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Polícia apura morte de PM por suposto envenenamento após troca de taças em Boa Viagem

12 June 2026 at 13:47

A Polícia Civil começou a colher pistas para tentar esclarecer um caso que até parece enredo de novela. Um policial militar morreu após passar mal no apartamento da ex-companheira, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na quinta-feira (11). A suspeita sobre a causa do óbito é de envenenamento. 

A vítima foi o cabo José Maria Alexandre da Silva Junior, de 40 anos, lotado no Regimento de Polícia Montada (RPMon). O corpo foi encontrado no quarto da ex-companheira, uma advogada de 48 anos, após ela procurar a polícia e informar que ele havia morrido.

Reprodução
José Maria Alexandre da Silva Junior era lotado no Regimento de Polícia Montada (RPMon) - Reprodução

Segundo as investigações, a mulher tem uma medida protetiva de urgência contra o policial militar. Mas, na madrugada da quinta-feira, após largar do plantão, ele foi ao endereço dela e subiu até o apartamento. Eles teriam passado horas ingerindo bebidas alcoólicas e energético. 

A mulher teria percebido, no entanto, que a taça dela havia sido trocada. E, desconfiada, fez uma nova troca. O policial militar continuou bebendo e passou mal por volta do meio-dia. Além dos lábios roxos, havia espuma na boca dele. 

Policiais do 19º Batalhão foram acionados. Após a confirmação da morte, foram apreendidas as taças e amostras do líquido ingerido pelo policial militar para a realização de perícia.

A ex-companheira prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberada. 

A reportagem ainda tenta contato com a mulher e com a defesa dela. 

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Civil de Pernambuco registrou a ocorrência como "morte a esclarecer". Em nota, disse apenas que as investigações foram iniciadas e seguirão por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios. 

Com informações de Cinthia Ferreira, da TV Jornal

© RENATO RAMOS/JC IMAGEM

O crime será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)

Consórcio coordenado pela Universidade do Algarve já está a dar frutos científicos em Angola

12 June 2026 at 10:45

O Consórcio de Escolas de Ciências do Mar (CEMAR), coordenado pela Universidade do Algarve, já está a dar frutos científicos em Angola, graças ao trabalho de investigação sobre as principais espécies pelágicas de Angola levado a cabo por Domingas Perpétua André Quiatuhanga, uma das primeiras doutoradas formadas no âmbito deste consórcio.

Criado no âmbito do Centro Ciência LP e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), «o CEMAR tem vindo a afirmar-se como um instrumento estratégico de cooperação científica entre Portugal e os países de língua portuguesa, promovendo a formação avançada em Ciências do Mar», segundo a UAlg.

«Na UAlg, este percurso articula-se com a missão do Colégio Doutoral, orientada para a valorização da formação doutoral e para a aproximação dos doutorandos a contextos científicos, institucionais e internacionais. Desde 2022, o consórcio já acolheu mais de 50 doutorandos em várias instituições de ensino superior portuguesas», acrescentou.

A tese de Domingas Quiatuhanga foi desenvolvida no Programa de Doutoramento em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, «tendo como unidade de investigação e desenvolvimento de acolhimento o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR). O trabalho contou ainda com a colaboração da Universidade do Namibe e de instituições angolanas ligadas à investigação pesqueira».

Sul Informação

«Centrada nas espécies Sardinella aurita e Sardinella maderensis, a investigação constitui a primeira avaliação integrada da dinâmica populacional destas espécies na costa sudoeste de Angola. Estes pequenos pelágicos representam recursos fundamentais para a segurança alimentar, para a economia regional e para a sustentabilidade das comunidades costeiras, numa zona particularmente sensível aos efeitos da pesca e das alterações climáticas, junto à região influenciada pela corrente de Benguela», explicou a universidade algarvia.

Com base em mais de 3.500 amostras recolhidas entre 2016 e 2017, «o estudo revelou que as duas espécies utilizam a costa sul de Angola como área crítica de reprodução, apresentando períodos de desova distintos, mas com pico em Fevereiro. Os resultados demonstram ainda que os tamanhos de maturação são significativamente superiores ao limite legal de captura, o que aponta para a necessidade de revisão das regras de pesca».

«A investigação conclui também que ambas as espécies apresentam crescimento mais lento e maior longevidade do que o esperado, reduzindo a sua capacidade de recuperação face à exploração pesqueira. Foram ainda identificadas alterações estruturais nas populações, com aumento de indivíduos de menor dimensão, sinal de pressão sobre os recursos. Outro dado relevante prende-se com a elevada ingestão de microplásticos, detetada em mais de dois terços dos indivíduos analisados, evidenciando novos riscos ambientais para estes ecossistemas marinhos», concluiu a UAlg.

Ao integrar ecologia trófica, reprodução, crescimento, variabilidade ambiental e poluição, esta tese fornece uma base científica essencial para apoiar a gestão sustentável das pescas em Angola, contribuindo para políticas públicas mais ajustadas aos desafios da segurança alimentar, da conservação dos recursos marinhos e da adaptação às alterações climáticas.

Este trabalho representa também um exemplo concreto do impacto do CEMAR e da Universidade do Algarve na qualificação de recursos humanos altamente especializados, no reforço da cooperação científica entre Portugal e Angola e na consolidação de uma nova geração de investigadores africanos em Ciências do Mar.

A conclusão deste doutoramento afirma, assim, o papel transformador da UAlg e do CEMAR na promoção da investigação marinha aplicada e no desenvolvimento sustentável do oceano nos países lusófonos costeiros.

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