Orla do Recife tem novo aditivo de R$ 11,5 milhões enquanto 30% das obras seguem pendentes
As obras de requalificação da orla do Recife receberam um novo aditivo contratual de R$ 11,5 milhões. Assinado em 30 de março, o terceiro termo aditivo desde o início da intervenção elevou o custo total do projeto para R$ 146,6 milhões, valor R$ 36,8 milhões superior ao orçamento inicial de R$ 109,8 milhões.
Em nota, a Prefeitura do Recife destaca que o aditivo “foi necessário após a identificação de serviços excedentes e extras durante a execução da obra”.
Entre os excedentes estão a ampliação da sinalização na Avenida Boa Viagem e a substituição de tubulações de drenagem que não puderam ser reaproveitadas. Já os itens não previstos originalmente incluem equipamentos para atender a concessionária de abastecimento de água, ajustes de logística e recapeamento das quadras de tênis.
O aditivo não foi publicado no Diário Oficial do Recife, mas consta no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). De acordo com a prefeitura, a legislação não exige publicação no Diário Oficial do Município.
Cronograma revisado e atrasos

Inicialmente prevista para ser executada em 18 meses, a requalificação da orla sofreu alterações no cronograma desde o início da execução.
De acordo com a Prefeitura do Recife, a requalificação está 70% concluída e enfrentou interferências com redes subterrâneas de água, drenagem, energia elétrica e gás. A nova previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2026.
“Embora mapeadas no projeto, essas redes não eram georreferenciadas, ou seja, a localização exata só era confirmada no momento da escavação. Isso gerou suspensões pontuais dos serviços para replanejamento e ajustes para compatibilizar as novas instalações com a infraestrutura existente no subsolo da orla”, diz o texto.
Em entrevista à Rádio Jornal, em dezembro de 2025, o então prefeito João Campos (PSB), atualmente pré-candidato ao Governo de Pernambuco, garantiu que até o mês de setembro de 2026 o projeto seria concluído e entregue à população.
A expectativa inicial, porém, era que uma etapa da nova orla da capital pernambucana fosse inaugurada a cada quatro meses. Poucos dias após a eleição municipal de 2024, Campos declarou que a população começaria a receber trechos concluídos da nova orla em etapas sucessivas.
“Vamos ter, a partir do início do ano que vem [2025], o cheiro da nova orla no ar. De 4 em 4 meses tem uma etapa inaugurada”, disse Campos, no dia 10 de outubro de 2024.
Na ocasião, a gestão trabalhava com um prazo total de 18 meses para conclusão da intervenção, o que indicava entrega até abril de 2026.
Uma das justificativas da gestão municipal para o atraso da primeira etapa da requalificação havia sido as fortes chuvas registradas no meio do ano de 2025, que influenciaram o ritmo de execução de alguns serviços.
O cronograma divulgado pela Prefeitura do Recife em 2024 previa as seguintes entregas:
- Porto Terra Nova – dezembro de 2024
- Esportes – maio de 2025
- Praia Sem Barreiras – maio de 2025
- Calçadão Etapa 1 – fevereiro de 2026 (da divisa com Jaboatão dos Guararapes até o Mercado do Peixe, com extensão de 7,92 km)
- Mercado do Peixe – junho de 2026
- Calçadão Etapa 2 – setembro de 2026 (do final da Parque das Esculturas até o final do Mercado do Peixe, com extensão de 1,6 km)
- Estação Mulher – setembro de 2026
- Pracinha de Boa Viagem – dezembro de 2026
- Clube da Vara – abril de 2027
- Primeiro, Segundo e Terceiro Jardim – junho de 2027
Concessão

O Projeto Orla Parque, que tem o objetivo de integrar as praias de Boa Viagem, do Pina e de Brasília Teimosa, será entregue à iniciativa privada em um modelo de concessão por 25 anos.
Com a Parceria Público-Privada (PPP), a empresa vencedora do certame deve ficar responsável pelos serviços de gestão, operação e manutenção, além de execução de obras e serviços de engenharia.
O projeto prevê a revitalização do calçadão, a construção de áreas de lazer, quadras poliesportivas e espaço para jogos de tabuleiro, além de outra Estação Praia Sem Barreiras e requalificação dos banheiros da orla.


© ARTUR BORBA / JC IMAGEM
