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Investimento de 400 milhões coloca mina de Aljustrel «na linha da frente da mineração»

Um investimento superior a 400 milhões de euros, nas áreas industrial e da sustentabilidade energética, foi inaugurado esta terça-feira, 16 de Junho, na mina de Aljustrel, colocando a empresa concessionária na «linha da frente da mineração moderna».

O projeto “Feeding the Global Energy Transition” [“Alimentar a Transição Energética Global” em português], promovido pela empresa ALMINA – Minas de Portugal, foi inaugurado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que considerou o investimento importante para reforçar a «autonomia», a «independência» e a «soberania» de Portugal nesta área.

«Estamos aqui a alicerçar o nosso futuro, a construir um Portugal moderno, produtivo e soberano», disse o chefe do Governo, que foi acompanhado na cerimónia pelos ministros da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Montenegro, que começou por descer ao fundo da mina antes de presidir à cerimónia de inauguração, frisou ainda que o seu executivo está a avançar com uma estratégia «para os recursos geológicos, que tem como ‘pedra de toque’ a simplificação administrativa», com maior «articulação entre todos os intervenientes».

Desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos, o projeto “Feeding the Global Energy Transition” da ALMINA, financiado em cerca de 128 milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitiu a ampliação da capacidade da lavaria industrial da mina, que passa a poder tratar anualmente seis milhões de toneladas cobre e zinco, em simultâneo.

O projeto incluiu ainda, entre outros investimentos, a construção de uma unidade de produção de energia solar fotovoltaica para autoconsumo (UPAC), com capacidade de produção de energia superior a 40.000 megawatts-hora (MWh) por ano.

«Hoje é um marco histórico para a nossa empresa e para a indústria mineira em Portugal», reconheceu na cerimónia o presidente do conselho de administração da ALMINA, Humberto Costa Leite.

De acordo com o gestor, «não há transição energética sem revolução digital e sem mineração», nomeadamente cobre e zinco, os metais produzidos na mina de Aljustrel. 

«A mineração é o ‘quilómetro zero’ da vida moderna e esse ‘quilómetro zero’ tem uma morada histórica: Aljustrel», vincou.

Segundo Costa Leite, o projeto hoje inaugurado «nasceu há quase cinco anos», tendo em vista a necessidade de a empresa «ter custos mais baixos» face à impossibilidade de controlar «os preços dos metais» ou «as flutuações diárias do câmbio euro-dólar». 

«Este projeto permite-nos processar os dois minérios, cobre e zinco, em simultâneo, interligando as duas linhas [de produção] e otimizando a recuperação dos metais com criação de mais valor», afiançou.

O presidente da ALMINA revelou que a concessionária aguarda a emissão da declaração de impacto ambiental para «investir 150 milhões de euros ao longo de quatro anos» na abertura e construção do jazigo de Gavião, onde predomina o cobre.

A par disso, a empresa mineira pretende avançar com a exploração experimental do jazigo de Albernoa, de zinco e cobre, onde «10,8 milhões de euros investidos em prospeção» permitiram «uma descoberta com alta probabilidade de ter valor económico».

«Pedimos a atribuição de direitos de exploração experimental e aguardamos a celebração do contrato, mas já perdemos mais de um ano de tempo precioso devido aos ‘labirintos’ legislativos», lamentou.

Nesse âmbito, o presidente da ALMINA disse esperar que Estado, apesar da sua «obrigação de regular», seja «um facilitador e não um obstáculo à criação da riqueza».

«É preciso lançar a prospeção no terreno, com urgência e agilidade, porque é onde tudo começa. Sem medir o valor económico e demora de tempo, não haverá minas em Portugal», argumentou.

Perante os elementos do Governo, Humberto Costa Leite explicou que a ALMINA «tem uma fatura mensal superior a dois milhões de euros» em custos energéticos, pedindo ao Governo «decisões de longo prazo e corajosas» nesta área.

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