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Adaptação para nova rotina: família de menino atacado por tubarão busca apoio para reabilitação

A espera para receber João Lucas Nemézio em casa passa por um processo de adaptação física e emocional. O ambiente que antes era cenário de brincadeiras agora representa desafios para a mobilidade do menino de 11 anos, que deverá utilizar muletas ou cadeira de rodas durante parte da recuperação.

A família de João Lucas, atacado por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no último dia 31 de maio, abriu uma vaquinha virtual para arrecadar recursos destinados à reabilitação da criança e à adaptação da residência onde ela mora com a mãe.

João Lucas teve a perna esquerda amputada após ser mordido por um tubarão-cabeça-chata enquanto brincava na parte rasa do mar.

O objetivo é arrecadar R$ 150 mil para custear obras de acessibilidade, tratamentos especializados e outras despesas relacionadas ao processo de recuperação. Até a publicação desta matéria, a campanha já havia arrecadado mais de R$ 96 mil.

A campanha, intitulada "O Milagre do Recomeço", está disponível no link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/o-milagre-do-recomeco-ajude-joao-lucas-a-adaptar-sua-nova-realidade.

Segundo a família, os principais ajustes serão realizados para garantir autonomia, segurança e melhores condições de deslocamento dentro de casa.

“Embora ele tenha cobertura de saúde para a parte hospitalar imediata e a família já esteja correndo atrás da prótese pelo SUS, o caminho da reabilitação e da readaptação é longo, complexo e gera custos diários que a família não tem como arcar sozinhos”, diz a descrição da campanha.

Além da adaptação da infraestrutura, a campanha tem o objetivo de garantir curativos especiais, medicações complementares, fisioterapia especializada focada em reabilitação infantil e transporte adequado para as consultas.

“João Lucas venceu o pior. Agora, como pais, nosso papel é garantir que ele tenha um caminho digno e seguro para aprender a caminhar”, disse o pai, em publicação nas redes sociais.

Relembre o caso

No dia 31 de maio, João Lucas Nemézio foi mordido por um tubarão na altura do edifício Água Azul, próximo à rua Rosângela Carneiro da Cunha Wanderley, na Praia de Piedade. A área é classificada como de risco para incidentes com animais marinhos.

João Lucas foi levado ao Hospital da Aeronáutica e encaminhado em estado grave ao Hospital da Restauração (HR), localizado no bairro do Derby, na área central do Recife.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), a equipe de guarda-vidas que atuava na área prestou os primeiros socorros imediatamente na faixa de areia.

Os militares identificaram ferimentos nos membros superiores e inferiores da criança e realizaram o atendimento pré-hospitalar. Ele segue isolado em uma unidade de saúde particular e tem alto risco de infecção.

Incidentes com tubarões em Pernambuco

Albert Kok/Wikipedia
Tubarões vão voltar a ser monitorados em Pernambuco - Albert Kok/Wikipedia

Um dia após o ataque de tubarão de João Lucas, Marcela Santos, de 19 anos, foi atacada por um tubarão-tigre em Boa Viagem, no Recife, e teve a perna direita arrancada pelo animal.

Desde o início da série histórica, em 1992, Pernambuco registrou 84 incidentes envolvendo tubarões, de acordo com dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).

Desse total, 69 foram contabilizados no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. O primeiro incidente documentado pelo Comitê também ocorreu na Praia de Piedade, que passa a contabilizar 24 registros, igualando-se à Praia de Boa Viagem.

Os registros do Cemit apontam que os incidentes se concentram, majoritariamente, no litoral da Região Metropolitana do Recife, especialmente em praias urbanas, como Boa Viagem, Piedade, Candeias e Del Chifre.

Após mais de uma década de paralisação dos serviços, os tubarões vão voltar a ser monitorados pelo Governo de Pernambuco.

A promessa se arrastava desde 2023, mas só em janeiro deste ano, o edital, fomentado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), foi lançado.

O investimento é superior a R$ 1 milhão e tem o objetivo de observar os padrões espaciais de ocorrência e deslocamento dos tubarões no litoral.

© DIVULGAÇÃO/Prefeitura de Jaboatão

Família de João Lucas abriu vaquinha para arrecadar recursos para reabilitação da criança e adaptação da casa
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