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Francisco Amaral critica consulta de tabagismo no IPO marcada para 2027

O médico e antigo presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, criticou publicamente uma marcação do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil para uma primeira consulta de tabagismo apenas em maio de 2027.

A publicação, feita nas redes sociais a 26 de maio, foi acompanhada por uma fotografia de um agendamento do IPO Lisboa, onde surge uma consulta de “Primeira Tabagismo” da área de Pneumologia marcada para 10 de maio de 2027, às 14:30.

Imagem do agendamento divulgada por Francisco Amaral, onde surge uma primeira consulta de tabagismo no IPO Lisboa marcada para maio de 2027

“Assim não”, escreveu Francisco Amaral, defendendo que esperar quase um ano pode comprometer o momento em que o fumador decide deixar de fumar. Na mesma publicação, o médico sublinhou que “uma das razões do êxito” do Programa de Combate ao Tabagismo do Município de Castro Marim é precisamente a consulta de cessação tabágica acontecer “no próprio dia” em que o fumador toma a decisão.

A observação vai ao encontro de uma posição que Francisco Amaral já defendia publicamente em 2018: “a consulta tem que ser imediata” para aproveitar a motivação do fumador no momento em que decide parar.

O caso divulgado por Francisco Amaral diz respeito a uma consulta de cessação tabágica, não a uma consulta de tratamento oncológico. Ainda assim, ganha especial relevância por envolver o IPO Lisboa, uma unidade do SNS com área de influência direta que inclui Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

O próprio mapa público da Rede de Consultas de Apoio Intensivo à Cessação Tabágica da ARS Lisboa e Vale do Tejo, atualizado em 2023, identifica no IPO Lisboa uma consulta de cessação tabágica no Serviço de Pneumologia, com funcionamento semanal à segunda e quinta-feira, destinada a utentes do IPO e funcionários, por referenciação interna.

Em Castro Marim, Francisco Amaral tem sido uma das figuras centrais no combate ao tabagismo. O programa municipal foi implementado em 2015 e trabalha em duas frentes: sensibilização e motivação para deixar de fumar, e acompanhamento clínico e psicológico ao longo do processo.

Segundo a informação institucional da autarquia, o programa começa com uma consulta de cessação tabágica com médico e psicólogo e mantém acompanhamento até à alta.

Os dados mais recentes divulgados pelo Município de Castro Marim apontam para mais de mil consultas realizadas e mais de 800 pessoas que terão deixado de fumar ao fim de um ano, com uma taxa de sucesso de 82,37%. A autarquia refere ainda que a iniciativa assenta num modelo de voluntariado médico promovido por Francisco Amaral, que criou e lidera o projeto.

Câmara inaugurou a escultura “Eco Pulmão”

O impacto do programa tem ultrapassado o concelho. Segundo notícias publicadas em 2025, os participantes chegaram não só de Castro Marim, mas também de Vila Real de Santo António, Tavira, Faro, Mértola, Almodôvar, Portimão, Loulé e Lisboa, além de pessoas oriundas de países como Espanha, Alemanha e Reino Unido.

Para além das consultas, o projeto tem promovido campanhas de sensibilização, encontros de ex-fumadores e ações públicas como a escultura “Eco-Pulmão”, instalada na Praça 1.º de Maio, em Castro Marim. A aposta de Castro Marim na prevenção não é recente. Em 2019, a Câmara inaugurou a escultura “Eco Pulmão”, da autoria de Carlos Correia, como forma de alertar para os malefícios do tabaco e para o impacto ambiental das beatas. Na altura, a autarquia referia uma taxa de sucesso a rondar os 85% e 437 aderentes ao programa, números que entretanto cresceram de forma significativa.

Escultura “Eco Pulmão”. Crédito: CMCM

Francisco Amaral, que terminou funções autárquicas em 2025 após 32 anos à frente dos municípios de Alcoutim e Castro Marim, manteve disponibilidade para continuar a dar o seu contributo voluntário como médico. O antigo autarca tem uma carreira ligada à medicina geral e familiar e ao poder local, tendo sido presidente da Câmara de Castro Marim entre 2013 e 2025.

A crítica agora feita ao agendamento do IPO surge num contexto em que o cancro do pulmão continua a ser uma das grandes preocupações de saúde pública. O cancro do pulmão é a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal e tem forte associação ao consumo de tabaco. A European Lung Foundation refere que entre 80% e 90% dos casos de cancro do pulmão são atribuíveis ao tabaco.

Castro Marim foi recentemente apontado como o concelho algarvio com menor incidência de cancro do pulmão, segundo dados divulgados durante as 16.ªs Jornadas de Pneumologia do Algarve.

A autarquia associa esse resultado ao trabalho desenvolvido pelo Programa de Combate ao Tabagismo, embora uma relação causal direta deva ser lida com prudência, por depender de vários fatores epidemiológicos.

A rede nacional de cessação tabágica existe no SNS desde a Lei do Tabaco de 2007, mas o próprio despacho que criou a rede de referenciação em 2015 reconhecia dificuldades de cobertura em todo o território nacional.

O mesmo diploma defendia a organização de consultas de apoio intensivo à cessação tabágica e o acompanhamento dos fumadores em vários momentos do processo.

Para Francisco Amaral, a questão central continua a ser o tempo de resposta. Quando um fumador decide deixar de fumar, defende o médico, a intervenção deve ser rápida.

O caso agora divulgado, com uma primeira consulta marcada para 2027, reacende o debate sobre a capacidade do SNS para responder em tempo útil a uma decisão que, muitas vezes, depende de uma janela curta de motivação.

Números do programa de Castro Marim

Ano de implementação: 2015

Consultas realizadas: mais de 1.000

Pessoas que terão deixado de fumar ao fim de um ano: mais de 800

Taxa de sucesso divulgada: 82,37%

Modelo: voluntariado médico, com acompanhamento clínico e psicológico

Informações/marcações: 961 010 169

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Entrevista ao poeta louletano Miguel Duarte: “Quem não é daqui é que é periférico”

Com A Música do Amolador, Miguel Duarte regressa à poesia com um livro atravessado pela memória, pela infância, pela perda e pela paisagem algarvia. Natural de Loulé, o autor assume uma escrita exigente, feita de revisões, imagens intensas e fidelidade ao tempo interior da criação.

Depois da apresentação na Feira do Livro de Lisboa, fala ao Postal do Algarve sobre o lugar do Sul na sua obra, o reconhecimento de Lídia Jorge e a responsabilidade de escrever sem ceder à pressa.

Crédito: Luísa Pinto, da Guerra & Paz

P – O título A Música do Amolador sugere uma arte de afiar: a lâmina, a palavra, talvez a memória. Como surgiu este título e que lugar ocupa essa figura do amolador na ideia geral do livro?

R – O título foi mesmo a última coisa a surgir. Caiu como um raio na escuridão. Andei à procura, experimentei alguns, mas este veio calar todos os outros. Eu pertenço talvez à última geração de portugueses para quem o som com que o amolador se fazia anunciar é indissociável das memórias da juventude. Dormia muitas vezes na casa dos meus avós, em Loulé, e aí não havia sábado em que não acordasse com o trinar daquela flauta, que pousava ali no meio da gente como um pássaro raro. Enfim, tudo isso foi-se perdendo; está quase extinto. Hoje, essa vivência aparece mais como uma intrusão na paisagem regulada da modernidade. As pessoas passam-lhe cuidadosamente à roda; não sabem o que pensar. Há algo de belo e ao mesmo tempo triste na ideia de alguém carregar às costas uma arte a preto e branco.

Meditações à parte, eu também sinto que sou um escritor um pouco à antiga e, nessa maneira de ser, sou um corpo estranho. Trabalho na sombra, estrago o sono, tomo o meu tempo. Não permito interferências nesse processo. Respeito a solidão dessa luta. E o resultado é que os meus poemas surgem habitados por personagens e situações que parecem caminhar também elas no limiar da extinção. Mas aquilo é tudo o que sabem ser e há nisso uma certa ternura que as torna palpáveis. Talvez por isso A Música do Amolador tenha feito logo sentido.

Tenho fome de criar coisas novas

P – Lídia Jorge escreve que este livro anuncia “o surgimento de uma grande voz a caminho” e fala numa torrente de imagens que lembra Dylan Thomas, Álvaro de Campos e, no Sul português, Ramos Rosa, Casimiro de Brito e Nuno Júdice. Como recebeu este reconhecimento e que peso têm, para si, essas possíveis linhagens literárias?

R – Desde logo, o apoio da Lídia Jorge fez duas coisas muito importantes por mim. A primeira é que trouxe uma sensação de amparo à minha visão criativa. Porque o olhar que temos da nossa escrita muitas vezes não coincide com o olhar dos outros. É um abismo traiçoeiro que só pode ser combatido com inquietude e autocrítica constantes, mas mesmo isso não garante chão firme para coisa nenhuma. Quem quer ser publicado tem que sujeitar-se à aprovação ou à obliteração que vem de fora… E a segunda é que uma mulher que muito admiro acaba por passar-me uma responsabilidade positiva para as mãos. Um estímulo, se preferir. Um estímulo para continuar a evoluir e procurar novas formas de me expressar pela poesia. Porque o que está feito, está feito. Foi um livro importante para mim; seguirá agora o seu caminho, mas não vejo utilidade nenhuma em ficar especado perante o que fiz. Tenho fome de criar coisas novas. E eu incluo os nomes referidos nessa noção de responsabilidade. Porém, mais do que pensar em linhagens literárias, interessa-me escrever e ter quem me publique os livros.

P – Ao longo do livro surgem o mar, as falésias, a Bordeira, Aljezur, o salitre, a terra, as ruínas e uma certa luz do Sul. De que forma o Algarve entra na sua poesia: como território real, como memória, como ferida ou como matéria simbólica?

R – Como tudo isso. Tenho dois Algarves dentro de mim. O Algarve que me foi revelado pela mão dos meus pais durante a infância é um outro Algarve muito particular, de que me apropriei à medida dos meus sentimentos. Cheguei à maioridade de pertencer a um sítio, que é tão real quanto imaginado. E é no ponto onde esses dois Algarves se cruzam que brotam alguns estados de alma para o que escrevo. Mas sinto que o livro é, acima de tudo, de uma humanidade universal. Aqui e ali, o Sul entra nele, mas é porque está intimamente ligado à minha experiência. Serve sempre como elevação, nunca como redoma. Muito sinceramente, acho que se o leitor não se der ao trabalho de ler a badana, nem vai fazer essa ligação à partida. Escrevo em tantos cenários…

Poeta louletano Miguel Duarte. Crédito: Luísa Pinto, da Guerra & Paz

P – Este é o seu segundo livro de poesia. Que diferença sente entre o Miguel Duarte que escreveu o primeiro livro e o poeta que agora publica A Música do Amolador pela Guerra e Paz? Houve uma mudança de voz, de exigência ou de ambição literária?

R – Sinto que houve um trabalho literário muito mais apurado com este livro. Passou por intermináveis afinações e revisões; tentei levar a minha linguagem a novos horizontes. Os próprios enlaces oníricos: procurei que rompessem com as expectativas decorrentes da leitura. Queria que o livro entrasse pelos olhos como uma tontura. A poesia permite-nos isso. Portanto, nesse sentido, sim, maior exigência e ambição. Mas repare, a matéria-prima mantém-se a mesma. E a matéria-prima é os sentimentos. É isso que carrega o livro em ombros. A técnica está ali para servir os sentimentos, sem os quais seria apenas um corpo grotesco. Não há ali uma linha que tenha sido escrita sem esse propósito. Portanto, o importante era que cada poema levasse tudo o que podia levar de mim.

Já o primeiro livro foi um tiro de partida que tinha que ser dado. Para uma estreia, superou as minhas expectativas, embora, à distância, o veja como um objeto imperfeito. E este também, à distância, parecer-me-á um livro cada vez mais imperfeito. Mas eu sou assim, severo comigo próprio. Talvez por isso não tenha essa tentação de publicar a granel. Preciso de sentir um certo nível de satisfação com o que escrevo, o que não é fácil de atingir. E a exigência vai sendo cada vez maior. Hoje, publica-se muito, mas escreve-se pior. Perdeu-se um pouco o valor do rigor muito por culpa das editoras de vaidade, das redes sociais e da crescente infantilização do leitor, todo esse caldo de indulgências. Eu não quero render-me a essa situação. Tenho as minhas regras e vejo o tempo como um aliado.

O sentimento é autobiográfico, mas dou inteira liberdade aos poemas para seguirem as imagens que melhor lhes sirvam

P – Há no livro uma forte presença da infância, da mãe, da casa, do corpo, da solidão e da perda. Até que ponto estes poemas partem de uma experiência autobiográfica e em que momento essa experiência se transforma em construção poética?

R – O sentimento é autobiográfico, mas dou inteira liberdade aos poemas para seguirem as imagens que melhor lhes sirvam. Ou seja, há ali muito que é puramente imaginário, mas, no fundo, tudo jorra da mesma fonte, como só a pessoa que o escreve poderia experienciá-lo. O livro é táctil nesse sentido. Queria que os poemas tivessem a forma de uma presença de carne e osso.

Mas, na realidade, a construção poética começa muito antes. Tem a ver com um conflito interior. Desde cedo fui uma criança sensível e há um movimento irresistível por parte do mundo para esmagar essa sensibilidade. É tudo muito binário, ou se mata ou se morre, ou se ganha ou se perde, ou se é a favor ou contra. Enfim, isto é particularmente violento para quem se comove facilmente. Agora lembro-me de que era uma criança algo solitária. Tinha muitos amigos, mas também gostava de estar sozinho. Porquê? Então parece-me que comecei a escrever poemas na adolescência porque era preciso defender esse lado belo e intocado. Era mais importante que essa verdade se impusesse aos gestos forjados.

Crédito: Luísa Pinto, da Guerra & Paz

P – A sua escrita é marcada por imagens muito intensas, versos longos, um fluxo por vezes narrativo e uma linguagem que parece querer levar cada frase ao limite. Como se trabalha um poema: escreve por impulso ou há depois um processo rigoroso de corte, depuração e reescrita?

R – Um poema tem essas fases todas. Dá muito, muito trabalho. Creio que esse mito dos impulsos mata à nascença muitos aspirantes a poetas, porque já vão com a ideia de que esse primeiro momento de fluidez é o princípio e o fim de tudo. As imagens vêm-me com maior naturalidade comparadas com o resto, mas esse impulso, se quiser, é apenas o pincel a dizer que quer ir mais para aqui ou mais para ali. Depois, é preciso dar-lhe uma forma que lhe faça justiça e isso representa talvez noventa por cento do tempo despendido. Pelo menos, sinto isso quando escrevo. Ou seja, as palavras me levam pela mão e têm apetite por ir mais além. Mas é preciso transpor para a linguagem aquilo que se vê sem lhe travar a vivacidade. Não há uma resposta fácil para essa pergunta.

Para mim, seria uma tragédia ter nascido noutro sítio. Este mar, estas cores, estas falésias, estas serras são o centro do mundo

P – Depois da apresentação de A Música do Amolador na Feira do Livro de Lisboa, e tendo em conta a sua forte ligação ao Algarve, que balanço faz da receção ao livro e o que gostaria que os leitores algarvios nele encontrassem: uma voz da região, uma voz contra a ideia de periferia, ou simplesmente poesia capaz de falar para lá de qualquer geografia?

R – Gosto que saibam que sou do Algarve e que sou de Loulé. Para mim, seria uma tragédia ter nascido noutro sítio. Este mar, estas cores, estas falésias, estas serras são o centro do mundo. A meu ver, quem não é daqui é que é periférico. Por isso, pode dizer-se que a minha poesia é iluminada em vários momentos por essa luz do Sul, mas a verdade é que vai beber a elementos que, ao fim e ao cabo, são comuns a toda a gente e, portanto, transcendem esse lugar geográfico.

De resto, ainda é muito cedo para ter uma imagem clara do percurso que o livro vai fazer. Saiu apenas no mês passado. Estou satisfeito por ter concluído esta etapa e grato a quem confiou no meu trabalho. É esse o meu balanço para já.

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Praias de Quarteira ao Garrão recuperam areal mas solução é temporária

A reposição de areia entre as praias de Quarteira e Garrão garantiu a segurança balnear a tempo do verão numa das zonas mais procuradas da costa algarvia, embora os efeitos alcançados sejam provisórios, disse um investigador.

A agência Lusa esteve nessa área costeira do concelho de Loulé, e já com a época balnear em curso, constatou que os cerca de seis quilómetros de areal, que se estendem de Quarteira para nascente, têm agora dezenas de metros de largura, mas há uns meses a água do mar chegava aos apoios de praia e à base das arribas.

“Hoje vemos uma praia larga, com várias dezenas de metros, quando há dois meses tínhamos a água, a cada maré alta, a tocar a arriba e a promover a erosão da mesma. Efetivamente, o trabalho efetuado de realimentação foi muito rápido, extenso e oneroso, como todos são, e terão de continuar a ser, se quisermos manter a qualidade balnear e diminuir o risco nas praias”, disse à Lusa o investigador Óscar Ferreira, da Universidade do Algarve.

Em causa está a alimentação artificial das praias entre Quarteira e o Garrão, naquele concelho do distrito de Faro, classificada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) como uma “das mais relevantes intervenções no litoral algarvio”, destinada a “travar o recuo da linha de costa e assegurar a sustentabilidade deste território”.

Óscar Ferreira estimou que o reforço de areia efetuado poderá proteger a costa por um período “de 12, 15 anos”, mas salientou que esse tempo varia de localização para localização e será sempre uma proteção “temporária”, embora tenha “vantagens”, como a alimentação de outros locais através da própria dinâmica de movimentação dos sedimentos pelo mar.

“A areia que depois será transportada daqui irá alimentar, por exemplo, a zona da Quinta do Lago e da Praia de Faro”, exemplificou, frisando que “há zonas que serão beneficiadas indiretamente” e, ao fim de algum tempo, terá de se “voltar a fazer uma intervenção exatamente nesta mesma zona”.

Questionado sobre a existência de outros métodos para garantir que há a areia necessária para prática balnear em segurança nas praias, o investigador respondeu que há paredões, como os existentes em Quarteira, que impedem o embate do mar nos edifícios situados junto à orla costeira, mas advertiu que, “sozinhos, não dão areia, só dão pedra”.

“Neste momento a grande solução, por muito perene que seja, é a recolocação de areia nos locais onde ela, efetivamente, faz falta, onde ela deixou de existir por algum motivo. Em locais urbanos fortemente densificados não é possível fazer ou usar outros planos como a relocalização ou o reordenamento, mas em áreas, por exemplo, como aquela que nós temos aqui atrás, a zona do Forte Novo, ou até alguma área de Vale do Lobo, que está mais em risco, temos de começar a apostar cada vez mais em planos de ordenamento que tenham relocalização”, alertou Óscar Ferreira.

A intervenção na praia do Forte Novo abrangeu um troço de 6,6 km até à praia do Garrão, prevendo-se a reposição de cerca de 1,4 milhões de metros cúbicos de areia para alargar o areal em 30 metros e conter a erosão costeira. Crédito: Luís Forra | Lusa

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, classificou como “gratificante” ver as praias com dezenas de metros de areia e a poderem ser utilizadas pelos banhistas em segurança, dada a importância do turismo de verão para a economia do concelho.

“É preciso ter estado aqui e ter passado aquilo que passámos nos últimos dois anos para perceber o quão contentes ficamos a olhar para estas praias agora. Começar a ver as pessoas já a poderem utilizar a praia, para nós é mesmo gratificante e é extremamente importante para a nossa economia”, afirmou o autarca.

Telmo Pinto salientou que, apesar dos esforços para diversificar a oferta, “o grande impulsionador” da economia do Algarve continua a ser o turismo do verão e, por isso, era importante fazer rapidamente com a alimentação artificiar de areia nessa zona costeira.

“Portanto, quando nós chegávamos aqui, víamos isto cheio de rochas, com a água a chegar a limites, e nós estamos aqui a falar de diferenças de 50, 60, 70 metros, era assustador para nós perceber que o dínamo deste litoral podia estar em causa e o verão [também estaria] em causa para todas estas pessoas”, comparou.

Por Miguel Hugo Cruz (texto) e Luís Forra (foto) da agência Lusa

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Ciclista Jorge Gálvez do Louletano conquista 46.º Grande Prémio Abimota

O ciclista espanhol Jorge Gálvez (Aviludo-Louletano-Loulé) conquistou hoje a 46.ª edição do Grande Prémio Abimota, ao chegar no grupo da frente na terceira e última etapa, vencida pelo neerlandês Enzo Leijnse.

O corredor da Anicolor-Campicarn bateu os seus companheiros de fuga no final dos 140 quilómetros entre Sever do Vouga e Águeda, relegando o português João Medeiros (Credibom-LA Alumínios-MarcosCar) para o segundo lugar, com as mesmas 3:34.37 horas do vencedor.

Jorge Gálvez foi terceiro na meta, a um segundo de Leijnse, e, graças às bonificações, conquistou a geral, celebrando o primeiro triunfo como profissional.

“Sabíamos que era complicado, porque tinha alguns segundos de atraso em relação aos três da frente da geral e porque tínhamos três baixas devido a queda desde o primeiro dia, mas, no final, saiu tudo perfeito”, disse o ciclista de 26 anos.

O espanhol destronou Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), que chegou apenas 1.02 minutos depois do vencedor, e acabou na terceira posição da geral, a 45 segundos do corredor da Aviludo-Louletano-Loulé.

O segundo da geral foi o britânico Harrison Wood (Feirense-Beeceler), outro dos integrantes da fuga do dia, que ficou a cinco segundos de Gálvez.

Melhor português na última Volta a Portugal e vencedor da Volta ao Alentejo deste ano, Tiago Antunes (Efapel) foi quarto, a 53.

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Casal atropelado no passeio em Albufeira: mulher morre e condutora terá tentado fugir

Uma mulher de 28 anos morreu e um homem de 32 ficou em estado grave depois de ambos terem sido colhidos por um carro quando circulavam num passeio junto ao quartel dos Bombeiros de Albufeira, na madrugada deste sábado.

Segundo avançou o Correio da Manhã, a viatura terá saído da estrada e atingido o casal, projetando as vítimas para uma zona de arbustos, circunstância que dificultou as operações de socorro. A mulher, de nacionalidade cabo-verdiana, entrou em paragem cardiorrespiratória e o óbito acabou por ser declarado no local.

Socorro prestado poucos segundos após o acidente

A proximidade ao quartel dos Bombeiros de Albufeira permitiu uma resposta imediata. “Os operacionais que estavam de serviço ouviram um barulho e foram rapidamente ver o que se passava. O socorro foi prestado poucos segundos após ter ocorrido o acidente”, referiu ao Correio da Manhã Daniel Jacinto, adjunto dos Bombeiros de Albufeira.

Apesar da rápida intervenção dos meios de emergência, não foi possível reverter a situação clínica da mulher. O homem foi transportado em estado grave para uma unidade hospitalar.

O alerta foi dado pelas 00:02. Nas operações de socorro estiveram envolvidos cerca de três dezenas de operacionais dos Bombeiros, INEM, Cruz Vermelha Portuguesa e GNR.

Condutora constituída arguida

De acordo com o mesmo jornal, a condutora da viatura terá tentado ausentar-se do local após o atropelamento, mas foi retida por elementos dos bombeiros até à chegada da GNR. A mulher foi constituída arguida.

Chegou ainda a ser mobilizado um helicóptero, que deveria aterrar no Estádio Municipal de Albufeira, mas o médico da VMER acabou por desmobilizar o meio aéreo.

A GNR esteve no local a realizar perícias. O atropelamento terá sido presenciado por uma moradora, que contactou o 112, sendo o seu testemunho considerado relevante para esclarecer as circunstâncias do acidente.

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Rio Guadiana sob buscas após homem pedir auxílio e desaparecer

Um homem desapareceu hoje nas margens do rio Guadiana, no concelho de Mértola, distrito de Beja, disseram à agência Lusa fontes da Proteção Civil e da Autoridade Marítima Nacional (AMN).

Fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Baixo Alentejo indicou que o alerta para o desaparecimento, que ocorreu na zona de Azenhas do Guadiana, no concelho de Mértola, foi dado pelas 12:48.

Uma outra fonte da AMN – Comando Local da Polícia Marítima de Vila Real de Santo António, distrito de Faro, entidade que está a coordenar as buscas, disse à Lusa que o homem “encontrava-se a banhos, pediu auxílio e desapareceu” nas águas do rio Guadiana.

A mesma fonte indicou que o homem tem entre 30 a 40 anos.

Nas operacionais de socorro estão envolvidos 20 operacionais, oito dos quais da AMN, auxiliados por três motas de água e uma outra semi-rígida, uma embarcação dos bombeiros de Mértola e uma equipa mergulhados de Serpa e cinco militares da GNR, apoiados por dois veículos.

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Conservatório de Albufeira encerra 30.º ano letivo com gala na Herdade dos Salgados

O Conservatório de Albufeira realizou a Gala Especial de Encerramento do 30.º Ano Letivo no Palácio de Congressos do Algarve, na Herdade dos Salgados, em Albufeira. A iniciativa contou com a presença de cerca de 700 pessoas, que assistiram à apresentação do trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo por alunos da instituição.

Criado em 1996 por António Góis Nóbrega, o Conservatório de Albufeira é uma instituição de natureza cultural, educativa e social, funcionando em regime de total voluntariado. O estabelecimento é licenciado pelo Ministério da Educação.

António Nóbrega, presidente e fundador do Conservatório de Albufeira. Foto DR

Três décadas dedicadas à educação artística

Ao longo de 30 anos de atividade, milhares de alunos passaram pelo Conservatório de Albufeira, onde desenvolveram competências nas áreas artísticas. Alguns desses antigos alunos são hoje professores na escola que os acolheu.

António Nóbrega sublinha esse regresso como um sinal positivo para a instituição. “Felizmente”, afirma, “pois enfrentamos dificuldades enormes em encontrar professores habilitados”.

Instalações continuam a ser a principal preocupação

Apesar do percurso feito, a degradação das instalações é apontada como o principal problema do Conservatório. Segundo António Nóbrega, “o nosso maior problema reside na degradação das instalações”, acrescentando que o presidente da Câmara Municipal, Rui Cristina, anunciou a disponibilização da verba necessária à recuperação do edifício onde funciona a instituição.

O fundador recorda ainda que o objetivo de dotar o Conservatório de um espaço com melhores condições acompanha o projeto desde os primeiros anos. António Nóbrega afirma ter reunido o que considera necessário para instalar um estabelecimento de ensino superior em Albufeira, mantendo-se em cima da mesa, agora nas mãos da autarquia, o projeto de criação de um Instituto Politécnico de Artes Criativas no município.

“O sonho comanda a vida…”, conclui António Nóbrega.

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Conferência em Albufeira debate impacto das novas regras do urbanismo

Albufeira recebe, no dia 15 de junho, entre as 9:00 e as 16:00, a conferência “O Novo Urbanismo — As Transformações Implementadas na Gestão do Território pelo Decreto-Lei n.º 108/2026”, uma iniciativa do urbanista António Góis Nóbrega, integrada no Ciclo de Conferências sobre Urbanismo, Habitação e Qualidade de Vida.

O encontro, sem fins lucrativos, pretende analisar as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 108/2026, de 29 de maio, diploma que revê o regime aplicável ao licenciamento de operações urbanísticas e procede a alterações ao Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação, ao Regime Jurídico da Reabilitação Urbana, ao Regulamento Geral das Edificações Urbanas e ao Decreto-Lei n.º 10/2024, segundo o Diário da República.

Alterações ao controlo municipal

Segundo a organização, o novo quadro legal “vem alterar profundamente alguns dos aspetos essenciais da legislação que envolve a gestão urbanística”, ao aliviar, em várias situações, o controlo prévio municipal sobre projetos e obras, reforçando a responsabilidade de promotores e técnicos pelo cumprimento da lei, bem como pelas condições de segurança e salubridade das edificações.

A conferência terá como eixos principais a aplicação da inteligência artificial à gestão urbanística, a resolução de conflitos por arbitragem e a responsabilização dos intervenientes nos procedimentos urbanísticos. Em debate estarão também os impactos do novo diploma no papel das câmaras municipais e na atuação dos técnicos projetistas, diretores de obra e demais profissionais envolvidos.

Entre as questões que a organização pretende colocar em discussão estão a responsabilidade civil das autarquias nos atos praticados no âmbito da gestão urbanística e a forma como a engenharia poderá garantir a segurança e salubridade das edificações num contexto de menor controlo prévio municipal.

Responsabilidade dos técnicos em análise

O programa prevê ainda uma reflexão sobre a “dignidade do termo de responsabilidade”, isto é, sobre o alcance efetivo da declaração subscrita pelos técnicos responsáveis e a sua capacidade de assegurar o cumprimento da legalidade e a segurança jurídica dos processos.

Foram convidadas a participar várias entidades profissionais e associativas ligadas ao urbanismo, construção, direito e mediação imobiliária, incluindo a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Advogados, a ASMIP — Associação dos Mediadores do Imobiliário, a Ordem dos Arquitectos, a Associação Portuguesa de Arbitragem e a APPC — Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores.

De acordo com a informação enviada pela organização, estão confirmadas as participações da Ordem dos Engenheiros, da Ordem dos Advogados e da ASMIP.

Oradores e inscrições

Entre os oradores anunciados estão João Luís Gonçalves, procurador no Tribunal Central Administrativo e autor do livro “A Responsabilidade Civil das Autarquias”, e António Góis Nóbrega, urbanista e organizador do Ciclo de Conferências Urbanismo, Habitação e Qualidade de Vida.

A organização sublinha que “o debate consciente e informado é a base essencial de qualquer política pública credível” e considera que a partilha de conhecimento nesta área é determinante para a qualidade da sociedade e do território.

As inscrições estão sujeitas à lotação da sala e serão aceites por ordem de registo e regularização. O formulário de inscrição está disponível em: https://forms.gle/YzxQ3jvKR7h74gTt5

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Hugo Pereira formaliza candidatura à liderança do PS Algarve

Sob o mote “Sim, pelo Algarve e pelos algarvios, vamos conseguir!”, Hugo Pereira defende um PS mais próximo das pessoas, com prioridade à habitação, aos rendimentos das famílias e aos investimentos estruturantes para a região.

Hugo Pereira formalizou a candidatura à Presidência da Federação Regional do Algarve do Partido Socialista junto da Comissão Organizadora do Congresso, anunciou o PS Algarve em nota enviada à imprensa.

A candidatura é apresentada como um projeto de reforço da capacidade do partido para liderar a defesa dos interesses da região e reconstruir uma proposta política mobilizadora para os algarvios.

Segundo o comunicado, o projeto sublinha que o PS continua a ser “a principal força política autárquica do Algarve”, liderando a maioria dos municípios e freguesias da região, o que, para a candidatura, representa uma responsabilidade acrescida na defesa dos interesses dos algarvios e na promoção do desenvolvimento regional.

Hugo Pereira reconhece que os resultados das últimas eleições legislativas refletem um afastamento de parte do eleitorado, associado à perceção de respostas insuficientes aos problemas específicos da região. Nesse sentido, defende a abertura de um novo ciclo de proximidade, escuta e construção de soluções concretas para os desafios do Algarve.

Entre as prioridades apontadas estão a concretização dos investimentos estruturantes que têm sido sucessivamente adiados, a resposta à crise da habitação, o reforço dos rendimentos das famílias e a mitigação dos efeitos do elevado custo de vida, com impacto particularmente significativo na região.

“Apresento esta candidatura com sentido de responsabilidade, convicto de que o PS Algarve deve assumir plenamente o papel de liderança regional que os algarvios lhe confiaram. É tempo de ouvir mais, preparar melhor e construir um projeto ambicioso que coloque o Algarve no centro das decisões nacionais”, afirma Hugo Pereira, citado no comunicado do partido.

De acordo com a nota, a iniciativa pretende fortalecer o Partido Socialista no Algarve e contribuir para uma região “mais justa, desenvolvida, coesa e com mais oportunidades para todos”.

Hugo Pereira é assim o primeiro a apresentar a candidatura à sucessão de Luís Graça, deputado à Assembleia da República e atual presidente da Federação algarvia, eleito pela primeira vez para a liderança da estrutura partidária regional em 2018 e que está a finalizar o quarto mandato no cargo, o limite previsto nos estatutos do partido.

As eleições nas Federações socialistas estão marcadas para 19 e 20 de junho.

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