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Odemira estreia Bienal dedicada à arte, ciência e comunidade em 2026

O concelho de Odemira vai acolher, em 2026, a edição inaugural da Bienal Arte e Ciência de Odemira, uma nova plataforma internacional que pretende promover o cruzamento entre criação artística, conhecimento científico, participação cidadã e valorização territorial. A iniciativa, promovida pelo Município de Odemira, decorrerá entre os dias 3 e 5 de outubro de 2026.

Com curadoria de Hugo Cruz, a bienal nasce como um espaço de experimentação e pensamento contemporâneo, articulando arte, ciência, ambiente, educação e comunidade através de uma programação diversificada. O evento incluirá residências artísticas, espetáculos, instalações, obras em espaço público, conversas e oficinas, envolvendo tanto artistas nacionais e internacionais como agentes locais.

Sob o tema “Tentemos”, a edição zero propõe uma reflexão sobre a experimentação enquanto ferramenta para imaginar futuros alternativos e reforçar práticas colaborativas no quotidiano. A organização pretende criar um espaço de escuta, dúvida e construção coletiva, aproximando pessoas, territórios e diferentes formas de conhecimento.

A bienal assume uma forte dimensão comunitária e interdisciplinar, apostando na criação coletiva e na valorização dos saberes locais. Segundo a organização, as residências artísticas terão como objetivo ligar o conhecimento do território ao pensamento contemporâneo internacional, promovendo novas formas de interpretar e construir o presente e o futuro.

Para Hugo Cruz, curador da iniciativa, esta bienal pretende ser “um cruzamento onde nos encontramos para tomarmos outras direções”, funcionando como um espaço de encontros entre comunidades, natureza, espaços públicos e artistas de diferentes proveniências. O responsável considera ainda que o projeto representa um convite à imaginação e ao “reencantamento” com as múltiplas possibilidades da vida.

Também o presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro, sublinha a relevância estratégica do projeto, defendendo a aproximação entre cultura e ciência como forma de gerar conhecimento aplicado, reforçar a qualidade de vida e aumentar a atratividade do território.

A Bienal Arte e Ciência de Odemira pretende afirmar-se como um motor de desenvolvimento territorial, coesão social e sustentabilidade, consolidando Odemira enquanto espaço de criação, inovação e participação cultural descentralizada. O programa completo será divulgado em setembro de 2026.

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Semina Futuri promove curso sobre comunicações descentralizadas em Santa Clara-a-Nova

Quando as redes falham, quem sabe comunicar continua a funcionar

No interior do Alentejo, a cobertura de rede é irregular. As aldeias do Alto Mira estão a 450 metros de altitude, entre serras e vales onde o sinal de telemóvel desaparece com frequência. Mas a fragilidade das redes centralizadas não é só um problema de cobertura geográfica; é uma questão de arquitetura.

Quando um servidor cai, quando a eletricidade falha, quando uma infraestrutura crítica fica fora de serviço, quem depende exclusivamente dessas redes fica sem voz.

No dia 27 de Junho de 2026, a Semina Futuri – Associação de Desenvolvimento Regenerativo do Alto Mira, organiza em Santa Clara-a-Nova, uma formação prática de um dia sobre comunicações descentralizadas; sistemas que funcionam sem internet, sem operadoras e sem infraestrutura centralizada.

A formação conta com o apoio da Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Nova e do Município de Almodôvar. É aberta ao público, com vagas limitadas a 15 participantes e um custo de 20,00€, almoço incluído.

Os sistemas em jogo

A formação percorre, de forma prática, um conjunto de tecnologias complementares; cada uma com o seu alcance, as suas limitações e o seu papel num sistema de comunicação resiliente.

Rádio amador é a espinha dorsal. Com licença adequada, um radioamador pode comunicar de localidade em localidade, de país para país, utilizando frequências atribuídas internacionalmente. No Alto Mira, as condições de propagação são excecionais: altitude, ausência de ruído eletromagnético urbano e linha de vista para horizontes longos. As frequências trabalhadas na formação incluem 144.800 FM, 145.500 FM e 7.050 LSB; VHF para comunicação regional, HF para alcances de centenas ou milhares de quilómetros.

PMR446 são os rádios de uso livre, sem licença, que qualquer pessoa pode comprar e usar. Alcance limitado; geralmente 1 a 5 km em terreno aberto; mas extremamente úteis para coordenação local imediata. São a camada de comunicação mais acessível e a primeira a ativar numa situação de emergência de proximidade.

Meshtastic é uma tecnologia de malha descentralizada que utiliza rádio LoRa (Long Range) para criar redes de comunicação sem internet e sem infraestrutura. Cada dispositivo funciona simultaneamente como emissor e repetidor; quanto mais nós existirem na rede, maior é o alcance e a redundância. Os dispositivos custam entre 30 e 60 euros. Na serra do Alto Mira, os alcances podem atingir dezenas de quilómetros entre nós. A formação inclui demonstração prática de uma rede Meshtastic montada no terreno.

CW — Código Morse é a forma de comunicação por rádio mais robusta que existe. Ocupa muito menos largura de banda do que a voz; penetra interferências onde a voz não chega; e pode ser transmitido com os equipamentos mais simples imagináveis. Aprender CW não é saudosismo; é ter acesso a uma camada de comunicação que funciona quando tudo o resto falha.

Antenas são o fator mais determinante no alcance e na qualidade de qualquer comunicação por rádio; mais do que a potência do emissor. A formação inclui montagem e teste de antenas no terreno: o dipolo de meia-onda a 50Ω, a antena de quarto de onda e variantes. Perceber como construir uma antena funcional com materiais simples é uma das competências mais úteis que um operador pode ter.

E-mail via rádio — através de sistemas como Winlink, é possível enviar e receber e-mails usando apenas rádio, sem qualquer ligação à internet. A mensagem entra na rede Winlink através de estações gateway distribuídas pelo mundo e chega ao destinatário pelo endereço de e-mail convencional. Em situações de emergência prolongada, é um canal de comunicação escrita que não depende de operadoras nem de servidores comerciais.

Comunicação via satélite — a formação inclui demonstração de sistemas de comunicação por satélite de baixo custo; dispositivos de mensagens bidireccionais que funcionam em qualquer ponto do planeta com céu aberto. É a camada de último recurso; mais cara, mais lenta, mas absolutamente independente de qualquer infraestrutura terrestre.

Os formadores

Luís — CT1EMY é radioamador desde 1993. Três décadas de prática em bandas de HF e VHF, operações de emergência, construção de antenas e comunicações de longo alcance. Representa uma geração que aprendeu a comunicar quando não havia outra forma; e que conhece os limites e as possibilidades do rádio de um modo que nenhum manual transmite sozinho.

Martim — CS7BAE obteve a licença de radioamador em 2021 e especializou-se nas tecnologias digitais descentralizadas que nos últimos anos transformaram o panorama das comunicações de emergência: Meshtastic, redes LoRa, integração entre rádio e sistemas digitais. Representa a camada nova; os protocolos abertos, os dispositivos de baixo custo, a lógica de malha em vez de estrela.

Juntos, cobrem o espectro completo: da antena artesanal ao nó digital, da frequência de voz ao código Morse, do equipamento de 30 euros ao sistema de satélite.

Porquê Santa Clara-a-Nova

A escolha do local não é acidental. Santa Clara-a-Nova situa-se a 450 metros de altitude, no coração do Alto Mira, com coordenadas grid IM68 e linha de vista para horizontes longos em várias direcções. É um ponto de propagação privilegiado; e um território onde a resiliência das comunicações tem implicações práticas reais, não apenas teóricas.

A Semina Futuri – Associação de Desenvolvimento Regenerativo do Alto Mira, trabalha neste território desde 2025, no desenvolvimento regenerativo do Alto Mira, pelo que a formação em comunicações descentralizadas insere-se nessa lógica: construir capacidade local que não dependa de infraestrutura externa para funcionar.

Detalhes práticos

Data: 27 de Junho de 2026
Hora: 09h30 — até não haver mais perguntas
Local: Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Nova, Almodôvar
Vagas: máximo 15 participantes Custo: 20,00€, almoço incluído
Bónus: demonstrações de long range comms e satélite (se tivermos sorte)
Inscrições: gt_prcam@altomira.pt · altomira.pt
Iniciativa com o apoio da Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Nova e do Município de Almodôvar

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Instituto Politécnico de Beja promoveu-se nos Estados Unidos da América

O Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) participou na NAFSA 2026 Annual Conference & Expo, de 25 a 29 de maio, em Orlando, Florida (EUA).

Este é considerado um dos mais importantes encontros mundiais dedicados ao ensino superior, constituindo um espaço de referência para o estabelecimento de redes de cooperação e para a definição de tendências que moldam o futuro da internacionalização neste setor.

Sob o tema “Global by Design”, a edição deste ano reuniu milhares de profissionais, instituições de ensino superior, organizações e parceiros de mais de 100 países, promovendo a cooperação internacional e a partilha de boas práticas.

Durante o evento, a delegação do IPBeja participou em diversas reuniões bilaterais com universidades, institutos politécnicos, agências de internacionalização e organizações especializadas na promoção da mobilidade académica, discutindo possibilidades de colaboração em áreas como a mobilidade de estudantes e docentes, desenvolvimento de programas conjuntos e projetos de investigação.

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