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Terezinha Nunes: A influência que Lula pode ter na eleição de Pernambuco

“É melhor um pássaro na mão do que dois voando” diz a sabedoria popular, o que acontece na política quando alguém tem possibilidade de conseguir mais votos se mantiver vários apoios, mesmo de partidos ou pessoas antagônicas, mas acaba sendo obrigado, pelas circunstâncias ou para evitar dores de cabeça, a optar por apenas um, correndo um risco que nenhum político gosta de correr que é o de perder a eleição.

Esse ditado foi citado esta semana por um deputado governista na Assembleia Legislativa, referindo-se ao pedido feito ao presidente Lula há 15 dias, pelo ex-prefeito João Campos (PSB) para ele estar mais presente em Pernambuco e ajudar a garantir a vitória da Frente Popular na eleição deste ano.

Até as pombas que costumam pousar no Palácio do Campo das Princesas, onde despacha a governadora Raquel Lyra (PSD), e no Palácio Capibaribe, onde despachava o próprio João Campos, sabem que o Palácio do Planalto trabalha para o presidente não aparecer em Pernambuco no primeiro turno da campanha e ampliar o seu percentual de votos junto a partidários da governadora e do ex-prefeito.

Foi o próprio Lula que, em ato falho ou não, chegou a se referir a isso em evento do PT na Bahia, no início de 2025, dando como exemplo a eleição de 2006 quando subiu nos palanques de Humberto e de Eduardo Campos, uniu os dois no segundo turno e a Frente Popular elegeu Eduardo.

Dificuldade para transferir votos

É difícil saber a esta altura se Lula vai seguir a proposta de João Campos, mas nos meios políticos a possibilidade de o presidente vir ao estado ajudar o ex-prefeito provocou discussões sobre a força que ele poderia ter para estancar o crescimento recente de Raquel Lyra, que ultrapassou João na última pesquisa da Datafolha.

Um deputado estadual veterano chegou a lembrar que, embora seja imbatível em seu estado, Lula não tem sido muito exitoso na hora de transferir votos para as pessoas que apoia.

Os exemplos são muitos, apesar de em 2022 a atual senadora Teresa Leitão ter se elegido usando o slogan “senadora de Lula” em uma chapa na qual o candidato a governador do PSB, Danilo Cabral, acabou na quarta colocação não conseguindo passar para o 2º turno.

Um dos exemplos citados é o próprio PT pernambucano, que elegeu João Paulo do PT prefeito do Recife por dois mandatos e nunca mais teve condições de vencer eleições para o Executivo.

O próprio Humberto Costa (PT), com apoio de Lula que veio à capital na época, acabou em terceiro lugar na eleição para prefeito do Recife em 2012, quando o vencedor foi Geraldo Júlio (PSD) e o segundo lugar ficou com Daniel Coelho (PSD).

Com Lula, Armando e João Paulo não venceram em 2014

Em 2014, após a morte de Eduardo Campos, Lula apoiou Armando Monteiro (Podemos) para governador e João Paulo para senador, mas os eleitos foram Paulo Câmara e Fernando Bezerra Coelho (MDB).

Em 2020, quando Marília Arraes (PDT) foi candidata pelo PT a prefeita do Recife e enfrentou João Campos, candidato do PSB, o apoio de Lula também não foi suficiente para dar a vitória a Marília, e João acabou eleito em um pleito no qual atacou, duramente, os petistas.

Em 2022 Marília se candidatou a governadora, venceu bem o primeiro turno – o candidato de Lula era Danilo Cabral – e no segundo turno Lula não só a apoiou como comandou uma enorme passeata no centro do Recife tentando ajudá-la. Mas foi Raquel Lyra que saiu vencedora.

O cientista político pernambucano Adriano Oliveira, da Cenário Inteligência e especialista em pesquisas qualitativas com atuação em todo o Nordeste, diz que os levantamentos realizados mostram que para grande parte dos eleitores a eleição para governador é avaliada a partir da realidade local e do desempenho da gestão estadual. Por isso, entende que nem o lulismo e nem o bolsonarismo podem reverter isso.

O que vale é o plano local

Para ele, independente de quem seja o candidato a presidente ou o presidente de mandato que apoie um nome para o Governo do Estado “governantes bem avaliados tendem a chegar mais fortes no processo eleitoral. Quando predomina a percepção de que o estado melhorou e o governador mantém elevados níveis de aprovação suas chances de sucesso eleitoral aumentam significativamente”.

Outro achado recorrente nas pesquisas qualitativas, explica, é a força do sentimento de “seguir em frente” e da percepção de que “o governador ainda tem tempo para fazer mais”. "Quando esses sentimentos estão presentes de forma intensa no eleitorado, a oposição encontra dificuldades para construir uma narrativa de mudança e ampliar sua competitividade eleitoral."

Eleitor direcionado para entregas

A cientista política Priscila Lapa tem o mesmo pensamento de Adriano Oliveira e adverte para uma “aposta excessiva na nacionalização do pleito que pode cegar os candidatos em relação a outras estratégias”.

No seu entendimento, "os altos índices de aprovação de Raquel Lyra já mostram que o eleitor está direcionando seu olhar para as entregas locais, para aquilo que está impactando seu bem estar imediato. Possivelmente o pleito de governador será uma comparação de performances e de capacidade de gestão no âmbito local. Claro que o pano de fundo nacional, de alguma forma, influencia nessa avaliação que o eleitor faz no âmbito local, mas não invalida os tons locais que são predominantes".

© Rodolfo Loepert/Divulgação

João Campos (PSB) pediu ao presidente Lula (PT) para estar mais presente na campanha em Pernambuco
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João Campos intensifica agendas pelo Estado e vai da RMR ao Sertão em quatro dias

O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), iniciou uma maratona de agendas pelo Estado que o levará da Região Metropolitana do Recife ao Sertão em quatro dias consecutivos de compromissos políticos e institucionais.

O roteiro começou na quinta-feira (4), em Tamandaré, na Mata Sul, e segue nesta sexta-feira (5) por Jaboatão dos Guararapes, Pedra e São Bento do Una. No sábado (6), o socialista passa por Bom Conselho, Angelim, Jatobá e Petrolândia.

Já no domingo (7), a programação prevê novas agendas em Petrolândia e Floresta. Há agendas programadas para outros municípios ao longo do domingo e da segunda-feira (8), ainda a confirmar.

A sequência de compromissos reúne prefeitos aliados, lideranças políticas, representantes do setor produtivo e pré-candidatos que devem integrar o campo político do PSB na disputa estadual de 2026.

A primeira agenda desta sexta-feira ocorreu em Jaboatão dos Guararapes, segundo maior colégio eleitoral de Pernambuco. João visitou o Mercado das Mangueiras, em Prazeres, acompanhado de vereadores do município, além do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), da pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT), do ex-prefeito Elias Gomes (PT) e de outras lideranças.

Durante a visita, o socialista promoveu mais uma edição do “Anota Aí!”, iniciativa de escuta popular realizada em suas agendas pelo Estado. Entre as principais demandas apresentadas por comerciantes e frequentadores do mercado estiveram reclamações sobre segurança pública, saúde e atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ao comentar os desafios da Região Metropolitana, João defendeu uma atuação mais integrada do Governo do Estado nas políticas voltadas aos municípios da região.

Encontro com produtores da bacia leiteira

Após a passagem por Jaboatão, João seguiu para o município da Pedra, no Agreste Meridional, onde participou de encontro com produtores da bacia leiteira ao lado do prefeito Júnior Vaz (PV).

Na agenda, o pré-candidato ouviu reivindicações do setor e voltou a defender investimentos em infraestrutura para a região. Entre os temas abordados esteve a situação da PE-244, rodovia considerada estratégica para o escoamento da produção local.

Segundo João, a obra foi licitada ainda em 2022, mas não avançou nos últimos anos.

“A PE-244 foi licitada ainda em 2022. A obra poderia ter começado em janeiro de 2023, em fevereiro, em março, em abril, em 2024, em 2025. Foram feitos aditivos de prazo e encerraram o contrato sem fazer a obra. Isso é uma judiação com o povo da Pedra”, afirmou.

O socialista também defendeu uma reestruturação do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e políticas voltadas ao fortalecimento da agricultura e da pecuária leiteira.

À noite, a programação segue em São Bento do Una, onde João receberá o título de cidadão do município em solenidade na Câmara de Vereadores.

Agendas no Agreste e Sertão

No sábado, o roteiro passa por Bom Conselho e Angelim, no Agreste, antes de seguir para o Sertão de Itaparica.

Em Jatobá e Petrolândia, João participará de compromissos políticos e encontros com lideranças locais. Um dos principais eventos previstos é o lançamento da pré-candidatura do médico Bruno Marques (PSB) à Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Bruno é filho do prefeito de Petrolândia, Fabiano Marques (Republicanos), aliado do grupo político liderado pelo PSB no Estado.

A programação continua no domingo com novas atividades em Petrolândia e agenda prevista em Floresta.

Giro pelo Estado

A maratona de compromissos ocorre em meio à intensificação das movimentações políticas para as eleições de 2026.

Presidente nacional do PSB e principal nome da oposição à governadora Raquel Lyra (PSD), João tem ampliado sua presença em municípios do interior e participado de agendas ao lado de prefeitos, parlamentares e lideranças regionais.

O roteiro desta semana passa por diferentes regiões de Pernambuco e combina encontros políticos, visitas institucionais e agendas voltadas a setores econômicos considerados estratégicos para o desenvolvimento do Estado.

Saiba como assistir aos Videocasts do JC

 

© Edson Holanda/Reprodução

Pré-candidato ao Governo, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) intensificou as agendas pelo Estado
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Raquel Lyra tira prefeita do PSB de João Campos e aumenta base de gestores do PSD em Pernambuco

A governadora Raquel Lyra (PSD) ampliou mais uma vez sua base de prefeitos em Pernambuco ao filiar ao PSD a prefeita de Ribeirão, Carol Jordão, que estava no PSB, partido comandado nacionalmente pelo ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos.

Com isso, a gestora passa a integrar a legenda comandada pela governadora e se torna a mais recente baixa socialista no movimento de migração de prefeitos para o partido governista.

Com a chegada de Carol, o PSD se aproxima da marca de 80 prefeitos filiados em Pernambuco e reforça sua presença na Mata Sul, região considerada estratégica na disputa eleitoral de 2026. A movimentação também amplia a vantagem da legenda na corrida pela formação de uma ampla base municipal para a próxima eleição estadual.

A filiação foi celebrada pela governadora, que destacou o fortalecimento do partido no interior do Estado.

“Mais um nome consolidado que trabalha em favor de pernambucanos chega ao nosso PSD. Estamos construindo um partido em que todos cuidam das suas regiões e do Estado com muita dedicação, diálogo e transparência. Carol recebe nossas boas-vindas, acreditando no time que faz a diferença”, afirmou Raquel Lyra.

Confira o mapa dos prefeitos de Pernambuco e seus respectivos apoios abaixo:

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Nova baixa do PSB

A adesão de Carol Jordão não ocorre de forma isolada. Desde o início da gestão Raquel Lyra, o PSD vem incorporando prefeitos que integravam os quadros do PSB, em um movimento que tem impacto direto na correlação de forças entre os grupos da governadora e de João Campos.

Antes da prefeita de Ribeirão, já haviam deixado o PSB para ingressar no PSD os prefeitos Zé Martins (João Alfredo), Nego do Mercado (Capoeiras), Gilberto Ribeiro (Flores), Corrinha de Geomarco (Dormentes), Camila Souza (Iati), Lindonaldo da Farinha (Frei Miguelinho), Juarez da Banana (Machados) e Dr. Evaldo Bezerra (Mirandiba).

Com a filiação de Carol Jordão, chega a nove o número de gestores municipais que trocaram o PSB pela legenda comandada por Raquel Lyra.

Disputa por bases para 2026

A movimentação ocorre em meio à crescente disputa entre a governadora e João Campos pela consolidação de apoios no interior do Estado. Prefeitos são considerados peças centrais na construção dos palanques eleitorais, especialmente em municípios de médio e pequeno porte, onde exercem forte influência política.

Nos últimos meses, o PSD consolidou-se como a principal legenda municipalista de Pernambuco, reunindo prefeitos distribuídos em todas as regiões do Estado. A estratégia tem sido apontada por aliados da governadora como um dos pilares da construção política para a disputa de 2026.

A chegada de Carol Jordão amplia essa presença na Mata Sul e reforça o avanço do PSD sobre bases que historicamente estiveram alinhadas ao PSB.

Prefeita de Ribeirão desde 2021, Carol passa agora a integrar formalmente o partido da governadora, em mais um capítulo da disputa entre os dois principais grupos políticos que se movimentam para a sucessão estadual.

Saiba como assistir aos Videocasts do JC

© Divulgação

Prefeita de Ribeirão, Carol Jordão deixou o PSB de João Campos e se filiou ao PSD da governadora Raquel Lyra
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