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Lula reage a declarações de Trump e promete apresentar urna eletrónica ao norte-americano

17 June 2026 at 21:58

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, reagiu hoje às declarações do homólogo norte-americano, Donald Trump, sobre a situação política do Brasil, afirmando que os Estados Unidos têm de aprender com o sistema eleitoral brasileiro.

Lula respondeu a Trump durante uma conferência de imprensa realizada à margem da Cimeira do G7, em Évian, França, e prometeu mostrar ao chefe de Estado norte-americano uma urna eletrónica na próxima vez que os dois se encontrarem.

Antes, numa conferência de imprensa, Trump declarou que a situação política no Brasil é perigosa e que o país se tornou “um pouco complicado”.

Na ocasião, o político republicano foi questionado sobre se conversou durante o G7 sobre as novas tarifas impostas ao Brasil e sobre a classificação de fações criminosas brasileiras como organizações terroristas globais.

“Na verdade, passei bastante tempo com ele [Lula]. E o Brasil tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. A situação política ficou um pouco perigosa. Você está falando do Brasil, certo? Tem sido algo desagradável”, completou.

Na sequência, Trump mostrou o seu apoio a Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato a Presidente do Brasil, e tornou a comentar o sistema eleitoral brasileiro ao dizer que “eles jogam duro, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos”.

Questionado sobre essas declarações de Trump, Lula ironizou, dizendo que o norte-americano conhece pouco o Brasil.

“Eu acho que ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, declarou.

O Presidente brasileiro defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral do país e destacou a rapidez do apuramento dos resultados.

“Se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo Trump”, afirmou o chefe de Estado brasileiro.

“Na próxima vez eu vou levar uma urna eletrónica para mostrar para ele como é que ela funciona”, ironizou.

Segundo Lula, Trump tem o direito de manter as suas preferências políticas e ideológicas, mas deve respeitar o princípio da não ingerência entre Estados.

“Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tem nenhum problema. (…)  Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”, indicou.

“O que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos Estados Unidos”, declarou.

Questionado sobre a sua relação com Trump durante a cimeira, Lula afirmou que não solicitou uma reunião bilateral com o Presidente norte-americano porque os dois países continuam a negociar questões das tarifas.

“Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação”, explicou.

O chefe de Estado brasileiro criticou ainda as tarifas anunciadas por Washington contra produtos brasileiros e classificou a decisão como uma atitude inadequada.

“Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil”, disse.

Lula afirmou que as negociações continuam a ser conduzidas pelos ministros e diplomatas dos dois países e manifestou confiança numa solução negociada.

Apesar das divergências, o Presidente brasileiro indicou que mantém aberta a possibilidade de um contacto direto com Trump caso as conversações não avancem.

“Se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone e ligar para o Trump outra vez e marcar uma outra conversa”, afirmou.

Brasil e UE assinam parceria digital visando independência dos EUA e China

12 June 2026 at 21:39

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia afirmou hoje, no final da assinatura de um acordo com o Brasil, que a soberania digital e tecnológica é uma das prioridades da Europa.

Na conferência de imprensa, em Brasília, que se seguiu à assinatura, no Ministério das Relações Exteriores, de uma Parceria Digital entre as duas partes, Henna Virkkunen afirmou que, na busca por essa independência, a Europa quer trabalhar em cooperação com parceiros de confiança para garantir resiliência na cadeia de suprimentos “e ter total liberdade de escolha sobre com quem e como operar”.

A assinatura da parceria ocorre num cenário geopolítico complexo, em que o bloco europeu procura alternativas para reduzir a dependência tecnológica perante a rivalidade entre a China e os Estados Unidos.

“Porque vemos que aqueles que detêm o poder nessas tecnologias dominam não só a economia, mas também o mundo”, completou ao ser questionada pela Lusa sobre o contexto de rivalidade entre os Estados Unidos e a China.

Para a responsável europeia, “há uma forte conexão entre tecnologias e segurança, por exemplo. É por isso que é importante para a Europa evitar esse tipo de dependência”.

“Sempre fomos muito abertos a investimentos e negócios globais, mas agora vemos também que essa cadeia de suprimentos global pode, às vezes, ser usada como arma contra nós se formos muito dependentes de uma única empresa ou país”, indicou.

No novo instrumento, as duas partes preveem intensificar a cooperação em governança da inteligência artificial, infraestrutura pública digital, conectividade, proteção de dados, semicondutores, inovação tecnológica, computação de alta performance, proteção de crianças e adolescentes na Internet e governança digital.

A cooperação inclui enfrentar de maneira eficaz os riscos sistémicos que afetam crianças e adolescentes, como a exposição a conteúdos prejudiciais ou inadequados e a exploração das suas vulnerabilidades.

O evento no Palácio do Itamaraty contou com a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos do Brasil, Esther Dweck.

Na abertura da sessão, Virkkunen declarou que a UE e o Brasil optaram por trabalhar como parceiros de confiança, “num momento em que a tecnologia está moldando cada vez mais o poder económico e a influência geopolítica”.

Segundo disse, para a Europa, “a soberania tecnológica não se trata de protecionismo ou isolacionismo”.

“Trata-se de fortalecer a nossa capacidade de inovar, competir e fazer as nossas próprias escolhas, mantendo-nos abertos ao mundo”, acrescentou.

Henna Virkkunen reforçou a importância da cooperação entre parceiros estratégicos, salientando que nenhum país pode ter sucesso sozinho na era digital.

“Inteligência artificial, semicondutores, conectividade, infraestrutura em nuvem e cibersegurança dependem da cooperação internacional, de cadeias de suprimentos resilientes e de padrões compartilhados”, afirmou.

Neste cenário, disse, o Brasil apresenta-se como “um parceiro fundamental neste esforço”.

“Como uma das principais economias digitais do mundo e uma voz cada vez mais importante em questões digitais globais, o Brasil tem um papel central a desempenhar na definição das tecnologias do futuro”, concluiu.

O Brasil junta-se assim ao Japão, Coreia do Sul, Singapura e Canadá como parceiro digital da UE.

Na quinta-feira, em entrevista exclusiva à Lusa, o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, declarou que o Brasil “muda de ‘status’ em relação à União Europeia” com a assinatura da parceria.

Depois de se reunir com Henna Virkkunen, Alckmin destacou do encontro com a representante da UE o potencial brasileiro para receber investimentos em centros de dados (`data center`, em inglês), devido à grande oferta de energia renovável do Brasil.

“O que limita hoje os `data center` no mundo é a falta de energia e nós temos energia abundante e ainda energia renovável”, indicou.

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