Guilherme Coelho demonstra preocupação com inclusão da uva em possível tarifa dos EUA
Os Estados Unidos propuseram uma tarifa de importação de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Somada a uma taxa adicional de 12,5% por supostas falhas no combate ao trabalho forçado, a cobrança pode elevar os impostos sobre exportações brasileiras para até 37,5%.
A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ainda está em fase de negociação e consulta pública e só deve entrar em vigor em 15 de julho caso não haja acordo entre os dois países.
Em entrevista à Rádio Jornal nesta sexta-feira (5), o presidente do Conselho de Administração da Embrapa, Guilherme Coelho, afirmou que parte da fruticultura brasileira escapou da proposta tarifária, mas alertou para os impactos sobre a produção de uva do Vale do São Francisco.
“A primeira novidade, que é uma excelente novidade para nós aqui do Vale do São Francisco, chama-se manga. A manga não entra nisso”, afirmou.
Segundo Coelho, frutas como goiaba, abacaxi, abacate, mamão, banana e kiwi também ficaram fora da lista de produtos que poderão ser atingidos pelas novas tarifas. A principal preocupação do setor está concentrada na uva, uma das principais culturas exportadas pela região para o mercado norte-americano.
“O que entra e aperreia muito a gente é a uva. Porque a Califórnia também produz uva e produz fortemente uva. Então, isso é um protecionismo dos Estados Unidos”, declarou.
Para o dirigente, a cobrança adicional pode comprometer a competitividade do produto brasileiro justamente no período em que os produtores se preparam para iniciar novos embarques aos Estados Unidos.
Confira a entrevista completa:
Negociação e papel da Embrapa
Coelho afirmou que acompanha as negociações conduzidas pelo governo federal para tentar evitar a entrada em vigor das tarifas. Segundo ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin tem liderado as conversas com as autoridades americanas em busca de uma solução para o impasse comercial.
“Estão conversando, estão negociando e vamos ver se isso acalma”, disse.
Durante a entrevista, o ex-presidente da Abrafrutas também falou sobre sua nova função à frente do Conselho de Administração da Embrapa e destacou a contribuição da empresa para o desenvolvimento da agricultura brasileira nas últimas décadas.
“A gente tem que se lembrar que, em 1970, a gente era importador de alimentos. Hoje, nós exportamos alimentos”, afirmou.
Coelho ressaltou ainda que a pesquisa agropecuária precisa continuar chegando aos produtores de todos os portes e citou exemplos de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa que ajudaram a transformar áreas antes consideradas improdutivas em polos agrícolas.
“A pesquisa tem que chegar e servir para o pequeno, médio e grande agricultor. Não adianta fazer pesquisa se não chegar na ponta”, declarou.


© BETO FIGUEIRÔA/ACERVO JC IMAGEM