A Polícia Civil de Agrestina prendeu Cosmo Carlos da Silva, conhecido como Carlinhos, suspeito de envolvimento em diversos furtos no município, incluindo casos de violação de túmulos no cemitério da cidade. Segundo a investigação, ele também teria ameaçado uma funcionária responsável pela administração do local.
Além disso, Carlinhos é investigado pelo furto de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial. De acordo com a polícia, os equipamentos teriam sido vendidos para a compra de drogas. As autoridades pedem que possíveis vítimas ou pessoas com informações sobre outros crimes procurem a delegacia para colaborar com as investigações.
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Esse texto foi gerado por inteligência artificial, com base em vídeo autoral da TV Jornal, sob monitoramento de jornalistas profissionais
O São João de 2026 ganhou mais um atrativo com a abertura do evento Comidas Gigantes, que tem como destaque a preparação da maior dobradinha do mundo. A festa também reúne atrações gastronômicas tradicionais, como o café Ouro Verde e a pipoquinha.
Além da culinária, o evento conta com ações voltadas à sustentabilidade. A empresa de energia solar Vittron participa da programação distribuindo ecobags exclusivas e copos produzidos com fibra de coco, reforçando a campanha de conscientização ambiental durante os festejos.
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Um corpo ainda não identificado foi encontrado na manhã da última quinta-feira (4) nas proximidades da Ponte Irmã Jerônima, área de acesso ao bairro do Riachão, Caruaru. Equipes das polícias Militar e Civil foram acionadas para atender a ocorrência.
De acordo com as informações iniciais da investigação, não foram encontrados indícios aparentes de morte violenta. A suspeita é de que a vítima fosse um morador de rua que circulava pela região. O corpo será encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para identificação e localização de familiares.
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Familiares, amigos, representantes da cultura e autoridades prestaram as últimas homenagens ao economista e escritor Alfredo Bertini, fundador do Cine PE, durante velório realizado nesta sexta-feira (5), na sede social do Sport Club do Recife, na Ilha do Retiro. Bertini morreu na noite da quinta-feira (4), aos 65 anos.
Presente na cerimônia, o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR), Marcelo Canuto, destacou a importância de Bertini na cadeia cultural de Pernambuco e do Brasil.
"Sem dúvida, o grande legado dele é o Cine PE, que este ano completou 30 anos. O festival ajudou a fomentar o cinema do Recife, de Pernambuco e do Brasil, trazendo produtores, artistas e promovendo um grande debate sobre a importância do cinema para a cultura e para a economia", afirmou.
Velório de Alfredo Bertini foi realizado na sede do Sport Club do Recife, na Ilha do Retiro - Eduardo Scofi/JC Imagem
A esposa de Bertini, Sandra Bertini, emocionou-se ao falar sobre a trajetória do companheiro e a relação dos dois com o festival.
"Alfredo e eu somos completamente apaixonados pelo Cine PE. Ele tinha muito orgulho do que construiu como homem, como pai e como marido. Era um homem generoso, educado e agregador", declarou.
Amigo próximo da família, o jornalista Beto Lago ressaltou o legado deixado por Bertini para o audiovisual brasileiro e fala sobre o caráter ímpar do escritor.
"Além do legado profissional, era uma das pessoas mais conciliadoras que já conheci. Em qualquer situação de conflito, ele chegava para unir as pessoas", disse.
Legado para o audiovisual brasileiro
Idealizador de um dos principais festivais de cinema do país, Bertini foi responsável por criar, há três décadas, o Cine PE. A iniciativa se consolidou como uma das mais importantes vitrines do audiovisual brasileiro, contribuindo para a projeção do cinema pernambucano e nacional, além de promover encontros entre realizadores, artistas e produtores culturais.
Mesmo diante do luto, a organização confirmou que a 30ª edição do Cine PE será mantida. A decisão foi anunciada como forma de honrar a trajetória e a contribuição de Alfredo Bertini para o cinema brasileiro.
O economista e escritor deixa a esposa, Sandra, os filhos Vitor e Patrícia, nora, genro e um legado indestrutível na história das telas brasileiras.
Há momentos em que uma universidade deixa de ser apenas um espaço de aulas, bancas, seminários e certificados, e se transforma num lugar de reconhecimento da vida. Foi o que aconteceu na presença do jornalista Francisco José, o Chico José, no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco. O encontro, dedicado ao tema “A espiritualidade e memória dos povos indígenas registrados pela TV”, promovido pelo grupo de pesquisa Religião, Identidades e Diálogos emocionou professores, estudantes e convidados ao trazer relatos sobre povos originários, rituais, memória, espiritualidade e jornalismo vivido no coração da Amazônia.
Mas chamar aquilo apenas de palestra talvez seja pouco. Depois da aula de Chico José, é impossível não lembrar de sua obra inteira. Impossível não pensar no menino vindo do Crato, criado no Recife, que fez da voz sertaneja uma assinatura nacional. Impossível não reconhecer que aquele jornalista, conhecido como o “repórter dos cinco continentes”, nunca precisou abandonar Pernambuco para ganhar o mundo. Pelo contrário, foi levando Pernambuco na fala, no olhar, no jeito matuto assumido, na coragem de perguntar e na habilidade rara de transformar a reportagem em memória pública.
Chico não foi apenas um repórter de aventura. Essa definição é pequena demais. Ele foi, e continua sendo, um intérprete do Brasil profundo. Mergulhou nos sete mares, atravessou desertos, subiu montanhas, enfrentou guerras, entrou em aldeias, percorreu rios amazônicos, mostrou animais gigantes, registrou festas populares, denunciou a seca, revelou belezas naturais e ajudou o país a enxergar territórios que, muitas vezes, só existiam para o centro do poder como estatística, distância ou problema.
Na aula da Unicap, sua narrativa sobre os povos indígenas ultrapassou o campo da comunicação. Para quem pesquisa Ciências da Religião, o que Chico apresentou foi um arquivo vivo sobre espiritualidade, ritual, cura, morte, território e resistência. Quando contou a experiência com os Enawenê-Nawê, não descreveu rituais como curiosidade exótica. Falou de fé. Falou de um povo para quem canto, dança, pesca e oferenda não são encenação, mas modo de sustentar o mundo. Ao narrar a história da menina indígena em coma, filha do cacique, Chico colocou diante da universidade uma das questões mais complexas da ética: até onde o jornalista registra e a partir de que momento o ser humano precisa intervir?
Ele interveio. E a menina viveu. Mais do que um episódio emocionante, ali estava uma aula sobre alteridade, responsabilidade e limite. O repórter sabia que não deveria se tornar notícia. Mas também sabia que nenhuma regra profissional pode ser maior do que uma vida. Para as Ciências da Religião, esse relato tem enorme força porque mostra o encontro entre uma cosmologia indígena, uma prática ritual de cura, a medicina ocidental e a responsabilidade ética de quem testemunha o sofrimento do outro. Chico não reduziu a espiritualidade indígena a folclore. Ele a tratou como experiência humana profunda.
Esse é um ponto decisivo. Francisco José produziu conhecimento. Não conhecimento preso à linguagem acadêmica tradicional, mas conhecimento de campo, de escuta, de corpo, de risco e de memória. Suas reportagens são documentos para pesquisadores da comunicação, da antropologia, da história, do turismo, do meio ambiente, da cultura popular e das religiões. São fontes para pensar o Brasil que canta, reza, sofre, resiste, dança, migra, trabalha e sobrevive.
Foi assim também na cobertura da seca no Nordeste. Durante anos, Chico acompanhou o drama de milhares de sertanejos. Dona Iraci, uma de suas personagens mais marcantes, tornou-se símbolo de um tipo de Brasil que a televisão não podia esconder. Naquele tempo, a palavra “fome” era proibida pela censura, mas uma panela vazia dizia o que a censura tentava calar. Chico denunciou soluções inúteis, como as chamadas barragens de “sonrisal”, e mostrou que havia alternativas simples e concretas; poços, açudes eficientes, cisternas, políticas públicas capazes de enfrentar o problema com dignidade.
Isso também é universidade. Isso também é extensão. Isso também é pesquisa aplicada. Quando um repórter mostra que uma política pública não funciona, acompanha a vida de uma mulher que caminha quilômetros para trabalhar e volta para alimentar os filhos com quase nada, ele não está apenas fazendo televisão. Está produzindo consciência social. Está obrigando o país a olhar para onde não queria olhar.
E, no caso de Francisco José, esse olhar sempre teve uma dívida amorosa com Pernambuco. Ele mostrou o Nordeste sem maquiagem, mas também sem desprezo. Mostrou o lado ferido e o lado bonito. Mostrou a seca e mostrou o São João. Mostrou o sertão e mostrou o mar. Mostrou Fernando de Noronha, o Atol das Rocas, a natureza exuberante, o frevo, o Galo da Madrugada, o carnaval do Recife e de Olinda, as festas que formam a alma do povo nordestino. O próprio Memória Globo, projeto da Rede Globo, registra sua paixão pelo Atol das Rocas, a 148 km de Fernando de Noronha, e lembra a dimensão que a cobertura do Galo ganhou, transmitida para milhões e levada inclusive para o exterior.
É curioso. Muitos conhecem Chico como o repórter que atravessou o mundo, mas talvez sua maior grandeza esteja em ter mostrado Pernambuco ao mundo e, mais ainda, em ter mostrado Pernambuco aos próprios pernambucanos. Há territórios que só passam a existir no imaginário coletivo quando alguém os narra com verdade. Chico fez isso. Deu imagem, voz e pertencimento a um estado que ele adotou e que o adotou.
Sua trajetória, claro, não se resume à paisagem. Na Guerra das Malvinas, em 1982, foi expulso da Argentina pelos militares. No Recife, em 1987, durante a cobertura de um assalto a banco, ofereceu-se para ficar como refém no lugar de uma mulher grávida ameaçada com um revólver na cabeça. São episódios que demonstram coragem, mas também revelam uma marca de sua carreira. Ele nunca foi um jornalista de gabinete. Sempre esteve no lugar onde a história acontecia.
Por isso, depois de uma aula como essa, uma pergunta se impõe com força: por que nenhuma universidade pernambucana concedeu a Francisco José o título de Doutor Honoris Causa? Não se trata de vaidade. Nem de transformar popularidade em diploma. O título de Doutor Honoris Causa é a distinção máxima que uma universidade pode conceder a personalidades com contribuições relevantes às ciências, às letras, às artes ou à sociedade em geral. É um reconhecimento público de trajetória, mérito intelectual e serviço prestado à coletividade.
Então, se é disso que estamos falando, o caso de Chico José parece evidente. Poucos jornalistas brasileiros ensinaram tanto sobre território, cultura, natureza, religião, sofrimento social e identidade nacional. Poucos produziram um acervo tão amplo sobre o Brasil real. Poucos atravessaram com tanta coerência a fronteira entre comunicação e educação pública. Poucos fizeram o país ver o Nordeste, a Amazônia, o Sertão, o mar e os povos originários com tanta proximidade.
Pernambuco tem universidades capazes de reconhecer grandes trajetórias. A própria Unicap, a UFPE e a UPE já se articularam para conceder conjuntamente o título de Doutor Honoris Causa a personalidades de reconhecida contribuição intelectual e pública. Portanto, a questão não é falta de instrumento institucional. É falta de decisão simbólica. É falta de coragem para afirmar que o saber também nasce fora dos muros acadêmicos.
Chico José merece o título não apesar de ser jornalista, mas justamente porque fez do jornalismo uma forma de conhecimento. Merece não apenas porque viajou pelos cinco continentes, mas porque nunca perdeu o vínculo com o chão de onde fala. Merece não só porque tem uma carreira grandiosa, mas porque sua obra ajuda a entender o Brasil. E, especialmente, ajuda a entender Pernambuco. Suas festas, sua natureza, seu sotaque, sua dignidade, suas contradições. Suas dores e seus amores.
Um Doutor Honoris Causa para Chico José não seria um favor. Seria uma reparação simbólica. Seria a universidade reconhecendo que há mestres que não passaram a vida orientando dissertações, mas orientaram o olhar de gerações inteiras. Mestres que não escreveram tratados acadêmicos, mas deixaram imagens, narrativas e documentos indispensáveis para a memória nacional. Mestres que ensinaram sem lousa, sem PowerPoint e, como ele mesmo gosta de lembrar, sem papel na mão.
Pernambuco não deve esperar a ausência para produzir homenagem. Há uma mania brasileira de reconhecer tarde demais. Com Chico José, ainda há tempo de fazer diferente. Tempo de entregar o título em vida, com ele presente, contando histórias, rindo, provocando, discordando, emocionando e lembrando que seu jeito de falar nunca foi obstáculo, foi identidade.
Depois daquela aula, a pergunta deixou de ser apenas “por que Chico José merece?”. A pergunta agora é outra. Qual universidade pernambucana terá a grandeza de ser a primeira?
Porque doutor, no sentido mais profundo da palavra, é quem ensina. E Chico José ensinou o Brasil a se ver. Falta Pernambuco ter a coragem acadêmica de dizer isso em latim: honoris causa.
João Carvalho, jornalista, pesquisador e mestrando em Ciências da Religião
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) suspendeu, por unanimidade, a primeira licitação para as obras de duplicação da BR-232, no trecho que liga os municípios de São Caetano e Belo Jardim, no Agreste. A decisão, tomada pela Primeira Câmara da Corte no último dia 2 de junho, interrompe o processo conduzido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PE) devido a uma série de irregularidades identificadas no edital.
De acordo com o Tribunal, foram encontradas falhas técnicas que “comprometem a competitividade do certame e colocam em risco a aplicação dos recursos públicos”. Entre os principais pontos questionados estão exigências inadequadas para a participação de empresas; inversão das fases da licitação sem a devida justificativa técnica; divergências entre o Termo de Referência e as planilhas de custos do projeto; e ausência de uma matriz de alocação de riscos - instrumento obrigatório para garantir segurança jurídica e financeira ao contrato.
O Processo TCE-PE nº 26100750-6, que tem relatoria do conselheiro Ranilson Ramos, analisou a Concorrência Eletrônica nº 0012/2026. Com a medida cautelar homologada, o DER-PE está proibido de dar continuidade à concorrência até que as inconsistências sejam esclarecidas e o corpo técnico da Corte de Contas conclua a análise aprofundada do caso.
DUPLICAÇÃO DA BR-232 É APOSTA DO GOVERNO E FUNDAMENTAL PARA A SEGURANÇA VIÁRIA
De acordo com o Tribunal, foram encontradas falhas técnicas que "comprometem a competitividade do certame e colocam em risco a aplicação dos recursos públicos" - Guga Matos/JC Imagem
A licitação do primeiro trecho da futura duplicação da BR-232 ligando o Agreste ao Sertão pernambucano agora suspensa havia sido lançada oficialmente pela governadora Raquel Lyra (PSD) no fim de abril.
O projeto prevê a duplicação de 28,8 km (entre o km 149,10 e o km 177,90), com um investimento estimado de R$ 250 milhões, custeados integralmente pelo governo de Pernambuco. Esta etapa é considerada o primeiro passo de um plano maior que pretende duplicar um total de 264,9 km até Serra Talhada, no Sertão.
A obra é tratada como prioritária devido ao seu potencial de beneficiar 4 milhões de pernambucanos e transformar a logística regional. Mas, além do desenvolvimento econômico, a segurança viária é o fator mais urgente para a expansão da rodovia. A BR-232 é atualmente a estrada federal mais letal de Pernambuco, registrando um índice de mortalidade 50% superior ao da BR-101.
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam que, em 2025, a BR-232 liderou o ranking de óbitos no estado com 105 mortes, superando significativamente as 68 registradas na BR-101. Embora a BR-101 tenha um volume maior de sinistros, as colisões na BR-232 são mais fatais. Um dos fatores determinantes para essa periculosidade é a infraestrutura: dos mais de 550 km da BR-232, menos de 150 km são duplicados (apenas o trecho entre Recife e São Caetano), e mesmo esses segmentos apresentam áreas degradadas e perigosas.
Governo do Estado afirmou que está atendendo a todasas exigências feitas pelo TCE-PE - Jonas Qurino/JC Imagem
O governo de Pernambuco se posicionou via DER-PE. Confira a nota oficial:
“O Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER/PE) recebeu o Relatório preliminar de auditoria, em análise inicial e não definitiva, própria desta fase do processo. O relatório não representa um julgamento sobre o mérito da licitação nem o reconhecimento de qualquer irregularidade.
O DER/PE informa que todas as justificativas técnicas e administrativas relacionadas ao processo licitatório estarão sendo apresentadas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE/PE), dentro prazo estipulado que foi de 5 dias uteis, portanto a data limite é dia 09/06, por meio da documentação formal.
O órgão destaca que responderá de forma completa e fundamentada a todos os pontos levantados pela fiscalização, apresentando pareceres jurídicos, notas técnicas, estudos especializados e demais documentos que integram o processo.
Além disso, todos os pedidos de esclarecimento apresentados antes da sessão de abertura da licitação foram analisados e respondidos dentro dos prazos previstos, sem que fosse identificado qualquer apontamento capaz de comprometer a regularidade ou a continuidade do certame.
Por fim, o Departamento reafirma que permanece à disposição do Tribunal de Contas para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais, mantendo sua atuação pautada pela transparência, legalidade, lisura dos processos e adequada aplicação dos recursos públicos.
O DER/PE também destaca que mantém diálogo permanente com o TCE/PE, colaborando de forma aberta e contínua para o esclarecimento de eventuais dúvidas e questões relacionadas às ações de controle externo”.
PROGRAMA PE NA ESTRADA TAMBÉM COM LICITAÇÃO SUSPENSA
O TCE-PE também decidiu manter a suspensão de um processo licitatório de R$ 767 milhões destinado ao programa estadual PE na Estrada. A medida paralisa as obras de recuperação previstas para 1.508 quilômetros da malha rodoviária do Estado.
O pacote faz parte do Reabilita, um subgrupo do PE na Estrada que prevê a reabilitação de rodovias. A decisão também foi tomada de forma unânime pela Primeira Câmara do TCE-PE, acompanhando o voto do relator Ranilson Ramos. A manutenção da cautelar também se baseou na existência de indícios graves de irregularidades que exigem uma análise técnica profunda antes que o certame produza efeitos concretos.
Confira a nota oficial do TCE-PE:
“Por sugestão da Auditoria, o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), por meio do conselheiro Ranilson Ramos, em decisão referendada pela Primeira Câmara, no Processo TCE-PE Nº 26100750-6, suspendeu, no último dia 2 de junho, o Processo Licitatório Nº 0012/2026 do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE), referente às obras de requalificação de rodovias do estado. A auditoria identificou falhas e inconsistências técnico-orçamentárias no processo licitatório.
Com relação ao Processo Licitatório Nº 066/2026, referente à restauração e duplicação da BR-232 (entre São Caetano e Belo Jardim), o conselheiro Ranilson Ramos notificou o gestor para suspender a citada concorrência e abriu prazo para a defesa do DER-PE”.
Com olhar atento, nas filas de visita ao presídio onde o marido cumpre pena, a pernambucana Lucyanna Mendes, de 28 anos, identificou uma oportunidade de negócio. Ao perceber a dificuldade de detentos e familiares em encontrar roupas que atendessem às regras rígidas do sistema prisional, decidiu criar uma marca especializada nesse mercado, que vem ganhando espaço no país.
Há um ano, Lucyanna criou a "Império Delas", negócio destinado à venda de camisas, bermudas, toalhas, sandálias, entre outras peças que são necessárias para a rotina de quem cumpre pena de prisão. Além disso, criou roupas femininas para as companheiras ou mães de reeducandos — há regras definidas para os visitantes no sistema prisional.
"Nas visitas, eu percebi o sofrimento de muitas mães e mulheres de presos para conseguirem comprar os fardamentos. As bermudas, por exemplo, não podem ter bolso nem logomarca. Vi nisso uma forma de ganhar dinheiro de forma honesta", contou.
Os itens que os presos podem receber dos familiares, como alimentação, vestuário e produtos para higiene pessoal, também são conhecidos como "jumbos".
A empreendedora, que tem formação tecnológica em logística, criou uma loja no Instagram com o mesmo nome da marca e conta com quase 3 mil seguidores. A mãe, costureira, ajuda na produção das roupas. Outros parentes servem de "modelos" para a divulgação das peças nas redes sociais.
No papel de "modelos", parentes de Lucyanna ajudam na divulgação da marca - ACERVO PESSOAL
As vendas não são apenas virtuais. Às terças, quartas, quintas-feiras e nos fins de semana, dias de maior movimentação, ela chega cedo ao Presídio de Igarassu, no Grande Recife.
Perto da unidade, enquanto as filas se formam, ela apresenta seus produtos e atrai interessados. "O movimento varia de acordo com a data. No começo do mês sempre é maior, porque é quando as famílias recebem salário. Também faço entregas em qualquer unidade prisional do Estado", explicou.
Pernambuco conta, atualmente, com mais de 25 mil presos em regime fechado. A estatística da Secretaria Estadual de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional demonstra o tamanho da demanda.
Os preços dos itens fornecidos por Lucyanna são acessíveis. Uma camisa masculina custa R$ 20, mesmo valor da bermuda. A calça é R$ 35, enquanto a cueca sai por R$ 12. Para as visitantes, um conjunto feminino sai por R$ 60. "Muitas mulheres chegam às unidades com roupa inadequada para as regras, por isso levo opções para elas", disse.
COMO EMPREENDER?
Lucyanna contou que, desde a infância, mostrou interesse por negócios. "Cresci com os meus pais empreendendo. Aos 10 anos, vendia canetas na escola. Mais para frente, passei a fazer cursos no Sebrae e no Senai. Sempre que aparecem oportunidades, estou participando", disse.
A ideia de investir no empreendedorismo penitenciário não é novidade no país. A adesão começou no Sudeste e se espalha por outras regiões, diante da crescente demanda.
"Apesar de ser muito nichado, é um negócio promissor, mas que tem regras de atuação muito rígidas e específicas", pontuou Cleto Paixão, especialista em Finanças e Contabilidade do Sebrae-PE.
Na avaliação dele, o ponto inicial para quem quer investir nesse mercado é entender a legislação e as normas das instituições carcerárias.
"O segundo ponto é ter um bom controle de estoque e buscar precificar de forma justa seus kits, além de lembrar que é uma atividade que deve ser discreta, para preservar seus clientes. Os erros mais comuns cometidos por quem está iniciando em vendas são desconhecer a operação do negócio e não saber como precificar, gerando prejuízos. É preciso também fazer capacitação de precificação, controles financeiros e de como abrir o negócio do zero. O Sebrae pode auxiliar em tudo isso", explicou.
Outro ponto destacado pelo especialista é a diversificação das vendas para aumentar o lucro.
"É possível participar de licitação para venda de cestas básicas ou montar e vender cestas para quem quer realizar doações. Outra opção é vender cestas montadas via internet, assim como vender esses jumbos para outros estados de forma virtual."
Para dúvidas e agendamento de atendimento presencial no Recife, o Sebrae disponibiliza o 0800-570-0800, que funciona 24 horas por dia. A ligação é gratuita e também funciona com troca de mensagens pelo WhatsApp.
Quem mora no interior, não precisa de agendamento, Há sedes regionais do Sebrae nos municípios de Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada, Araripina e Petrolina. Mais informações pelo site sebrae.com.br/pernambuco.
Imagine a seguinte situação: durante um período de disputa eleitoral determinado candidato recebe um processo por uma acusação que, meses depois, é julgada como improcedente (ou seja, ele era inocente). Se, durante o período da campanha, essa notícia foi usada para minar sua credibilidade e ele perdeu votos por causa disso, quais as principais consequências? Este cenário, longe de ser apenas uma suposição, reflete um fenômeno crescente no Brasil: a judicialização do pleito eleitoral. Nas últimas décadas, os brasileiros se acostumaram a uma rotina: em anos eleitorais, o noticiário não se resume apenas a comícios, debates e promessas, mas inclui em suas pautas um volume crescente de notícias sobre as diversas ações judiciais envolvendo os candidatos. O palco das disputas parece ter se deslocado das praças públicas para as salas dos tribunais. Como pesquisadora e doutoranda em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tenho me debruçado sobre um fenômeno que, embora pareça técnico, afeta diretamente o coração da nossa democracia: a judicialização das eleições. Para o cientista político Robert Dahl, uma democracia real exige eleições "livres, justas e frequentes". No papel, a possibilidade de contestar uma irregularidade na justiça é uma garantia de que as regras do jogo estão sendo seguidas. No entanto, os dados indicam um crescimento significativo dos processos judiciais envolvendo disputas eleitorais, o que pode acarretar desdobramentos sobre a opinião pública. Vejamos os números. Conforme dados extraídos do site institucional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de ações protocoladas nas eleições presidenciais apresentou crescimento exponencial nas últimas disputas eleitorais: de aproximadamente 4.252 processos em 2014, passou para 104.412 em 2018, o que representa um aumento de cerca de 2.356%. Em 2022, o volume alcançou a marca histórica de 176.139 processos, correspondendo a um acréscimo adicional de aproximadamente 68,7% em relação a 2018. Considerando todo o período entre 2014 e 2022, o crescimento acumulado foi da ordem de 4.043%. Esse crescimento sugere que o desenho institucional brasileiro — onde o TSE acumula as funções de administrar as eleições, criar regras e julgar conflitos — pode estar favorecendo uma estratégia de litigância político-partidária agressiva. No âmbito da minha pesquisa, investigo se essa ativação constante do Judiciário — através de instrumentos como a Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) e a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) — afeta a opinião pública. A hipótese do trabalho sustenta que quando um um candidato é acionado judicialmente devemos observar uma redução nas suas intenções de voto. Observando as eleições para o cargo de chefe do poder Executivo, a gravidade desse cenário torna-se ainda mais evidente. Na esfera federal, quando analisamos dados específicos sobre a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), verifica-se que no ano de 2022, registrou-se um aumento de 2.400% no número dessas ações em relação ao pleito de 2014. Mais revelador ainda é o desfecho desses processos: 54% das AIJEs em 2022 foram julgadas improcedentes, sendo que quase a totalidade desses indeferimentos ocorreu por falta de interesse processual. No estado de Pernambuco, considerando o mesmo período (2014-2022), o aumento foi um pouco menos expressivo - de 300%. No entanto, os resultados dessas ações são ainda mais intrigantes: 91% das ações terminaram julgadas como improcedentes. Através de técnicas de análise de dados e modelos estatísticos avançados, buscamos testar se o ajuizamento de ações esteve associado a alterações nas intenções de voto. A estratégia de “janela temporal” (event study) cria uma janela de observação ao redor do ajuizamento das ações, medindo as alterações nas pesquisas e permitindo observar mudanças na tendência. Já a ferramenta de web scraping (coleta automatizada de dados da internet) possibilitará mensurar a repercussão midiática das ações, mapeando como as menções aos conflitos judiciais na internet influenciam a percepção do eleitorado. A pesquisa em desenvolvimento busca contribuir para esse debate por meio da análise sistemática de dados eleitorais, judiciais e midiáticos, adotando métodos capazes de identificar eventuais associações entre o ajuizamento de ações e variações nas intenções de voto. Mais do que confirmar ou refutar hipóteses específicas, o estudo pretende oferecer evidências empíricas que permitam compreender melhor os efeitos políticos da judicialização eleitoral em democracias contemporâneas. Ao lançar luz sobre esse fenômeno, espera-se ampliar o conhecimento sobre as interações entre instituições judiciais, competição eleitoral e opinião pública, contribuindo para um debate fundamentado sobre os desafios e os limites da atuação judicial no contexto das eleições.
Reane Raulino, advogada e assistente da Procuradoria Federal junto à UFPE. Especialista em Direito Administrativo, mestre em Políticas Públicas e doutoranda em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco, com pesquisas na área de instituições políticas e eleições.