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Associação diz que Braga “não pode responder com silêncio quando tem 1 atropelamento a cada 3 dias”

11 June 2026 at 17:43

A associação Braga Ciclável alertou hoje para os recentes atropelamentos na cidade e referiu que Braga “não pode responder com silêncio quando tem um atropelamento a cada três dias”.

Em comunicado, lembrou a criança de 12 anos que foi atropelada na Avenida Dr. António Palha, em Lamaçães, na terça-feira, e ainda outro atropelamento recente que envolveu uma criança de 10 anos na Avenida da Liberdade. Ambos ocorreram durante atravessamentos na passadeira.

A Braga Ciclável considera que não são sinistros “isolados”, mas sim “episódios de um problema estrutural documentado, denunciado e com soluções conhecidas, que o Município continua a não dar resposta”.

“Os números do concelho falam por si. Entre 2019 e 2023, foram registados quase 400 atropelamentos no Concelho de Braga, o equivalente a um a cada três dias. O distrito de Braga registou 214 atropelamentos em 2025, o segundo valor mais alto do país, acima de Lisboa. Quase 70% dos atropelamentos em Braga ocorrem em passadeiras. Em 2026, foram já noticiados pelo menos quatro atropelamentos em Braga, todos em passadeiras, sendo que os dados oficiais irão revelar muito mais”, nota.

Lembra que a Câmara de Braga tem um Plano Municipal de Segurança Rodoviária que “não é conhecido publicamente e por conseguinte não existe nenhuma medida executada”.

A Braga Ciclável frisa que solicitou ao Município de Braga o estado do Plano Municipal de Segurança Rodoviária bem como a apresentação pública de um “calendário concreto” para a implementação das medidas de segurança pedonal e ciclável.

Radares, passadeiras sobrelevadas e fiscalização

A associação propõe radares fixos de velocidade nas avenidas com maior sinistralidade, como a Avenida Padre Júlio Fragata, a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires e as vias que compõem a Rodovia. Seria uma medida de “baixo custo”, “rápido retorno financeiro” e “elevado impacto na segurança rodoviária comprovado”.

Apela ainda à sobrelevação das passadeiras ao nível dos passos na zona densa e plana da cidade “eliminando a diferença de cota que induz o aumento de velocidade na aproximação”. “Esta medida não requer obras de grande envergadura e pode ser executada de forma faseada, com prioridade para as artérias com maior volume de tráfego pedonal e ciclável e registo de sinistros na última década”, refere.

Por fim, a Braga Ciclável pede ainda o reforço da fiscalização do cumprimento dos limites de velocidade e das regras de cedência de passagem a peões e ciclistas nos atravessamentos da cidade, em coordenação com a PSP e Polícia Municipal.

Em abril de 2024, a mesma associação já tinha publicado o Manifesto 40/24, com 40 medidas em 24 meses, entregando-o a todos os responsáveis políticos da cidade. Nesse manifesto, a associação propôs as seguintes medidas para reduzir os atropelamentos e melhorar a segurança rodoviária: “Adopção da Visão Zero Municipal – zero mortes nas ruas do concelho; Cidade 30 – limite de velocidade com medidas físicas de cumprimento, incluindo sobrelevação de passadeiras; Colocação de radares fixos de velocidade nas principais avenidas; Sobrelevação de todas as passadeiras na zona densa e plana da cidade”.



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