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Exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser vista em Moura

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo”, do Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja, está patente na Galeria do Espírito Santo, em Moura, até 30 de junho.

Esta exposição apresenta algumas das mais emblemáticas plantas alentejanas, que na Primavera e no Verão dão cor agroecossistemas alentejanos.

Os registos fotográficos foram feitos durante levantamentos florísticos realizados por João Portugal, no Baixo Alentejo.

A investigação científica associada a este trabalho é da autoria de Paula Nozes e Luís Mendonça de Carvalho.

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 09h00 e as 12h30 e as 14h00 e as 17h30.

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Cromossoma de um rato congelado foi “ressuscitado”. A seguir… mamutes

Cientistas criaram ratinhos que contêm células com um cromossoma adicional de rato. A equipa de investigadores vai agora tentar repetir o processo com tecido de elefante congelado — e, se resultar, fazê-lo também com mamutes. A controversa empresa de “desextinção” Colossal Biosciences, que tenta há anos trazer lobos gigantes, dodós e mamutes de volta ao mundo dos vivos, com resultados questionáveis, pode estar prestes a ser ultrapassada. Num novo estudo, uma equipa de cientistas da Universidade de Yamanashi, no Japão, transferiu para células vivas de ratinho um cromossoma de um rato que tinha estado ultracongelado durante mais de um ano

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Mulheres lésbicas e bissexuais fazem caminhada em SP contra violência

Logo Agência Brasil

Diversas organizações e coletivos realizaram na tarde deste sábado (6), em São Paulo, a 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, como forma de fortalecer reivindicações específicas, embasadas em violências concretas e simbólicas que não atingem da mesma maneira o restante da comunidade LBGTQIA+.

Fizeram parte da articulação a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces, de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas, a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL), entre outros grupos.

Notícias relacionadas:

Este ano, o protesto, que sempre reitera o peso da lesbofobia e da bifobia contra as brasileiras e busca se descolar ao máximo de grandes financiadores, teve como um dos motes o aniversário de dez anos do assassinato da jovem negra Luana Barbosa dos Reis. Lésbica, negra e periférica, ela teve uma morte precoce, aos 34 anos, como mais uma vítima da letalidade policial. 

Conforme familiares seus e movimentos da causa denunciaram e seguem denunciando, Reis foi abordada em Ribeirão Preto (SP), por dois policiais militares e espancada até a morte após recusar uma revista feita pelos agentes, já que eram do gênero masculino, um direito previsto em lei e que devia ter sido assegurado.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania criou, este ano, uma premiação com seu nome, para reconhecer iniciativas voltadas a mulheres homossexuais e de enfrentamento ao lesbocídio e à lesbofobia.

O caso ocorreu em 13 de abril de 2016 e, segundo sua irmã, Roseli dos Reis, presente no ato, os agentes não responderam até agora pelo crime. 

"Quero justiça, precisamos da justiça. Mas, ao mesmo tempo, a gente só queria viver nosso luto, queria chorar, dedicar a ela uma homenagem, um jantar, uma comemoração a tudo que a gente viveu com ela. Mas não tem isso, porque a gente ainda está na luta por justiça. Dez anos se passaram. Não são dez dias, dez meses. São dez anos sem resposta", lamentou, em discurso, no carro de som, quando também agradeceu à imprensa independente pela repercussão do episódio.

Na concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), lideranças também afirmaram que a ultradireita brasileira representa o agravamento das perseguições contra essa parcela das mulheres, por destoarem do que impõe a sociedade heteronormativa, de princípios como a heterossexualidade e o patriarcado. 

A lista de agressões praticadas contra mulheres bissexuais e lésbicas é extensa. De acordo com a edição mais recente do LesboCenso, o ódio, a segregação e a aversão contra elas se materializam como atos de discriminação em espaços públicos, invisibilidade de seus relacionamentos, violência verbal, isolamento e assédio sexual.

Também há perpetração da objetificação de lésbicas e bissexuais e até mesmo o estupro corretivo.

A fotógrafa e modelo Helena Silva, de 26 anos, considera-se pansexual, alguém que, por definição, se relaciona com outras pessoas sem se importar com sua identidade de gênero ou sexo biológico, isto é, sem adotá-los como critério principal.

Como outras pessoas que não se encaixam na heterossexualidade, nem na homossexualidade, ela vivencia certo grau de invisibilidade, como é o caso dos bissexuais, que, historicamente, como outros grupos minorizados, se apropriou de uma alegoria para resumir os estereótipos aos quais são reduzidos.

Os bissexuais usam a figura do unicórnio para falar do desdém com que sua suposta indecisão na preferência por relacionamentos com homens ou mulheres é posta.

Negra e moradora da periferia da zona norte da capital, Silva nasceu em uma família evangélica e, embora conviva com uma mãe respeitosa, não pode falar em casa sem reservas sobre suas experiências românticas e sexuais, como a que mantém atualmente com a tatuadora e videomaker Thais Souza, de 31 anos. 

Para obter informações sobre saúde ginecológica e sexual, por exemplo, algo que deveria ser tratado com naturalidade junto a pais, mães e na escola, teve de recorrer a amigos que não a julgavam e não viam as questões como tabu.

O descaso, em consultórios médicos, com pacientes bissexuais e lésbicas é um problema bastante comum, sendo esse tipo de desinformação e má conduta determinantes, muitas vezes, para que o nível de qualidade dos atendimentos seja baixo.

"Ela vem desse pensamento de família tradicional, de homem e mulher constituindo uma família. Não vou julgar essa forma dela, porque veio da criação dela. Mas também não muda o fato de que eu tenho minha preferência, sim, nem o de que sou filha dela", diz Silva sobre a mãe.

Vinda de Campinas para São Paulo, há cinco anos, Souza frisa que jamais deixou que ninguém se sentisse no direito de limitar como ela se punha no mundo, seja em termos de expressão de sua personalidade, seja quanto à sua sexualidade. Ela relata que seus parentes só se tranquilizaram quanto aos rumos de sua fase adulta, sobretudo na esfera profissional, quando ela se firmou em uma carreira e demonstrou estabilidade.

"Foi muito complicado, principalmente no início, quando eu não tinha tanto apoio da família como tinha de alguns amigos, não todos. Como já tinha muito concreto isso comigo, sempre bati muito no peito e dizia, se for para eu mudar alguma coisa, em algum momento, nunca vai ser por ninguém. Então, acabou que foi mais confortável, teoricamente, para eu aguentar minhas questões lá. Em São Paulo, como me sinto mais livre nesse sentido, foi um pouco mais fácil", explica.

"Hoje minha família super me respeita, é superorgulhosa em relação a mim, acho que pela pessoa que me tornei. Eles tinham essa visão de que as pessoas desse meio, LGBT, eram pessoas perdidas pelo mundo. Depois que perceberam que não era esse caminho, viram que eu ia conquistar as coisas independentemente da minha sexualidade, acabou mudando a visão de partes da minha família. Aí, facilitou um pouco mais ter esse acolhimento", compartilha Souza, atribuindo o receio de seus familiares a um "preconceito enraizado" e não tanto a crenças religiosas, tendo em vista que nem todos são cristãos

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Mulheres lésbicas e bissexuais fazem caminhada em SP contra violência

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Diversas organizações e coletivos realizaram na tarde deste sábado (6), em São Paulo, a 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, como forma de fortalecer reivindicações específicas, embasadas em violências concretas e simbólicas que não atingem da mesma maneira o restante da comunidade LBGTQIA+.

Fizeram parte da articulação a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces, de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas, a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL), entre outros grupos.

Notícias relacionadas:

Este ano, o protesto, que sempre reitera o peso da lesbofobia e da bifobia contra as brasileiras e busca se descolar ao máximo de grandes financiadores, teve como um dos motes o aniversário de dez anos do assassinato da jovem negra Luana Barbosa dos Reis. Lésbica, negra e periférica, ela teve uma morte precoce, aos 34 anos, como mais uma vítima da letalidade policial. 

Conforme familiares seus e movimentos da causa denunciaram e seguem denunciando, Reis foi abordada em Ribeirão Preto (SP), por dois policiais militares e espancada até a morte após recusar uma revista feita pelos agentes, já que eram do gênero masculino, um direito previsto em lei e que devia ter sido assegurado.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania criou, este ano, uma premiação com seu nome, para reconhecer iniciativas voltadas a mulheres homossexuais e de enfrentamento ao lesbocídio e à lesbofobia.

O caso ocorreu em 13 de abril de 2016 e, segundo sua irmã, Roseli dos Reis, presente no ato, os agentes não responderam até agora pelo crime. 

"Quero justiça, precisamos da justiça. Mas, ao mesmo tempo, a gente só queria viver nosso luto, queria chorar, dedicar a ela uma homenagem, um jantar, uma comemoração a tudo que a gente viveu com ela. Mas não tem isso, porque a gente ainda está na luta por justiça. Dez anos se passaram. Não são dez dias, dez meses. São dez anos sem resposta", lamentou, em discurso, no carro de som, quando também agradeceu à imprensa independente pela repercussão do episódio.

Na concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), lideranças também afirmaram que a ultradireita brasileira representa o agravamento das perseguições contra essa parcela das mulheres, por destoarem do que impõe a sociedade heteronormativa, de princípios como a heterossexualidade e o patriarcado. 

A lista de agressões praticadas contra mulheres bissexuais e lésbicas é extensa. De acordo com a edição mais recente do LesboCenso, o ódio, a segregação e a aversão contra elas se materializam como atos de discriminação em espaços públicos, invisibilidade de seus relacionamentos, violência verbal, isolamento e assédio sexual.

Também há perpetração da objetificação de lésbicas e bissexuais e até mesmo o estupro corretivo.

A fotógrafa e modelo Helena Silva, de 26 anos, considera-se pansexual, alguém que, por definição, se relaciona com outras pessoas sem se importar com sua identidade de gênero ou sexo biológico, isto é, sem adotá-los como critério principal.

Como outras pessoas que não se encaixam na heterossexualidade, nem na homossexualidade, ela vivencia certo grau de invisibilidade, como é o caso dos bissexuais, que, historicamente, como outros grupos minorizados, se apropriou de uma alegoria para resumir os estereótipos aos quais são reduzidos.

Os bissexuais usam a figura do unicórnio para falar do desdém com que sua suposta indecisão na preferência por relacionamentos com homens ou mulheres é posta.

Negra e moradora da periferia da zona norte da capital, Silva nasceu em uma família evangélica e, embora conviva com uma mãe respeitosa, não pode falar em casa sem reservas sobre suas experiências românticas e sexuais, como a que mantém atualmente com a tatuadora e videomaker Thais Souza, de 31 anos. 

Para obter informações sobre saúde ginecológica e sexual, por exemplo, algo que deveria ser tratado com naturalidade junto a pais, mães e na escola, teve de recorrer a amigos que não a julgavam e não viam as questões como tabu.

O descaso, em consultórios médicos, com pacientes bissexuais e lésbicas é um problema bastante comum, sendo esse tipo de desinformação e má conduta determinantes, muitas vezes, para que o nível de qualidade dos atendimentos seja baixo.

"Ela vem desse pensamento de família tradicional, de homem e mulher constituindo uma família. Não vou julgar essa forma dela, porque veio da criação dela. Mas também não muda o fato de que eu tenho minha preferência, sim, nem o de que sou filha dela", diz Silva sobre a mãe.

Vinda de Campinas para São Paulo, há cinco anos, Souza frisa que jamais deixou que ninguém se sentisse no direito de limitar como ela se punha no mundo, seja em termos de expressão de sua personalidade, seja quanto à sua sexualidade. Ela relata que seus parentes só se tranquilizaram quanto aos rumos de sua fase adulta, sobretudo na esfera profissional, quando ela se firmou em uma carreira e demonstrou estabilidade.

"Foi muito complicado, principalmente no início, quando eu não tinha tanto apoio da família como tinha de alguns amigos, não todos. Como já tinha muito concreto isso comigo, sempre bati muito no peito e dizia, se for para eu mudar alguma coisa, em algum momento, nunca vai ser por ninguém. Então, acabou que foi mais confortável, teoricamente, para eu aguentar minhas questões lá. Em São Paulo, como me sinto mais livre nesse sentido, foi um pouco mais fácil", explica.

"Hoje minha família super me respeita, é superorgulhosa em relação a mim, acho que pela pessoa que me tornei. Eles tinham essa visão de que as pessoas desse meio, LGBT, eram pessoas perdidas pelo mundo. Depois que perceberam que não era esse caminho, viram que eu ia conquistar as coisas independentemente da minha sexualidade, acabou mudando a visão de partes da minha família. Aí, facilitou um pouco mais ter esse acolhimento", compartilha Souza, atribuindo o receio de seus familiares a um "preconceito enraizado" e não tanto a crenças religiosas, tendo em vista que nem todos são cristãos

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Terras sem Sombra em Viana do Alentejo: «Sob as Estrelas», com um dos melhores coros europeus

O Festival Terras sem Sombra ruma a Viana do Alentejo e Alcáçovas, no fim de semana de 13 e 14 de Junho. No sábado, dia 13, às 21h30, apresenta o concerto «Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», pelo coro feminino romeno-italiano Arpeggio, sob a direção musical de Gian Luigi Zampieri, com Irene Corgnale na flauta e Sofia Cocco no clarinete.

A tarde de sábado, 13 de junho, será marcada pela atividade de Património, que tem como tema «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real».

Será uma tarde em busca de um dos mais singulares conjuntos decorativos do Alentejo e uma das expressões mais raras das artes decorativas portuguesas do Maneirismo e do Barroco.

A manhã de domingo, 14 de junho, dedicada à salvaguarda da biodiversidade, como é hábito. Com o lema «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama», será possível conhecer a riqueza ecológica de um dos principais afluentes do Sado, num território onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.

Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.

Fundado em Roma por um excecional conjunto de músicas profissionais romenas, o coro Arpeggio percorreu mais de 150 palcos europeus, de Itália à Áustria, de Espanha à Roménia, da Cripta de Gaudí em Barcelona à Expo Milano 2015.

A 13 de junho, este ensemble, já senhor de um percurso notável, assina um novo capítulo da sua história, desta feita no concelho de Viana do Alentejo.

A igreja matriz de São Salvador, em Alcáçovas, recebe um concerto que junta o madrigal renascentista italiano e a música romena dos séculos XX e XXI, num encontro de geografias e tempos distintos, em mais um fim de semana de atividades do Festival Terras sem Sombra. 

À componente musical junta-se uma leitura do património de embrechados do jardim do Paço Real, em Alcáçovas, e uma incursão pela ecologia da bacia do rio Xarrama. Recorde-se que as atividades em Alcáçovas integram a Semana Cultural desta freguesia.

Na sua presença em Viana do Alentejo, a 13 e 14 de junho, o Terras sem Sombra conta com a parceria do Município local, da Junta de Freguesia de Alcáçovas, do Instituto Cultural Italiano e do Instituto Cultural Romeno em Lisboa.

Conta também com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «La Caixa» e da CCDR-Alentejo.

Sul Informação

Do madrigal renascentista à identidade musical romena: confluências de Leste a Oeste

«Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», assim se intitula o concerto da noite de sábado, 13 de junho (21h30).

O cenário é sublime: a igreja matriz de São Salvador guarda no seu interior, entre outras obras raras, o panteão dos Henriques de Trastâmara, senhores de Alcáçovas. A acústica das três naves de proporções excecionais é o garante de um concerto memorável.

Em palco, o Coro Arpeggio conta com a direção musical de Simona Moldoveanu, o acompanhamento ao piano de Gian Luigi Zampieri e as participações da flautista Irene Corgnale e da clarinetista Sofia Cocco.

O programa percorre vários séculos da música europeia, entretecendo o repertório renascentista italiano com composições romenas dos séculos XX e XXI.

Fundado em Roma em 2014, o ensemble Arpeggio dedica-se à divulgação da música coral romena e italiana no panorama europeu, com um percurso marcado pelo intercâmbio cultural e pela circulação internacional.

O coro mantém estreita ligação às comunidades da diáspora, colaborando regularmente com a Academia da Roménia em Roma, e organiza o Roots Fest – Festival Internacional de Coros.

Sul Informação

Os embrechados do Paço Real: onde a natureza se faz arquitetura e símbolo

A tarde de sábado, dia 13 (15h00), propõe a visita guiada «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real», com ponto de encontro no Paço dos Henriques e orientação de Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, professora emérita da Universidade de Évora e investigadora do CHAIA – Centro de História de Arte e Investigação Artística.

Os embrechados – composições ornamentais executadas com conchas, seixos, vidro, cerâmica e outros materiais naturais – afirmaram-se entre os séculos XVII e XVIII como uma das linguagens estéticas mais singulares do barroco ibérico, presente em jardins, fontes, grutas artificiais e espaços de devoção, onde criava ambientes de forte dimensão cénica e espiritual.

No Paço Real de Alcáçovas, estes revestimentos atingem uma rara fusão entre natureza, arquitetura e transcendência: a capela e o jardim, também denominado Jardim das Conchinhas, com as suas 28 espécies distintas de conchas identificadas.

Destaque também para a assinatura do protocolo de colaboração entre a Pedra Angular, entidade organizadora do Festival Terras sem Sombra, e a Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, a que preside Fernando Guedes.

O acordo abre caminho ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas em jardins históricos e outros espaços de elevado interesse paisagístico, acolhendo concertos, atividades culturais e ações de sensibilização.

Sul Informação
Rio Xarrama – Por Xuaxo – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=8939794

A bacia do Xarrama: ecologia, paisagem e a urgência de preservar

Na manhã de domingo, 14 de junho (09h30), a atividade «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama» convida ao conhecimento de um dos principais afluentes do Sado. O périplo, que decorre nas freguesias de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo, conta com ponto de encontro no Jardim Público de Alcáçovas.

A visita é guiada pelos biólogos Miguel Porto, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), e Sara Lobo Dias, investigadora do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (Universidade de Lisboa).

O Xarrama atravessa zonas de montado, áreas agrícolas, galerias ripícolas e barragens, criando habitats diversificados para aves, peixes, anfíbios e mamíferos e albergando espécies características do ecossistema mediterrânico, como sobreiros, azinheiras, freixos e outras espécies de vegetação ribeirinha, fundamentais para o equilíbrio hídrico e climático da região.

A sua bacia é igualmente um espaço onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.

As zonas húmidas e as margens do rio funcionam como corredores ecológicos essenciais para espécies vulneráveis e é precisamente nessa articulação entre ciência, conhecimento empírico e conhecimento de base científica que a atividade do TSS se funda.

Sublinhe-se que, pela primeira vez, o festival promove também um bioblitz, iniciativa de ciência cidadã que desafia os participantes a registar fotograficamente a fauna e a flora observadas ao longo do percurso.

A informação recolhida dará origem a um inventário-relâmpago da biodiversidade local, num contributo para um melhor conhecimento dos valores ecológicos deste espaço.

A programação da 22.ª edição do TSS prossegue a 27 e 28 de junho em Gavião, com um concerto pela mão do italiano Duo Baldo-Consonni, no concerto intitulado «Do Romantismo ao Âmago da Modernidade: Essências e Ruturas».

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