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PF investiga aplicação de R$ 3 milhões do fundo previdenciário de Paulista em investimentos ligados ao Banco Master
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (10), a Operação Take Over para investigar supostas irregularidades na gestão dos recursos do fundo previdenciário dos servidores públicos do município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.
As apurações indicam que valores superiores a R$ 3 milhões, destinados à previdência e aposentadoria dos servidores municipais, teriam sido direcionados a investimentos de alto risco por meio de decisões tomadas em desacordo com normas legais e procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários.
Segundo a PF, os recursos foram aplicados em letras financeiras do Banco Master, instituição financeira que entrou em processo de liquidação em novembro de 2025. As aplicações são alvo da investigação por supostamente terem sido realizadas sem a observância dos critérios de segurança, liquidez e transparência exigidos para a gestão de recursos previdenciários.
As apurações também apontam indícios de esvaziamento das funções do comitê de investimentos responsável pela análise técnica e aprovação das aplicações financeiras do fundo. A suspeita é de que decisões estratégicas tenham sido tomadas de forma isolada, comprometendo os mecanismos de controle e fiscalização dos recursos destinados à aposentadoria dos servidores municipais.
A Polícia Federal busca esclarecer se a conduta dos responsáveis configura gestão temerária ou fraudulenta, além de apurar possíveis crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional. As diligências também têm o objetivo de verificar a eventual existência de vantagens indevidas recebidas por gestores ligados ao fundo.
PreviPaulista diz que identificou irregularidades antes da operação
Em nota, o Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista) afirmou que já havia identificado e comunicado aos órgãos de controle as irregularidades relacionadas ao investimento realizado em Letras Financeiras do Banco Master antes mesmo da deflagração da Operação Take Over.
Segundo o instituto, uma análise da carteira de investimentos foi iniciada em julho de 2025, após sucessivos rebaixamentos da classificação de risco do Banco Master. O PreviPaulista informou ainda que instaurou uma sindicância administrativa em janeiro de 2026 para apurar as circunstâncias da aplicação.
De acordo com o relatório final da investigação interna, concluído em março deste ano, a decisão de investir R$ 3 milhões em títulos do Banco Master teria partido de uma iniciativa unilateral do então diretor-presidente da autarquia, integrante da gestão anterior.
O instituto afirma que a operação teria sido realizada sem deliberação prévia do Comitê de Investimentos, sem consulta à assessoria especializada e sem a elaboração da documentação exigida pelas normas do setor.
O PreviPaulista destacou ainda que encaminhou as conclusões da sindicância ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e adotou medidas judiciais para buscar a responsabilização dos envolvidos.
A autarquia também ressaltou que o aporte investigado representa uma pequena parcela de sua carteira de investimentos, atualmente superior a R$ 140 milhões, e afirmou que a solvência do regime previdenciário e o pagamento dos benefícios aos servidores permanecem assegurados.
Confira a nota na íntegra:
O INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO MUNICÍPIO DO PAULISTA – PREVIPAULISTA, autarquia responsável pela gestão previdenciária dos servidores públicos municipais, vem a público prestar informações sobre a operação da Polícia Federal deflagrada na data de hoje, que tem por objeto a aplicação realizada em Letras Financeiras do Banco Master S.A. no ano de 2024.
Desde o início da diligência, o PREVIPAULISTA disponibilizou integralmente todos os documentos e informações solicitados pelos agentes federais, em total colaboração com o trabalho investigativo. O Instituto registra que os fatos objeto da apuração referem-se a ato praticado em fevereiro de 2024, no curso da gestão anterior do Instituto, e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.
É fundamental esclarecer que, muito antes da deflagração da operação policial, o próprio PREVIPAULISTA já havia identificado, apurado e encaminhado aos órgãos de controle as irregularidades relacionadas ao investimento. As providências adotadas, em ordem cronológica, demonstram a diligência do Instituto:
a) Em julho de 2025, foi realizado um diagnóstico imediato da carteira de investimentos e atenção específica às Letras Financeiras do Banco Master;
b) a partir disso, ainda em 2025, o Instituto passou a monitorar, em regime intensivo, os sucessivos rebaixamentos da classificação de risco do Banco Master pela agência Fitch Ratings;
c) em 21 de novembro de 2025, apenas três dias após a decretação da liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil, foi iniciado o processo de contingenciamento debatido pelo atual Comitê de Investimentos, que não aprovou o investimento no Master em 2024;
d) em 08 de janeiro de 2026, foi instaurada, por meio da Portaria nº 02/2026, Sindicância Administrativa Investigativa, conduzida por comissão composta exclusivamente por servidores do quadro efetivo, com colheita de depoimentos de todos os envolvidos no processo decisório;
e) em março de 2026, foi concluído o Relatório Final da Sindicância, que apurou que a decisão de aplicar nas Letras Financeiras do Banco Master partiu de iniciativa unilateral do então Diretor-Presidente do Instituto, integrante da gestão anterior, sem deliberação colegiada prévia do Comitê de Investimentos, sem consulta à consultoria de investimentos e sem a elaboração do Atestado de Compatibilidade exigido pelas normas aplicáveis — conclusão que converge com a linha de apuração ora noticiada;
f) em 06 de maio de 2026, os Conselhos Deliberativo e Fiscal do PREVIPAULISTA, reunidos em sessão extraordinária conjunta, aprovaram por unanimidade o envio das conclusões da Sindicância ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), bem como o ajuizamento das medidas judiciais de responsabilização adiante descritas.
Vale dizer que as conclusões a que a investigação ora deflagrada se propõe a chegar já haviam sido, em grande medida, alcançadas e formalizadas pelo próprio Instituto, por iniciativa própria, com encaminhamento espontâneo aos órgãos de controle competentes.
Além disso, conforme dados oficiais do Ministério da Previdência Social (Ofício SEI nº 4334/2025/MPS), dezenas de entes públicos de todo o país — incluindo Estados e Municípios de grande porte — aplicaram, entre 2023 e 2024, valores que somam aproximadamente R$ 1,86 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Sendo assim, o aporte realizado pelo PREVIPAULISTA, no valor de R$ 3 milhões, figura entre os menores valores de toda a relação nacional
Reiteramos que a exposição do PREVIPAULISTA ao Banco Master S.A. representa parcela ínfima da carteira total de investimentos do Instituto, que administra patrimônio superior a R$ 140 milhões.
A solvência do PREVIPAULISTA permanece plenamente assegurada, e o pagamento dos benefícios previdenciários aos servidores não foi e não será afetado por este evento.
O Instituto segue cumprindo e superando sua Meta Atuarial, mantendo-se entre os melhores Regimes Próprios de Previdência Social do Estado de Pernambuco em termos de rentabilidade e governança.
O PREVIPAULISTA reafirma seu compromisso inegociável com a proteção do futuro dos servidores públicos de Paulista e manterá a sociedade informada sobre o andamento das medidas adotadas.
Atenciosamente,
GIOVANNA MARIA OLIVEIRA DA CONCEIÇÃO CORDEIRO
Diretora-Presidente PREVIPAULISTA
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