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Profissionais do mar que afirmam Olhão como «referência nacional» foram distinguidos

O município de Olhão voltou a assinalar o Dia do Pescador, com a habitual cerimónia de homenagem aos profissionais ligados ao mar e uma palestra, realizadas este domingo, 31 de Maio.

A iniciativa, que decorreu no Auditório Municipal Maria Barroso, reuniu pescadores, armadores, aquicultores, representantes do setor e população em geral.

A celebração teve início com a palestra “Valorização e Sustentabilidade de Recursos Marinhos Partilhados – O Caso do Atum em Portugal”, dedicada à reflexão sobre a preservação dos recursos marinhos e a sustentabilidade da atividade piscatória.

Seguiu-se a cerimónia de entrega de distinções, que reconheceu «o contributo de homens e mulheres que diariamente ajudam a afirmar Olhão como uma referência nacional da economia do mar».

O presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, destacou no seu discurso a importância estratégica do setor para o concelho e os desafios que enfrenta atualmente.

«O setor enfrenta hoje desafios concretos: alterações climáticas, custos de operação elevados, pressão sobre os recursos e uma renovação geracional que tarda. Mas a capacidade de adaptação e a resiliência sempre foram marcas dos olhanenses e é com essa convicção que o município tem trabalhado para que a pesca e a aquacultura tenham futuro, competitividade e capacidade de atrair novas gerações, criando oportunidades e investimento», afirmou.

O autarca sublinhou que Olhão «continua a afirmar-se como referência nacional na economia azul, o que, para nós, é um orgulho» e aproveitou a ocasião para reforçar a necessidade de intervenção urgente nas infraestruturas do Porto de Pesca de Olhão.

«Continuaremos a lutar e exigir, quer da tutela, quer da Docapesca, que sejam efetuadas as reabilitações dos pontões de acesso às embarcações e do cais de combustível, fundamentais à segurança dos profissionais do setor que diariamente utilizam estas infraestruturas», disse.

Segundo Ricardo Calé, o município já manifestou disponibilidade para colaborar na requalificação dos acessos e no processo de renovação e modernização do porto, que completou recentemente 70 anos.

As comemorações terminaram com uma demonstração de ronqueio de atum e uma degustação, proporcionando aos participantes uma experiência ligada às tradições marítimas e gastronómicas que fazem parte da identidade de Olhão.

Os distinguidos na edição de 2026 do Dia do Pescador foram:
– Arrasto – Novo Peixe de Ouro;
– Cerco – Selma;
– Polivalente Local – VIP, Até Já, Vencedor e Mãezinha;
– Polivalente Costeira – Mar Bravo e André Sousa;
– Armação – Tunipex e Real Atunara;
– Aquicultura e Moluscicultura – Relíquias da Paisagem e José Manuel Prata;
– Mariscador Apeado – José da Cruz de Brito Amador;
– Mulher na Pesca – Alcina Sousa;
– Mulher na Aquicultura – Anabela Maria Arrais Pereira;
– Pescador Mais Antigo – Manuel Bruno Gouveia Carrada;
– Pescador Mais Novo – Tiago Fernando Pereira Sousa;
– Pescador em Progressão – Dinis Gonçalves Matos;
– Homem na Indústria Conserveira – Mário Rodrigues Soares;
– Mulher na Indústria Conserveira – Maria Fátima Sousa dos Santos;
– Prémio Mérito – Maria Alexandra Anica Teodósio;
– Prémio Carreira – António Valeriano Picoito Rolão.

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Olharapos, gambozinos, sereias e mouras encantadas do imaginário português reunidos num atlas ilustrado

Almajonas, olharapos, musaranhos e sereias estão entre as criaturas fantásticas do imaginário popular português convocadas para um atlas ilustrado, de Samuel F. Pimenta e Helena Soares, dirigido aos mais novos e editado este mês.

“Atlas das criaturas mágicas de Portugal” é uma compilação de personagens e figuras de histórias antigas, muitas vezes associadas à mitologia de uma determinada região, e cujo conhecimento tem passado de geração em geração por via da narração oral.

O livro, editado pela Penguin Random House, foi construído como um atlas geográfico, no qual são reveladas cerca de 70 criaturas fantásticas de norte a sul do país, arquipélagos dos Açores e Madeira.

Na breve introdução ao livro, Samuel F. Pimenta explica que as personagens reunidas no livro são tão antigas como os Trasgos, “considerados os duendes portugueses” cujo passatempo preferido é desarrumar a casa, ou tão recentes como os gambozinos, sobre os quais se fala “em praticamente todo o território português”.

Com duplas páginas profusamente coloridas, o livro apresenta uma composição visual que conjuga várias personagens, repartidas por regiões e acompanhadas de pequenos textos descritivos.

Da região norte, Samuel F. Pimenta apresenta o Tatro Azeiteiro, “uma criatura feita de brumas que habita o nevoeiro e produz um cheiro a azeite”, ou o Coca de Monção, “um dragão que sai das águas do rio Minho e causa o terror entre a população”.

Na região centro, há o Gigante Monderigon, que batizou o rio Mondego e foi enterrado de pé em Penacova, e o Monstro Chevelhudo, que vive sob a lagoa escura da Serra da Estrela.

Os gigantes Cardiga e Almourol, o João Pestana, “que tem a missão de transportar o sono”, as Tágides, as ninfas do rio Tejo, o Homem das Sete Dentaduras, que “aparece na zona da Fuseta” , e a Moura Encantada Floripes, que vive aprisionada em Olhão, também estão presentes neste atlas, desenhado pela ilustradora Helena Soares.

“Independentemente da forma como estas criaturas te vão chegar, espero que possam continuar a ser imaginadas além das páginas deste livro”, escreveu Samuel F. Pimenta na introdução desta estreia literária para os mais novos.

Samuel F. Pimenta, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, é autor de poesia e romance, nomeadamente “Ágora” (2016), “Iluminações de Uma Mulher Livre” (2017) e “Ophiussa” (2024).

Helena Soares, ilustradora e design gráfica, é coautora do livro ilustrado “António Variações, uma biografia” (2020), com texto de Bruno Horta.

“Atlas das Criaturas Mágicas” vai ser apresentado pelos autores no sábado na livraria Papa Livros, no Porto, a 04 de junho na Feira do Livro de Lisboa, e a 20 de junho na livraria Aqui Há Gato, em Santarém.

Foto de destaque: Estátua da Moura Floripes nas ruas de Olhão

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