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Fachin cria grupo de trabalho para rever 'penduricalhos' de juízes

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, publicou uma portaria, nesta sexta-feira, 5, que cria um grupo de trabalho para discutir a remuneração dos magistrados brasileiros.

A medida vem na esteira de iniciativas de Fachin para tentar enfrentar o tema dos "penduricalhos" dos salários de juízes. Esses extras permitem remuneração muito acima do teto constitucional e são fontes de críticas ao Poder Judiciário. Um levantamento do CNJ identificou a existência de mais de 500 registros de "penduricalhos", pagos com nomes distintos.

O objetivo do grupo de trabalho será "realizar estudos sobre propostas legislativas acerca da remuneração da magistratura e seus reflexos no aperfeiçoamento do sistema remuneratório do serviço público nacional".

Com isso, Fachin pretende "superar os obstáculos para a construção de um sistema remuneratório que atenda aos princípios republicanos de relevo para a questão" e apresentar uma "solução de longo prazo que gere uma disciplina remuneratória consentânea com os princípios constitucionais".

Pelos próximos seis meses, a comissão deverá analisar propostas voltadas à uniformização, padronização, transparência e previsibilidade das parcelas remuneratórias do Judiciário.

Na justificativa apresentada para a criação do grupo, Fachin destacou que o atual sistema de pagamentos, criado em 1998, tem problemas que vão da ausência de revisão anual até a falta de uniformidade nos diferentes tribunais.

Segundo ele, isso gerou um "cenário de desigualdades, insegurança jurídica, falta de publicidade e, o mais grave, utilização de subterfúgios conceituais dissociados da realidade".

"Em outras palavras: utilização de verbas indenizatórias com efeitos de verbas remuneratórias objetivando superar a defasagem do teto remuneratório. Na esteira da má solução, o reconhecimento de passivos funcionais nem sempre devidamente amparados na adequada interpretação das normas previstas no ordenamento jurídico", escreveu o ministro.

Na última sessão do CNJ, em maio, o plenário aprovou proposta de Fachin que implementa um contracheque único para magistrados e magistradas de todos os tribunais do País.

O texto obriga os tribunais a adotarem uma nomenclatura padronizada para todas as rubricas remuneratórias e cria a Tabela Remuneratória Unificada (TRU).

O grupo de trabalho terá um comitê executivo composto pelos seguintes membros, definidos por Fachin:

- Francisco José Rodrigues de Oliveira Neto, Desembargador Auxiliar da Presidência do CNJ, coordenador

- Paula Fernanda de Souza Vasconcelos Navarro, Juíza Auxiliar da Presidência do CNJ, secretária;

- Clara da Mota Santos Pimenta Alves, secretária-geral do CNJ;

- Paulo Marcos de Farias, Secretário de Estratégia e Projetos do CNJ;

- Lizandro Garcia Gomes Filho, Juiz Auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça.

- Terá ainda representantes do Conselho Nacional do Ministério Público, da Defensoria Pública da União, do Conselho Superior da Defensoria Pública dos Estados, da Advocacia Pública da União, do Colégio Nacional de Procuradores-Gerais dos Estados e do Distrito Federal, da Câmara dos Deputados, do Senado, do Executivo e do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

© Fatima Meira /Ag.Enquadrar

Texto foi apresentado pelo presidente do CNJ e STF, Edson Fachin
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UE confirma veto à importação de carnes do Brasil a partir de setembro

A União Europeia confirmou o veto para a compra de carnes do Brasil a partir de 3 de setembro. De acordo com comunicado assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, a medida atinge bovinos, equídeos (cavalos), aves, aquicultura (peixes), mel e tripas.

Em maio, a UE já havia retirado o Brasil de uma lista de países aptos a realizar a exportação desses produtos para o bloco. Os países europeus exigem que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de uso de antimicrobianos - como antibióticos, por exemplo - nas criações.

Segundo o documento, o Brasil não chegou a apresentar as informações que garantem que medidas sanitárias eficazes tenham sido implementadas. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas à UE.

Procurados, os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores do Brasil não haviam se manifestado até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

"A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3º do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias", diz documento publicado no Jornal Oficial da União Europeia.

"A menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente regulamento", complementa o texto.

No final de maio, o governo brasileiro apresentou informações adicionais sobre as questões sanitárias envolvendo a exportação desses produtos. Uma reunião chegou a ser realizada entre a equipe técnica do Ministério da Agricultura e a Direção Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Santé), apurou o Estadão.

No encontro virtual, segundo interlocutores, o Brasil apresentou parte das informações adicionais exigidas pelo bloco europeu. Outra remessa de documentos e informações estava sendo preparada, mas não havia prazo para o envio.

As novas garantias precisavam comprovar que o governo brasileiro era capaz de atestar que as carnes enviadas ao bloco cumprem o regulamento de antimicrobianos, lançado em 2023.

As informações, de cunho sanitário, respondem a critérios já indicados em documentos anteriores enviados pela UE ao Brasil, segundo interlocutores que acompanham as tratativas.

As exigências vão no sentido de o Brasil comprovar que pode assegurar que as proteínas e produtos de origem animal exportados ao bloco, sobretudo a carne bovina, não são produzidos com uso de determinados antimicrobianos.

As questões envolvem a segregação da produção e que o governo assegure os protocolos privados quanto ao uso de antimicrobianos, sobretudo antibióticos promotores de crescimento. Na prática, produtores e indústria precisam assegurar que não usam os produtos especificados, e o governo, por sua vez, garantir a fiscalização quanto ao não uso e de que o setor privado cumpre as normas.

 

© Divulgação / ABIEC

Filipinas, Cuba e Coreia do Sul abrem mercados para carnes e castanhas do Brasil
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Tubarões em Pernambuco: um raio-x definitivo sobre causas e responsabilidades

Trinta anos de registros mostram um ciclo que se repete. Ataques geram ações, ações perdem fôlego e o problema continua sem solução definitiva

A cada novo ataque de tubarão no litoral pernambucano, o mesmo ciclo se repete. O governo convoca reunião de emergência e anuncia ações. A população se apavora e para de entrar no mar. Os pesquisadores voltam a dizer o que já dizem há décadas. E, passada a comoção, tudo volta ao ritmo anterior. Até o próximo ataque.

Não é um fenômeno recente nem exclusivo de uma gestão. Desde 1992, quando Pernambuco começou a registrar oficialmente os incidentes, esse padrão atravessa governos. O litoral muda pouco. Os tubarões continuam. E a política pública segue sem a continuidade que os pesquisadores pedem há trinta anos.

O ano de 2026 chegou já pesado. Em 9 de janeiro, houve um ataque em Fernando de Noronha. Em 29 de janeiro, Deivson Rocha Dantas, 14 anos, foi mordido na Praia Del Chifre, em Olinda, e morreu. Del Chifre acumula seis casos registrados, incluindo dois óbitos. Em 31 de maio, João Lucas Nemézio, 11 anos, perdeu a perna esquerda após ser atacado por um tubarão-cabeça-chata em Piedade, Jaboatão dos Guararapes.

No dia seguinte, Marcela Santos, 19 anos, foi atacada por um tubarão-tigre de cerca de três metros em Boa Viagem, no Recife, e teve a perna direita arrancada pelo animal. Os dois seguem internados na enfermaria do Hospital da Restauração em situação que requer cuidado. São o 83º e o 84º registros do Cmit desde 1992.

"Não estou surpresa", diz a oceanógrafa e professora da UFRPE, Rosângela Lessa, ex-presidente do Cmit entre 2012 e 2014. "A probabilidade depois de 11 anos sem monitoramento era muito grande. A gente só fala quando tem ataque. Para que não aconteça, precisamos diminuir a probabilidade. Não é uma coisa que se faz agora e depois passa 11 anos sem fazer", critica.

Para o pesquisador Jonas Rodrigues, da UFRPE, que estuda os incidentes desde 2007, o problema central é a ausência de uma política permanente. "Por que só se ativa o monitoramento depois dos casos? O poder público não pode ser reativo. A gente precisa parar com isso", pontua.

As placas e as correntes

Tarciso Augusto/Semas
Edital de Monitoramento de Tubarões no Litoral de Pernambuco terá investimento de R$ 1 milhão - Tarciso Augusto/Semas

Em 2025, após os ataques de 2023, o governo de Pernambuco instalou 150 novas placas de alerta ao longo dos 33 km de litoral de risco entre o Cabo de Santo Agostinho e Olinda. As placas foram colocadas, mas continuam com o mesmo padrão visual uniforme para toda a costa, sem distinguir os trechos por nível de risco.

Desde 2014, Rosângela Lessa defende um sistema de sinalização diferente, com cores distintas para cada grau de perigo ao longo da orla. A proposta surgiu num simpósio internacional realizado no Recife com participação de pesquisadores australianos. "Não é uma coisa difícil. É simples. Tem que ter muita vontade política", diz ela.

Há outro elemento que ainda não chegou às praias. Jonas Rodrigues mapeou, em sua tese de doutorado, 14 correntes de retorno fixas no litoral da Região Metropolitana do Recife. O cruzamento com os dados históricos do Cmit revelou que 42% de todos os ataques registrados ocorreram nas áreas dessas correntes.

O Corpo de Bombeiros já utiliza bandeiras coloridas para indicar grau de risco nas praias, mas o plano de divulgação em massa dessas bandeiras, elaborado em conjunto com pesquisadores, nunca foi aprovado.

"A placa se torna parte da paisagem e ninguém vê mais. Uma das medidas mais simples seria sinalizar as correntes de retorno. Isso ainda não existe", afirma Rodrigues. Ele também aponta que as dez medidas oficiais de segurança do litoral pernambucano não são revisadas desde 2004. "São boas medidas, mas precisam de atualização. A sinalização das correntes de retorno deveria ser a 11ª", sugere.

A secretária executiva do Cmit, Danise Alves, informou que projetos apoiados pela Facepe estão desenvolvendo estudos sobre novas estratégias de sinalização e comunicação de risco, sem prazo informado para implementação. 

Thiago Lucas/Artes JC
Ilustrações mostram característica própria do mar no Grande Recife, favorecendo a presença de tubarões - Thiago Lucas/Artes JC
Thiago Lucas/Artes JC
Ilustrações mostram característica própria do mar no Grande Recife, favorecendo a presença de tubarões - Thiago Lucas/Artes JC
Thiago Lucas/Artes JC
Ilustrações mostram característica própria do mar no Grande Recife, favorecendo a presença de tubarões - Thiago Lucas/Artes JC
Thiago Lucas/Artes JC
Ilustrações mostram característica própria do mar no Grande Recife, favorecendo a presença de tubarões - Thiago Lucas/Artes JC
Thiago Lucas/Artes JC
Ilustrações mostram característica própria do mar no Grande Recife, favorecendo a presença de tubarões - Thiago Lucas/Artes JC
Thiago Lucas/Artes JC
Ilustrações mostram característica própria do mar no Grande Recife, favorecendo a presença de tubarões - Thiago Lucas/Artes JC

A praia e a economia

Desde 1999, um decreto estadual proíbe surfe e esportes náuticos num trecho de 33 km do litoral metropolitano. Um segundo trecho, de cerca de 2 km em Piedade, é proibido ao banho. Jonas Rodrigues defende ampliar o modelo, mas de forma temporária e baseada em dados.

"A proposta é interditar nos períodos em que a probabilidade de incidente é maior, como quando a água está turva, o período é chuvoso, os ventos são fortes, a maré está alta. A gente tem todos esses dados. Depois, liberar", destaca ele.

O argumento de que o fechamento prejudica a economia local, segundo o pesquisador, já foi testado na prática. "A interdição de Piedade, acabou com o comércio? Não. Todo mundo sobreviveu e até aumentou. Os barraqueiros se reinventaram, botaram piscininhas, chuveirinhos. A maioria das pessoas que vão às praias do Recife vão consumir o caldinho, tomar sua cerveja. Essa economia não vai parar", defende.

Rosângela Lessa concorda que o medo de impactar o turismo tem pesado mais do que deveria. "A questão dos tubarões é um trauma para quem está no governo. As pessoas não querem tomar medidas que chamem muita atenção. Mas prejudica mais quando ocorrem os incidentes", observa.

Em 2013, a pesquisadora integrou uma proposta de campanha com cartazes nos ônibus voltada ao público que frequenta Boa Viagem vindo de outros bairros. Foi rejeitada por considerar que chamaria atenção demais para o problema.

O Cmit informou que eventuais revisões de áreas de restrição dependem de avaliações técnicas e de articulação com os municípios competentes, e que qualquer nova medida restritiva deverá ser fundamentada em evidências científicas.

O repelente que virou desafio

Em 2023, o governo de Pernambuco anunciou a aquisição de um dispositivo repelente elétrico, o Shark Shield, para uso pelos guarda-vidas. O equipamento não foi comprado. Em 2025, o tema foi incluído no Desafios Gov, plataforma de inovação aberta do estado, com uma pergunta para startups sobre como desenvolver ferramentas de repelência. Nenhuma solução foi contratada.

"Desde 2011 a gente fala de repelente de tubarão. Em 2014 fizemos o quinto simpósio internacional sobre o assunto. Até hoje está parado", diz Jonas Rodrigues.

O professor Paulo Oliveira, da UFRPE, pondera que nenhum repelente disponível no mercado oferece 100% de eficácia. "O fabricante informa 20%, 30%, 40%. Faz diferença porque você ganha aquele percentual, mas tem o restante que pode acontecer", diz. Para ele, nenhuma tecnologia substitui o monitoramento e a educação ambiental.

Danise Alves explica que o tema segue sendo acompanhado pelo governo do Estado e pelo Cmit, e que a iniciativa no Desafios Gov busca estimular soluções inovadoras para a segurança dos guarda-vidas. Não há previsão de contratação.

Thiago Lucas/ Artes JC
TUBARÃO - Thiago Lucas/ Artes JC

Os equipamentos dos bombeiros

Entre as ações dos últimos anos, o governo adquiriu motos aquáticas, botes infláveis, drone operacional, reboques e micro-ônibus para o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, com o objetivo de ampliar a capacidade operacional e modernizar os meios de salvamento, "detalha Danise.

Jonas Rodrigues reconhece os avanços, mas lembra que em 2014 pesquisadores elaboraram um plano para usar helicóptero no resgate de vítimas diretamente para o Hospital da Restauração, reduzindo o tempo de socorro. O plano nunca saiu do papel. "Recife foi considerada a capital da morte por incidentes com tubarões porque a demora no socorro era tão grande que a vítima não conseguia ser salva", diz.

Os investimentos e o que falta

BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Barco Sinuelo que monitorava e pesquisava ataques de tubarão no Estado de Pernambuco, encontrá-se abandonado na Bacia do Pina. - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

Desde 2023, o governo de Pernambuco informa ter investido R$ 8,3 milhões em ações de prevenção, incluindo pesquisa, educação ambiental, sinalização e equipamentos. O montante cresceu em relação aos R$ 5,5 milhões inicialmente anunciados, sem detalhamento do que entrou na conta adicional.

Entre os resultados apresentados pelo Cmit estão a criação de uma Rede de Educadores Ambientais com mais de 60 participantes, a implantação do Centro de Educação Ambiental de Jaboatão dos Guararapes e o financiamento de 14 projetos de pesquisa e inovação pelos editais da Facepe. Danise destacou que as ações incluem materiais educativos, aplicativos, ferramentas digitais e exposições interativas voltadas à segurança aquática.

A comparação com outros países é desfavorável quando se trata especificamente de programas de monitoramento. Dados apresentados pelo pesquisador Fábio Hazin (falecido em 2021), que coordenou o programa de monitoramento até 2014, mostravam que a Austrália investe cerca de R$ 5 milhões por ano em seu programa de proteção de banhistas e a África do Sul, R$ 7 milhões por apenas 20 km de costa monitorada.

O programa de monitoramento de Pernambuco operava com R$ 1,5 milhão. "A questão dos tubarões precisa ser colocada como prioridade absoluta do Estado. Porque se as pessoas não querem prejudicar o turismo, prejudica mais quando ocorrem os incidentes", afirma Rosângela .

Em 2023, o governo lançou o PEAST-PE com 30 ações prioritárias. Questionado sobre o andamento detalhado de cada uma, o Cmit informou que o plano está em execução com 50 ações estratégicas, vigência até 2028, e apresentou resultados gerais.

"Vai em dois meses procurar se essas ações estão sendo desenvolvidas depois dos ataques. Só na hora do holofote para dizer que está fazendo alguma coisa", diz Jonas Rodrigues.

O pesquisador fundamenta a crítica em sua própria tese de doutorado, que analisou as atas do Cmit entre 2004 e 2012. "Quanto maior a transparência, melhores foram as ações desenvolvidas. Quanto mais se esconde o problema, pior ele é tratado", analisa.

O porto de Suape foi procurado sobre o destino dos recursos anunciados em 2023 para pesquisas sobre tubarões. A assessoria informou que as respostas sobre incidentes com tubarões estão sendo centralizadas pelo Cmit. O convênio tripartite firmado entre Suape, Facepe e Semas registra R$ 1 milhão.

Léo Freitas/ACERVO JC Imagem
Com registros de incidente e riscos constantes, a solução para a população é conviver de forma adequada com o mar - Léo Freitas/ACERVO JC Imagem
Artur Borba/JC Imagem
Com registros de incidente e riscos constantes, a solução para a população é conviver de forma adequada com o mar - Artur Borba/JC Imagem
REPRODUÇÃO
Com registros de incidente e riscos constantes, a solução para a população é conviver de forma adequada com o mar - REPRODUÇÃO
LÉO FREITAS /JC IMAGEM
Com registros de incidente e riscos constantes, a solução para a população é conviver de forma adequada com o mar - LÉO FREITAS /JC IMAGEM
TARCISO AUGUSTO/SEMAS
Com registros de incidente e riscos constantes, a solução para a população é conviver de forma adequada com o mar - TARCISO AUGUSTO/SEMAS
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Com registros de incidente e riscos constantes, a solução para a população é conviver de forma adequada com o mar - RENATO RAMOS/JC IMAGEM

Aprender a conviver

Os pesquisadores são unânimes num ponto: o tubarão não é o vilão da história. "É um animal selvagem que está no seu ambiente. Dizer que é o culpado não é bem verdade", diz Jonas Rodrigues. Tampouco o banhista carrega sozinho a responsabilidade. "Não dá para colocar a culpa somente na população. O governo tem um papel. As instituições precisam estar à frente, mostrar que o problema existe e está sendo tratado", defende.

A responsabilidade é compartilhada. O estado define as políticas, fiscaliza e financia. Os municípios respondem pela gestão da orla e pela comunicação com quem frequenta as praias. O banhista precisa de informação de qualidade para fazer escolhas seguras.

"A gente não vai acabar com esses animais? Nem é a nossa vontade. O que precisamos é criar a melhor forma de convivência. Ordenar a região costeira. Usar os dados que já existem. Não esperar o próximo ataque", alerta.

Trinta anos depois do primeiro registro, o litoral pernambucano ainda aguarda o que os pesquisadores chamam de política de Estado contínua, financiada e independente do calendário dos ataques.

© Pixabay

Desde 1992, Pernambuco registrou 84 ataques de tubarão, com prevalência para as praias de Boa Viagem e Piedade
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Irã denuncia 'violação de cessar-fogo' depois de ataques dos EUA

O Irã denunciou, neste sábado, 6, ataques noturnos americanos contra instalações de radar e de vigilância costeira no Golfo e os qualificou de uma "violação flagrante do cessar-fogo" em vigor desde 8 de abril.

Trata-se de "uma agressão militar contra a soberania nacional e a integridade territorial da república islâmica do Irã", afirmou o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado, no qual condenou "o comportamento hostil e provocador do regime americano".

Ataques do Irã

O comunicado foi divulgado depois de o Exército americano ter apontado que abateu mísseis balísticos e drones iranianos em direção ao Estreito de Ormuz e aliados árabes do Golfo. Washington também admitiu ter atacado radares de vigilância de Teerã.

Apesar da interceptação americana, o Irã conseguiu atacar países do Golfo nos últimos dias, como o Kuwait e o Bahrein.

O Ministério das Relações Exteriores do país do Golfo classificou os ataques como uma "grave escalada" e uma "flagrante violação de sua soberania".

O Comando Central dos EUA informou nas redes sociais na noite de sexta-feira, 5, que o Irã disparou sete mísseis balísticos em direção ao Kuwait e ao Bahrein. As forças americanas interceptaram seis dos mísseis e o sétimo não atingiu o alvo. Os militares disseram que não houve relatos de feridos entre os militares americanos.

As forças armadas do Kuwait disseram que estavam interceptando mísseis e drones que atacavam o país, enquanto o Bahrein acionou sirenes de alerta aéreo e orientou os moradores a se deslocarem para o local seguro mais próximo e a seguirem as instruções oficiais.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter como alvo a base aérea de Ali Al Salem, que abriga forças americanas no Kuwait, e a 5ª Frota da Marinha dos EUA na pequena nação insular do Golfo, o Bahrein, de acordo com a agência de notícias estatal IRNA.

Bloqueio

As forças armadas dos EUA estão impondo um bloqueio aos portos iranianos em resposta ao controle de Teerã do Estreito de Ormuz, corredor crucial para os embarques globais de petróleo e gás natural.

A habilidade do Irã de controlar a passagem estratégica fez com que os preços da energia disparassem e criou problemas políticos para o Partido Republicano do presidente Donald Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato.

As negociações para um acordo mais abrangente que acabe com a guerra de forma definitiva estão travadas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

 

© Reprodução do X / @CENTCOM

Irã denuncia 'violação de cessar-fogo' depois de ataques dos EUA
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Haddad: precisamos cooperar com EUA, sem subordinar interesse brasileiro

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), defendeu a cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado, mas afirmou que não se pode "subordinar o interesse nacional brasileiro ao interesse nacional americano". As declarações foram feitas em entrevista ao podcast 3 Irmãos, publicado neste sábado, 6.

"Uma cooperação com os Estados Unidos é essencial, porque o nosso problema está lá também. O dinheiro do crime organizado está sendo lavado nos Estados Unidos, as armas para o crime organizado do Brasil estão vindo dos Estados Unidos, então nós precisamos encontrar um jeito de cooperar com eles. O que não podemos é subordinar o interesse nacional brasileiro ao interesse nacional americano", afirmou.

Haddad disse ainda que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), errou ao não cooperar com a União no combate ao crime organizado. Ele destacou que a primeira medida que tomará, caso eleito, será colaborar com o presidente para inserir um capítulo sobre segurança pública na Constituição.

"O erro de São Paulo foi não liderar cooperativamente com a União o combate ao crime organizado. Ao contrário, sabotaram tanto a lei Antifacção quanto a tramitação da PEC da Segurança Pública", disse Haddad.

"Então, a primeira medida que eu vou tomar é sentar com o presidente e falar: vamos fazer um capítulo na Constituição sobre Segurança Pública. A educação tem, a seguridade social tem, a cultura tem, o esporte tem, e a segurança não tem", acrescentou.

 

© DIVULGAÇÃO/GOVBR

Fernando Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT
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CNI/Nexus: Profissional prefere salário maior e estabilidade a jornada reduzida

Uma pesquisa realizada pela Nexus divulgada nesta sexta-feira, 5, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que salário, estabilidade e perspectiva de crescimento são os fatores mais valorizados na profissão que o trabalhador brasileiro quer exercer nos próximos cinco anos. Segundo o levantamento, 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como o principal diferencial da ocupação desejada. Outros 22,4% assinalaram a estabilidade no emprego, enquanto 20,1% apontaram a perspectiva de crescimento na carreira.

O levantamento mostra que esses fatores superaram, por exemplo, a flexibilidade do horário de trabalho (19,3%), a possibilidade de trabalhar de casa/home office (15,9%) e a jornada de trabalho reduzida (9,8%).

"Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada", avaliou a especialista em Políticas e Indústria da CNI Claudia Perdigão. Na análise da especialista, essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador e é o que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo.

A pesquisa ouviu 2.008 pessoas a partir de 16 anos, nos 26 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025.

Os trabalhadores também listaram os obstáculos para alcançar as aspirações profissionais. Segundo 22% dos entrevistados, o maior entrave é a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições. Para 17,6%, a segunda principal barreira é a falta de experiência prática suficiente, enquanto 16,9% apontam a falta de oferta de cursos de formação exigidos pelo mercado na região onde vivem como o terceiro maior empecilho.

Completam a lista de principais entraves a necessidade de cuidar de parentes (16,1%); a falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%); a falta de informação sobre vagas disponíveis (11,9%); e a discriminação por parte dos empregadores (8,3%).

Brasileiro prefere CLT

A 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira revelou que mais de um terço (36,3%) das pessoas que estavam ocupadas e buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa apontaram o emprego formal, regido pela CLT, como o tipo de oportunidade mais atrativa. A preferência pelo emprego formal foi ainda maior entre os jovens, alcançando 41,4% dos brasileiros de 25 a 34 anos que estavam trabalhando e procuraram uma nova oportunidade no período.

O estudo também mostrou que um em cada dez brasileiros que estava ocupado e procurou emprego no mês anterior à pesquisa classificou como atrativas as oportunidades de trabalho autônomo em plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de aplicativo. No entanto, somente 30% dos que demonstraram interesse em trabalhar por meio de plataformas digitais veem nessa modalidade de emprego a principal fonte de sustento.

Além disso, 95% dos entrevistados se declararam satisfeitos com o emprego atual, sendo 70% muito satisfeitos.

© DIVULGAÇÃO

Mais de um terço (36,3%) apontaram o emprego formal, regido pela CLT, como o tipo de oportunidade mais atrativa
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Violência contra a mulher: 225 mil medidas protetivas concedidas no Brasil em 2026

O Judiciário brasileiro aumentou o número de medidas protetivas de urgência (MPU) e foi mais ágil nas decisões, no primeiro quadrimestre deste ano. É o que aponta um levantamento divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

Entre janeiro e maio de 2026, juízes concederam 225.535 MPUs para mulheres no país e homologaram outras 412 que foram concedidas pela polícia. Os números superam o resultado alcançado no mesmo período de 2025, quando foram concedidas 214.868 medidas e homologadas outras 393. 

Segundo o CNJ, o pedido de medidas protetivas foi analisado no mesmo dia em 53% dos casos. A resposta foi dada no dia seguinte em 32%, enquanto em 5% dos pedidos a decisão foi apresentada em até dois dias. Em 2020, o tempo médio para essa apreciação era 14 dias.

Atualmente, o CNJ recomenda aos tribunais brasileiros que decisões referentes à medidas protetivas sejam dadas no prazo máximo de 48 horas. Em 10% dos pedidos registrados no primeiro quadrimestre deste ano, esse tempo foi superior. 

O CNJ afirmou que vem acompanhando a estruturação dos fluxos e a velocidade das respostas do Judiciário brasileiro. 

"O Conselho vem discutindo com as cortes estaduais os fluxos utilizados para recebimento, distribuição e análise das medidas, as estratégias adotadas localmente, e a possibilidades de padronização e aprimoramento de procedimentos", informou.

Nos casos de MPUs analisadas com tempo superior a 48 horas, o diagnóstico identificou que ainda há problemas estruturais, como falhas de registro processual e limitações dos sistemas tecnológicos. 

Na avaliação do CNJ, esse levantamento indicou que a efetividade das medidas protetivas depende de toda a cadeia processual e que já existe um conjunto de soluções que pode ser ampliado nacionalmente para melhorar a proteção às mulheres. Uma publicação será feita para servir de instrumento de gestão e disseminação de boas práticas. 


© Ana Araújo/Agência CNJ de Notícias

CNJ recomenda aos tribunais o prazo de até 48 horas para decisão sobre pedido de medida protetiva de urgência
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Terezinha Nunes: A influência que Lula pode ter na eleição de Pernambuco

“É melhor um pássaro na mão do que dois voando” diz a sabedoria popular, o que acontece na política quando alguém tem possibilidade de conseguir mais votos se mantiver vários apoios, mesmo de partidos ou pessoas antagônicas, mas acaba sendo obrigado, pelas circunstâncias ou para evitar dores de cabeça, a optar por apenas um, correndo um risco que nenhum político gosta de correr que é o de perder a eleição.

Esse ditado foi citado esta semana por um deputado governista na Assembleia Legislativa, referindo-se ao pedido feito ao presidente Lula há 15 dias, pelo ex-prefeito João Campos (PSB) para ele estar mais presente em Pernambuco e ajudar a garantir a vitória da Frente Popular na eleição deste ano.

Até as pombas que costumam pousar no Palácio do Campo das Princesas, onde despacha a governadora Raquel Lyra (PSD), e no Palácio Capibaribe, onde despachava o próprio João Campos, sabem que o Palácio do Planalto trabalha para o presidente não aparecer em Pernambuco no primeiro turno da campanha e ampliar o seu percentual de votos junto a partidários da governadora e do ex-prefeito.

Foi o próprio Lula que, em ato falho ou não, chegou a se referir a isso em evento do PT na Bahia, no início de 2025, dando como exemplo a eleição de 2006 quando subiu nos palanques de Humberto e de Eduardo Campos, uniu os dois no segundo turno e a Frente Popular elegeu Eduardo.

Dificuldade para transferir votos

É difícil saber a esta altura se Lula vai seguir a proposta de João Campos, mas nos meios políticos a possibilidade de o presidente vir ao estado ajudar o ex-prefeito provocou discussões sobre a força que ele poderia ter para estancar o crescimento recente de Raquel Lyra, que ultrapassou João na última pesquisa da Datafolha.

Um deputado estadual veterano chegou a lembrar que, embora seja imbatível em seu estado, Lula não tem sido muito exitoso na hora de transferir votos para as pessoas que apoia.

Os exemplos são muitos, apesar de em 2022 a atual senadora Teresa Leitão ter se elegido usando o slogan “senadora de Lula” em uma chapa na qual o candidato a governador do PSB, Danilo Cabral, acabou na quarta colocação não conseguindo passar para o 2º turno.

Um dos exemplos citados é o próprio PT pernambucano, que elegeu João Paulo do PT prefeito do Recife por dois mandatos e nunca mais teve condições de vencer eleições para o Executivo.

O próprio Humberto Costa (PT), com apoio de Lula que veio à capital na época, acabou em terceiro lugar na eleição para prefeito do Recife em 2012, quando o vencedor foi Geraldo Júlio (PSD) e o segundo lugar ficou com Daniel Coelho (PSD).

Com Lula, Armando e João Paulo não venceram em 2014

Em 2014, após a morte de Eduardo Campos, Lula apoiou Armando Monteiro (Podemos) para governador e João Paulo para senador, mas os eleitos foram Paulo Câmara e Fernando Bezerra Coelho (MDB).

Em 2020, quando Marília Arraes (PDT) foi candidata pelo PT a prefeita do Recife e enfrentou João Campos, candidato do PSB, o apoio de Lula também não foi suficiente para dar a vitória a Marília, e João acabou eleito em um pleito no qual atacou, duramente, os petistas.

Em 2022 Marília se candidatou a governadora, venceu bem o primeiro turno – o candidato de Lula era Danilo Cabral – e no segundo turno Lula não só a apoiou como comandou uma enorme passeata no centro do Recife tentando ajudá-la. Mas foi Raquel Lyra que saiu vencedora.

O cientista político pernambucano Adriano Oliveira, da Cenário Inteligência e especialista em pesquisas qualitativas com atuação em todo o Nordeste, diz que os levantamentos realizados mostram que para grande parte dos eleitores a eleição para governador é avaliada a partir da realidade local e do desempenho da gestão estadual. Por isso, entende que nem o lulismo e nem o bolsonarismo podem reverter isso.

O que vale é o plano local

Para ele, independente de quem seja o candidato a presidente ou o presidente de mandato que apoie um nome para o Governo do Estado “governantes bem avaliados tendem a chegar mais fortes no processo eleitoral. Quando predomina a percepção de que o estado melhorou e o governador mantém elevados níveis de aprovação suas chances de sucesso eleitoral aumentam significativamente”.

Outro achado recorrente nas pesquisas qualitativas, explica, é a força do sentimento de “seguir em frente” e da percepção de que “o governador ainda tem tempo para fazer mais”. "Quando esses sentimentos estão presentes de forma intensa no eleitorado, a oposição encontra dificuldades para construir uma narrativa de mudança e ampliar sua competitividade eleitoral."

Eleitor direcionado para entregas

A cientista política Priscila Lapa tem o mesmo pensamento de Adriano Oliveira e adverte para uma “aposta excessiva na nacionalização do pleito que pode cegar os candidatos em relação a outras estratégias”.

No seu entendimento, "os altos índices de aprovação de Raquel Lyra já mostram que o eleitor está direcionando seu olhar para as entregas locais, para aquilo que está impactando seu bem estar imediato. Possivelmente o pleito de governador será uma comparação de performances e de capacidade de gestão no âmbito local. Claro que o pano de fundo nacional, de alguma forma, influencia nessa avaliação que o eleitor faz no âmbito local, mas não invalida os tons locais que são predominantes".

© Rodolfo Loepert/Divulgação

João Campos (PSB) pediu ao presidente Lula (PT) para estar mais presente na campanha em Pernambuco
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Amy Winehouse no divã: o que a psicoterapia ensinaria à cantora hoje? Resposta surpreendeu plateia em congresso

PORTO ALEGRE - Amy Winehouse entrou no consultório do terapeuta carregando culpa. A cantora britânica trouxe questões relacionadas ao relacionamento conturbado com Blake Fielder-Civil, ao uso de álcool e drogas, ao medo de ser abandonada e ao sofrimento.

A cena aconteceu na sexta-feira (5), no Brain Congress, em Porto Alegre. Amy não estava realmente ali. Ela morreu em 2011, aos 27 anos. No congresso, a cantora britânica foi interpretada pela psiquiatra Carla Bicca, especialista em dependência química. A mesa-redonda do evento foi transformada em um consultório terapêutico ao vivo. Para interpretar Amy, Carla Bicca recebeu um treinamento do ator João Castanha e do diretor de teatro Marcus Alvisi. 

A partir desse caso fictício, três especialistas demonstraram estratégias utilizadas na prática clínica para lidar com alguns dos desafios mais complexos da psicoterapia. 

A proposta era simples e provocadora: se Amy procurasse ajuda hoje, como diferentes terapeutas trabalhariam seu sofrimento? A resposta revelou muito menos sobre a celebridade e muito mais sobre a condição humana.

Ao longo das interpretações em cena de consultório, os psiquiatras Carlos Alberto Iglesias Salgado e Irismar Reis de Oliveira, ao lado da psicóloga Aline Kristensen mostraram que, por trás dos excessos que tornaram Winehouse conhecida mundialmente, poderiam existir conflitos familiares, medo da rejeição, sentimentos de inadequação e uma dificuldade profunda de se enxergar com compaixão.

Um dos conceitos discutidos foi a ambivalência, que é aquela sensação de querer mudar e, ao mesmo tempo, não conseguir. Segundo os especialistas, muitas pessoas chegam à terapia exatamente assim: uma parte quer abandonar relacionamentos destrutivos, padrões de dependência ou comportamentos que geram sofrimento. Outra parte, porém, teme o desconhecido e se agarra ao que já conhece, mesmo que isso machuque.

LM7/Divulgação
Amy foi interpretada por uma atriz em uma mesa-redonda que transformou o palco em consultório - LM7/Divulgação

Para ilustrar esse processo, Carlos Salgado apresentou o que chamou de "comitê interno" de Amy Winehouse. De um lado, a artista que desejava amor, reconhecimento e expressão por meio da música; de outro, a mulher marcada por sentimentos de inadequação, abandono e pela busca de alívio emocional imediato por meio das drogas.

Segundo o psiquiatra, a ambivalência surge justamente desse embate entre desejos, medos e necessidades contraditórias. Em vez de confrontar a resistência do paciente, a proposta da entrevista motivacional é compreender essas forças em conflito e ajudá-lo a encontrar razões próprias para a mudança.

Em outro momento, a discussão se voltou para a culpa. Ao analisar a história da cantora, os terapeutas propuseram uma pergunta incômoda: até que ponto Amy era realmente responsável por tudo o que deu errado? 

A reflexão levou a uma distinção importante entre culpa e vergonha. A culpa está relacionada ao comportamento. É a sensação de ter feito algo errado. A vergonha é mais profunda. Ela não diz "eu errei". Ela diz "eu sou um erro". 

Para os especialistas, muitas pessoas vivem aprisionadas não pela culpa em si, mas pela crença de que existe algo fundamentalmente defeituoso em quem elas são.

A mesa também explorou um dos temas mais delicados da prática clínica: as rupturas na relação entre paciente e terapeuta.

Desconfiança, medo de rejeição e expectativa de abandono frequentemente, como os sentimentos retratados por Amy, aparecem dentro do próprio consultório. Nesses momentos, explicaram os profissionais, a mudança não acontece apenas pela compreensão racional dos problemas.

Ela acontece quando o paciente vive uma experiência diferente daquela que aprendeu ao longo da vida: quando espera julgamento e encontra acolhimento, quando espera abandono e encontra permanência ou quando espera ser reduzido aos seus erros e encontra alguém disposto a enxergar sua história inteira.

Ao final, a impressão que ficou para a plateia foi curiosa, pois a encenação terapêutica mostrou que a sessão no Brain não foi apenas uma discussão sobre Amy Winehouse. Foi uma representação sobre qualquer pessoa que já permaneceu tempo demais em uma relação que a fazia sofrer, sobre quem carrega culpas que talvez não sejam inteiramente suas e sobre o fato de que mudar nem sempre significa encontrar respostas, mas aprender a fazer perguntas diferentes sobre si mesmo.

*A jornalista faz a cobertura do Brain a convite da organização do congresso.

© LM7/Divulgação

Estratégias foram usadas para mostrar como lidar com desafios complexos das terapias
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Torcidas organizadas: 300 membros envolvidos em confrontos no Grande Recife foram identificados

Cerca de 300 membros de torcidas organizadas envolvidos em confrontos nas ruas do Grande Recife, sobretudo em dias de jogos, foram mapeados, segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Parte desses integrantes está impedida de frequentar os estádios, por meio da identificação nos sistemas de controle e biometria facial. 

O combate à violência promovida por membros das principais torcidas organizadas foi discutido em nova reunião promovida pelo Grupo de Trabalho para a Segurança do Futebol em Pernambuco ((GT Futebol), da Secretaria de Defesa Social (SDS). Representes do MPPE e das polícias Civil e Militar participaram do encontro. 

Um dos assuntos abordados foi o impacto de recentes decisões judiciais que vêm autorizando torcidas organizadas com histórico de violência a ingressarem nos estádios com materiais como bandeiras, camisas e faixas.

Segundo o procurador de Justiça José Bispo de Melo, coordenador do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudtor), o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em fevereiro de 2025 pelos dirigentes dos principais clubes de futebol do Recife prevê, entre outras medidas, restrições ao fornecimento de ingressos e espaços exclusivos para torcidas organizadas que tiveram suas atividades proibidas em razão de episódios de violência.

"Já existem procedimentos administrativos em andamento para verificar o cumprimento das obrigações por parte dos clubes. Caso haja descumprimento, o MPPE poderá executar as cláusulas pactuadas, que preveem multa inicial de R$ 50 mil para cada infração", declarou, na reunião.

Além disso, segundo ele, a entrada de instrumentos musicais e outros materiais das torcidas organizadas permanece proibida. 

"O entendimento de alguns setores é de que uma decisão judicial concedida para uma partida específica teria liberado, de forma geral, a entrada de instrumentos musicais e outros materiais das torcidas organizadas. Isso não corresponde à realidade. A autorização foi concedida apenas para aquele jogo", disse.

MENOS REGISTROS DE VIOLÊNCIA

O procurador ressaltou, no encontro, que houve redução dos episódios de violência nos últimos meses, "em comparação com o cenário registrado no início do ano passado".

Bispo se refere às cenas de selvageria registradas durante confronto entre integrantes das organizadas do Sport e Santa Cruz em 1º de fevereiro de 2025. 

O ato mais violento ocorreu na Rua Real da Torre, na Zona Oeste do Recife, quando integrantes da Jovem do Leão avançaram contra os da Explosão Inferno Coral, que estavam sendo escoltados a caminho do Clássico das Multidões.

 

© Wesley D'Almeida/ @wesleydalmeidafotografo

Maior policiamento nas ruas não impedem as brigas generalizadas e agressões em dias de jogos
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A ilusão do PIB brasileiro: O crescimento artificial e a fatura que chegará amanhã

A divulgação de que o PIB brasileiro do primeiro trimestre apresentou um crescimento de 1,1% pode, à primeira vista, parecer motivo para comemoração. Contudo, na economia, as manchetes costumam esconder os verdadeiros fundamentos estruturais. Ao olharmos os dados por dentro, a euforia inicial rapidamente dá lugar à preocupação: estamos diante de um crescimento de baixa qualidade, impulsionado por anabolizantes estatais e que cobra um preço alto do nosso futuro.

O grande motor desse avanço trimestral foi o consumo das famílias, que registrou uma alta de 1,0% em relação ao trimestre anterior. Mas não nos enganemos: esse apetite não deriva de ganhos reais de produtividade ou de uma expansão orgânica e sustentável da renda.

Injeção do governo federal

Ele foi fortemente turbinado por injeções diretas de recursos do governo, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, os efeitos do programa Desenrola e o salto anual de 12% na concessão de crédito para Pessoas Físicas, um dado que soa como alerta vermelho quando lembramos que a taxa Selic opera no patamar bastante restritivo de 14,75% ao ano. Na prática, as famílias estão se endividando a um custo altíssimo para sustentar o nível de consumo.

Enquanto o consumo é inflado artificialmente, os alicerces do nosso crescimento futuro definham. A Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos produtivos, até apresentou um respiro de 3,5% na margem do trimestre, mas amarga uma queda de 1,4% na comparação anual.

Taxa de investimento despencou

O dado mais crítico aqui é estrutural: a taxa de investimento do Brasil despencou de 17,6% para 16,5% do PIB, um patamar muito baixo para uma economia emergente. Sem o setor privado investindo em máquinas, equipamentos e infraestrutura, a economia perde a capacidade de crescer sem gerar pressão inflacionária.

MIGUEL ÂNGELO/ CNI
No acumulado do ano, a região já soma 20.720 empregos formais, o equivalente a 5,59% do total nacional - MIGUEL ÂNGELO/ CNI

A estagnação do setor produtivo fica ainda mais evidente do lado da oferta. A Indústria de Transformação, que é historicamente o setor que gera os empregos de melhor qualidade técnica e remuneração, ficou completamente parada, com uma variação pífia positiva de 0,1%. Para piorar a fotografia, o setor externo também não ajudou: as nossas exportações recuaram 1,7%, enquanto as importações avançaram 4,4%, subtraindo do resultado final do PIB.

Crescimento lastreado em gasto público

Estamos vivenciando um crescimento puxado quase que exclusivamente pelo gasto público, e não pelo aumento da nossa eficiência ou produtividade. O ciclo criado é perigoso: o governo amplia estímulos e injeta dinheiro, o consumo responde imediatamente elevando a demanda, a inflação encontra resistência para ceder, o Banco Central se vê obrigado a apertar o cinto com juros altos e, na ponta final, o investimento corporativo murcha.

A atual composição da demanda brasileira é estruturalmente frágil. Ela sinaliza, de forma inequívoca, um menor potencial de crescimento para os próximos anos. Comemorar o número cheio desse PIB é fechar os olhos para a dinâmica real das nossas contas. O Brasil cresce hoje, sim, mas de forma completamente artificial. E, como a história econômica não cansa de nos ensinar, a conta dessa ilusão de curto prazo inevitavelmente chega amanhã.

© PIXABAY

Consumo das famílias registrou uma alta de 1% em relação ao trimestre anterior
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João Campos investe na Metropolitana a partir de Jaboatão

Da mesma forma que a governadora Raquel Lyra tem se dividido entre a Região Metropolitana e o Interior, fazendo entregas de obras e serviços com o pé no acelerador pois só pode continuar essa programação até o dia 04 de julho por determinação da legislação eleitoral, o ex-prefeito João Campos começou esta sexta-feira a dividir sua agenda entre o interior e o Grande Recife. E começou por Jaboatão dos Guararapes um movimento importante nesta fase da pré-campanha que é a visita a mercados como o das Mangueiras, em Prazeres, onde muita gente se concentra a partir da quinta-feira.

João chegou ao mercado acompanhado do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa, de Marília Arraes, Elias e Betinho Gomes, dos deputados estaduais Eriberto Filho (PSB) e João Paulo Costa (PV) e de alguns vereadores, sendo dois deles da base da governadora Raquel Lyra. No local, ele promoveu mais um rodada do “Anota Aí”, iniciativa de escuta popular realizada em locais de grande circulação e que foi inaugurada no sertão pelo pré-candidato a governador. As pessoas que se pronunciaram se queixaram de falta de segurança, da assistência à saúde e a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Numa referência indireta à governadora Raquel Lyra ele disse em sua fala: “vai chegar um tempo em Pernambuco, e está muito perto, em que a gente vai ter gente que sabe tirar do papel e fazer com que as coisas aconteçam na Região Metropolitana. A partir do ano que vem, com fé em Deus e no povo, Pernambuco vai ter um governador que trabalha de verdade.” Após a programação jaboatonense, João Campos viajou para o interior onde visitará 10 cidades do sertão e do agreste no final de semana.

PSD chega a 78 prefeitos e aguarda mais

Como informou recentemente este blog, o Palácio do Campos das Princesas tem recebido diariamente prefeitos de oposição querendo se incorporar à campanha da governadora Raquel Lyra. Esta sexta-feira foi a vez da prefeita de Ribeirão, na Mata Sul, Carol Jordão, eleita pelo PSB, ser recebida pela governadora após se filiar ao PSD, mesmo partido da governadora. Outro prefeito que está para se filiar é o de Primavera, também do PSB do ex-prefeito João Campos, Jayson Falcão.

Humberto avança na base de Raquel

O senador Humberto Costa tem conseguido progressos entre prefeitos que apoiam a governadora Raquel Lyra. O mais importante deles, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, fechou parceria com o senador petista e disse que o segundo nome que vai apoiar depende da governadora, mas informou que antes de apoiar Humberto explicou para ela os motivos que o levaram a este gesto. Humberto enviou emendas para Caruaru e sempre esteve presente no município em seu mandato.

Dueire, o tercius?

Depois que a governadora Raquel Lyra deu claros sinais de que vai continuar com a vice Priscila Krause, o nome do senador Fernando Dueire ganhou mais realce na luta pelo Senado. Como a segunda vaga está destinada à Federação União Progressista – a primeira é de Túlio Gadelha – se houver impasse instransponível entre o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União Brasil) Dueire deve ser escolhido como tertius pois tem direito a disputar a reeleição.

PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Afinal, qual vai ser a chapa para o Senado da governadora Raquel Lyra?

© Divulgação

Antes de visita ao Mercado das Mangueiras João Campos se reuniu com comerciantes
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Empreendedorismo no luto: como o atendimento humanizado fortalece pequenos negócios no setor funerário

  “Eu fiquei tão aliviada, Ernani, assim, por saber que ela tava entendendo o processo que eu tava passando. Eu disse: ‘Nossa, Lorena, você pode resolver pra mim?’ Ela disse: ‘Não se preocupe, Viviane, eu resolvo’. Eu me sentia acolhida. Ela teve a sensibilidade de me ouvir, ela teve a sensibilidade de entender o que eu tava passando (...) a empatia”.

A fala acima é de Viviane de Paula. Mãe de Ernani Tavares. Um dos autores desta matéria.

Nesse depoimento, ela relembrava quando não falava apenas como cliente, falava como irmã. Na conversa referenciada (e delicada), ela negociava os trâmites do velório do irmão: Érico Tavares. Ele deixou a família precocemente aos 42 anos de idade.

A dor era deles. E a urgência também. Isso porque, quando alguém morre, a família quase nunca tem tempo para entender o que está sentindo. Antes disso é preciso resolver documentos, velório, flores, pagamento, despedida.

E foi nesse momento onde o luto e a burocracia caminham juntos, que um pequeno negócio funerário revelou o valor de uma simples palavra: acolhimento. A mãe de Ernani precisava de uma coroa de flores para o velório do tio.

Ela tinha procurado em outros locais, mas encontrou preços altos e pouca flexibilidade. Foi quando lembrou de uma amiga, Lorena Milena Gomes, gerente da Funerária Santa Marta, em Santo Amaro, no Recife. A resposta que veio do outro lado não foi apenas uma venda. E sim, uma solução.

  “Eu pedi uma coroa de flores porque eu tava solicitando em outro local e tava muito caro. E não tinha nenhuma maneira de pagar mais fácil. Aí eu lembrei de uma pessoa que tem uma funerária, liguei pra ela e ela me deu condições facilitadoras. Ela me facilitou muito com maneiras de pagar e fui muito bem acolhida”, relembra Viviane.

João Carneiro também é autor desta reportagem. E, diferente da situação vivida por Ernani e a família, ele não teve o mesmo acolhimento na despedida do pai.

O provedor da casa partiu quando João tinha 11 anos de idade. Naquele momento, ele e a mãe foram colocados diante de uma realidade dura: preços tabelados, cobranças imediatas e nenhuma condição especial que levasse em conta a dor vivida naquele momento.

A despedida que deveria ter sido um momento de cuidado e respeito, acabou se tornando também uma preocupação financeira. O velório só foi possível porque amigos de trabalho se mobilizaram para ajudar a custear tudo.

A diferença dos casos está nos detalhes. No preço. No prazo. Na confiança. Na possibilidade de resolver primeiro e pagar depois. Na escuta de quem entendeu que, naquele momento, a família estava lidando com muito mais do que uma transação financeira.

É nesse ponto que uma pequena funerária deixa de ser vista apenas como empresa e passa a ser percebida como apoio. Mas para quem empreende nesse setor, o desafio é justamente equilibrar duas realidades: a necessidade de manter um negócio funcionando e o cuidado com famílias que chegam fragilizadas pela perda.

A história de acolhimento de pequenas funerárias às famílias em luto e os desafios enfrentados por esses segmentos empresarias podem ser conferidos na reportagem a seguir:

 

© Reprodução/ iStock

 A importância do acolhimento realizado por pequenas funerárias às famílias em luto
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Montblanc não salva soberania

Há poucos dias, o governo anunciou mais um corte no orçamento do Ministério da Defesa. Dos R$ 15,5 bilhões previstos este ano como despesas discricionárias, R$ 4,4 bilhões foram bloqueados, o que equivale a 28% do total.

A notícia foi um balde de água fria na caserna. Semanas antes, divulgou-se que os projetos estratégicos das Forças Armadas receberiam aportes extraorçamentários para garantir suas continuidades.

Os técnicos do tesouro dirão que são recursos distintos. Tecnicamente, é verdade. Contudo, fica a sensação de o governo dar com uma mão e tirar com a outra.

A questão, porém, vai além de um corte específico. O problema Defesa Nacional deixou de ser conjuntural. Tornou-se estrutural.

Mudam os presidentes, os ministros, os parlamentares. O resultado permanece o mesmo: promessas de aporte seguidas por adiamentos, cortes e incertezas.

E essa realidade não é atribuível a uma corrente ideológica específica. Boa parte da sociedade compartilha a percepção de que a Defesa é importante, mas pode sempre esperar mais um pouco.

Em uma provocação bem-humorada, pergunto, caros leitores, vocês estariam dispostos a contribuir diretamente para a Defesa Nacional? Afinal, ofertam para igrejas, para ações filantrópicas, para parentes em dificuldades.

Caso positivo, sugiro também contratarmos um marqueteiro famoso para conduzir uma campanha, cujo mote seria: Doe R$ 1,30 e salve o país.

Para efetiva concretização desse intento, o PIX do Ministério da Defesa seria massivamente divulgado na imprensa tradicional e nas mídias sociais.

Claro, é uma piada. Contudo, ela esconde uma reflexão séria. Quanto custa manter a capacidade militar de um país como o Brasil?

Quando dividimos o orçamento anual da Defesa - cerca de 1% do PIB - pela população do país, chegamos a um valor diário per capita inferior ao preço de um cafezinho, de uma garrafa de água ou uma pipoca no sinal.

E é com essa quantia que se espera proteger 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, 8.500 quilômetros de costa, 22 milhões de Km2 do espaço aéreo, infraestruturas críticas, bem como riquezas estratégicas que despertam crescente interesse internacional.

O paradoxo é evidente.

Queremos proteger a Amazônia Verde ou Azul? Combater ilícitos transnacionais? Fortalecer a Base Industrial de Defesa? Ampliar a influência do Brasil no mundo? Enfrentar organizações criminosas tipo PCC ou CV?

A resposta da maioria dos brasileiros certamente será sim. Então, qual a dúvida?

Enquanto isso, o mundo segue volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA).

Na recente conferência de segurança realizada em Cingapura - Diálogo de Shangrilá -, um contraste me chamou a atenção.

De um lado, o Ministro da Defesa anfitrião destacou a importância do diálogo e dos mecanismos multilaterais de cooperação.

De outro, o Secretário de Guerra dos Estados Unidos alertou que o momento exige menos discursos e mais aprestamento para possíveis conflitos.

A história nos recomenda prudência. Conversar é sempre a primeira opção.

Mas isso não elimina a necessidade de poder militar. Mais uma vez, vale recordar o diálogo meliano narrado por Tucídides: os fortes fazem o que podem; os fracos sofrem o que devem.

A tradição da diplomacia brasileira é sobejamente reconhecida. Nossa vocação pacífica é inquestionável. Nosso compromisso com a solução negociada dos conflitos permanece inalterado.

Ainda assim, boas intenções não substituem meios militares credíveis. Discursos não monitoram fronteiras. Canetas Montblanc não protegem plataformas de petróleo. Tratados não interceptam aeronaves hostis.

No fim, permanece a pergunta: quanto vale a soberania brasileira?

Porque toda vez que afirmamos que ela é inegociável, mas recusamos prover os investimentos necessários para protegê-la, transmitimos ao mundo uma mensagem ambígua, quiçá de fraqueza: valorizamos a soberania no discurso, mas não a sustentamos na prática.

Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva

 

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Voz do Leitor, 06/06: Obras na orla da Praia de Boa Viagem a passos lentos

Obras na orla da Praia de Boa Viagem a passos lentos

O ex-prefeito do Recife, João Campos, autorizou o início das obras da orla da Praia de Boa Viagem, na Zona Sul da cidade; entretanto, ele se esqueceu de fiscalizar em cima os serviços realizados e acabou deixando o cargo para concorrer ao governo do Estado, deixando as obras sem conclusão. Cabe agora ao seu vice, Victor Marques, fazer diferente de João Campos e cobrar para que essas obras terminem o mais rápido possível, pois esse atraso já está impactando bastante a vida de moradores e turistas que frequentam a praia.

Genival Paparazzi, por e-mail

GENIVAL PAPARAZZI / VOZ DO LEITOR
Obras na orla da Praia de Boa Viagem a passos lentos - GENIVAL PAPARAZZI / VOZ DO LEITOR
 

Transporte público ultrapassado

Aproveitei as minhas férias no mês passado para visitar familiares em São Paulo. Por estar numa cidade com trânsito intenso e caótico, optei por utilizar o transporte público para me locomover pela capital paulista. A melhor coisa que fiz. As inúmeras linhas de metrô levam os passageiros para todos os lados da cidade, com estações organizadas e vagões novos e com ar-condicionado. Já os ônibus, em grande maioria elétricos, também climatizados e em bom estado. Uma realidade totalmente diferente do Recife, onde o transporte público é sucateado e os governantes fazem de tudo para que a população use o carro no dia a dia, resultado: péssima mobilidade nas ruas.

Cláudia Aguiar, via redes sociais

Campanha educativa

Acho importante o governo do Estado e as Prefeituras aumentarem a fiscalização dos banhistas que insistem em desrespeitar os limites para entrar no mar nas áreas de risco de incidentes com tubarão. Contudo, não vejo nenhum movimento relativo a campanhas educativas pela cidade. Mesmo vivendo em tempos de redes sociais - que poderiam ser usadas para criar posts virais -, não se vê outdoors nas ruas ressaltando os perigos do banho de mar com a maré cheia e/ou nas áreas sem a proteção dos arrecifes. Na década de 1990 e 2000, era comum assistirmos comerciais educativos nos horários nobres. Muitos jingles, inclusive, marcaram época. Enquanto a população não for educada a respeitar as regras, elas seguirão sendo desrespeitadas e, nesse caso específico, novos incidentes com tubarão acontecerão.

Maria Paula, via redes sociais

Contra os interesses nacionais

Ao tentar responsabilizar o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva pelo absurdo tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump ao Brasil, o pré-candidato Flávio Bolsonaro mais uma vez tenta se esconder e de assumir sua participação em mais essa manobra contra os interesses nacionais.

Sylvio Belém, por e-mail

Reforço no meio de campo da seleção brasileira

Li e assisti nos principais veículos esportivos que os líderes da seleção brasileira - imagino que Marquinhos, Casemiro, Alisson e Danilo - teriam conversado com o técnico Carlo Ancelotti para mudar o esquema tático, deixando o 4-2-4, para colocar um jogador a mais no meio de campo, setor que está bastante vulnerável. Após essa conversa, o italiano teria aceitado a indicação e colocou Lucas Paquetá entre os titulares. A ideia é boa e previsível. Todos com o mínimo de conhecimento de futebol enxergava que o Brasil estava desequilibrado taticamente. Entretanto, eu optaria pela entrada do volante Danilo Santos, jogador com maior poder de marcação e força na chegada ao ataque. O problema é que Danilo, assim como Endrick, dois palmeirenses, não fazem parte da panela dos líderes, diferentemente de Lucas Paquetá.

Lucas Holanda, por e-mail

© GENIVAL PAPARAZZI / VOZ DO LEITOR

Obras na orla da Praia de Boa Viagem a passos lentos
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Cuscuz Gigante de Caruaru celebra tradição, comida boa e forró em mais uma edição

Junho já chegou acelerando o coração dos amantes do São João e trazendo boas notícias para os forrozeiros raiz: não vai ser preciso esperar até o fim do mês para entrar em clima de festança. No dia 7 de junho, a partir das 13h, o Alto do Moura, em Caruaru, se prepara para mais uma edição do Maior Cuscuz do Mundo, evento que une gerações e, há anos, garantiu seu lugar na memória afetiva dos nordestinos.

O tradicional Cuscuz Gigante de Caruaru carrega três décadas de história e se tornou uma das celebrações mais populares da temporada junina em Pernambuco, atraindo tanto locais quanto turistas de diversas partes do Nordeste e do Brasil. A atração reúne caminhada, trio elétrico e muito forró, mas o maior destaque é o preparo e a distribuição do cuscuz. O alimento é feito em uma cuscuzeira de 4,2 metros, criada sob medida na Feira de Caruaru. Para chegar até a tampa e cozinhar, é preciso subir em uma escada.

O nascimento dessa prática é bastante peculiar. A ideia partiu do empresário José Augusto Soares em 1993. O caruaruense convidou alguns amigos para caminhar até o Alto do Moura e brincar o São João e, no final da jornada, pediu cuscuz para o grupo em um restaurante. Informados de que o prato não constava no cardápio, os colegas fizeram o mesmo percurso na semana seguinte e levaram um pacote de fubá para preparar a iguaria no estabelecimento. No ano seguinte, mais pessoas participaram da caminhada e Augusto teve a ideia de servir cuscuz a todos. Assim, com o passar do tempo, formou-se um legado que chegou a ser publicado no Guinness Book.

Reconhecendo tudo o que essa tradição representa, de afeto e identidade à valorização do turismo e da economia, a Grão Verde assume o posto de patrocinadora oficial do Cuscuz Gigante em 2026. A participação da marca na atividade simboliza o fortalecimento da sua conexão com a cultura e a memória do povo nordestino, através de um alimento emblemático que representa encontros, família e costumes que permanecem, de geração em geração.

Divulgação / Grão Verde
A Grão Verde é uma das patrocinadoras oficiais do Cuscuz Gigante de Caruaru em 2026 - Divulgação / Grão Verde

Tradição, identidade nordestina e memória afetiva

Há 50 anos na mesa do nordestino, a Grão Verde foi fundada em Garanhuns e construiu sua trajetória firmada em suas raízes, na proximidade com o consumidor e no compromisso constante com qualidade e inovação. Ao longo desse meio século, a marca se tornou referência no ramo alimentício, expandindo sua atuação sem abrir mão da sua essência regional.

O portfólio da empresa engloba desde café, seu produto mais tradicional, até alimentos que fazem parte do dia a dia dos brasileiros, como milho, xerém, munguzá, colorau e temperos, sempre com foco em sabor, praticidade e credibilidade. Um dos destaques atuais é o Flocão de Milho Grão Verde, que se encaixa em uma série de receitas e é ingrediente essencial do clássico cuscuz.

Divulgação / Grão Verde
Há 50 anos na mesa do nordestino, a Grão Verde tem como produto de destaque o Flocão de Milho, ingrediente essencial do clássico cuscuz - Divulgação / Grão Verde

Para a Grão Verde, estar presente no Cuscuz Gigante de Caruaru é celebrar sua própria história e identidade, afinal, essas duas trajetórias têm muito em comum: o amor à cultura regional e o desejo de desfrutar de uma boa comida ao lado de pessoas queridas. Com esse patrocínio, a marca reafirma seu comprometimento com tudo o que torna o São João um dos momentos mais marcantes do calendário nordestino

© Arquivo Prefeitura de Caruaru (Modificado por IA)

Cuscuz Gigante de Caruaru 2026 acontece neste domingo (7)
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Porque tratar o trabalho forçado por motivos competitivos atrapalha esforço em tratá-lo como imoral em vários países inclusive no Brasil

No meio do debate de classe internacional depois que o representante comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que eram razoáveis os atos, políticas e práticas de 60 economias relacionados à importação de bens produzidos com trabalho forçado tem um fato que vem motivando uma série de críticas pelo fato de, pela primeira vez na história de uma nação desenvolvida colocar o tema por motivos competitivos e não porque é imoral.

Em pelo menos 20 das nações relacionadas pelo embaixador Jamieson Greer, inclusive no Brasil, o tema do trabalho forçado está relacionado ao fato de ele aumentar a competitividade das empresas, embora possa ocorrer na medida em que condições de trabalho análogas à escravidão sejam um fator de redução de custos. O combate a essa prática tem sido desde o final do século XX uma questão de respeito à dignidade laboral do ser humano.

OIT e OMC contra

Daí porque da Organização Mundial do Comércio (OMC) nem da Organização Internacional do Trabalho (OIT) a União Européia cujo Regulamento sobre Trabalho Forçado, que começa a ser aplicado em dezembro de 2027 concordar com o argumento de Greer estimulando a que cada um dos nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue o trabalho forçado em nível global.”

Certo, embaixador, mas como falar desse assunto quando, segundo a ONG Walk Free, baseada na Austrália, os Estados Unidos, até pelo tamanho de sua população e economia, são os maiores escravizadores das Américas. E quando em 2023 um total de 1,091 milhão de pessoas vivia no país em condições análogas à escravidão, número superior aos 1,053 milhão do Brasil e aos cerca de 800 mil do México.

Mirando a China

Naturalmente, os motivos do relatório do USTR miram as condições de trabalho em várias regiões da China, condições, aliás, destacadas no Brasil, no embate relacionado às questões da cobrança da Taxa das Blusinhas, comparando as condições de um trabalhador no Brasil com carteira assinada com as de um trabalhador numa fábrica numa província chinesa.

Curiosamente, o relatório do USTR também critica o Regulamento sobre Trabalho Forçado da UE, que, segundo especialistas, estabelece um nível mais alto para a comprovação de violações do que as regras dos EUA e exige que as autoridades estabeleçam uma preocupação fundamentada antes de agir.

Dignidade do trabalho

Até porque nos países da União Europeia a discussão está centrada na questão da dignidade do trabalho, especialmente para os migrantes, já que a ideia de um nativo de países como Alemanha, Espanha, França, Itália, Noruega, Suíça e Reino Unido é impensável. E esse é um ponto importante: o Regulamento sobre Trabalho Forçado da EU foca na ameaça contra os imigrantes.

Parece claro que, embora liste países da América Latina, inclusive o Brasil, que desenvolveu uma legislação específica para a questão, notadamente a questão do trabalho infantil na Amazônia e no Nordeste, embora tenham sido localizados casos no Sul e Sudeste com imigrantes latino-americanos.

Países asiáticos

Também parece claro que um dos objetivos centrais são as condições de trabalho na China, embora liste quase todos os países; é um mecanismo de cooperação que reúne os 11 países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) mais três potências do Nordeste Asiático: China, Japão e Coreia do Sul.

Analistas de vários países têm identificado uma motivação apenas política em relação às decisões contrárias ao Governo na Suprema Corte. Até porque os Estados Unidos não podem garantir que 100% de suas importações estejam livres de itens produzidos por trabalho forçado.

Países aleatórios

Mas a cobrança de taxas de 10% para o Canadá, o Equador, a União Europeia, a Indonésia, o México e o Paquistão já indica uma opção política. Assim como cobrar 12,5% das demais 54 economias. Por que não estão na lista sancionada com taxa de 10% a Noruega, Suíça, Japão e Reino Unido ?

Os Estados Unidos não estão interessados nas estimativas globais mais recentes da OIT (Organização Internacional do Trabalho); há 27,6 milhões de pessoas em situação de trabalho forçado — um aumento de cerca de 2,7 milhões desde 2016. Embora saibam que o trabalho forçado é encontrado em setores relacionados à exportação: manufatura, construção, agricultura e pesca, e mineração que dependendo do interesse americano, é importado sem muitos questionamentos.

Lição ao Brasil

Mas isso pode ser útil ao Brasil. O Brasil ocupa o 11º lugar no ranking mundial dos países com maior número absoluto de vítimas, com um total estimado de 1,05 milhão de pessoas.

Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), revelou que foram resgatados 2.772 trabalhadores e trabalhadoras em 1.594 ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão, com a garantia do pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas.

Resgate urbano

Também segundo o documento, 68% das pessoas identificadas em condição análoga à escravidão no Brasil foram resgatadas no meio urbano, superando o número de ocorrências no meio rural, cenário distinto do observado em anos anteriores.

Esse fato revela que após 30 anos do reconhecimento da existência do trabalho semelhante à escravidão pelo Estado brasileiro, o número de pessoas resgatadas desse tipo de violação continua alto. O relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) pode ser inadequado ao relacionar o trabalho forçado por motivos competitivos, mas isso não impede que o Brasil deva aperfeiçoar sua vigilância porque esse crime é imoral.

GUGA MATOS/JC IMAGEM
MISTO Estande de Brejo da Madre de Deus trouxe de frutas a chapéus - GUGA MATOS/JC IMAGEM

Agrinordeste

A Agrinordeste chega a sua 33ª edição, nos dias 04 a 06 de setembro. O tradicional evento gratuito estará aberto ao público das 10h às 21h, no Pernambuco Centro de Convenções. A mostra, que contará com mais de 300 estandes, deverá receber mais de 35 mil visitantes, superando os resultados da edição passada.

Equidade

A Iron House, desenvolvedora de destinos do Grupo Cornélio Brennand, comemora o marco de presença feminina em cargos de liderança. Oitenta por cento dessas posições estratégicas são ocupadas por mulheres.

Expansão

O Shopping Costa Dourada anunciou nesta quinta um plano de expansão de R$ 22 milhões que prevê a abertura de 31 novas operações comerciais e a ampliação de 5.200 m² de Área Bruta Locável (ABL). A principal novidade é a chegada da Renner, que abrirá sua primeira unidade no Litoral Sul de Pernambuco

Equidade

A Iron House, desenvolvedora de destinos do Grupo Cornélio Brennand, comemora o marco de presença feminina em cargos de liderança. Oitenta por cento dessas posições estratégicas são ocupadas por mulheres.

DIVUGAÇÃO
Espaçolaser acelera expansão no Nordeste e mira cidades do interior de Pernambuco - DIVUGAÇÃO

Espaçolaser NE

A Espaçolaser, maior rede de depilação a laser do mundo, está intensificando sua estratégia de crescimento em Pernambuco, em cidades do interior do estado, com foco na abertura de novas unidades franqueadas e na atração de empreendedores locais. A marca está presente no Nordeste desde 2015 e registrou crescimento de novas unidades superior a 20% na região nos últimos cinco anos. Com essa e outras iniciativas, a expectativa é ampliar a participação no NE em 37 novos municípios nos próximos 3 anos. 

 

 

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Trabalho Forçado
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O que cabe a cada um fazer?

Em uma democracia consolidada na repartição em Três Poderes republicanos, a lei maior do país define como a estrutura do Estado precisa ser interligada, com cada um dos poderes cumprindo seu papel constitucional, contribuindo para o reforço constante da confiança da população nas instituições, e como resultado dessa articulação, promoverem o amadurecimento do processo democrático. No reflexo invertido de tais preceitos, se os poderes confundem os vértices do triângulo da República e mão se entendem quanto às próprias atribuições, a desconfiança popular aumenta, pondo as instituições em posição de crise, e a desarticulação entre os poderes é evidenciada, solapando as bases sobre as quais a democracia se assenta.
Em novo lance da disputa arrastada entre Legislativo e Judiciário no Brasil, no embate também travado com o Executivo por diversas vezes, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, afirmou esta semana que os parlamentares empurram decisões para o Judiciário porque não querem arcar com o preço social que pode representar perda de votos. “Como os juízes não são eleitos, empurram para o Supremo Tribunal Federal e nós somos obrigados a decidir”, disse Fux, na abertura do XVI Simpósio de Direito Constitucional, em Curitiba.
Mas o ministro reconheceu, na mesma ocasião, que pode haver excessos produzidos pela STF. “O Judiciário é provocado, ele não age de ofício. Mas muitas vezes, o Supremo Tribunal Federal, no afã de solucionar uma questão, acaba sendo efetivamente invasivo. E, quando nada, ele deveria efetivamente devolver para o Parlamento aquilo que cabe ao Parlamento decidir". E voltamos à questão que soa interminável, mas necessária, a respeito dos deveres de cada um dos poderes na República brasileira. Seria preciso, talvez, retroceder ao ponto em que a confusão de funções se estabeleceu, identificando os momentos e verificando as invasões de território de outro poder, na expressão do ministro do Supremo.
A complexidade do debate se contrapõe à simplicidade da Constituição. Na lei máxima do país, o Legislativo elabora, discute e aprova leis – como a Constituição de 1988, elaborada, discutida e aprovada no Congresso. O Executivo deve administrar o governo e fazer com que as leis saiam do papel. Segundo a designação constitucional, o Legislativo fiscaliza o Executivo. O Judiciário, por sua vez, analisando a legislação vigente à luz da Carta Magna, protegendo a aplicação correta das leis, fornecendo soluções para eventuais impasses nas relações entre os cidadãos, as empresas e o poder público. Cabe ainda ao Judiciário, como guardião da Constituição, permitir em suas decisões o acesso de todos aos direitos fundamentais, nela contidos.
A separação dos poderes, nos últimos anos, foi transformada em isolamento de cada um, como se a harmonia fosse relegada a segundo plano na ordem democrática. Infelizmente, entre a judicialização da política e a politização da justiça, o cidadão se sente esquecido pelas instituições que deveriam zelar, em primeiro lugar, pelos valores da cidadania. Numa República, nenhum poder deve ser uma ilha. Ou a separação volta a ser vista como distância para a integração, ou vamos continuar a ver as trocas de farpas improdutivas sem relação com o interesse coletivo.

© Thiago Lucas

Brasil enfrenta Egito em último amistoso antes da Copa do Mundo. Neymar não joga devido a contusão
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Raquel Lyra filia ao PSD dois prefeitos que eram do PSB de João Campos e aumenta base

O Partido Social Democrático (PSD), comandado em Pernambuco pela governadora Raquel Lyra, conquistou mais dois prefeitos que estavam filiados ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), de João Campos. Apenas nesta sexta-feira (5), Raquel contabilizou a atração do prefeito de Primavera, Jeyson Falcão, e da prefeita de Ribeirão, Carol Jordão - ambos estavam no PSB. 

Atualmente, o PSD já é a maior legenda de Pernambuco. As adesões reforçam o movimento de convergência de lideranças municipais em torno da governadora Raquel Lyra, presidente estadual do partido, e eleva para 79 o número de prefeitos filiados à sigla em todo o Estado.

“Cada apoio conquistado nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Temos trabalhado para reforçar o nosso partido com quadros de destaque e tenho certeza de que Jeyson Falcão será um importante aliado para propagar as entregas e ações que estão chegando ao povo da Mata Sul. Continuaremos esse trabalho de fortalecimento a cada dia, para que o nosso PSD siga fazendo política com propósito em cada recanto do nosso Estado”, disse a governadora e presidente estadual do PSD.

Desde o início da gestão Raquel Lyra, o PSD vem incorporando prefeitos que integravam os quadros do PSB, em um movimento que tem impacto direto na correlação de forças entre os grupos da governadora e de João Campos.

Sobre a chegada da prefeita de Ribeirão, Raquel destacou que é "mais um nome consolidado que trabalha em favor de pernambucanos". "Estamos construindo um partido em que todos cuidam das suas regiões e do Estado com muita dedicação, diálogo e transparência. Carol recebe nossas boas-vindas, acreditando no time que faz a diferença”, afirmou.

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Prefeita de Ribeirão, Carol Jordão deixou o PSB de João Campos e se filiou ao PSD da governadora Raquel Lyra - Divulgação

Antes da prefeita de Ribeirão e do prefeito de Primavera, já haviam deixado o PSB para ingressar no PSD os prefeitos Zé Martins (João Alfredo), Nego do Mercado (Capoeiras), Gilberto Ribeiro (Flores), Corrinha de Geomarco (Dormentes), Camila Souza (Iati), Lindonaldo da Farinha (Frei Miguelinho), Juarez da Banana (Machados) e Dr. Evaldo Bezerra (Mirandiba).

Disputa por bases para 2026

A movimentação ocorre em meio à crescente disputa entre a governadora e João Campos pela consolidação de apoios no interior do Estado. Prefeitos são considerados peças centrais na construção dos palanques eleitorais, especialmente em municípios de médio e pequeno porte, onde exercem forte influência política.

Nos últimos meses, o PSD consolidou-se como a principal legenda municipalista de Pernambuco, reunindo prefeitos distribuídos em todas as regiões do Estado. A estratégia tem sido apontada por aliados da governadora como um dos pilares da construção política para a disputa de 2026.

 

 

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O prefeito de Primavera, Jeyson Falcão
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Alto do Moura inicia programação junina com ícones da música nordestina

Reconhecido como um dos principais polos de São João do Nordeste, o Alto do Moura abre sua temporada 2026, neste fim de semana, com grandes nomes da música nordestina. A partir deste sábado (6) até o dia 27 de junho, serão quase 30 atrações, além de grupos de dança, polo das quadrilhas, trios pé de serra e atrações itinerantes circulando pelo maior centro de artes figurativas das Américas.

Quem abre a programação, a partir das 11h, é Didi Caruaru, comemorando 45 anos de carreira. Em seguida, tocam Arreio de Ouro, Walkyria Santos - de volta ao São João de Caruaru - e o sanfoneiro, cantor e compositor salgueirense Targino Gondim.

No domingo, as atrações sobem ao palco a partir das 12h. O público vai cantar os sucessos de Geraldinho Lins, da banda Toca do Vale e da “Rainha do Forró”, a cantora Eliane, que promete embalar a multidão ao som de sucessos como “Amor ou Paixão”, “Brilho da Lua”, “Quem é Ele” e “Paz do seu Sorriso”.


Maior Cuscuz do Mundo

Realizada desde 1994, famosa tradição durante os festejos de São João, a iguaria gigante, preparada no bairro do Alto do Moura, utiliza cerca de 800 kg de flocos de milho e é cozinhada em uma panela com mais de 4 metros de altura. Este ano, o evento traz como atrações Asas da América, Trio Mani e Marquinhos Balada, que animam os forrozeiros, a partir das 12h, na “caminhada do forró”, no domingo, 7 de junho.

POLO ALTO DO MOURA

6 de junho – Sábado
Didi Caruaru - 11h

Arreio de Ouro - 12h30

Walkyria Santos - 14h15

Targino Gondim - 16h15

7 de junho – Domingo
Geraldinho Lins - 12h

Toca do Vale - 14h

Eliane - 16h

 

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Polo Alto do Moura
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