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Vai assar chouriço nos Santos Populares? Estes truques fazem toda a diferença

10 June 2026 at 20:00

Com a chegada dos Santos Populares, há petiscos que ganham lugar obrigatório à mesa. Além das sardinhas e das bifanas, o chouriço assado continua a ser uma das escolhas mais populares, seja num arraial, numa festa em casa ou numa refeição descontraída entre família e amigos.

Apesar de parecer simples, assar chouriço exige alguns cuidados para que o resultado fique no ponto certo. A escolha do enchido, o tipo de assador, a quantidade de álcool e o tempo de exposição ao lume fazem toda a diferença entre um chouriço suculento e outro demasiado seco ou queimado.

O chouriço assado é apreciado precisamente por juntar sabor intenso, textura crocante por fora e interior mais macio. Quando bem preparado, fica pronto em poucos minutos e acompanha na perfeição com pão fresco, broa ou até outros petiscos típicos da época.

A escolha do chouriço faz diferença

De acordo com o Notícias ao Minuto, o primeiro passo está na escolha do chouriço. Deve preferir uma peça com equilíbrio entre carne e gordura, já que a gordura ajuda a manter o enchido mais suculento durante a confeção. Se tiver pouca gordura, o chouriço pode secar depressa e perder parte do sabor.

Ainda assim, também não convém escolher um chouriço demasiado gordo, pois pode libertar excesso de gordura durante a confeção e tornar-se enjoativo. O ideal é procurar um enchido de boa qualidade, com aspeto firme, aroma agradável e composição equilibrada.

Entre as opções mais recomendadas está o chouriço de porco preto, muitas vezes mais saboroso e adequado para este tipo de preparação. Já os chouriços mais secos podem ser melhores para fatiar e servir crus ou em tábuas, mas nem sempre são a melhor escolha para assar.

Antes de o levar ao lume, deve dar alguns golpes no chouriço ou picá-lo ligeiramente com um garfo. Este passo ajuda a gordura a derreter de forma mais uniforme e evita que o enchido rebente ou fique cozinhado de forma irregular.

O assador de barro continua a ser uma boa opção

O assador de barro é uma das formas mais tradicionais de preparar chouriço assado. Além do efeito visual, com a chama à vista, este tipo de assador ajuda a distribuir melhor o calor e permite controlar a confeção com mais facilidade.

Antes de começar, é importante garantir que o assador está limpo e completamente seco. Qualquer resto de gordura, água ou álcool usado anteriormente pode interferir com a chama e tornar o processo menos seguro.

O álcool deve ser colocado apenas no fundo do assador, em pequena quantidade. Duas a três colheres de sopa costumam ser suficientes para assar um chouriço, dependendo do tamanho da peça e da intensidade da chama.

Deve usar álcool etílico próprio para uso alimentar, geralmente entre 70% e 90%, e nunca despejá-lo diretamente da garrafa junto da chama. O mais seguro é colocar primeiro o álcool no assador, afastar a garrafa e só depois acender com um fósforo comprido ou um isqueiro adequado.

Como assar sem deixar queimar

Quando a chama estiver acesa, coloque o chouriço sobre o assador e deixe cozinhar lentamente. O segredo está em virar a peça com frequência, idealmente a cada 30 segundos, para que todos os lados recebam calor de forma equilibrada.

O objetivo não é queimar o chouriço, mas sim caramelizar o exterior e aquecer bem o interior. Se ficar demasiado tempo exposto à chama no mesmo ponto, pode escurecer depressa e ganhar um sabor amargo.

Em média, o chouriço fica pronto entre seis a oito minutos, embora o tempo possa variar conforme o tamanho, a espessura e a intensidade do lume. Deve estar atento à cor, ao aroma e à textura para perceber quando está no ponto certo.

Se a chama apagar antes de o chouriço estar pronto, pode adicionar mais uma pequena quantidade de álcool, mas sempre com o lume apagado e com cuidado. Nunca deve colocar álcool diretamente sobre uma chama ativa.

Um toque diferente no final

Para quem gosta de sabores mais intensos, há pequenos truques que podem transformar o resultado final. Nos últimos segundos de confeção, pode pincelar o chouriço com um pouco de mel e aguardente, criando uma camada ligeiramente caramelizada.

Este passo deve ser feito com moderação, para não tapar o sabor natural do enchido. A ideia é apenas acrescentar brilho, doçura e um aroma diferente, sem transformar o petisco numa preparação demasiado pesada.

Depois de assado, o chouriço deve repousar durante um ou dois minutos antes de ser cortado. Desta forma, os sucos assentam e a textura fica mais agradável. O ideal é servir em rodelas, ainda quente, acompanhado de pão.

Também pode usar forno ou air fryer

Quem não tem assador de barro em casa pode preparar chouriço no forno. Neste caso, deve pré-aquecer o forno a 200 ºC, colocar o chouriço num tabuleiro e deixar assar durante cerca de 15 minutos, virando a meio do tempo.

A air fryer também é uma alternativa prática. Basta colocar o chouriço no cesto, programar cerca de oito minutos a 180 ºC e virar a meio da confeção. Tal como no assador, deve dar alguns golpes antes de cozinhar.

Embora estas alternativas não tenham o mesmo efeito tradicional da chama, conseguem um resultado saboroso e mais simples para quem quer evitar o uso de álcool ou não tem espaço para preparar o chouriço no assador.

No fim, o segredo está em três pontos simples: escolher um bom chouriço, controlar o calor e evitar cozinhar em excesso. Com estes cuidados, este petisco típico dos Santos Populares fica pronto em poucos minutos e com sabor digno de arraial.

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Vizinhos podem trazer pessoas para a piscina do condomínio? Saiba o que diz a lei

10 June 2026 at 14:50

Com o verão à porta, muitos condomínios voltam a enfrentar a mesma dúvida: um morador pode levar amigos ou familiares para a piscina do prédio? Em Portugal, não existe uma regra nacional que diga exatamente quantos convidados cada condómino pode levar, mas o regulamento do condomínio pode impor limites.

A piscina de um condomínio é, em regra, uma parte comum do prédio, salvo se o título constitutivo estabelecer outra afetação. Isto significa que pertence ao conjunto dos condóminos e deve ser usada de acordo com as regras aprovadas para esse edifício.

O ponto essencial é este: o direito principal de usar a piscina pertence aos condóminos. Residentes, arrendatários, familiares, visitantes ou hóspedes podem utilizá-la nos termos do regulamento e do título que legitima a ocupação da fração. Já a entrada de convidados depende das normas internas do condomínio.

Regulamento pode limitar convidados

O regulamento do condomínio pode definir se os convidados podem ou não usar a piscina. Também pode estabelecer quantas pessoas cada fração pode levar, em que horários e com que condições.

O Código Civil prevê que o regulamento do condomínio discipline o uso, a fruição e a conservação das partes comuns. Segundo a DECO, as regras sobre piscinas em condomínios podem abranger o uso exclusivo pelos condóminos, o alargamento a familiares e amigos, a possibilidade de eventos, os horários, a higiene e a vigilância.

Estas regras devem ser aprovadas em assembleia de condóminos e aplicadas de forma igual a todos. O objetivo não deve ser perseguir um morador específico, mas garantir segurança, conforto e boa convivência.

Por exemplo, um condomínio pode decidir que cada fração só pode levar um ou dois convidados para a piscina. Também pode limitar o acesso em dias de maior lotação ou exigir que o condómino ou residente responsável esteja presente enquanto os convidados utilizam o espaço.

Não há número fixo na lei

A lei não diz que cada vizinho pode levar uma, duas, três ou cinco pessoas. Esse número depende da dimensão da piscina, da lotação recomendada do espaço, do número de frações e do que estiver definido no regulamento interno.

Num condomínio pequeno, permitir muitos convidados por fração pode tornar a piscina impraticável para os restantes moradores. Já num condomínio maior, com espaço amplo e regras claras, pode haver maior flexibilidade.

Por isso, a resposta à pergunta “quantas pessoas podem levar?” é simples: depende do regulamento do condomínio e das regras aprovadas pela assembleia.

Convidados não podem tirar o direito aos moradores

Mesmo quando os convidados são permitidos, a sua presença não deve impedir os condóminos e residentes autorizados de usar a piscina. A prioridade deve ser sempre de quem tem direito regular à utilização do espaço comum.

Se um condómino levar muitas pessoas e isso causar excesso de lotação, barulho, falta de espaço ou conflitos, o condomínio pode intervir. O administrador deve aplicar o regulamento e, se necessário, levar o tema à assembleia.

A piscina não deve transformar-se num espaço de festas privadas, a menos que isso esteja expressamente previsto e autorizado pelas regras internas.

Segurança também conta

As regras da piscina não servem apenas para evitar conflitos. Também existem por razões de segurança. A lotação recomendada, a vigilância de crianças, os horários, o ruído, a higiene e o uso correto do espaço devem estar definidos de forma clara.

A DECO PROteste tem alertado para a insuficiência de regulamentação específica sobre piscinas de lazer em condomínios, o que torna ainda mais importante a existência de regras internas bem aprovadas e publicitadas.

Em condomínios com piscina, é aconselhável que as principais regras estejam afixadas junto ao acesso. O Decreto-Lei n.º 268/94 também prevê que o administrador assegure a publicitação das regras respeitantes à segurança do edifício e dos equipamentos de uso comum. Assim, moradores, arrendatários e convidados sabem o que podem ou não fazer.

Também pode ser exigido que os convidados estejam sempre acompanhados pelo morador responsável. Em caso de danos, incumprimento de regras ou comportamento inadequado, o condómino ou residente que os levou pode ser chamado a responder perante o condomínio, sem prejuízo de eventual responsabilidade civil.

E se não houver regulamento?

Se o condomínio não tiver regras claras sobre convidados na piscina, podem surgir conflitos. Nesses casos, o tema deve ser levado à assembleia de condóminos para aprovação de normas internas.

A assembleia pode definir limites razoáveis, desde que respeite a lei, o título constitutivo da propriedade horizontal e os direitos dos condóminos. As regras devem ser proporcionais e justificadas pela boa utilização do espaço comum.

O ideal é que o regulamento indique quem pode usar a piscina, quantos convidados são permitidos, se há necessidade de identificação, quais os horários e que comportamentos são proibidos.

Se forem aprovadas sanções por incumprimento, estas devem respeitar os limites legais e ficar previstas no regulamento ou em deliberação válida da assembleia.

Alojamento local

Quando há alojamento local no condomínio, a questão pode tornar-se mais sensível. A entrada frequente de hóspedes na piscina deve ser analisada à luz do regulamento e das deliberações da assembleia.

Segundo o Guia Técnico do Alojamento Local do Turismo de Portugal, quando o alojamento local funciona em edifício em propriedade horizontal, o livro de informações disponibilizado aos hóspedes deve incluir informação sobre o regulamento e as regras do condomínio relevantes para a utilização do alojamento e das partes comuns.

O que fazer em caso de abuso

Se um vizinho leva constantemente grupos grandes para a piscina e isso causa incómodo, o primeiro passo é verificar o regulamento do condomínio. Se houver uma regra clara, deve ser comunicada ao administrador.

Caso o regulamento seja omisso, os condóminos podem pedir que o assunto seja discutido em assembleia. A partir daí, podem ser aprovadas regras mais concretas para evitar novas situações de conflito.

A resposta prática é simples: os vizinhos podem levar convidados para a piscina do condomínio se o regulamento o permitir. Mas não há um direito automático a levar grupos sem limite, nem uma regra nacional igual para todos os prédios.

Antes de convidar amigos ou familiares, o melhor é confirmar o regulamento, respeitar a lotação e garantir que os convidados não retiram aos restantes moradores o direito de usar a piscina em segurança e tranquilidade.

Leia também: Tem infiltração vinda do vizinho? Saiba quem pode ter de pagar os estragos

Algarve ‘aquece motores’ para o verão com ocupação perto dos 80% nas ‘miniférias’ de junho

10 June 2026 at 12:00

A ocupação hoteleira no Algarve deverá rondar os 80% durante as miniférias proporcionadas pelos feriados de junho. O setor turístico fala num ligeiro aumento da procura face ao ano passado, com o mercado português a ter um papel decisivo nos resultados registados nesta altura.

De acordo com o Notícias ao Minuto, as expectativas foram avançadas à agência Lusa pelo presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Hélder Martins. O responsável afirmou que a região deverá ultrapassar os 80% de ocupação durante esta semana marcada pelos feriados de 4 e 10 de junho.

Para os empresários do setor, estes dias funcionam como uma espécie de arranque simbólico da época turística. Depois de meses de preparação, o Algarve entra agora num período de maior movimento, antes de chegar ao pico do verão.

Mercado português impulsiona reservas

Segundo Hélder Martins, o mercado nacional é o que mais está a contribuir para a ocupação registada nesta fase. Muitos portugueses aproveitaram os feriados de junho para fazer pequenas escapadas e escolheram o Algarve como destino.

O tempo quente e sem chuva também ajudou. As condições meteorológicas favoráveis permitiram às famílias aproveitar os primeiros dias de praia, reforçando a atratividade da região nesta altura do ano.

Para o presidente da AHETA, este período serve para “aquecer os motores” antes da época média-alta e da época alta. O setor mostra-se satisfeito com a procura e encara os próximos meses com confiança.

A procura interna continua, assim, a ter um peso importante no desempenho turístico algarvio, sobretudo em fins de semana prolongados, feriados e períodos festivos.

Algarve continua a ser escolha de eleição

Também o presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes, destacou o impacto positivo dos feriados na procura. O responsável afirmou que houve um ligeiro aumento das reservas do mercado interno, embora sem grandes diferenças face ao ano passado.

Segundo André Gomes, os feriados são tradicionalmente aproveitados por muitos portugueses para pequenas viagens dentro do país. O Algarve mantém-se como um dos destinos preferidos para este tipo de escapadas.

O responsável sublinhou que a região continua a ser um destino consolidado e com níveis de procura consistentes. Essa estabilidade ajuda a reforçar a confiança dos operadores turísticos numa fase em que o verão se aproxima.

Apesar de não haver variações muito significativas face ao ano anterior, os indicadores são considerados positivos para o setor.

Feriados dão sinal para a época alta

Os períodos de maior procura em junho são vistos pelos responsáveis do turismo como um bom indicador para os meses seguintes. A ocupação registada nas miniférias permite perceber tendências de consumo e avaliar o comportamento do mercado nacional.

Para a Região de Turismo do Algarve, os resultados reforçam a confiança numa época alta positiva. A expectativa é que a procura se mantenha forte, sustentada tanto pelos turistas portugueses como pelos visitantes estrangeiros.

O Algarve tem conseguido manter-se como uma das principais escolhas para férias de verão, beneficiando da oferta hoteleira, das praias, da restauração e da notoriedade internacional do destino.

Ainda assim, o desempenho do setor dependerá de vários fatores, incluindo preços, disponibilidade de alojamento, ligações aéreas e comportamento dos mercados externos.

Setor confiante para os próximos meses

A hotelaria algarvia encara estes números como um sinal positivo. A ocupação perto dos 80% durante as miniférias mostra que a região continua a atrair visitantes antes mesmo do início oficial da época alta.

Para os empresários, esta dinâmica é importante porque ajuda a distribuir a procura por mais semanas e a prolongar a atividade turística para lá dos meses de julho e agosto.

O turismo continua a ser um dos motores económicos do Algarve, com impacto direto na hotelaria, restauração, comércio, transportes e serviços. Por isso, cada período de forte ocupação é acompanhado com atenção pelo setor.

A confirmar-se uma época alta positiva, o Algarve deverá voltar a registar um verão de forte movimento turístico, apoiado na procura nacional e internacional.

Primeiros dias de praia ajudam procura

O bom tempo registado durante este período também contribuiu para a escolha do Algarve. Com temperaturas favoráveis e ausência de chuva, muitos visitantes aproveitaram para fazer praia e antecipar o ambiente de verão.

Este fator é particularmente relevante numa região cuja imagem turística continua muito associada ao sol, ao mar e às férias em família.

As miniférias de junho acabam, por isso, por funcionar como uma antevisão do verão algarvio. Hotéis, restaurantes e comércio local beneficiam do aumento de visitantes, enquanto o setor mede o pulso à procura para os meses de maior pressão.

No final, a mensagem dos responsáveis é de confiança. O Algarve chega à porta da época alta com ocupação elevada, procura consistente e expectativa de um bom desempenho turístico nos próximos meses.

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El Niño está de volta: IPMA esclarece o que pode mudar no tempo em Portugal

10 June 2026 at 10:40

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera alerta para uma elevada probabilidade de ocorrência de um episódio de El Niño entre junho e agosto. Apesar de este fenómeno ocorrer no Oceano Pacífico, pode influenciar padrões climáticos em várias regiões do planeta, embora em Portugal os efeitos previstos sejam indiretos e pouco significativos.

Segundo o IPMA, a informação atualizada sobre a temperatura da superfície do oceano no Pacífico equatorial indica que o sistema ainda se encontra numa fase neutral. No entanto, as previsões apontam para uma mudança nas próximas semanas.

De acordo com os modelos de previsão sazonal, a passagem da fase neutral para a fase de El Niño poderá ocorrer entre junho e julho de 2026, com uma probabilidade superior a 80%. O fenómeno poderá manter-se até ao final do ano.

El Niño pode ser moderado a forte

A previsão mais recente indica que o próximo episódio de El Niño poderá atingir intensidade moderada a forte. Esta classificação depende da evolução da temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical.

O El Niño é a fase quente de um ciclo natural conhecido como Oscilação Sul do El Niño, ou ENSO. O fenómeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico central e oriental ficam mais quentes do que o normal durante um determinado período.

Para ser classificado como El Niño, esse aquecimento tem de atingir e manter-se pelo menos 0,5 graus Celsius acima da média de longo prazo. Esta alteração interfere com padrões atmosféricos e pode ter impacto no clima em várias partes do mundo.

Em termos globais, o El Niño tende a contribuir para o aumento da temperatura média do planeta. Em algumas regiões, está associado a secas prolongadas; noutras, pode favorecer chuvas intensas e inundações.

E em Portugal?

Apesar da influência global do fenómeno, o IPMA esclarece que os efeitos do El Niño em Portugal são indiretos e pouco significativos quando comparados com regiões como a América do Sul, a Austrália ou zonas do Pacífico.

A ligação ao clima português não é direta. Segundo o instituto, alguns estudos apontam para uma influência através da Oscilação do Atlântico Norte, conhecida como NAO, que pode condicionar a precipitação e a temperatura do ar na Península Ibérica.

Essa possível influência tende a ser mais relevante durante o inverno do Hemisfério Norte. Ainda assim, o impacto em Portugal é bastante menos evidente do que noutras áreas do planeta, onde o El Niño altera de forma mais marcada os padrões de chuva e temperatura.

Por isso, a previsão de um novo episódio de El Niño não significa, por si só, que Portugal vá enfrentar automaticamente seca extrema, ondas de calor mais intensas ou chuva fora do normal. O efeito depende de vários fatores atmosféricos e regionais.

Fenómeno ocorre longe, mas tem alcance global

Embora se forme no Pacífico tropical, o El Niño pode alterar a circulação atmosférica à escala global. Esse efeito em cadeia ajuda a explicar por que razão um fenómeno distante pode influenciar o clima em diferentes continentes.

Na América do Sul, por exemplo, pode favorecer episódios de chuva intensa em algumas zonas. Na Austrália e noutras regiões, pode estar associado a maior risco de seca e temperaturas elevadas.

Em Portugal, porém, essa influência chega de forma mais diluída. O clima nacional continua a depender de fatores mais próximos, como a circulação atmosférica no Atlântico, a posição dos centros de altas e baixas pressões e a evolução da Oscilação do Atlântico Norte.

É por isso que o IPMA sublinha que a influência do El Niño no território português não deve ser comparada com a observada em regiões diretamente afetadas pelo fenómeno.

La Niña é a fase oposta

O ciclo ENSO tem também uma fase fria, conhecida como La Niña. Esta ocorre quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical desce pelo menos 0,5 graus Celsius abaixo da média de longo prazo.

Tal como o El Niño, a La Niña pode influenciar padrões climáticos globais, mas com efeitos diferentes consoante as regiões. Ambas as fases fazem parte de uma oscilação natural do sistema oceano-atmosfera.

O episódio mais recente de El Niño ocorreu entre 2023 e 2024 e contribuiu para temperaturas globais recorde. O ano de 2024 foi considerado o mais quente desde que há registos.

Ainda assim, cada episódio tem características próprias. A intensidade, duração e época do ano em que se desenvolve podem alterar a forma como afeta diferentes regiões.

IPMA mantém acompanhamento

O IPMA atualiza mensalmente a informação sobre a evolução do índice ENSO e das temperaturas no Pacífico equatorial. Estes dados permitem acompanhar a probabilidade de formação e persistência de episódios de El Niño ou La Niña.

Para Portugal, a principal mensagem é de prudência. O fenómeno deve ser acompanhado, mas não há indicação de efeitos diretos e relevantes no território nacional neste momento.

A eventual influência poderá fazer-se sentir sobretudo de forma indireta, através de padrões atmosféricos mais amplos, em especial durante o inverno.

No entanto, o comportamento do clima depende sempre da conjugação de vários fatores. Por isso, as previsões sazonais devem ser lidas como tendências e não como certezas absolutas para o tempo que se fará em Portugal.

O que os portugueses devem saber

Para os portugueses, o El Niño deve ser entendido como um fenómeno climático global com impacto variável consoante as regiões. Não é um evento que se forme perto da costa nacional, nem tem uma ligação imediata ao tempo do dia a dia no país.

Ainda assim, por poder influenciar a temperatura média global e os padrões de circulação atmosférica, continua a ser acompanhado por serviços meteorológicos em todo o mundo.

Em Portugal, segundo o IPMA, os efeitos esperados são indiretos e nada significativos quando comparados com outras zonas do planeta. A evolução será monitorizada ao longo dos próximos meses.

A confirmar-se, este novo episódio de El Niño poderá marcar a segunda metade de 2026 no contexto climático global, mas sem que isso signifique, para já, alterações diretas relevantes no clima português.

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