Empreendedora cria marca de roupas para presos após identificar demanda em Pernambuco
Com olhar atento, nas filas de visita ao presídio onde o marido cumpre pena, a pernambucana Lucyanna Mendes, de 28 anos, identificou uma oportunidade de negócio. Ao perceber a dificuldade de detentos e familiares em encontrar roupas que atendessem às regras rígidas do sistema prisional, decidiu criar uma marca especializada nesse mercado, que vem ganhando espaço no país.
Há um ano, Lucyanna criou a "Império Delas", negócio destinado à venda de camisas, bermudas, toalhas, sandálias, entre outras peças que são necessárias para a rotina de quem cumpre pena de prisão. Além disso, criou roupas femininas para as companheiras ou mães de reeducandos — há regras definidas para os visitantes no sistema prisional.
"Nas visitas, eu percebi o sofrimento de muitas mães e mulheres de presos para conseguirem comprar os fardamentos. As bermudas, por exemplo, não podem ter bolso nem logomarca. Vi nisso uma forma de ganhar dinheiro de forma honesta", contou.
Os itens que os presos podem receber dos familiares, como alimentação, vestuário e produtos para higiene pessoal, também são conhecidos como "jumbos".
A empreendedora, que tem formação tecnológica em logística, criou uma loja no Instagram com o mesmo nome da marca e conta com quase 3 mil seguidores. A mãe, costureira, ajuda na produção das roupas. Outros parentes servem de "modelos" para a divulgação das peças nas redes sociais.

As vendas não são apenas virtuais. Às terças, quartas, quintas-feiras e nos fins de semana, dias de maior movimentação, ela chega cedo ao Presídio de Igarassu, no Grande Recife.
Perto da unidade, enquanto as filas se formam, ela apresenta seus produtos e atrai interessados. "O movimento varia de acordo com a data. No começo do mês sempre é maior, porque é quando as famílias recebem salário. Também faço entregas em qualquer unidade prisional do Estado", explicou.
Pernambuco conta, atualmente, com mais de 25 mil presos em regime fechado. A estatística da Secretaria Estadual de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional demonstra o tamanho da demanda.
Os preços dos itens fornecidos por Lucyanna são acessíveis. Uma camisa masculina custa R$ 20, mesmo valor da bermuda. A calça é R$ 35, enquanto a cueca sai por R$ 12. Para as visitantes, um conjunto feminino sai por R$ 60. "Muitas mulheres chegam às unidades com roupa inadequada para as regras, por isso levo opções para elas", disse.
COMO EMPREENDER?
Lucyanna contou que, desde a infância, mostrou interesse por negócios. "Cresci com os meus pais empreendendo. Aos 10 anos, vendia canetas na escola. Mais para frente, passei a fazer cursos no Sebrae e no Senai. Sempre que aparecem oportunidades, estou participando", disse.
A ideia de investir no empreendedorismo penitenciário não é novidade no país. A adesão começou no Sudeste e se espalha por outras regiões, diante da crescente demanda.
"Apesar de ser muito nichado, é um negócio promissor, mas que tem regras de atuação muito rígidas e específicas", pontuou Cleto Paixão, especialista em Finanças e Contabilidade do Sebrae-PE.
Na avaliação dele, o ponto inicial para quem quer investir nesse mercado é entender a legislação e as normas das instituições carcerárias.
"O segundo ponto é ter um bom controle de estoque e buscar precificar de forma justa seus kits, além de lembrar que é uma atividade que deve ser discreta, para preservar seus clientes. Os erros mais comuns cometidos por quem está iniciando em vendas são desconhecer a operação do negócio e não saber como precificar, gerando prejuízos. É preciso também fazer capacitação de precificação, controles financeiros e de como abrir o negócio do zero. O Sebrae pode auxiliar em tudo isso", explicou.
Outro ponto destacado pelo especialista é a diversificação das vendas para aumentar o lucro.
"É possível participar de licitação para venda de cestas básicas ou montar e vender cestas para quem quer realizar doações. Outra opção é vender cestas montadas via internet, assim como vender esses jumbos para outros estados de forma virtual."
SERVIÇO DO SEBRAE-PE
Para dúvidas e agendamento de atendimento presencial no Recife, o Sebrae disponibiliza o 0800-570-0800, que funciona 24 horas por dia. A ligação é gratuita e também funciona com troca de mensagens pelo WhatsApp.
Quem mora no interior, não precisa de agendamento, Há sedes regionais do Sebrae nos municípios de Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada, Araripina e Petrolina. Mais informações pelo site sebrae.com.br/pernambuco.


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