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Risco digital começa antes do impacto: KPMG defende antecipação como fator crítico para as empresas

10 June 2026 at 09:01

A cibersegurança deixou de ser apenas uma preocupação tecnológica para assumir um papel central na competitividade, na confiança e no crescimento das organizações. Esta é uma das principais conclusões do relatório Cybersecurity Considerations 2026, da KPMG, que alerta para a necessidade de uma abordagem mais preventiva e integrada face ao aumento das ameaças digitais.

Segundo o estudo, que reúne contributos de mais de duas dezenas de especialistas internacionais, 79% dos CEOs globais consideram o cibercrime e a insegurança digital como a maior ameaça aos seus negócios, ultrapassando fatores como a pressão regulamentar (69%) e os conflitos geopolíticos (57%).

A consultora  destaca que os ciberataques começam muito antes do seu impacto se tornar visível, explorando vulnerabilidades que servem de porta de entrada para operações cada vez mais sofisticadas. Neste contexto, a antecipação surge como um elemento-chave para reforçar a resiliência das organizações, numa altura em que a inteligência artificial (IA), a fragmentação geopolítica e a evolução da regulamentação estão a transformar o panorama do risco digital.

“A confiança digital é hoje um diferencial competitivo. À medida que a IA amplia capacidades – tanto de atacantes como de defensores – é essencial gerir o risco associado a identidades não humanas em toda a cadeia de valor. Segurança e compliance não têm de ser um travão à inovação; pelo contrário, podem ser um catalisador, ao garantirem resiliência digital”, afirma Sérgio Martins, Cybersecurity Partner da KPMG Portugal.

O relatório identifica a inteligência artificial como o principal motor de transformação do ciberespaço. Se, por um lado, os atacantes recorrem à automação, à IA generativa e a agentes autónomos para escalar ataques, por outro, as empresas utilizam estas mesmas tecnologias para detetar ameaças em tempo real e responder com maior rapidez a incidentes.

De acordo com os dados apresentados, 92% dos executivos do setor tecnológico acreditam que a gestão de agentes autónomos de IA será uma competência essencial nos próximos cinco anos. Ainda assim, a confiança pública continua a ser um desafio: mais de metade da população mundial (54%) afirma desconfiar da utilização desta tecnologia, reforçando a necessidade de mecanismos robustos de segurança e governação.

Entre as principais tendências destacadas pela KPMG está o crescimento exponencial das chamadas identidades não humanas – contas de serviço, máquinas, aplicações e agentes de IA –, que já superam largamente o número de utilizadores humanos nas organizações.

Esta realidade está a ampliar a superfície de ataque. O estudo revela que 59% das empresas foram vítimas, no último ano, de uma violação de segurança provocada por terceiros, frequentemente através da exploração de credenciais de máquinas com permissões excessivas. A consultora alerta mesmo que a próxima grande falha de segurança poderá resultar não de um erro humano, mas de uma máquina a operar sem controlo adequado.

Geopolítica, regulação e cadeia de abastecimento redefinem a segurança

A crescente tensão geopolítica e o reforço do quadro regulatório estão também a obrigar empresas e entidades públicas a repensarem as suas infraestruturas tecnológicas, a relação com fornecedores e a localização dos dados.

Na União Europeia, diretivas como a NIS2, a DORA e a CER estão a deslocar o foco da simples proteção da informação para a resiliência operacional, exigindo que as organizações demonstrem capacidade para resistir, responder e recuperar de incidentes cibernéticos, especialmente em setores críticos como energia, telecomunicações, saúde e banca.

Ao mesmo tempo, a cadeia de abastecimento está a transformar-se numa verdadeira “attack chain”. A dependência de fornecedores de serviços cloud, software, inteligência artificial e serviços digitais faz com que o risco cibernético se estenda a todo o ecossistema empresarial. Segundo a KPMG, a resiliência da supply chain é atualmente o principal fator a influenciar as decisões de negócio a curto prazo, enquanto 45% das organizações admitem que o risco regulamentar associado a terceiros aumentou significativamente.

Perante este cenário, o papel do Chief Information Security Officer (CISO) está também a evoluir. O responsável pela segurança da informação deixa de ser apenas um gestor técnico para assumir uma função estratégica, contribuindo para integrar a segurança nos processos de inovação, na adoção da inteligência artificial e no crescimento sustentável das empresas.

A mensagem do relatório é clara: num contexto marcado pela incerteza tecnológica e geopolítica, a cibersegurança já não é apenas uma questão de defesa. É um ativo económico, um fator de diferenciação competitiva e uma condição essencial para reforçar a confiança digital.

Consumo ilícito de cigarros sobe para 2,7% em Portugal com perda fiscal de 45 milhões de euros

8 June 2026 at 23:18

O consumo de cigarros ilícitos em Portugal aumentou para 2,7% do total em 2025, correspondendo a cerca de 220 milhões de cigarros ilegais consumidos e gerando uma perda estimada de 45 milhões de euros em receitas fiscais, mais 3 milhões de euros do que no ano anterior. Apesar da subida, Portugal mantém uma das taxas mais baixas da Europa, segundo o mais recente estudo da KPMG sobre o mercado ilícito de tabaco, encomendado pela Philip Morris Products.

O relatório revela que, enquanto Portugal continua a registar valores controlados, o mercado ilícito na União Europeia registou um agravamento significativo. Em 2025, o consumo de cigarros do mercado negro na UE atingiu os 41,8 mil milhões de unidades, o equivalente a 10,3% do consumo total – o valor mais elevado desde 2014 e a primeira vez em mais de uma década que o mercado ilícito ultrapassa a barreira dos 10%. Este aumento superior a 7% face ao ano anterior resultou numa perda de receita fiscal estimada em 16,7 mil milhões de euros para os Estados-membros.

A França continua a ser o país mais afetado do continente, com uma quota de mercado ilícito de 41% e um volume impressionante de 20,5 mil milhões de cigarros ilegais consumidos. Outros países com elevadas taxas de consumo ilícito são a Irlanda (35%), o Reino Unido (32%), a Bélgica (25%), o Chipre (24%) e os Países Baixos (22%).

“Portugal mantém-se como um exemplo positivo na Europa, mas o aumento registado serve de alerta para a necessidade de continuar a combater o comércio ilegal”, sublinha o estudo. A subida do mercado negro na UE reflete desafios crescentes relacionados com o contrabando, a evasão fiscal e o enfraquecimento das medidas de controlo nas fronteiras.

O relatório da KPMG, que analisa anualmente o fenómeno em toda a Europa, volta a destacar a importância de políticas coordenadas para reduzir o impacto económico e de saúde pública associado ao tabaco ilícito.

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