Reading view

Shakira é confirmada na abertura da Copa do Mundo 2026

A Fifa anunciou oficialmente que Shakira estará entre as atrações da cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026. O evento acontece em 11 de junho, no Estádio Azteca, na Cidade do México, uma das sedes do torneio.

A cantora colombiana dividirá o palco com o astro nigeriano Burna Boy. Os dois artistas lançaram recentemente “Dai Dai”, canção escolhida como música oficial do Mundial.

Esta será a terceira participação de Shakira em eventos ligados à Copa do Mundo. Em 2010, na África do Sul, ela conquistou o público global com o fenômeno “Waka Waka”. Já em 2014, no Brasil, foi uma das atrações da cerimônia de encerramento ao interpretar “La La La”, ao lado de Carlinhos Brown.

A abertura do torneio contará ainda com uma grande programação musical espalhada pelos três países-sede. No México, também estão confirmados nomes como Maná, Tyla, Alejandro Fernández, J Balvin, Belinda, Lila Downs, Danny Ocean e Los Ángeles Azules.

Cantora colombiana participará da cerimônia de abertura no Estádio Azteca, na Cidade do México | Foto: Reprodução

No Canadá, artistas como Michael Bublé, Alanis Morissette e Alessia Cara comandarão as apresentações antes da partida de abertura da seleção canadense. Já nos Estados Unidos, Katy Perry lidera o line-up que também terá Anitta, Future, Lisa, do Blackpink, Marilina Bogado e outros convidados.

A expectativa é que as apresentações celebrem a diversidade cultural dos países anfitriões e marquem o início de uma das maiores edições da história da Copa do Mundo.

The post Shakira é confirmada na abertura da Copa do Mundo 2026 appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Rodrigo Santos promete festona em show no PiriBier nesta sexta (5/6)

Marcus Vinícius Beck

Rodrigo Santos promete uma festona em Pirenópolis. “A galera pode esperar os sucessos. É claro, tem um pouco mais de Barão Vermelho. Barão e Cazuza. Fui integrante do Barão por 25 anos, entre 1992 e 2017”, diz o artista, que toca e canta no PiriBier nesta sexta-feira (5/6).

Será um transe. Ou, se não for, é quase isso. Rodrigo chama esse tal de roquenrou às oito da noite com sua turnê… “A Festa Rock”! Irá pras picas, a tristeza. Sextamos. É feriado. Depois, Nando Reis manda ver um hit atrás do outro. Gabriel o Pensador, já no sábado, vem quente.

“Lancei três discos com o nome ‘A Festa Rock’ desde 2015”, conta Rodrigo. Era um projeto paralelo, extensão do show que fazia entre 2011 e 2012. Todos os volumes estão disponíveis nas plataformas digitais. “Nem tocava [naquela época] ‘Bete Balanço’, essas coisas”, declara.

Na ocasião, o público pedia sucessos de sua banda. Os rocks do Barão entraram no projeto. Pintaram também canções gravadas com Kid Abelha, com Léo Jaime, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e Lobão. Até músicas da Blitz. Sua passagem por lá durou um ano.

“[É] eu contando a minha história, que completa 40 anos. Misturei tudo”, explica o músico. “Comecei a tocar coisas que, pô, eu gravei no disco ao vivo do Lobão no Hollywood Rock. Coisas que gravei com o Kid no ‘Acústico MTV’. Que gravei com Leo Jaime em 86”, afirma.

O show foi pegando uma cara diferente. Rodrigo achou maneiro. As pessoas começaram a contratá-lo. Queriam curtir essa festa de arromba, essa “Festa Rock”. O músico, íntimo da estrada, dava pinta aonde fosse requisitado: podia ser em festival, palco grande, pequeno.

Repertório

Sim, seu lance é tocar. Nisso, o artista ampliou o repertório. Botou Titãs, Rita Lee, Legião. Além disso, criou uma banda com o baterista João Barone, o Call The Police (há dez anos já), que toca Police e tem em sua formação o guitarrista Andy Summers, do power trio inglês.

“Eu coloquei também, em ‘A Festa Rock’, músicas do The Police”, diz o baixista e violonista, de 62 anos. “E, aproveitando que eu tô tocando com o Barone também, tem Paralamas do Sucesso no show. O espetáculo, então, se tornou uma celebração ao rock e ao pop rock.”

Rodrigo ainda introduziu ao repertório os anos 1990 — “pessoas que foram influenciadas pela gente, pelo Barão, pelos artistas com os quais eu toquei”. “É um show-DJ em que eu praticamente sou um DJ em formato banda e em formato power trio, às vezes quarteto.”

Nascido no Rio de Janeiro, em 1964, o músico se assume eclético. Ouve música desde os cinco, seis anos. Aos onze, apaixonado por Beatles e Bob Dylan, iniciou-se no violão. Pirou legal. Pouco tempo depois, passou a ter aulas com o compositor paraense Nilson Chaves.

“Sabia tudo de MPB”, atesta Rodrigo, cujo estudo o levou a tirar canções de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico, Milton Nascimento, Clube da Esquina, Novos Baianos, Secos e Molhados. “E assim foi com o violão e com o baixo. Mas, no baixo, eu fui autodidata.”

Rodrigo criou linhas de baixo que marcaram rock brasileiro

Ouvido atento: Rodrigo se diz baixista eclético – Foto: Divulgação

Foram cinco aulas com Nico Assumpção. Tratava-se de um músico respeitado: tocava com Milton. Rodrigo se recorda de vê-lo em shows instrumentais, de jazz. Tudo ao ar livre, suave, no Parque da Catacumba. Até o início dos anos 80, havia pouco espetáculo de rock no Rio.

Ao mesmo tempo em que enlouquecia ouvindo Led Zeppelin, sacava música brasileira. “Minhas influências de baixo, no Brasil, eram Liminha, Dadi, Didi Gomes, irmão do Pepeu, Arnaldo Brandão, que acompanhou o Caetano em A Outra Banda da Terra”, revela.

Rodrigo tinha um ouvido atento. Escutava de tudo: The Smiths, U2, The Cure, Men At Work, Police. Mas também Bill Haley, Chuck Berry, as orquestras de jazz, tal e qual Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, bem como a tropicália, o rock progressivo e os trovadores.

“No meio dos anos 70 pro final, começou a aparecer uma outra galera, que é a galera do punk, do gótico. New wave era uma mistura de tudo um pouco”, contextualiza. “Você via uma coisa no The Cure, no Smiths outra, New Order, Joy Division, Echo & the Bunnymen.”

Tudo isso se via na geração 80. Rodrigo chegou ao João Penca e Seus Miquinhos Amestrados tendo uma sólida escola de new wave. “Foi muito bacana tocar com os Miquinhos”, afirma, destacando a diversão e o humor inteligente característicos do grupo liderado por Leo Jaime.

De miquinho amestrado a rock estrela — tocou com Leo —, Rodrigo acabou no Lobão. “Ele me chamou quando o Léo Jaime parou e tirou férias. Tinha visto um show meu com o Leo no Maracanãzinho, no Festival Alternativa Nativa, em 88. Gravei quatro discos”, revela.

Sob o sol de Parador

Um deles em Los Angeles (EUA): “Sob o Sol de Parador”, de 1989. Produzido por Liminha, a obra traz “Essa Noite, Não (Marcha a Ré em Paquetá)”. Rodrigo recorda que Lobão e a banda tocavam essa música nos aeroportos: “A gente levava sempre um violão a tiracolo.”

Os artistas costumavam levar um som no saguão do aeroporto às três da manhã, esperando o voo da madrugada: “Tinha muito voo madrugadão antigamente.” De acordo com o baixista, ficava mais barato fazer uma turnê dessa forma, ir para o Nordeste e Norte.

Quando se iniciaram os ensaios, Rodrigo estava com a ideia da linha de baixo em sua cabeça. “É meio que um reggae sem ser reggae, né? Ela não tinha uma estrutura de reggae e ela tinha uma parte B que caía como se fosse um Neil Young e tal. Aí eu fui no meu instinto mesmo, criei um baixo que soasse junto com a divisão do violão. Foi meio isso.”

No Hollywood Rock, em São Paulo, os artistas do Barão Vermelho viram a apresentação de Rodrigo Santos com Lobão. Após o show, numa festa no Hotel Hilton, o empresário Duda Ordunha convida o músico para se juntar aos barões. Dé Palmeira estava pra deixar o baixo.

Rodrigo, contudo, hesitou: “pô, Duda, não dá pra sair.” Dadi Carvalho, que tocara com Mick Jagger, ex-A Cor do Som e Novos Baianos, substituiu Dé no Barão. Gravou “Na Calada da Noite”, mas recebeu convite de Caetano para acompanhá-lo em turnê, ao qual disse “sim”.

Músico virou membro do Barão Vermelho em 1992

Contracapa do LP “Supermercados da Vida”, lançado em 92 – Foto: Flávio Colker

Às oito da manhã, o telefone tocou. Rodrigo atendeu: era o baterista Guto Goffi. À tarde, foi ensaiar para o repertório do LP “Supermercados da Vida”, lançado em 1992. O Barão, nesta época, rodava o país com a turnê — uma porrada! — em que celebrava seus 10 anos de vida.

“Umas duas semanas depois do primeiro ensaio, tinha show do Barão marcado no interior de Minas, se não me engano”, lembra o artista. “Eram os shows que o Dadi não poderia fazer. Foi antes do Imperator, no Rio.” Rodrigo tirou o repertório a partir de uma fita cassete.

De cara, houve sintonia entre ele e os barões. A banda começou a ter backing vocals, pois a voz do baixista combinava com a do vocalista e guitarrista Roberto Frejat. No disco “Carne Crua”, de 1994, o músico assinou, junto de Frejat e Dulce Quental, a faixa “Vida Frágil”.

“Ela tinha me mandado a letra e eu tinha feito um rock’n’roll. Um rock com riff. E tinha mostrado isso pro Frejat. Eu falei: ‘Pô, quer fazer comigo?’ E aí, beleza. Eu tava com outras canções que não mereciam entrar, não quis mostrá-las. Aí eu mostrei essa, ele gostou”, diz.

Rodrigo foi ao estúdio de Frejat. Lá, levaram um som. Quando chegou a hora do ensaio, os seis barões juntos trouxeram a música para um outro lado. Segundo o baixista, a composição estava indo para uma direção mais Doobie Brothers, com guitarras dobradas em terças.

Entrou a percussão, um suingue a mais. “Eu também fui participando disso e achando legal, criei um baixo diferente, porque eu e o Frejat, a gente tinha criado a música, parte A, B e C.” Os músicos mantiveram a estrutura melódica e harmônica, mas mudaram o arranjo rítmico.

No estúdio com os barões

“Ficou sensacional”, avalia Rodrigo Santos. “Criei um baixo do qual gosto muito. O diálogo da gente sempre foi apresentar a canção e, no estúdio, ela criar a própria vida com a soma dos seis. Cara, nós seis tínhamos uma química muito boa de composição e de arranjo.”

Durante as sessões de “Carne Crua”, Rodrigo teve a ideia do backing vocal para a canção “Meus Bons Amigos”. “O amor sem fim…. Aquela terça não tinha. E eu escutava vocais na minha cabeça em algumas músicas. Aí cheguei para o Paulo Junqueira, que produzia o disco. Falei: ‘Cara, eu posso experimentar um negócio lá no estúdio?’”, recorda-se o músico.

Junqueira rebateu: “Não, a música tá pronta, tá pronta.” Rodrigo, então, argumentou: “Cara, eu fico escutando uns backing vocals na minha cabeça. Deixa eu testar um negócio aqui.” O produtor, por fim, cedeu: “Vai lá.” “Quando eu botei o ‘amor sem fim’, que a música subiu, ele apertou o talkback, eu de fone ainda, e falou: ‘Mais 100 mil cópias vendidas.’ Todo mundo que tinha ideia no Barão era assim: vai lá, cara, executa a tua ideia aí, a gente vê.”

No CD “Puro Êxtase”, de 1998, o baixista escreveu a canção “O Sono Vem”. Ele a criou quando conhecera a sua esposa. “Eu a conheci e tal e eu queria encontrá-la, eu não conseguia parar de pensar nela. E depois não conseguia dormir por causa disso também, apaixonado.”

“E eu falei: ‘pô, se eu parar de pensar em você, o sono vem.’ Escrevi essa frase. Tava ouvindo muito U2 na época. Aí eu compus essa música e botei na minha secretária eletrônica para não esquecer. Deixava ali no violão pra lembrar. Não tinha gravadorzinho”, revela Rodrigo.

Foi gravada numa demo de voz e violão. Rodrigo apresentou a música para Frejat, que já chegava com guitarra e uma bateria eletrônica. “Cada um fazia do seu jeito”, conta. O cantor gostou. Levaram-na ao Barão: “cara, o repertório era votação, né?”. Suave, todos gostaram.

Na década de 90, o Barão explodiu. Duplo platina. Houve ainda o “Álbum”, de 96, bem como o ‘Balada MTV’, de 99. “Foi uma coisa espetacular. Teve ainda o lance dos Stones [o Barão abriu os cinco shows do grupo londrino no Brasil, em 1995]”, rememora o baixista.

Em São Paulo, os cariocas tocaram sob uma chuva torrencial no estádio Pacaembu. “A gente foi tocando, chovendo. Os instrumentos todos pararam”, relata Rodrigo. E ainda faltavam duas músicas. E todo mundo gritando debaixo de uma ducha gigante. “Porra, a plateia inteira dizendo: ‘Barão, Barão.’ Por conta da nossa ali raça tocando”, revive Rodrigo.

Barão tirou férias para Frejat se dedicar à carreira solo

Barão após show no Circo Voador: banda gravou em 2005 primeiro DVD – Foto: Fotonauta

A partir de 2001, o Barão Vermelho tirou férias. Frejat queria se dedicar à carreira solo. “Vira um outro Barão, outro momento da vida, uma coisa mais esporádica, para, volta e tal”, comenta Rodrigo Santos. O grupo se juntou em 2004. Foi quando o CD “Barão Vermelho”.

“Neste disco, a gente chegou com umas 30 músicas”, conta. “Cada um chegou com, sei lá, 10 músicas, muitos parceiros, todo mundo compondo com todo mundo.” Rodrigo é autor de três faixas. “Tinha uma quarta, ‘O Estrangeiro’, que eu havia feito com Maurício Barros e Mauro Santa Cecília e que acabou indo para o meu disco solo, meu primeiro disco solo.”

Na volta do Barão em 2017 — sem Frejat nos vocais —, Rodrigo também compôs com os barões. “Eu compus várias músicas também, todo mundo, eu, Suricato, o Maurício, o Guto e tal, já sem o Frejat, né?”, diz. Rodrigo Suricato virou frontman, além de assumir a guitarra.

“E acabou que eu saí do Barão em novembro, né? Antes de sair qualquer disco autoral do Barão, eu lancei no meu disco de 2019 uma música minha com o Suricato. ‘Um de Nós’, o nome da música. E ficou bem bonita”, afirma. “Ela ia para o disco do Barão, que foi lançado autoral depois que eu já tinha saído. É o ‘Viva’. Talvez essa música estivesse nele, não sei.”

Rodrigo decolou como artista solo. Hoje, ele percorre o Brasil. Onde passa, leva “A Festa Rock”. Além disso, anda pelo mundo com o Call The Police, interpretando o repertório da banda inglesa ao lado do guitarrista Andy Summers e do baterista João Barone. Superou o vício em álcool e drogas. Dá palestras, conselhos. Nunca se esqueceu de seus bons amigos.

Em breve, o artista lança “Rodrigo Santos Canta Nelson Motta”, com direção musical do compositor e produtor. No PiriBier, Rodrigo estará acompanhado de dois músicos goianos: Ingrid Lobo, guitarra e backing vocal, e Pedro Brito, bateria. Pode anotar: será uma festona.

The post Rodrigo Santos promete festona em show no PiriBier nesta sexta (5/6) appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

A Fábrica que nos devolve o sorriso

Credito: Eduardo Pina – Diário de Aveiro

Vivemos tempos estranhos. Corremos de um lado para o outro, de olhos colados aos ecrãs dos telemóveis, a tentar processar um mundo cada vez mais caótico, tecnológico e, por vezes, profundamente cinzento. No meio desta azáfama, corremos o risco de nos esquecermos daquilo que nos torna genuinamente humanos: a capacidade de nos ligarmos uns aos outros, de partilharmos momentos reais e, acima de tudo, de rirmos juntos. Felizmente, há quem se recuse a aceitar esta dormência coletiva. É precisamente no coração da inovação, no Parque da Ciência e Inovação (PCI), em Ílhavo, que nasceu um projeto que promete agitar as mentes mais fechadas: a Fábrica do Humor. 

Idealizada pelo conhecido humorista, ator e apresentador de televisão Marco Horácio — que adotou orgulhosamente a região de Aveiro como a sua nova casa — e pela dinâmica empreendedora Maria João Rodrigues, esta não é apenas mais uma empresa de entretenimento. Trata-se de uma verdadeira lufada de ar fresco, uma plataforma criativa que surge com a nobre ambição de colocar a criatividade, a empatia e o desenvolvimento pessoal e profissional no centro das nossas vidas. Quando pensamos num polo tecnológico como o PCI, a nossa mente viaja imediatamente para números, algoritmos, dados e computadores. É um lugar de mentes brilhantes, sem dúvida, mas onde as pessoas muitas vezes se fecham nos seus cubículos. Trazer o humor para este ambiente poderia parecer, à primeira vista, um contrassenso, mas a verdade é que a tecnologia e a ciência também têm de estar ao serviço do bem-estar e das relações humanas. 

O Marco e a Maria João perceberam isso perfeitamente. A Fábrica do Humor veio dar vida a um espaço que tinha condições ótimas, mas que precisava de alma, de convívio e de proximidade. O que torna esta “Fábrica” tão especial é a sua visão do que é, afinal, o humor. Para os fundadores, fazer rir vai muito além da simples piada fácil ou da diversão passageira. O humor é visto aqui como uma ferramenta estratégica e poderosa de ligação e transformação. É o melhor antídoto contra o medo, a ansiedade e o stresse do dia a dia. Quando rimos, desarmamos o outro, baixamos as defesas e criamos pontes onde antes existiam barreiras. Nesta Fábrica, “fabricam-se” produtos específicos para pessoas, empresas e organizações. Através de eventos culturais, espetáculos de stand-up, formações, workshops e experiências interativas, mostra-se como o humor pode ser aplicado no dia a dia, na liderança de equipas ou na produtividade de uma empresa. Afinal, trabalhadores felizes e descontraídos são, comprovadamente, colaboradores mais criativos e produtivos. Mas há um detalhe crucial que importa sublinhar: os valores que guiam este projeto. 

A Fábrica do Humor rege-se pela empatia, inclusão, respeito e educação. Num mundo onde as redes sociais são tantas vezes inundadas por um humor agressivo, corrosivo e que vive de rebaixar os outros, este projeto assume o compromisso de utilizar o riso como algo que une, e nunca que exclui. É um humor generoso, humanizado e de partilha. Como o próprio Marco Horácio costuma dizer, a prioridade da Fábrica não é o humor em si, são as pessoas. O humor é apenas o meio que utilizam para chegar até elas e tocar-lhes na alma. Os primeiros passos deste projeto na região já provaram que as pessoas estavam ávidas disto. As noites de Stand-up Night têm esgotado, trazendo ao público momentos de pura leveza. Há quem saia destes espetáculos a chorar de riso, confessando que já não se lembrava do que era rir assim há muito tempo. E o segredo do sucesso tem sido a simplicidade e a verdade. Em cada evento, seja no PCI ou na recente experiência com os Happy Talks na Universidade de Aveiro, o ambiente que se cria é de uma enorme proximidade. A colocação de um simples tapete no palco, que já se tornou uma imagem de marca, transforma o auditório na sala de estar de cada um de nós. É um regresso ao afetivo, ao calor humano. Os planos para o futuro são ambiciosos e estendem-se muito além das salas de espetáculo tradicionais. 

A equipa quer levar o humor às escolas, trabalhar com os lares de idosos e criar, a seu tempo, um grande festival de humor na região. Não há pressa em enriquecer ou em queimar etapas; há sim uma enorme resiliência e a vontade firme de criar uma rotina cultural sólida, que faça com que as pessoas queiram sair de casa. E é precisamente essa a grande mensagem que a Fábrica do Humor nos deixa: saiam de casa. 

A vida pode ser difícil, o contexto global pode ser cinzento e assustador, mas fecharmo-nos entre quatro paredes a consumir o ódio das redes sociais ou a rotina do trabalho não é a solução. Precisamos de ir ver cultura, de ouvir música, de ver os artistas e de nos permitirmos pensar e ser surpreendidos. 

A Fábrica do Humor está a semear algo muito bonito em Portugal. Cabe-nos a nós, público, alimentar esta colheita, encher as salas e recordar que a rir também nos tornamos mais fortes, mais unidos e, definitivamente, mais humanos.

Paulo Perdiz/MS

  •  

Aplaudir o avião, reuniões e outras formas modernas de loucura organizada

Cartoon by Stella Jurgen

Este texto é uma viagem — literalmente e figurativamente — por alguns dos maiores mistérios da vida moderna. Vamos rir. Mas se quiser chorar: berre alto!

Palmas por nada e outras tradições inexplicáveis do ar

Nunca percebi as pessoas que batem palmas quando o avião aterra. Quer dizer… porquê? O piloto fez… o trabalho dele. Literalmente a função do homem “piloto” ou da mulher “pilota”: levantar aquilo do chão sem matar ninguém e, umas horas depois, voltar a pousá-lo sem transformar a pista num episódio especial do National Geographic: Desastres Aéreos.

Bater palmas ao aterrar é como aplaudir um jornalista porque escreveu uma notícia: “Bravo! Conseguiu usar verbos e pontuação!” Ou como eu começar a bater palmas quando o Manuel DaCosta me passa o cheque: “Extraordinário! Cumpriu o combinado!”.

Ninguém aterra um avião e espera ouvir uma ovação tipo concerto dos Coldplay. Imagina o absurdo noutras profissões. O canalizador arranja-te o cano: – palmas! O dentista acaba a desvitalização: – todos de pé, senhores! O caixa do supermercado passa o código de barras sem engolir uma ameixa: – bis! bis!

Portanto, além de aterrar — que já era o mínimo olímpico da profissão — o piloto ainda consegue perturbar o meu único sono decente a 11 mil metros de altitude. “Senhores passageiros, acabámos de chegar em segurança.” Sim, ótimo. Era precisamente o pacote que eu tinha comprado. Mas não. Há sempre aquele grupo de passageiros que reage à aterragem como se tivesse acabado de assistir à multiplicação dos pães. Palmas. Sorrisos. Gente emocionada. Só falta alguém gritar: “Ele conseguiu! O maluco conseguiu!”

Calma, minha gente. Não atravessámos o Cabo das Tormentas num barco de madeira. Fizemos Lisboa – Toronto sentados ao lado de um senhor que comeu uma sandes de atum às sete da manhã, cheia de “alho”.

E depois há sempre aquele aplauso tímido no avião… começa com duas pessoas lá atrás, muito entusiasmadas, provavelmente as mesmas que agradecem ao multibanco quando o dinheiro sai. Clap… clap clap… e a cabine entra em crise: “Acompanhamos? É tradição? Ou estamos só a fazer figura?”

Não, António. Estamos num autocarro com asas. Só isso.

E a lógica devia aplicar-se a tudo: elevador chega ao rés-do-chão — génio da engenharia. Wi-Fi funciona à primeira — Nobel imediato. Micro-ondas aquece a lasanha sem zonas geladas — praticamente Tesla renascido. Se vamos celebrar o básico, façamos bem: aterragem com confettis, banda na pista, faixa gigante: “Obrigado por fazeres o teu trabalho.” O piloto lá dentro diz  “…eu aterrei. Era o plano.”

E isto é como um cirurgião sair e ouvir dizerem: “Ele fechou o abdómen! Nunca duvidámos!” Mas atenção: respeito total pelos pilotos. Só não percebo o timing das palmas — que é sempre exatamente quando eu estava finalmente a dormir, com o pescoço em modo origami. No fundo, o meu problema nem é com as palmas. É com o horário das palmas. Porque acontecem sempre no exato segundo em que eu estava finalmente a dormir, encostado à janela, com o pescoço numa posição clinicamente impossível, a babar discretamente para a manga do casaco. Clap clap clap. Acordo. Sem saber se cheguei a Roma ou se começou uma revolução.

E, no avião, aquelas mulheres que, momentos antes da aterragem, vão-se perfumar na minúscula casa de banho e deixam a aeronave com um cheiro capaz de matar qualquer mosca ou mosquito. Ou então, ainda, aqueles que viajam como se fossem a uma gala de estrelas de Hollywood… E pronto… agora vou bater palmas ao padeiro porque o pão veio… em formato de pão e tem sal.

O voo turístico da realidade portuguesa (turbulência incluída)

Por cá a viagem agora é outra, e eu, embora não sendo piloto, faço o aviso : “Senhores passageiros, senhora comunidade, bem-vindos ao voo especial Mês de Portugal – edição comemorativa permanente, porque cá celebramos tudo até deixar de fazer sentido. Informamos que vamos entrar numa zona de ligeira instabilidade atmosférica — também conhecida por realidade quotidiana — onde tudo parece bem organizado em PowerPoint, mas na prática depende de alguém que ainda está a ver se há orçamento, se há consenso ou se entretanto já passou a vontade.

Durante o voo, poderão sentir fenómenos normais como: sorrisos institucionais tão largos que deviam ter HST; abraços obrigatórios com gente que ontem era “complicada”, mas hoje já é “parceira estratégica”; e aquele clássico português: unidade total… até alguém dizer “vamos alinhar isto melhor” e a cabine entrar em revisão estrutural emocional. Atenção: hoje seguimos todos na mesma direção. Não por GPS — que isso dava demasiado conforto — mas por tradição. E tradição, como se sabe, é seguir em frente mesmo quando ninguém tem bem a certeza de onde é “frente”, mas ninguém quer ser o primeiro a perguntar.

Pedimos que permaneçam sentados, ou de pé, ou emocionalmente disponíveis, com espírito patriótico em modo atualização contínua. Se houver vento, não se alarmem: é só o país a testar mais uma vez a nossa capacidade de aguentar pequenas tragédias com café, piadas e uma resignação altamente funcional. E lembrem-se: nada é mais forte do que a nossa capacidade nacional de improvisar soluções provisórias para problemas permanentes, enquanto dizemos com convicção que ´desta é que vai ser´. Seguimos juntos… até à próxima ideia brilhante que ninguém pediu, mas que vai mesmo assim para  Produção”. Seguimos juntos até….à casa de banho do parque, porque normalmente acabo sempre apertado, com grande urgência e com o planeamento feito num “oito”.

Manual não oficial da vida comunitária: onde ninguém sabe tudo, mas todos têm opinião

A vida comunitária é aquele lugar onde todo mundo se conhece… mesmo quando preferia não conhecer tanto assim. Tudo começa nas reuniões da comunidade. A ideia é resolver problemas, mas normalmente acaba numa maratona de opiniões, onde alguém sempre diz “na minha época era melhor” e outro responde “mas isso nunca foi resolvido mesmo”. No fim, sai uma decisão… ou pelo menos a promessa de uma. E quando parece que acabou, alguém lembra de “um assunto rápido” que dura mais 40 minutos e reabre tudo outra vez. O grupo de WhatsApp/Facebook é outro ecossistema. Começa com um inocente “bom dia comunidade” às 6h da manhã e, quando piscas o olho, já tem 83 mensagens, 19 figurinhas repetidas, um áudio de 4 minutos sem necessidade e uma discussão filosófica sobre um evento paranormal.. Nos eventos comunitários, tudo é “simples e organizado”… até começar. Aí vira fila, improviso, alguém esquecendo algo e sempre uma pessoa dizendo “mas ficou bonito mesmo assim”. E tem sempre alguém que leva uma caixa de bolos “só para ajudar” e vira herói oficial do dia. E claro, tem o clássico “vizinho fiscal”, que sabe tudo: quem chegou, quem saiu, quem falou alto e quem pegou mais uma cadeira sem pedir. Ele não precisa de agenda — ele é a agenda.

No fim, viver em comunidade é isso: um misto de confusão, convivência e muita história engraçada — porque se não levar na brincadeira, não dá pra acompanhar o ritmo. Mas, de alguma forma, entre o caos e as reuniões que nunca terminam, ainda aparece aquele momento raro em que todo mundo ri junto e finge que “dessa vez vamos ser mais organizados”. E fica sempre a promessa adiada: “da próxima é que é com qualidade”.  Termino, caro leitor, como escreveu o meu amigo Augusto Bandeira na anterior edição deste jornal: “Nós podemos melhorar se soubermos ouvir. Muitas pessoas erram não por má intenção…”. Ah pois é meu amigo, hoje em dia é burro quem quer e muitos têm as orelhas bem pequenas.

Romulo M. Ávila/MS

  •  
❌