Nordeste Sem Pedágio: Após 30 anos de concessões no País, região segue atrasada
O Nordeste segue atrasado nas concessões rodoviárias no Brasil. A ausência de projetos implantados e também projetados confirma esse atraso. Já foi pior, é verdade. Mas nesses 30 anos de operação de rodovias pedagiadas no País, a região avançou muito, muito pouco. É fato. O Norte também.
O atraso no desenvolvimento da infraestrutura rodoviária é muito significativo quando comparado ao Sudeste, possuindo poucas concessões operacionais concentradas em eixos de altíssimo volume de tráfego. Apesar de aparecer como foco estratégico do Ministério dos Transportes para o biênio 2024-2026, a região busca superar um gargalo logístico histórico para conectar polos industriais e agrícolas aos grandes portos.
Atualmente, o cenário das propostas e projetos de 2026 sinaliza uma mudança de perfil, onde o objetivo não será apenas a cobrança de pedágio, mas garantir a duplicação total dos trechos em até sete anos.
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Nesse contexto, a Bahia se destaca como o principal centro logístico nordestino, concentrando as maiores extensões concedidas e em projeto. Pernambuco, embora com menos projetos, concentra seus esforços em duas operações de Parcerias Público Privadas (PPPs) focadas no Porto de Suape - Rotas dos Coqueiros e do Atlântico -; e em projetos de duplicação de eixos federais vitais, como a BR-232.
Outros estados, como Ceará e Rio Grande do Norte, possuem estudos menos maduros, focando inicialmente em parcerias para manutenção e sinalização, com potencial de novos blocos apenas para 2030.
Há discussões avançadas no Piauí, voltadas para a PPP da Transpiauí visando o escoamento de grãos, e em Alagoas, com projetos para apoiar o turismo e o polo industrial de Marechal Deodoro. Mas nada ainda com data certa para acontecer.
São projetos de médio porte pensados para tentar atrair grupos que buscam integração logística e alta previsibilidade de volume, permitindo melhorias tecnológicas como o sistema de pedágio eletrônico (Free Flow) em trechos estratégicos.
NOVO MODELO FINANCEIRO PARA ESTIMULAR CONCESSÕES

Uma das grandes apostas para que o Nordeste deixe para trás o histórico isolamento logístico e mostre competitividade é um novo modelo financeiro para as concessões rodoviárias.
Para 2026, o governo federal está acelerando o cronograma de leilões sob um novo modelo focado em modicidade tarifária (menor tarifa e maior participação privada). O plano, iniciado em 2023, prevê mais de 50 leilões de infraestrutura (rodovias, portos, aeroportos e ferrovias), com investimentos estimados em até R$ 300 bilhões.
Nesse pacote, destaque para a Rota dos Sertões (BR-116/BA/PE), que ligará Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE). O projeto, com aproximadamente 640 km de extensão, é vital para o escoamento de cargas do semiárido e tinha leilão previsto ainda para o primeiro semestre de 2026.
Outro projeto importante no Nordeste é a Rota 2 de Julho, na Bahia, nova concessão rodoviária para as BR-324 e BR-116 na Bahia, conectando Salvador, Feira de Santana e a divisa com Minas Gerais - aproximadamente 650 km. Com leilão previsto para novembro de 2026.
O Ministério dos Transportes diz que a região Nordeste tem sido um dos focos estratégicos da ANTT no biênio 2024-2026 e que o objetivo é, além de superar o gargalo logístico, conectar os polos de produção agrícola e industrial da região aos grandes centros e portos. Como exemplo, o Polo Industrial de Camaçari, na Bahia, e o polo agrícola conhecido como Matopiba, região que engloba partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, representando a mais nova e promissora fronteira agrícola do Brasil.
CONCESSÕES ESTADUAIS MOSTRAM FORÇA

Mesmo em escalas menores, as concessões estaduais têm demonstrado força, especialmente em Pernambuco e na Bahia. A Austra Vias (antiga Monte Rodovias) consolidou-se como um player regional relevante, gerenciando praças de alta performance, como a Rota do Atlântico e a Rota dos Coqueiros, esta última sendo a primeira Parceria Público-Privada (PPP) rodoviária do Brasil. Na Bahia, o grupo opera o Sistema BA-093, corredor essencial para o escoamento do Polo de Camaçari até o Porto de Aratu.


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