Raquel Lyra e João Campos dividem agenda em Suape em meio a disputa sobre palanque de Lula
A governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) voltam a aparecer lado a lado nesta sexta-feira (12). O motivo é a inauguração do APM Terminals, no Porto de Suape, em Ipojuca. Os dois devem disputar o Governo de Pernambuco em 2026.
O terminal recebeu R$ 2 bilhões em investimento. É o primeiro 100% eletrificado da América Latina. A obra amplia em 55% a capacidade de operação do Complexo Industrial Portuário de Suape e liga o estado a mercados da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia. A entrega reforça a vitrine da gestão Raquel Lyra, que tenta a reeleição.

Campos chega ao evento como pré-candidato ao Governo e acompanhado de parte de seu grupo. Está com Marília Arraes (PDT) e outras lideranças da campanha, como o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos). No palco, também estará o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), partido presidido por Campos nacionalmente.
Raquel também aparece cercada de aliados. Ao seu lado estão o presidente do União Brasil em Pernambuco, Miguel Coelho e o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), os dois cotados para o Senado em sua chapa, ainda sem confirmação. O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) também disputa esse espaço. O deputado federal Mendonça Filho (PL) também compareceu a agenda ao lado da governadora.
A briga pelo palanque de Lula
O encontro acontece numa semana tensa para o campo do presidente. O ministro Wellington Dias (PT), que articula a campanha no Nordeste, defendeu ao O Globo que Lula tenha dois palanques no estado, um com Campos e outro com Lyra.
A fala irritou o PSB. O presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, desmentiu logo depois. Disse que Lula tem palanque único em Pernambuco, o de João Campos.
A disputa virou pressão dos dois lados. Após a fala de Dias, João pediu um gesto ao presidente. Nos bastidores, a informação é que Lula deve gravar um vídeo de apoio ao ex-prefeito.
A mensagem não terá pedido de voto, proibido na pré-campanha. O presidente não pretende fazer campanha presencial no estado, mas aceitou gravar.
Do outro lado, o PSD trabalha no sentido contrário. Lideranças do partido pediram ao Planalto, em reunião na terça-feira (9), que Lula apareça ao lado de Raquel.
O movimento se soma à articulação nacional da sigla, com o nome de Gilberto Kassab cotado para vice na chapa de Ronaldo Caiado à Presidência. A governadora, por ora, mantém silêncio sobre apoios presidenciais.
Pesquisas e o "voto Luquel"
A briga tem origem nas pesquisas. O Datafolha do fim de maio apontou virada: Lyra com 48% e Campos com 43%. Em abril, o socialista liderava com folga.
Outro dado pesa no tabuleiro. Pesquisa Quaest do mesmo período mostrou que cerca de 40% dos eleitores de Lula em Pernambuco também apoiam Lyra. É o chamado "voto Luquel", fenômeno já visto na eleição de 2022.
É essa a cena de Suape. O vice de Lula, do PSB, entre a governadora que quer a reeleição e o pré-candidato que o próprio partido lança contra ela. A disputa pelos gestos do presidente no estado segue aberta.
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