Jovens mulheres aprendem sobre democracia, cidadania e direitos humanos em curso no Recife
Em 2026, 158 milhões de brasileiros estão aptos a exercer a democracia pelo direito ao voto. Desses, cerca de 1,7 milhões são jovens que tinham entre 15 e 17 anos até abril, um total que corresponde a apenas 20% da faixa etária que poderia votar, mas não tirou o título.
Com o objetivo de promover formação democrática e incentivar a participação desse público, a Escola da Democracia está promovendo o curso "Se adiante: é hora de colar no corre da democracia", voltado para mulheres jovens estudantes da rede pública de ensino que moram em periferias da Zona Norte do Recife.
Democracia é um exercício de todos
O Glossário Eleitoral, elaborado pelo Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), define como democracia "a forma de governo em que o povo exerce a soberania popular de fato e de direito, ou seja, tanto na prática quanto na lei".
Mas os cidadãos, ou seja, aqueles que são aptos a participarem da democracia, nem sempre têm conhecimento dos seus direitos e deveres, ou da importância deles na sociedade.
É tendo consciência desse cenário que nasceu a Escola da Democracia, no Recife, com a missão de "promover letramento político, aperfeiçoar a qualidade do voto e consolidar uma democracia para o bem viver", conforme diz o manifesto.
No começo de junho, a organização deu início à primeira turma do curso "Se adiante: é hora de colar no corre da democracia", voltado para mulheres entre 15 e 19 anos em situação de vulnerabilidade social que vivem em periferias da Zona Norte do Recife, como Água Fria, Alto José Bonifácio, Arruda, Cajueiro, Linha do Tiro e Porto da Madeira.
Conhecimento em cidadania
Uma pesquisa do Instituto Ipsos com a ONU Mulheres, feita em 2023, revelou que 61% dos brasileiros declaram conhecer pouca coisa, quase nada ou nada sobre direitos humanos.
Além do voto, muitas vezes inconsciente das pautas defendidas pelo candidato ou das funções que ele deve exercer em seu cargo, pouco se vê participação democrática para além disso. Mas a democracia pode ser exercida, ainda, por:
- Filiação partidária;
- Candidaturas;
- Acompanhamento de mandatos;
- Plebiscitos e referendos para aprovação de leis;
- Associações de moradores;
- Participação em manifestações e protestos.
Ainda na mesma pesquisa da ONU Mulheres, identificou-se que, apesar de 75% dos brasileiros terem percepção positiva acerca de mulheres defensoras dos direitos humanos, elas ainda enfrentam uma série de violências, tanto pelas causas que atuam, como pelo "desvio em relação aos papéis e expectativas sociais tradicionalmente reservados às mulheres", aponta o relatório.
Maria de Lourdes Fraga, de 19 anos, participa do curso em democracia e conversou com a reportagem do Jornal do Commercio. "Eu estou muito empolgada com o projeto. Acredito que vai me ajudar a formar as minhas ideias e opiniões, já que vamos aprender sobre democracia, direito das mulheres, sustentabilidade e política". Ela irá votar pela primeira vez em 2026.

Transformar a realidade por meio da educação cidadã
Diretora executiva na Escola da Democracia, Madalena Rodrigues explica que o curso nasce da percepção de que "muitas meninas e mulheres têm interesse em transformar a realidade onde vivem, mas nem sempre encontram espaços acessíveis para compreender como funciona a política, os direitos, a participação cidadã".
Os encontros acontecem no Compaz Governador Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha. Entre junho e julho, 41 meninas receberão uma bolsa de R$500,00 para participar das aulas, divididas em 4 módulos temáticos:
- Democracia em disputa: história, poder e cidadania no Brasil - analisa a formação da democracia brasileira, suas disputas históricas e a participação cidadã.
- Democracia para quem? Hierarquias, exclusões e justiça interseccional - debate desigualdades, exclusões sociais e os desafios para garantir direitos a diferentes grupos da população.
- Democracia, eu quero uma para viver: por justiça socioeconômica, ambiental e climática - discute a relação entre democracia, redução das desigualdades e enfrentamento das questões ambientais e climáticas.
- Democracia e Direito à Comunicação: informação, plataformas e disputas digitais - aborda o papel da informação, das plataformas digitais e das disputas políticas e sociais no espaço online.
"Na nossa formação, adotamos uma linguagem acessível, com muito uso de memes, gifs, não apenas para captar a atenção dessa juventude, mas para deixar o recado de que a conversa sobre democracia não precisa ser chata ou com termos difíceis", explica a coordenadora. A cada dois meses, serão abertas novas turmas com 20 vagas.
A estudante Priscila Sena, de 16 anos, participou da aula inaugural no começo dessa semana e contou à equipe do JC que pretende "compartilhar tudo que eu estou aprendendo com outras pessoas, porque eu acredito sim que o conhecimento é algo que vale a pena ser dividido".

Assista ao videocast Uma por Uma #03: O que as mulheres em espaço de poder fazem pelas outras mulheres?


© Divulgação/Priscilla Melo