empacotamento como a etapa mais exigente em termos de tempo e desgaste emocional.

Outro aspeto frequentemente relegado para o final é a limpeza. Seja para garantir a devolução de uma caução, preparar um imóvel para venda ou simplesmente deixar a casa em boas condições, esta tarefa acaba muitas vezes concentrada nos últimos dias — precisamente quando o tempo escasseia.

O peso financeiro agrava o cenário: em média, os norte-americanos gastaram cerca de 2.050 dólares numa mudança em 2024, sendo que 78% enfrentaram despesas inesperadas. Mais de um terço ultrapassou o orçamento previsto.

Este impacto económico surge frequentemente associado ao stress: o mesmo relatório da Anytime Estimate (2025) indica que os custos inesperados estão entre os principais fatores de ansiedade durante o processo de mudança.

Perante este contexto, cresce a procura por serviços especializados que permitam aliviar a carga associada a este momento de transição. Empresas de limpeza profissional têm vindo a adaptar a sua oferta, focando-se em soluções de limpeza de entrada e saída que libertam tempo e reduzem a pressão sobre famílias e empresas.

Num processo já de si exigente, a externalização de tarefas surge, assim, como uma forma de transformar uma experiência potencialmente caótica numa transição mais controlada — e, sobretudo, menos desgastante.

Este impacto económico surge frequentemente associado ao stress: o mesmo relatório da Anytime Estimate (2025) indica que os custos inesperados estão entre os principais fatores de ansiedade durante o processo de mudança.

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Mulheres pretas e pardas e de baixa renda lideram déficit habitacional em Pernambuco

A falta de moradia em Pernambuco atinge majoritariamente lares chefiados por mulheres e por pessoas de cor ou raça parda. Atualmente, o estado contabiliza 221.303 famílias inseridas no déficit habitacional. Esse contingente está concentrado na faixa de vulnerabilidade econômica, composto por quem sobrevive com renda mensal de até três salários mínimos.

Os dados foram levantados pela Fundação João Pinheiro, com ano-base 2024, que teve como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

Os números mostram que a dificuldade de acesso à habitação regular no estado está diretamente ligada a questões de gênero e raça. A restrição de renda formal afeta diretamente a capacidade de financiamento ou locação segura de imóveis por parte desse grupo, empurrando essas famílias para a coabitação forçada, habitações precárias ou para o estrangulamento financeiro.

Raio-X da vulnerabilidade

O perfil social das famílias sem moradia adequada em Pernambuco é sustentado pelos seguintes indicadores:

  • 221.303 famílias pernambucanas compõem o déficit habitacional atual;
  • Há predominância de lares comandados por mulheres na base do déficit;
  • A maior parcela das pessoas sem moradia adequada se declara parda;
  • A vulnerabilidade habitacional atinge quase em sua totalidade as famílias com rendimento de até três salários mínimos.

O peso do aluguel para mães solo

No cenário da região Nordeste, o indicador de ônus excessivo com aluguel — caracterizado quando o pagamento da locação compromete mais de 30% do orçamento da casa — pressiona de forma mais severa um arranjo familiar específico: mulheres sem cônjuge e com filhos menores de idade.

A dependência de uma única fonte de renda para cobrir custos de locação e as despesas básicas de dependentes anula a capacidade financeira dessas chefes de família. Como consequência matemática, as mães solo nordestinas se mantêm na parcela mais crônica do déficit habitacional, sem margem orçamentária para buscar alternativas definitivas de moradia no mercado formal.

© TV Jornal

O condomínio fica no bairro de Joana Bezerra, na Zona Central do Recife
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