Brasileiros aderem mais à versão de Lula do que à de Flávio sobre tarifaço dos EUA, diz Quaest
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros abriu uma frente inédita na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) indica que, diante da crise comercial, a narrativa defendida pelo Palácio do Planalto encontra maior respaldo entre os brasileiros do que a apresentada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados afirmaram concordar mais com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter contribuído para o agravamento das relações entre Brasil e Estados Unidos e para a adoção das novas tarifas. Já 35% disseram concordar mais com a versão apresentada pelo senador, que nega qualquer atuação nesse sentido. Outros 18% não souberam responder.
A pesquisa também mostra que a maioria dos brasileiros não considera justa a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a adoção das novas medidas comerciais. Para 57%, a relação comercial entre Brasil e EUA não prejudica empresas americanas. Outros 21% concordam com a tese de que haveria desequilíbrios desfavoráveis aos norte-americanos, enquanto 22% não souberam responder.
Divergência sobre as causas do tarifaço
A Quaest também questionou os entrevistados sobre as razões que teriam levado ao aumento das tarifas americanas. Para 46%, Lula está correto ao afirmar que as medidas representam uma retaliação ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o PIX.
Outros 36% concordam com Flávio Bolsonaro, segundo quem as tarifas seriam consequência de declarações feitas pelo presidente brasileiro contra os Estados Unidos.
Ainda nesse recorte, 10% afirmaram não concordar com nenhuma das duas versões, enquanto 8% não souberam responder.
Reflexos na disputa presidencial
O levantamento mostra ainda que a crise comercial pode produzir efeitos distintos sobre a corrida presidencial de 2026. Para 39% dos entrevistados, o episódio aumenta a vontade de votar em Lula. Já 30% afirmam que o tarifaço fortalece a disposição de votar em Flávio Bolsonaro.
Outros 23% dizem que a situação aumenta a vontade de apoiar outro candidato, enquanto 8% não souberam responder.
Os dados sugerem que o episódio, além de se consolidar como um tema relevante do debate público, também passou a integrar a disputa política entre os dois principais nomes testados pela Quaest para a eleição presidencial do próximo ano.
Influência sobre Trump divide opiniões
A pesquisa indica que 47% dos brasileiros acreditam que Flávio Bolsonaro influenciou o presidente americano Donald Trump na decisão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Outros 37% consideram que o senador não teve qualquer participação no episódio. Os que não souberam responder somam 16%.
Ao mesmo tempo, 60% defendem que o governo brasileiro também classifique organizações criminosas como grupos terroristas. Já 29% discordam dessa medida e 11% não souberam opinar.
Questionados especificamente sobre a atuação dos Estados Unidos, os entrevistados se dividiram: 45% apoiam que o governo americano faça esse enquadramento, enquanto outros 45% se posicionam contra. Os indecisos representam 10%.
A pesquisa ainda mostra preocupação com os possíveis efeitos econômicos das decisões americanas. Para 53% dos entrevistados, as punições financeiras impostas pelos Estados Unidos podem prejudicar bancos e empresas brasileiras. Outros 34% acreditam que não haverá impactos significativos, enquanto 13% não souberam responder.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.
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© Marcelo Camargo/Agência Brasil; Saulo Cruz/Agência Senado
