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O Estado de Pernambuco deu mais um passo para ampliar o reconhecimento oficial de sua riqueza cultural e de seu potencial econômico. O Sebrae/PE e a Agência Estadual de Desenvolvimento Econômico (Adepe) formalizaram, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), os pedidos de Indicação Geográfica (IG) para três importantes manifestações do artesanato de tradição do estado: o artesanato em barro do Alto do Moura, localizado em Caruaru; as esculturas em madeira de Sertânia; e a delicada renda renascença de Poção. A expectativa é que a análise final do órgão federal ocorra em um prazo de até 18 meses.
A iniciativa faz parte do Projeto Origens, uma parceria entre a Adepe e o Sebrae voltada para impulsionar a economia das regiões a partir de suas raízes e tradições. Segundo o superintendente do Sebrae/PE, Murilo Guerra, a formalização representa uma etapa crucial para valorizar saberes tradicionais, territórios e cadeias produtivas que carregam história e qualidade reconhecida. Na mesma linha, a diretora-presidente interina da Adepe, Roberta Andrade, reforçou o compromisso do Governo do Estado em desenvolver as vocações dos territórios pernambucanos e impulsionar a competitividade desses produtos.
O caminho até o registro oficial envolve etapas rigorosas. Após o protocolo, o INPI publicará os pedidos na Revista da Propriedade Industrial para dar publicidade ao processo. Em seguida, terá início o exame técnico para avaliar a conformidade da documentação. Durante este período, podem surgir exigências de correções, manifestações de terceiros ou mesmo a suspensão temporária do processo, culminando na decisão final de concessão ou negativa do registro, da qual ainda cabe recurso.
Os três novos pedidos somam-se a um esforço coordenado ainda maior no estado. Atualmente, a parceria entre o Sebrae/PE, a Adepe e governanças locais dá andamento a outros 13 processos de certificação em etapas avançadas, que devem ser protocolados ainda este ano. A lista de produtos candidatos inclui itens que vão desde alimentos de origem animal e vegetal até outras expressões artesanais, como o abacaxi de Pombos, o artesanato em barro de Tracunhaém, os tradicionais bolos de noiva, de rolo e Souza Leão, os cafés de Taquaritinga do Norte e de Triunfo, a carne ovina do Sertão do São Francisco, o mel do Sertão do Araripe e o queijo coalho do Araripe. Com a consolidação dessas demandas, Pernambuco projeta alcançar 16 novos registros oficiais nos próximos anos.
A estruturação dessas candidaturas teve início há pouco mais de um ano e exigiu a organização de associações representativas de produtores e artesãos. Também foram realizados profundos levantamentos históricos e culturais, além da elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, documento indispensável que assegura a manutenção do "saber fazer", os padrões de qualidade e as características peculiares que vinculam cada produto ao seu território de origem.
Os três candidatos recém-protocolados possuem forte identidade regional. O artesanato em barro do Alto do Moura, no Agreste Central, ganhou projeção internacional a partir do legado de Mestre Vitalino e hoje reúne dezenas de ateliês que retratam o cotidiano e a religiosidade local. No Sertão do Moxotó, o artesanato em madeira de Sertânia destaca-se pela lapidação da umburana em formas alongadas e magras que representam a vida sertaneja, gerando renda para dezenas de famílias. Já a renda renascença de Poção, no Agreste Meridional, é uma técnica de origem europeia adaptada por centenas de rendeiras locais, famosa pela delicadeza de seus detalhes e pela tradição transmitida de geração em geração.


© LEO MAGALHÃES






