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Velocidade: Projeto de Velocidades Seguras corre o risco de ser excluído na revisão do Código de Trânsito Brasileiro

10 June 2026 at 15:42

A redução da velocidade nas ruas e avenidas do País, como já recomendado por ninguém menos que a Organização Mundial da Saúde (OMS), poderá ficar de fora de novas mudanças previstas para o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em discussão no Congresso Nacional. O alerta é feito por entidades que lidam com a segurança viária num País que mata, por ano, quase 40 mil pessoas no trânsito - 70% delas ocupantes de motocicletas, vale destacar.

A Comissão Especial do PL 8085/2014, que debate as mudanças estruturais no CTB, deve se reunir nesta quarta-feira (10/6) para votar o parecer do relator, deputado federal Aureo Ribeiro (Solidariedade). Apesar de o colegiado consolidar 270 propostas de alteração, a minuta atual do relatório não inclui o PL 2789/2023, conhecido como o "PL das Velocidades Seguras". O projeto propõe a readequação dos limites urbanos, estabelecendo o máximo de 50 km/h em avenidas onde hoje se permite 60 km/h, além de autorizar a fiscalização via radares da velocidade média entre dois pontos. Atualmente, essa fiscalização é feita em um único ponto.

A possível exclusão do projeto ocorre em um momento de tensões políticas devido às Eleições 2026, onde medidas de gestão de velocidades são vistas pelos parlamentares como temas sensíveis e impopulares por tocarem em fiscalização e limites. Por outro lado, enquanto a redução de velocidades corre o risco de ficar de fora, a comissão discute pautas perigosas como a redução da idade para a primeira habilitação para 16 anos. O colegiado avalia diversas mudanças, desde a formação de condutores até regras para veículos elétricos e exames toxicológicos, mas entidades de mobilidade alertam que a gestão de velocidade é a medida mais eficaz para salvar vidas.

CENÁRIO ALARMANTE DAS MORTES NO TRÂNSITO BRASILEIRO

Arte
Impactos da alta velocidade nos sinistros de trânsito. Arte feita com IA a partir de dados apurados pela reportagem - Arte

A urgência na aprovação de limites mais seguros é sustentada por estatísticas críticas. Em 2021, o Brasil registrou 33.813 mortes no trânsito, um aumento em comparação ao ano anterior, interrompendo uma tendência de queda. Entre os anos de 2014 e 2020, o País contabilizou a perda de mais de 252 mil vidas devido à violência viária. Dados da OMS reforçam que as lesões de trânsito são, atualmente, a principal causa de morte no mundo entre crianças e jovens de 5 a 29 anos, o que torna o tema uma questão de saúde pública inadiável.

Conheça o PL das Velocidades Seguras AQUI

A relação entre a velocidade desenvolvida pelo veículo e a letalidade de um sinistro é direta e científica. De acordo com especialistas, a 30 km/h, a chance de fatalidade em um atropelamento é de apenas 10%; no entanto, ao atingir 50 km/h, esse risco salta para mais de 80%. Além da gravidade do impacto, dirigir em velocidades mais altas estreita a visão periférica do condutor e reduz drasticamente o tempo disponível para reação em situações de emergência, tornando pedestres, ciclistas e motociclistas as vítimas mais frequentes dessa dinâmica.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL E RECOMENDAÇÕES DA OMS

Divulgação
Quanto maior a velocidade, mais estreita se torna a visão periférica do motorista, dificultando a percepção de pedestres e ciclistas nas laterais da via. Ciclistas e pedestres são as principais vítimas das altas velocidades - Divulgação

O PL 2789/2023 busca alinhar a legislação brasileira às diretrizes da OMS, que recomenda o limite de 50 km/h para vias urbanas em todo o mundo. Cidades como Toronto e Bogotá já implementaram reduções semelhantes, obtendo uma queda de cerca de 30% na mortalidade no trânsito. Ao contrário do senso comum, testes demonstram que limites de velocidade mais baixos têm impacto mínimo na duração total das viagens urbanas, uma vez que o tempo de deslocamento é muito mais afetado por congestionamentos e semáforos do que pela velocidade máxima permitida.

Com a votação iminente, as organizações da sociedade civil que lutam pela redução das velocidades alertam que a adequação dos limites nas ruas e avenidas deve ser um compromisso permanente do poder público para proteger a vida. “Sem o engajamento social nas redes sociais e o diálogo direto com os parlamentares, o Brasil corre o risco de perder a oportunidade de modernizar seu código de trânsito com base em evidências que comprovadamente reduzem mutilações e óbitos”, argumentam.

 

© PREFEITURA DE FORTALEZA/DIVULGAÇÃO

Redução da velocidade nas ruas e avenidas do País pode ficar de fora das mudanças do CTB
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