Talvez o mais invulgar não seja que um festival de filosofia tenha decidido instalar-se entre prédios de habitação social, parques infantis, praças de bairro e ludotecas, mas antes que continuemos a estranhar que o pensamento exista nesses lugares, como se a dúvida precisasse de paredes universitárias para ser legítima, ou a reflexão de estantes carregadas de livros para acontecer.
O país mudou quase tudo nas últimas quatro décadas. Mudaram as estradas, os bancos, os centros comerciais, as fábricas e até a forma como os portugueses olham para o mundo. Pelo caminho desapareceram empresas, profissões e setores inteiros que pareciam indispensáveis.