Normal view

0 jogo bonito para milionários

5 June 2026 at 13:55
Créditos: MDC Media Group

À medida que se aproxima o dia 11 de junho, o primeiro jogo do Mundial de 2026 será disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México. Até ao dia 19 de julho, quando se jogará a grande final, uma euforia nacionalista irá contagiar todos os países concorrentes e demais adeptos, gerando o caos em todo o planeta. Milhões de pessoas vão alterar o seu modo de vida para fazer parte de um jogo ou para o assistir através dos vários sistemas de transmissão disponíveis. É um jogo bonito, mas será mesmo?

Por trás da pompa e da circunstância, cada uma das cidades anfitriãs está em sobressalto com programas pretensiosos e dispendiosos, não para fazer os residentes felizes, mas para satisfazer as exigências corruptas da FIFA. Não vou questionar a paixão ou a força da crença daqueles que têm atitudes fanáticas sobre a lealdade a um jogo de futebol ou a um país, mas questiono este temperamento fraco e temporário daqueles que convenientemente usam estes eventos para roubar à sociedade a sua normalidade no trabalho ou dentro da própria cidade, porque o fogo da estupidez não pode ser contido em nome do futebol. 

Há meses que parece que o Campeonato do Mundo da FIFA é um passeio de lazer por um museu de alegria com subtonsdemoníacos de expectativas sombrias. Talvez esteja errado, mas o entusiasmo que está a ser promovido ignora a miséria que está a ser imposta à normalidade da vida nas cidades anfitriãs. O Canadá está a gastar mil milhões de dólares, o que equivale a 85 milhões de dólares por jogo para acolher uma dúzia de partidas. Poderíamos argumentar que o dinheiro trará benefícios para o país a longo prazo, mas a história prova o contrário. A única entidade que beneficia é a FIFA e, depois de todo o barulho cessar, são os cidadãos das cidades e dos países que ficam a arcar com as despesas. Após o torneio, Trump continuará por cá com as tarifas e o desenvolvimento económico condicionado, enquanto a FIFA regressa a casa para continuar a abraçar a corrupção da “Era Dourada” e a desfrutar dos lucros de preços inflacionados devido às condições antiéticas impostas às cidades anfitriãs. Parceiros sem escrúpulos do sistema da FIFA vergar-se-ão às condições impostas, e a vilania, como uma doença, infetará aqueles que por eles foram sancionados durante muitos anos. 

Padrões de corrupção ancestrais circulam pela cultura que é a FIFA e, embora muitos possam contestar esta afirmação, a história provou que o lucro desmedido e a exploração estão na base do jogo bonito. Em 2015, uma investigação liderada pelo Departamento de Justiça dos EUA expôs subornos sistemáticos, branqueamento de capitais e associação criminosa. A investigação levou à queda do então presidente Sepp Blatter e à detenção de inúmeros funcionários de alto escalão. Em 2016, Gianni Infantino foi eleito prometendo uma era de transparência e reforma, mas em 2023, condenações por suborno relacionadas com direitos televisivos voltaram a mostrar a sua face mais feia.

E não nos esqueçamos do “Prémio da Paz” para Donald Trump, que nunca saberá como se escreve paz.

Na sexta-feira, 12 de junho, o Canadá defrontará a Bósnia-Herzegovina em Toronto para abrir os jogos no Canadá. Toronto, apesar das constantes queixas da Presidente do Município, Olivia Chow, sobre os custos, está a fazer os possíveis para “pôr batom no porco” — que é o que Toronto é atualmente —, fechando ruas, despejando sem-abrigo, removendo acampamentos, colocando faixas falsas e outras coberturas para esconder estruturas temporárias e dando preservativos a todos os jogadores com o logótipo da FIFA para garantir que todos os bebés concebidos em Toronto tenham uma marca da FIFA na testa.

Não sejamos apenas negativos aqui: todos podemos beber até às 4 da manhã e ir trabalhar às 6 da manhã, por isso vamos fazer festa a noite toda para que as pessoas nos acampamentos não consigam dormir, uma vergonha! Como se atrevem a colocar pessoas vulneráveis em locais perigosos, num estado de desconforto? Vamos criar mais engarrafamentos, mais barulho, mais irritação e bilhetes a preços exorbitantes porque é um jogo bonito. Não é verdade, Ronaldo?

Manuel DaCosta/MS


Beautiful Game for Millionaires

As the date of 11 th June approaches, the first game of the 2026 World Cup will be played at Estadio Azteca in Mexico City. Until July 19°, when the final game is to be played, nationalistic euphoria will permeate all the competing countries and other supporters, creating chaos around the globe. Millions of people will alter their way of life to be part of a game or to watch it on the various broadcasting systems available. It’s a beautiful game, but is it? 

Beneath the pomp and circumstance, each of the hosting cities are in overdrive with pretentious costly programs not to make the residents happy but to satisfy the corruptive demands of FI FA. I will not question passion or power of belief from those with fanatistic attitudes about loyalty to a soccer-garneuroeountry, bt.it I vvi-11 -qu-estion thi􀀸 “vve-ak-ten1porary temf.Jt::ram-ent-of those-vvho conveniently use these events to rob society of its normalcy at work or within the city itself, because the fire of stupidity cannot be contained in the name of soccer. For months now, it feels as if the FIFA World Cup is a leisurely walk through a museum of joy with demonic undertones of darkening expectations. Perhaps I’m wrong but the elation being promoted ignores the misery being thrust upon the normality of life in the host cities. Canada is spending a billion dollars, equating to 85 million dollars per game to host a dozen games. We could argue that the money will bring benefits to the country in the long run, but history proves otherwise. 

The only benefiting entity is FIFA and after all the noise ceases, it’s the citizens of the cities and countries that are left holding the bag. After the tournament, Trump will still be there with tariffs and restrained economic development while FIFA returns home to continue embracing Gilded Age corruption and enjoying the spoils of inflated pricing due to unethical conditions placed on host cities. Unscrupulous associates of the FIFA system will bow to the conditions imposed and neferiosity as a disease will infect those who were sanctioned by them for many years to come. Ancient corruptive standards are circulating through the culture which is FIFA and while many may dispute the assertion, history has proven that profiteering and exploitation is at the base of the beautiful game. In 2015, a USA led Department of Justice investigation exposed systematic bribery, money laundering and racketeering. The probe led to the downfall of the then President Sepp Blatter and the arrest of numerous high-ranking officials. In 2016, Gianni Infantino was elected, promising an era of transparency and reform but in 2023, bribery convictions related to TV rights once again reared its ugly head. 

And let’s not forget the “Peace Prize” for Donald Trump who will never know how to spell peace. 

On Friday June 12″, Canada will play Bosnia Herzegovina in Toronto to open up the games in Canada. Toronto, despite Mayor Chow’s constant complaining about costs, is going all out in spreading lipstick on the pig, which is Toronto currently, closing streets, evicting homeless people, removing encampments, placing fake banners and other coverings to hide temporary structures and giving condoms to all players with the FIFA logo to ensure that all babies conceived in Toronto will have a FIFA marking on their foreheads.

Let’s not be all negative here, we can all drink until 4am and go to work at 6am, so let’s party all night so that people in encampments can’t sleep, shame! How dare you place vulnerable people in perilous places in a state of discomfort? Let’s create more gridlock, more noise, more aggravation and unaffordable tickets because it’s a beautiful game. Right, Ronaldo?

Manuel DaCosta/MS

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