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É preciso resposta rápida: assédio no transporte público reduz mulher a objeto

11 June 2026 at 04:14
A mudança na percepção dos brasileiros sobre a violência contra a mulher tem duas faces. A primeira é positiva: mostra uma sociedade mais consciente de um problema historicamente naturalizado. A segunda é inquietante: revela que a violência alcançou um nível capaz de provocar espanto coletivo. Não por acaso, pesquisa Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360 mostrou que, pela primeira vez, a violência contra a mulher passou a liderar a lista de preocupações dos brasileiros quando o assunto é criminalidade. Seis em cada dez entrevistados afirmam estar preocupados com o tema e quase 90% acreditam que os casos aumentaram no último ano.Os números ajudam a explicar essa percepção. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica. São mais de quatro mulheres assassinadas por dia. A maioria das vítimas é negra.Mas a violência contra a mulher não se resume aos feminicídios. O medo faz parte da rotina de milhões de brasileiras em casa, no trabalho, nas ruas e no transporte público. Pesquisa dos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, divulgada pela Agência Brasil, apontou que 97% das mulheres entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio no transporte público e 71% conhecem outra mulher que passou pela mesma situação. É preciso mecanismos que deem respostas rápidas e concretas. É dessa realidade que surgem iniciativas como a Lei nº 9.835/2025, de minha autoria após demanda popular na capital, conhecida como Lei do Vagão para Mulheres. A proposta prevê espaço exclusivo para mulheres no metrô nos horários de pico, quando aumentam os relatos de assédio e importunação sexual. Sua implementação permanece suspensa por decisão judicial, após liminar de uma associação de empresários metroviários sediada em Brasília.A mesma preocupação orienta a Política Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio, aprovada em 2023 e ainda não implementada pelo município. É preciso combater o assédio no transporte, por isso também apresentei o projeto Abrigo Amigo, inspirado em outros estados, para criar pontos de ônibus mais seguros, com monitoramento e acompanhamento remoto para mulheres que aguardam transporte.Em Salvador, essa discussão possui um recorte ainda mais evidente. As mulheres negras, maioria da população da cidade, seguem entre as principais vítimas da violência de gênero. Como ensina Carla Akotirene, gênero, raça e classe social se cruzam e ampliam vulnerabilidades. Quando a violência contra a mulher se torna a principal preocupação dos brasileiros, o país recebe um sinal claro. A conscientização é um avanço. Mas ela também revela a urgência de transformar proteção em política pública eficaz e que saia do papel e do discurso.  *Vereadora de Salvador pelo PT e presidente da Comissão de Reparação

Dia da Marinha: tradição, história e futuro

11 June 2026 at 02:25
O 11 de junho é mais que uma data: é um marco da identidade nacional. Nesse dia, em 1865, a Marinha do Brasil escreveu uma das páginas mais decisivas da nossa história, na Batalha Naval do Riachuelo. Às margens do rio Paraná, sob o comando do Almirante Barroso, nossos marinheiros enfrentaram forças superiores e, com coragem e determinação, asseguraram a vitória que definiria os rumos da Guerra da Tríplice Aliança. Riachuelo não foi apenas uma batalha; foi a afirmação de que o Brasil sabe defender sua soberania quando chamado.Essa herança de bravura ecoa até hoje. A Marinha é guardiã da Amazônia Azul, área marítima de mais de 5,7 milhões de km², vital para o comércio exterior, a energia, a pesca e a ciência. O mar é fonte de vida e de futuro para o Brasil.A Bahia sempre foi palco da história naval brasileira. Foi por suas águas que o País foi descoberto e onde se travaram combates decisivos para a Independência. Os saveiros, com suas velas coloridas, simbolizam essa alma marítima, renovada na presença constante da Marinha, por meio do Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN).Sob sua jurisdição atuam organizações militares essenciais: a Base Naval de Aratu; a Capitania dos Portos da Bahia, com Delegacias em Ilhéus e Porto Seguro; a Capitania Fluvial de Juazeiro, com a Agência de Bom Jesus da Lapa; o Comando da Força de Minagem e Varredura; o Grupamento de Patrulha Naval do Leste; o Centro de Intendência da Marinha em Salvador; o 2º Batalhão de Operações Litorâneas; o Serviço de Sinalização Náutica do Leste; a Estação-Rádio da Marinha em Salvador e o Hospital Naval de Salvador, além da Capitania dos Portos de Sergipe. Juntas, formam um mosaico de capacidades que assegura a presença do Estado no mar, nos rios e nas comunidades costeiras.Hoje, o 2º Distrito Naval responde por 1.263 km de costa, cerca de 590 mil km² de território e uma área de busca e salvamento superior a 2,7 milhões de km². Essa responsabilidade se traduz em patrulhas, inspeções navais, salvamentos, inovação tecnológica e iniciativas culturais, ações diuturnas que contribuem para o desenvolvimento nacional.O mar, como lembrava Ruy Barbosa, “é um curso de força e uma escola de previdência”. A defesa nacional é compromisso de toda a sociedade. Nossa Amazônia Azul, representada pela Baía de Todos-os-Santos, pelo litoral baiano e pelas águas sergipanas, exige consciência e proteção.Neste Dia da Marinha, celebramos o legado de Riachuelo. No 2º Distrito Naval, honramos nossos antecessores e reafirmamos nossa missão: proteger a vida no mar, garantir a segurança da navegação e servir ao Brasil com disciplina, coragem e profissionalismo.Viva a Marinha! Tudo pela Pátria!*Comandante do 2⁰ Distrito Naval

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