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Após cobrança de João Campos, presidente do PT rebate ministro de Lula e garante palanque único em Pernambuco

8 June 2026 at 18:14

O presidente do PT, Edinho Silva, desautoriza o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, após declarações dadas por ele ao O Globo em que defendia a construção de dois palanques para o presidente Lula em Pernambuco – um com João Campos (PSB) e outro com a governadora Raquel Lyra (PSD).

A crise foi deflagrada depois que a cúpula do PSB reagiu com irritação à fala do ministro e o próprio Campos procurou Edinho para se queixar e cobrar explicações.

Coordenador da campanha de Lula, Edinho foi categórico ao desfazer o efeito das palavras de Dias.
"Essa posição está clara desde o início: em Pernambuco, o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário", declarou.

Na entrevista, Dias havia defendido uma articulação voltada ao centro político como parte da campanha à reeleição do petista, argumentando que palanques estaduais mais amplos seriam estratégicos para garantir governabilidade em um eventual novo mandato.

Ao citar Pernambuco, mencionou tanto Campos quanto Lyra. "Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela", disse o ministro.

A declaração caiu como uma bomba no PSB. Dirigentes da sigla são frontalmente contrários à possibilidade de Lula dividir seu apoio no estado e tratam a eleição ao governo de Pernambuco como a principal prioridade do partido.

Interlocutores do presidente alertaram nos bastidores que qualquer sinalização de apoio dividido pode levar o PSB a reavaliar seus compromissos com o PT em outros estados.

Disputa antiga 

O atrito entre as duas legendas em torno de um eventual duplo palanque no estado não é novidade. O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa também chegou a defender a tese, com o argumento de que a disputa de 2026 será acirrada e Lula não poderia abrir mão de nenhum apoio, posição que contrariava diretamente Campos.

O nervosismo dos aliados do PSB tem base no novo cenário eleitoral revelado pelas pesquisas. Levantamento do Datafolha divulgado no fim de maio mostrou uma virada: Raquel Lyra apareceu com 48% das intenções de voto contra 43% de Campos, além de estar à frente em eventual segundo turno – inversão significativa em relação a abril, quando o pré-candidato do PSB tinha 12 pontos de vantagem.

O episódio evidencia as tensões de bastidores que cercam a construção da candidatura de Lula à reeleição – e os riscos de declarações desalinhadas num tabuleiro eleitoral cada vez mais sensível.

 

© Ricardo Stuckert

Edinho Silva (PT) e o presidente Lula (PT)

Lula deve dividir apoios entre Raquel Lyra e João Campos em Pernambuco, diz coordenador de campanha

8 June 2026 at 13:08

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá contar com um palanque duplo em Pernambuco nas eleições de 2026. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta semana, na qual o ministro tratou da estratégia política do governo para a disputa presidencial.

Responsável pela articulação da campanha de reeleição de Lula no Nordeste, Dias defendeu uma organização política construída a partir das realidades estaduais e indicou que o presidente deverá buscar apoio simultâneo da governadora Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), adversários na disputa pelo Governo de Pernambuco.

“Estamos trabalhando com mais de um palanque em vários estados: Maranhão, Paraíba, Pernambuco”, afirmou o ministro. Questionado sobre a existência de um palanque duplo no estado, respondeu: “Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra”.

Ao justificar a estratégia, Wellington Dias lembrou o posicionamento adotado por Raquel Lyra na eleição presidencial de 2022. “Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição e, no segundo turno, teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela”, declarou.

A sinalização reforça uma tendência de aproximação entre o governo federal e a governadora pernambucana. Raquel Lyra passou a estreitar relações com o Palácio do Planalto ao longo do mandato, participando de agendas com Lula e ampliando parcerias administrativas com a União.

Ao mesmo tempo, João Campos é hoje um dos principais aliados do presidente no Nordeste. Integrante do PSB, partido que ocupa a vice-presidência da República com Geraldo Alckmin, o ex-prefeito do Recife mantém alinhamento político com o PT em Pernambuco.

Impacto do palanque duplo

Com a estratégia de manter pontes com os dois grupos, Lula busca uma vantagem eleitoral no estado, onde obteve ampla votação em 2022. Para Raquel Lyra, a perspectiva de dividir o palanque de Lula com João Campos pode fortalecer sua tentativa de ampliar o diálogo com o eleitorado de centro e centro-esquerda.

Por outro lado, a possibilidade de um palanque duplo não é o cenário considerado ideal pelo grupo político de João Campos. Aliados do socialista defendem que a candidatura ao Palácio do Campo das Princesas tenha o apoio exclusivo de Lula e do PT no estado. A avaliação é que um alinhamento formal apenas com João evitaria a divisão de um ativo eleitoral considerado estratégico na disputa estadual.

Na entrevista ao O Globo, Wellington Dias também avaliou que um dos principais erros do terceiro mandato de Lula foi não consolidar uma maioria simples no Congresso Nacional. Segundo ele, o governo precisa fortalecer a relação com partidos aliados e construir palanques estaduais que garantam maior governabilidade em um eventual novo mandato presidencial.

"Pelo modelo partidário brasileiro, a organização tem que ser pelos estados. Esse foi um erro que cometemos em querer resolver por cima. Devemos organizar estado por estado, porque é lá que sabemos quem é governo e quem é oposição. É lá que estão colados com o eleitor", comentou o ministro.

© Colagem: Ricardo Stuckert/Rodolfo Loepert

À esquerda, Raquel Lyra e Lula. À direita, Lula e João Campos
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