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Sou da Paz lança agenda de segurança pública para eleições

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O Instituto Sou da Paz lançou, nesta terça-feira (9), a campanha Vote pela Paz e a agenda eleitoral “Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma Segurança Pública de Verdade”. O objetivo é qualificar o debate eleitoral e pressionar candidaturas a apresentarem planos consistentes, metas e compromissos reais para reduzir a violência no país. A iniciativa se contrapõe a abordagens baseadas no improviso e no populismo.

“A população está cansada de frases de efeito, improviso e promessas simplistas na área da segurança pública. O que as pessoas querem é resultado concreto, proteção no cotidiano e políticas que funcionem de verdade. O período eleitoral é uma oportunidade importante para elevar a qualidade desse debate”, afirmou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Sou da Paz.

Notícias relacionadas:

Embora alguns indicadores nacionais tenham apresentado melhora, como a queda dos homicídios, o Sou da Paz ressalta que o Brasil ainda enfrenta uma realidade em que mais de 44 mil pessoas são vítimas de morte violentas por ano. Há ainda a expansão do crime organizado, aumento das fraudes e extorsões digitais, medo dos roubos, especialmente de celulares, e crescente violência contra meninas e mulheres.

A agenda de propostas apresenta ações aplicáveis nos âmbitos estadual e federal e é organizada em cinco eixos prioritários: proteção de meninas e mulheres; fortalecimento das polícias; enfrentamento ao crime organizado; redução dos roubos; e retirada de armas ilegais de circulação.

As propostas destacam a valorização dos profissionais de segurança, o fortalecimento da investigação criminal, o uso responsável de tecnologia, a integração entre instituições e o combate ao tráfico de armas.

Dados da pesquisa “O que pensa a população brasileira sobre segurança pública”, do Sou da Paz, mostram que 94% da população reconhece algum grau de violência na cidade onde vive, mais da metade (53%) evita sair à noite e um terço (31%) evita o uso de celular na rua, como forma de autoproteção.

“A sociedade quer firmeza, mas quer firmeza que funcione. Existe uma maioria favorável a soluções inteligentes, ao uso de tecnologia, à investigação e à profissionalização das polícias. O desafio agora é transformar essa demanda social em compromisso político concreto”, explica Carolina.  

A pesquisa mostra ainda que, para 82% das pessoas, as câmeras corporais são tecnologias que protegem os bons policiais e produzem provas contra criminosos; 73% acredita que mais armas significam mais mortes e mais violência; e 65% avalia que não é preciso mais policiais, e sim de uma polícia melhor e mais preparada.

Ainda sobre soluções mais eficazes, Carolina destacou a necessidade, por exemplo, de ampliar o olhar sobre o crime organizado, que não se restringe ao tráfico de drogas. “É preciso trazer o sistema financeiro para o debate, fazer investigação financeira e combate à lavagem de dinheiro.”

Crime organizado

Segundo dados compilados na agenda eleitoral, o crime organizado movimentou mais de R$ 350 bilhões nos últimos três anos, incluindo atividades como a venda de combustíveis, garimpo ilegal e contrabando de cigarros e bebidas alcoólicas.

Além de atingir os territórios, segundo o Sou da Paz, o crime organizado ataca o Estado Democrático de Direito ao se infiltrar na administração pública e na política, o que resulta em violência e falta de confiança da população nas instituições.

“Essa presença se reflete num crescimento de 335% de casos de violência política no Brasil nos últimos três anos - somente nos primeiros meses de 2022, foram 45 homicídios”, diz trecho da agenda.

Uma das ações propostas na agenda é o fortalecimento da integração e cooperação entre instituições como Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público e polícias estaduais, além de cooperações internacionais, propiciando estratégias de atuação conjunta contra a lavagem de dinheiro e os diversos mercados ilícitos.

Outra medida é o reordenamento da ação policial, priorizando investigações, investimento em inteligência e fortalecimento de perícias, com objetivo de asfixiar as organizações em suas bases financeiras e de comando. Para o Sou da Paz, as operações de incursão territorial devem ser consideradas de forma excepcional, somente se houver condições de segurança reais para a população e os policiais.

 

Sou da Paz lança agenda de segurança pública para eleições

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O Instituto Sou da Paz lançou, nesta terça-feira (9), a campanha Vote pela Paz e a agenda eleitoral “Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma Segurança Pública de Verdade”. O objetivo é qualificar o debate eleitoral e pressionar candidaturas a apresentarem planos consistentes, metas e compromissos reais para reduzir a violência no país. A iniciativa se contrapõe a abordagens baseadas no improviso e no populismo.

“A população está cansada de frases de efeito, improviso e promessas simplistas na área da segurança pública. O que as pessoas querem é resultado concreto, proteção no cotidiano e políticas que funcionem de verdade. O período eleitoral é uma oportunidade importante para elevar a qualidade desse debate”, afirmou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Sou da Paz.

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A agenda de propostas apresenta ações aplicáveis nos âmbitos estadual e federal e é organizada em cinco eixos prioritários: proteção de meninas e mulheres; fortalecimento das polícias; enfrentamento ao crime organizado; redução dos roubos; e retirada de armas ilegais de circulação.

As propostas destacam a valorização dos profissionais de segurança, o fortalecimento da investigação criminal, o uso responsável de tecnologia, a integração entre instituições e o combate ao tráfico de armas.

Dados da pesquisa “O que pensa a população brasileira sobre segurança pública”, do Sou da Paz, mostram que 94% da população reconhece algum grau de violência na cidade onde vive, mais da metade (53%) evita sair à noite e um terço (31%) evita o uso de celular na rua, como forma de autoproteção.

“A sociedade quer firmeza, mas quer firmeza que funcione. Existe uma maioria favorável a soluções inteligentes, ao uso de tecnologia, à investigação e à profissionalização das polícias. O desafio agora é transformar essa demanda social em compromisso político concreto”, explica Carolina.  

A pesquisa mostra ainda que, para 82% das pessoas, as câmeras corporais são tecnologias que protegem os bons policiais e produzem provas contra criminosos; 73% acredita que mais armas significam mais mortes e mais violência; e 65% avalia que não é preciso mais policiais, e sim de uma polícia melhor e mais preparada.

Ainda sobre soluções mais eficazes, Carolina destacou a necessidade, por exemplo, de ampliar o olhar sobre o crime organizado, que não se restringe ao tráfico de drogas. “É preciso trazer o sistema financeiro para o debate, fazer investigação financeira e combate à lavagem de dinheiro.”

Crime organizado

Segundo dados compilados na agenda eleitoral, o crime organizado movimentou mais de R$ 350 bilhões nos últimos três anos, incluindo atividades como a venda de combustíveis, garimpo ilegal e contrabando de cigarros e bebidas alcoólicas.

Além de atingir os territórios, segundo o Sou da Paz, o crime organizado ataca o Estado Democrático de Direito ao se infiltrar na administração pública e na política, o que resulta em violência e falta de confiança da população nas instituições.

“Essa presença se reflete num crescimento de 335% de casos de violência política no Brasil nos últimos três anos - somente nos primeiros meses de 2022, foram 45 homicídios”, diz trecho da agenda.

Uma das ações propostas na agenda é o fortalecimento da integração e cooperação entre instituições como Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público e polícias estaduais, além de cooperações internacionais, propiciando estratégias de atuação conjunta contra a lavagem de dinheiro e os diversos mercados ilícitos.

Outra medida é o reordenamento da ação policial, priorizando investigações, investimento em inteligência e fortalecimento de perícias, com objetivo de asfixiar as organizações em suas bases financeiras e de comando. Para o Sou da Paz, as operações de incursão territorial devem ser consideradas de forma excepcional, somente se houver condições de segurança reais para a população e os policiais.

 

Com versículos bíblicos e pauta eleitoral, PT lança carta aos evangélicos

9 June 2026 at 12:36

O Partido dos Trabalhadores (PT) publicou nesta segunda-feira (8) uma carta aberta direcionada ao eleitorado evangélico. O documento mistura citações bíblicas com propostas de governo e defende a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

O documento é assinado pelo IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, que ocorreu em Brasília.

Documento rejeita visão de bloco político único

A carta rejeita a ideia de que os evangélicos brasileiros como um bloco político único e afirma que o encontro não pretende falar em nome de todas as denominações. Além disso, critica a "tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política".

A carta é estruturada em torno de versículos bíblicos que funcionam como moldura para cada bloco temático. O documento abre com uma passagem de Isaías cujo texto trata de libertar oprimidos e repartir alimento com famintos, e recorre a Tiago, Mateus, Efésios e Pedro ao longo do texto - sempre ancorando as posições políticas em referências do Novo Testamento.

Propostas defendidas pelo governo

Entre as propostas, o documento defende a ampliação de programas sociais já existentes, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e a Farmácia Popular, e apoia medidas em curso no governo Lula, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1.

A carta também fala sobre o fortalecimento da agricultura familiar e da Reforma Agrária, políticas de primeiro emprego para a juventude, atenção integral à saúde da mulher e garantia de acesso da população negra ao sistema de justiça.

Meio ambiente e soberania nacional

O texto trata, ainda, da soberania e da proteção das florestas, das águas e da biodiversidade - e usa a expressão "Casa Comum", associada ao papa Francisco.

O encontro desta segunda aconteceu em meio a um conflito da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia. Ele criticou os encontros que ela vem realizando com mulheres evangélicas, chamando suas interlocutoras de "insignificantes". Janja reverteu o adjetivo contra ele e afirmou não o reconhecer como pastor.

PT busca ampliar presença entre evangélicos

O PT tem dificuldade de atrair os votos evangélicos e a carta é um aceno em direção a este eleitorado. Segundo o Censo do IBGE de 2022, evangélicos representavam 26,9% da população brasileira e 55,4% desse total eram mulheres. Pesquisa indicam grande desvantagem de Lula neste espectro.

Além disso, no início do ano o presidente se viu envolvido em uma crise com parte da comunidade evangélica em razão de uma ala do desfile da escola de samba que o homenageava e que satirizava grupos religiosos. A própria Janja fez uma autocrítica durante o encontro, reconhecendo que o PT se isolou das igrejas ao longo dos anos.

Na última semana, evangélicos de diferentes denominações se reuniram na Marcha para Jesus, em São Paulo. O evento contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do PT nestas eleições, mas não com a de Lula. O presidente afirmou que decidiu não participar para "não passar a ideia de que quer tirar proveito político de algo sagrado". Ele foi representado pelo ministro da AGU, Jorge Messias.

Saiba como assistir aos Videocasts do JC

© Ricardo Stuckert

Lula (PT)

Para petistas de Pernambuco, Wellington Dias se precipitou sobre palanque duplo de Lula com João Campos e Raquel Lyra

9 June 2026 at 01:33

Premido pelas circunstâncias e pela cobrança do pré-candidato a governador João Campos sobre a fala do ministro Wellington Dias ao jornal O Globo anunciando que o presidente Lula terá dois palanques em Pernambuco, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que há um mês, durante encontro do PT em Pernambuco, declarou estar aberto ao diálogo com a governadora caso ela decida apoiar a reeleição do presidente, se apressou a soltar uma nota esta segunda-feira afirmando, de forma categórica, que no estado “o presidente Lula tem um único palanque e é o de João Campos”.

Falou antes do tempo

Petistas pernambucanos ouvidos por este blog adiantaram que o ministro Wellington Dias teria se precipitado em suas declarações.

Um deles chegou a citar que “colocaram o carro na frente dos bois” explicando que o ministro, que é coordenador da campanha de Lula no Nordeste, falou em algo que não está definido em função da outra parte, que é a governadora, não ter se manifestado sobre a eleição para presidente.

Um outro que também solicitou anonimato com receio de aumentar a confusão disse que “na entrevista de Wellington ficou claro que ele estava falando de forma genérica sobre as alianças que poderiam ser feitas não só em Pernambuco como em outros estados do país".

Realidade dos fatos

Além da necessidade de acalmar João, Edinho Silva, segundo uma fonte deste blog na direção nacional do PT, teria falado dentro da realidade dos fatos: “até agora a governadora tem agradecido muito a Lula mas não disse claramente que vai apoiá-lo, portanto, não há como citar dois palanques enquanto isso não acontecer”.

Essa mesma fonte adiantou que “até a eleição ainda podem ocorrer muitas coisas, inclusive Raquel declarar apoio ao presidente mas essa questão ainda não está posta”.

Citou que em 2022 Lula teve o apoio de Danilo Cabral, Marília Arraes e de João Arnaldo, do PSOL e este ano pode ter o apoio de Raquel além do que já tem de João Campos e do PSOL, mas ainda não tem”.

Na verdade, desde que a questão dos dois palanques em Pernambuco foi citada pelo próprio presidente, em um evento do PT na Bahia em 2025, que os petistas pernambucanos começaram a conviver com essa realidade.

Nessa época ficou mais estreita a relação entre a bancada estadual do partido que faz parte da base de apoio da governadora e o Palácio do Campo das Princesas, o mesmo acontecendo com o senador Humberto Costa e o deputado federal Carlos Veras.

Mas com o fechamento da chapa de João Campos, tendo Humberto e Marília como candidatos ao Senado, houve um esfriamento na relação oficial do PT com Raquel.

O próprio Edinho deixou claro na ocasião que o partido deveria estar no palanque de João Campos, obedecendo a um entendimento nacional com o PSB, mas que caberia a Lula definir a postura dele no estado, como candidato à reeleição, sempre ressaltando a necessidade da governadora ser mais firme no apoio ao presidente.

Pelo visto, está cobrando isso e só vai mudar se houver por parte da governadora algum gesto de aproximação.

Pergunta que não quer calar: a governadora Raquel Lyra vai declarar apoio à reeleição do presidente Lula ou permanecer neutra?

Avante nervoso

O partido Avante, que apoia a governadora Raquel Lyra e é comandado pelos irmãos Waldemar e Sebastião Oliveira, viveu momentos de turbulência este final de semana após a decisão do ex-prefeito de Custódia, Emmanuel Fernandes, conhecido como Manuca de se afastar da campanha à reeleição de Waldemar a deputado federal para apoiar o deputado Fernando Monteiro, do PSD, da governadora Raquel Lyra, também candidato à reeleição.

Manuca, que, por indicação do Avante, foi secretário de desenvolvimento profissional e empreendedorismo da governadora e se afastou para ser candidato a federal, apoiou Monteiro logo depois de aceitar o convite para voltar ao Governo como secretário da Assessoria Especial da governadora.

Sebastião, que é candidato a deputado estadual e muito estouvado, gravou um vídeo denunciando traição sem citar a quem estava se referindo.

© divulgação

Edinho Silva, segundo uma fonte, teria falado dentro da realidade dos fatos

Ruído entre PT e PSB às vésperas da eleição envolve João Campos, Lula e Raquel Lyra

9 June 2026 at 00:56

A corrida eleitoral em Pernambuco voltou a ter o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como personagens centrais da disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).

Desta vez, o tema que mobilizou os bastidores políticos foi a possibilidade de um eventual palanque duplo para Lula no Estado, hipótese levantada pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, coordenador da campanha do presidente no Nordeste, em entrevista ao jornal O Globo publicada no último domingo (7).

A declaração provocou reação imediata de dirigentes petistas e socialistas, levando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a desautorizar publicamente o ministro e expôs uma discussão sensível para 2026: até onde Lula poderá se aproximar de Raquel Lyra sem gerar atritos com João Campos e o PSB?

O episódio transpassa as fronteiras pernambucanas, já que não envolve apenas a disputa pelo Governo do Estado, mas mexe também em uma das principais alianças da campanha presidencial e um elo que já se repetiu outras vezes na história, entre Lula, PT e PSB.

Além de pré-candidato ao governo, João Campos também preside nacionalmente o PSB, responsável pelas articulações da legenda a nível nacional, tendo realizado discussões frequentes com Lula e Edinho Silva sobre os palanques conjuntos de socialistas e petistas em diferentes estados, incluindo Pernambuco.

Outro ponto importante da aliança entre PSB e PT está na vice-presidência, ocupada por Geraldo Alckmin desde as eleições de 2022. Agora na presidência nacional da legenda socialista, João Campos participou ativamente da articulação que garantiu Alckmin na chapa para 2026.

Por isso, a possibilidade de um eventual apoio dividido de Lula em Pernambuco foi recebida com desconforto por setores do PSB. Em março, o PT pernambucano já tinha formalizado apoio à candidatura de João Campos em um ato político que reuniu dirigentes nacionais, militância e lideranças da Frente Popular.

A fala que provocou o ruído

Na entrevista ao O Globo, Wellington Dias afirmou que Pernambuco, Maranhão e Paraíba seriam estados onde Lula poderia contar com mais de um palanque.

Quando questionado especificamente sobre Pernambuco, o ministro foi direto.

“Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra”, afirmou.

“Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela”, acrescentou.

A declaração surpreendeu aliados de João Campos e integrantes do PT pernambucano. Desde março, quando o diretório estadual petista oficializou apoio à pré-candidatura do socialista ao governo, a construção política tem sido apresentada como parte de uma aliança nacional entre PT e PSB, com participação direta da direção nacional e do próprio presidente Lula.

O tema ganhou novos contornos nesta segunda-feira (8), quando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, desautorizou publicamente a declaração de Wellington Dias. Também ao Globo, Edinho afirmou que não existe discussão sobre palanque duplo em Pernambuco.

“Essa posição está clara desde o início, em Pernambuco o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário”, declarou.

Segundo a reportagem, a reação ocorreu após dirigentes do PSB demonstrarem incômodo com a declaração do ministro e o próprio João Campos procurar Edinho Silva para cobrar explicações.

Nos bastidores, lideranças socialistas avaliam que um eventual apoio dividido de Lula em Pernambuco teria repercussões que ultrapassariam a disputa estadual e poderiam gerar ruídos em negociações nacionais entre PT e PSB.

PT de Pernambuco reforça apoio exclusivo a João

Ao Jornal do Commercio, o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, afirmou que a posição do partido em Pernambuco segue exatamente a orientação construída pela direção nacional.

Segundo ele, não houve qualquer debate interno sobre palanque duplo durante as discussões que antecederam a formalização da aliança com o PSB.

“O que nós construímos aqui foi em sintonia com o presidente Lula e com o presidente Edinho, que coordena a campanha de Lula. Aqui nós temos um palanque, um time montado”, afirmou Veras, em contato com o JC.

O dirigente ressaltou que a decisão não foi tomada apenas pela direção estadual, mas construída conjuntamente com a cúpula nacional do partido.

“Foi algo construído com o presidente Edinho e com o presidente Lula”, disse.

Veras também destacou que a composição em Pernambuco acompanha uma estratégia nacional consolidada entre PT e PSB. 

“Como a gente ia discutir algo aqui se nacionalmente estavam sendo construídas alianças com o PSB em todo o país? Não foi com o PSD que foi construído, foi com o PSB”, afirmou.

“A decisão de Pernambuco jamais seria uma decisão dessintonizada com a orientação e a decisão nacional. Repito: a decisão de Pernambuco seguiu a decisão nacional, porque nós somos um partido nacional.”

O presidente estadual do PT também destacou que o partido da governadora Raquel Lyra, o PSD, já tem o seu pré-candidato para presidente: o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. De acordo com Veras, 

"A governadora vai disputar a sua reeleição por um partido que tem candidato a presidente da república, o PSD. [...] Os ministros que ele (Wellington Dias) está falando, deve estar falando dos ministros do PSD que estão na base do governo ainda. Mesmo com o PSD com candidato a Presidente da República, o partido continua no governo, inclusive com mais de um ministro", afirmou.

Em nota divulgada após a repercussão do caso, a direção estadual reforçou o posicionamento.

“Como já decidido pelo PT de Pernambuco e já alinhado com o PT-Nacional, a campanha do presidente Lula à reeleição só terá um palanque aqui em nosso estado, formado com o PSB e comandado pelo presidente da sigla, ex-prefeito do Recife e pré-candidato a governador de Pernambuco, João Campos”, afirmou o partido.

Disputa mais acirrada ajuda a explicar debate

Embora o episódio tenha sido rapidamente encerrado pela direção nacional do PT, a repercussão da fala de Wellington Dias evidenciou uma discussão que persiste nos bastidores da sucessão estadual.

Para o cientista político Antônio Lucena, o tema voltou a ganhar relevância porque o cenário eleitoral mudou nos últimos meses.

Segundo ele, quando João Campos aparecia com vantagem confortável nas pesquisas, a associação entre Lula e o palanque socialista era um movimento mais simples. O avanço recente de Raquel Lyra, porém, tornou a equação mais delicada para setores do campo governista.

“Antes, a posição em torno de João era mais confortável para Lula, porque estava dando um indicativo de que ele estava à frente. Mas agora, com as novas pesquisas saindo e mostrando que há uma indefinição entre Raquel e João, fica realmente mais complicado fazer esses movimentos”, avaliou.

Na visão do especialista, a situação pernambucana possui uma característica particular: a elevada aprovação de Lula no Estado e a ausência, até o momento, de uma candidatura bolsonarista competitiva ao governo.

“Lula é bem avaliado no Estado de Pernambuco. Já o bolsonarismo enfrenta mais dificuldades. Então esse movimento em torno do presidente não é de se espantar tanto de um lado como de outro”, afirmou.

Lucena avalia que esse cenário faz com que tanto João Campos quanto Raquel Lyra tenham interesse em manter proximidade política com o presidente, ainda que ocupem campos distintos na disputa estadual.

“Como a gente não tem um candidato bolsonarista forte dentro do Estado, então não acho que é um grande problema”, observou.

Ao mesmo tempo, ele pondera que um eventual apoio dividido teria reflexos sobre a composição das chapas majoritárias, especialmente nas disputas para o Senado.

“O palanque duplo gera problemas com indicados ao Senado e outras figuras que estão preocupadas com essa composição. Mas isso não altera tanto o quadro principal porque a polarização entre Raquel e João já está muito consolidada”, afirmou.

Raquel evita entrar na disputa

A repercussão da fala de Wellington Dias também alcançou a governadora Raquel Lyra. Horas antes de Edinho Silva descartar a possibilidade de palanque duplo, a governadora foi questionada sobre a relação com Lula e evitou antecipar qualquer definição para a eleição de 2026.

“Como muitas vezes se divulgava que era impossível que eu e o governo do Estado pudéssemos estabelecer uma relação sólida com o governo federal, com o presidente e com seus ministros... Existe confiança de ambos os lados e a gente tem trabalhado muito para fazer entregas ao povo de Pernambuco”, afirmou.

A declaração foi dada durante a entrega de 40 ônibus para o transporte público da Região Metropolitana do Recife financiados com recursos do Novo PAC, medida do governo federal.

Sem comentar diretamente a possibilidade de um eventual apoio eleitoral de Lula, Raquel destacou a relação institucional construída com o governo federal desde o início de sua gestão.

Debate continua nos bastidores

A intervenção de Edinho Silva encerrou oficialmente o ruído, mas não eliminou a discussão política que a fala de Wellington Dias revelou.

Setores do governo federal e quadros do PT já defenderam em outros momentos a manutenção de canais abertos com Raquel Lyra, especialmente diante da importância estratégica de Pernambuco para a campanha presidencial de 2026.

Por outro lado, o PSB trata a disputa estadual como uma das prioridades nacionais da legenda e considera essencial preservar a vinculação entre João Campos e o presidente da República. João, inclusive, já teve o nome discutido por vezes como um eventual sucessor de Lula no futuro.

A rápida atuação da direção nacional petista evitou que o episódio evoluísse para uma crise aberta entre PT e PSB. Ainda assim, a sequência de declarações deixou evidente que, a pouco mais de um ano da eleição, o apoio de Lula permanece como um dos ativos políticos mais disputados da sucessão pernambucana.

Se oficialmente o PT reafirma que o palanque do presidente em Pernambuco é o de João Campos, a repercussão da fala de Wellington Dias mostrou que o tema continua mobilizando atenções tanto em Pernambuco quanto em Brasília.

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© Ricardo Stuckert/PR

Fala de ministro de Lula abriu ruído entre PT e PSB, mobilizando dirigentes nacionais e recolocando em discussão o peso político do presidente na disputa entre Raquel Lyra e João Campos

Raquel Lyra garante que existe "confiança de ambos os lados" com Lula, mas desconversa sobre palanque

8 June 2026 at 18:48

Horas antes de o PT desautorizar o ministro Wellington Dias por defender um palanque duplo em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) garantiu que construiu uma relação "sólida" com o presidente Lula e seus ministros – mas desconversou sobre qualquer compromisso eleitoral para 2026.

"Como muitas vezes se divulgava que era impossível que eu e o governo do Estado pudéssemos estabelecer uma relação sólida com o governo federal, com o presidente e com seus ministros... Existe confiança de ambos os lados e a gente tem trabalhado muito para fazer entregas ao povo de Pernambuco", afirmou a governadora.

A declaração foi feita durante a entrega de 40 ônibus para o transporte público da Região Metropolitana do Recife (RMR), financiados com recursos do Novo PAC. O evento ocorreu depois de o ministro Wellington Dias ter dito, em entrevista ao O Globo, que a campanha de Lula deveria contemplar dois palanques no estado – um com João Campos (PSB) e outro com a própria Raquel Lyra.

A fala gerou reação imediata do PSB e do próprio Campos, que procurou o presidente do PT, Edinho Silva, para se queixar e cobrar explicações, de acordo com O Globo.

Edinho, coordenador da campanha de Lula, foi categórico ao rechaçar a declaração do ministro. "Essa posição está clara desde o início: em Pernambuco, o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário", afirmou.

Cenário

Ao ser questionada sobre 2026, Lyra preservou o espaço político sem se comprometer, numa postura recorrente de quem quer manter todas as portas abertas antes da hora.

A fala da governadora ocorre num momento delicado para a política pernambucana. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio colocou Raquel Lyra numericamente à frente de João Campos (PSB) na corrida pelo governo do estado — 48% contra 43% —, invertendo uma vantagem de 12 pontos que o pré-candidato do PSB tinha em abril.

O novo cenário alimenta o debate sobre qual palanque seria mais estratégico para Lula no estado, tensionando a relação entre PT e PSB. Ao elogiar a parceria com o governo federal sem fechar questão sobre 2026, Lyra mantém aberta uma porta que o PSB quer ver trancada, e que uma ala do PT, como ficou claro com a declaração de Wellington Dias, ainda não descartou cruzar.

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© RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

Raquel Lyra e Lula
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