Há um novo Caminho de Santiago certificado que atravessa o Minho e dois Patrimónios da Humanidade
O Caminho de Torres, que liga Sernancelhe (Viseu) a Valença, seguindo depois para Santiago de Compostela, acabou de ser certificado pelo Governo, de acordo com uma portaria que foi publicada hoje em Diário da República.
Para o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que falou à margem da sessão de abertura das Jornadas Europeias da Cultura, em Barcelos, este é um marco “importante” na “construção turística e cultural” do Norte de Portugal.

O novo Caminho Português de Santiago, que se junta a outros já certificados (Central, Litoral e Interior) em território nacional, tem uma extensão de 180,49 quilómetros e atravessa 15 municípios: Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tarouca, Lamego, Peso da Régua, Mesão Frio, Baião, Amarante, Felgueiras, entrando no Minho por Guimarães, seguindo para Braga, Vila Verde, Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valença.

A certificação aponta que existem “condições de segurança, transitabilidade, equipamentos de apoio e informação”.
Registos remontam ao século XII
Na portaria, o Governo sublinha a antiguidade do itinerário e do uso consistente até ao presente que se encontra documentada por uma “rigorosa pesquisa académica, suportada por registos escritos, vestígios arqueológicos e outros bens patrimoniais de relevo”.
“Destaque natural para o relato de Torres Villarroel, peregrino que dá nome ao itinerário, e de outros testemunhos de peregrinações no território atravessado, como os caminhos trilhados por São Gonçalo (séculos XII-XII), as notícias de um peregrino inglês na Sé de Lamego em 1683 ou os testemunhos da peregrinação de João Valente em 1723, que evidenciam a importância e dinâmica histórica deste Caminho”, nota.
O itinerário conta com reconhecidos pontos históricos de peregrinação, com destaque para as “edificações religiosas e civis que se interligam à devoção a Santiago e que servem de testemunho, material e imaterial, da presença de peregrinos e viajantes no itinerário desde a época medieval”.
Dois sítios Património Mundial da UNESCO
Entre os quais, de referir a Sé de Lamego e a sua capela de São Sebastião; o túmulo de São Gonçalo e a ponte sobre o Tâmega em Amarante; o mosteiro de Pombeiro; a imagem de Santa Maria de Guimarães e a colegiada de Nossa Senhora da Oliveira; os conventos de São Francisco e de São Domingos, últimas moradas de São Gualter e do beato Frei Lourenço Mendes, também em Guimarães; a Catedral de Braga; ou a Ponte de Ponte de Lima, um “dos símbolos mais emblemáticos das peregrinações jacobeias em território nacional”.
A dimensão patrimonial do Caminho de Torres é um dos fatores de destaque deste itinerário que atravessa duas unidades classificadas de Património Mundial da UNESCO – o Alto Douro Vinhateiro e o Centro Histórico de Guimarães – passando ainda por outras áreas de “relevância nacional e internacional, elementos de referência que conferem ao itinerário uma multiplicidade de pontos de especial interesse, essencialmente pelo seu valor histórico, cultural, geográfico, paisagístico e territorial”.
O Governo aponta ainda outras manifestações de cultura imaterial e práticas de culto relacionadas com o Caminho de Santiago, bem como a interessante proposta de “caminho literário” associado a este itinerário, marcado pela sua proximidade aos espaços habitados por alguns dos autores mais relevantes da história cultural portuguesa, como Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, José Leite Vasconcelos, Camilo Castelo Branco ou Aquilino Ribeiro.
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