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Anda com isto no carro? Multas podem sair caro (e não é o seguro nem a carta de condução)

13 June 2026 at 20:10

Há uma obrigação legal que continua a falhar a muitos condutores e que, quando é esquecida, pode sair caro. Não está em causa o seguro nem a carta de condução, mas sim a inspeção periódica obrigatória do veículo e, num plano diferente, a obrigação de ser portador da respetiva ficha de inspeção no carro.

Segundo o IMT e o portal gov.pt, a inspeção periódica obrigatória serve para confirmar que o veículo mantém as condições de segurança, ambientais e de funcionamento exigidas por lei. Já o Código da Estrada obriga ainda o condutor a ser portador da ficha de inspeção, quando ela for legalmente exigida.

O que é a inspeção periódica obrigatória

A inspeção periódica é, na prática, um controlo técnico regular destinado a avaliar o estado do veículo e a detetar anomalias que possam comprometer a segurança rodoviária. De acordo com o regime das inspeções técnicas de veículos, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 144/2012, e com a informação atualizada do gov.pt, a periodicidade varia consoante a categoria do veículo.

Quando deve levar o carro à inspeção

Nos automóveis ligeiros de passageiros, a primeira inspeção deve ser feita quatro anos após a data da primeira matrícula. Depois disso, passa a ser de dois em dois anos até o veículo completar oito anos e, a partir daí, anual. Nos automóveis ligeiros de mercadorias, a primeira inspeção é feita dois anos após a primeira matrícula e, depois, todos os anos.

Já nos automóveis ligeiros de transporte público de passageiros, ambulâncias, veículos usados no transporte escolar e veículos de instrução, a primeira inspeção é feita ao fim de um ano. Até aos sete anos, a periodicidade é anual. A partir do oitavo ano, passa a ser semestral. Segundo o gov.pt, a data da primeira matrícula consta do Certificado de Matrícula, ou DUA, e a inspeção pode ser feita nos três meses anteriores ao dia e mês limite.

E se se esquecer? Veja o que pode pagar

Aqui convém distinguir duas situações. Circular sem inspeção válida, não cumprir uma inspeção extraordinária obrigatória ou usar o veículo em violação das regras aplicáveis depois de uma reprovação pode dar uma coima entre 250 e 1.250 euros, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 144/2012.

Se o veículo tiver sido reprovado, a lei não trata todos os casos da mesma forma. Segundo o artigo 13.º do mesmo diploma, os veículos com deficiências do tipo 3 só podem circular para deslocação até ao local de reparação e posterior regresso ao centro de inspeção. Se circularem fora dessas condições, aplica-se a mesma moldura sancionatória.

A ficha de inspeção também conta

Mesmo que a inspeção esteja em dia, o Código da Estrada exige que o condutor seja portador da ficha de inspeção quando esta for obrigatória. Essa obrigação pode ser cumprida com o documento físico ou, nos termos legais, através de aplicação móvel que permita comprovar os dados.

Se o condutor não for portador da ficha de inspeção, a coima vai de 60 a 300 euros. O regime atualmente em vigor já não corresponde à antiga lógica dos oito dias úteis com redução automática da multa: hoje, quando a verificação eletrónica não é possível no local, o prazo relevante previsto no artigo 85.º é de cinco dias.

Confirmar o prazo nunca foi tão fácil

Segundo o gov.pt, é possível obter um relatório com o histórico das inspeções técnicas do veículo através da matrícula. Isso permite confirmar se o carro passou ou reprovou na inspeção e verificar o registo existente.

Além disso, a própria data da próxima inspeção pode ser calculada com base na data da primeira matrícula e na categoria do veículo, informação que está no DUA e que também pode ser consultada no portal do IMT.

Quanto custa a inspeção em 2026

Segundo a Deliberação n.º 1598-A/2025, em vigor desde 1 de janeiro de 2026, a inspeção periódica obrigatória para veículos ligeiros custa 30,46 euros, aos quais acresce IVA à taxa legal em vigor.

Se for necessária uma segunda via da ficha ou do certificado de inspeção, o valor fixado é de 2,86 euros, também acrescido de IVA. Já as inspeções extraordinárias, reinspeções e restantes categorias têm tarifas diferentes.

Prevenir continua a ser mais barato

Manter a inspeção em dia é uma das formas mais simples de evitar problemas e despesas desnecessárias. Mais do que uma formalidade, trata-se de um mecanismo de segurança para o condutor, para os passageiros e para todos os que circulam na estrada.

No fundo, há dois erros que saem caros: deixar passar o prazo da inspeção e esquecer que, quando ela é obrigatória, a ficha também tem de acompanhar o condutor.

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Pensões podem mudar? Governo estuda alterações e há dúvidas entre os pensionistas

13 June 2026 at 19:00

A possibilidade de alterações no sistema de pensões voltou a ganhar destaque porque o Governo criou, em janeiro de 2025, um grupo de trabalho para propor medidas tendentes à reforma da Segurança Social, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade do sistema a longo prazo. O despacho que criou esse grupo fala expressamente em análise da sustentabilidade do sistema de pensões, da Caixa Geral de Aposentações e da proteção social de cidadania, bem como na definição de estratégias para melhorar a adequação e a equidade do sistema.

O que está em estudo

Segundo o Despacho n.º 1452/2025, os trabalhos em curso vão muito além de uma discussão genérica sobre “pensões”. Entre os objetivos atribuídos ao grupo estão a revisão atuarial da Taxa Social Única, a análise integrada da sustentabilidade e da equidade dos sistemas públicos de proteção social, o desenvolvimento dos regimes complementares de iniciativa coletiva e individual, o reforço do regime público de capitalização, o estudo de mecanismos de reforma parcial e a reavaliação do regime de reforma antecipada, dando prioridade a políticas que incentivem a permanência na vida ativa e aumentem o volume de contribuições.

Isto significa que, para já, o que existe é um processo de análise técnica e de preparação de recomendações. Não há ainda medidas finais aprovadas nem diplomas publicados a mudar, de forma imediata, o regime geral das pensões.

Sustentabilidade está no centro do debate

O próprio despacho do Governo enquadra este grupo de trabalho na necessidade de responder aos desafios demográficos e económicos de longo prazo, assegurar a estabilidade financeira do sistema e reforçar a equidade intergeracional. O texto refere ainda as recomendações do Tribunal de Contas, os contributos do Livro Verde da Segurança Social e a recomendação específica para Portugal da Comissão Europeia sobre esta matéria.

Dúvidas persistem entre pensionistas

A incerteza aumentou porque o calendário inicialmente previsto derrapou. O despacho determinava a apresentação de um relatório de progresso ao fim de seis meses e de um relatório final no prazo de doze meses, isto é, até ao final de janeiro de 2026. Mas, segundo o Jornal de Negócios, o Governo não adiantou conclusões dentro desse prazo, e, segundo o Jornal Económico, a ministra do Trabalho respondeu em março que o Executivo esperava receber o relatório intercalar “nas próximas semanas”, tratando-o como documento de trabalho interno cuja eventual divulgação seria ainda ponderada.

É neste ponto que surgem as dúvidas de pensionistas e futuros reformados. Sem relatório público, sem propostas finais conhecidas e sem calendário fechado, continuam por esclarecer o alcance, o ritmo e a forma de eventuais mudanças.

O que ainda não mudou

Também importa separar o debate estrutural das regras já em vigor. A atualização anual das pensões de 2026 já foi fixada pela Portaria n.º 480-B/2025/1, de 30 de dezembro, que determinou aumentos de 2,80% para as pensões até duas vezes o IAS, de 2,27% para as pensões entre duas e seis vezes o IAS e de 2,02% para as de montante superior, dentro dos limites legais. Ou seja, a discussão em curso sobre a reforma da Segurança Social não corresponde, nesta fase, a uma alteração já aplicada ao valor mensal das pensões em 2026.

Impacto pode variar de caso para caso, mas ainda não há modelo fechado

Se vierem a avançar alterações legislativas no futuro, o impacto poderá variar consoante o conteúdo final das medidas, as regras transitórias que venham a ser aprovadas e a situação concreta de cada beneficiário. Mas, neste momento, não há base suficiente para afirmar de que forma pensionistas atuais ou futuros reformados seriam afetados em termos individuais.

Processo ainda está numa fase preparatória

Para já, o dado mais sólido é este: existe um grupo de trabalho oficial, criado pelo Governo, para estudar reformas na Segurança Social e no sistema de pensões, incluindo reformas antecipadas, reforma parcial, regimes complementares e sustentabilidade financeira. O processo continua, porém, numa fase de estudo e preparação de propostas, sem medidas finais aprovadas e sem calendário legislativo definido.

No final, e apesar de não haver alterações imediatas já publicadas a partir deste processo, o debate em torno das pensões está longe de encerrado. O tema vai continuar a marcar a agenda precisamente porque mexe com a sustentabilidade da Segurança Social, com o acesso à reforma antecipada e com o futuro rendimento de trabalhadores e pensionistas.

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Janelas abertas ou ar condicionado? Saiba qual gasta mais combustível no carro

13 June 2026 at 13:30

Com a chegada do calor, manter o interior do carro a uma temperatura confortável torna-se quase obrigatório. A dúvida é antiga, mas continua atual: compensa mais circular com as janelas abertas ou ligar o ar condicionado?

À primeira vista, a resposta parece simples. O ar condicionado exige energia ao motor e, por isso, aumenta o consumo de combustível. No entanto, a questão não termina aí. De acordo com o ACP, o impacto no consumo depende da tecnologia do sistema de climatização, da potência do veículo e, sobretudo, da velocidade a que se circula.

O ar condicionado aumenta o consumo

O funcionamento do ar condicionado implica um esforço adicional para o motor, especialmente em automóveis com motorizações menos potentes. Nestes casos, além do aumento do consumo, pode notar-se também alguma perda de desempenho. Em condições normais, circular com o ar condicionado ligado tende a ser mais dispendioso do que conduzir com as janelas abertas, sobretudo em trajetos urbanos ou a velocidades mais baixas.

Ainda assim, os sistemas mais modernos, com gestão digital da climatização, conseguem otimizar melhor a refrigeração do habitáculo. Isso permite reduzir o esforço necessário e tornar o consumo mais eficiente do que acontecia em sistemas mais antigos.

Janelas abertas também têm custo

A ideia de que abrir as janelas não tem impacto no consumo é enganadora. Embora não exista um gasto direto como no ar condicionado, há uma perda de eficiência aerodinâmica. Quando o carro circula com as janelas abertas, o ar entra no habitáculo e aumenta a resistência ao movimento. O veículo torna-se menos eficiente e o motor precisa de trabalhar mais para manter a mesma velocidade.

Esse impacto é pouco relevante em cidade, mas torna-se mais evidente à medida que a velocidade aumenta. Em estrada nacional ou autoestrada, a diferença pode pesar no consumo.

A velocidade muda a resposta

A regra prática passa pela velocidade. A baixa velocidade, sobretudo abaixo dos 80 quilómetros por hora, circular com as janelas abertas pode ser a solução mais económica. Nessas condições, a perda aerodinâmica ainda é limitada e pode compensar evitar o uso do ar condicionado, sobretudo se o calor não for extremo.

Já acima dos 80 quilómetros por hora, a situação muda. A resistência causada pelas janelas abertas torna-se mais significativa e pode fazer o consumo aumentar. Nesses casos, a utilização do ar condicionado tende a ser a opção mais eficiente e confortável.

Em autoestrada, o ar condicionado pode compensar

Em autoestrada, circular com as janelas abertas prejudica bastante a aerodinâmica do carro. O ruído aumenta, o conforto diminui e o consumo pode subir devido à maior resistência ao ar. Por isso, em viagens mais rápidas, a solução mais indicada costuma ser fechar as janelas e usar o ar condicionado de forma moderada.

O ideal é evitar colocar a temperatura demasiado baixa. Quanto maior for a diferença entre a temperatura exterior e a pretendida no interior, maior será o esforço do sistema. Uma regulação equilibrada permite viajar com conforto sem aumentar demasiado o consumo.

Como usar o ar condicionado sem gastar tanto

Antes de ligar o ar condicionado no máximo, pode abrir portas ou janelas durante alguns segundos para libertar o ar quente acumulado no interior do carro.

Depois, já em andamento, deve fechar as janelas e ligar o sistema de climatização numa temperatura razoável. Em muitos casos, usar a função automática ajuda a manter o habitáculo confortável com menor esforço. Também é importante fazer manutenção ao sistema. Filtros sujos ou falta de gás podem reduzir a eficiência e obrigar o ar condicionado a trabalhar mais.

Qual é a melhor opção?

Em cidade ou a velocidades baixas, abrir as janelas pode ser a opção mais económica, desde que o calor seja suportável. Em estrada rápida ou autoestrada, o ar condicionado tende a ser mais indicado, porque evita a perda aerodinâmica causada pelas janelas abertas e garante maior conforto.

A resposta, portanto, não é igual em todas as situações. O que gasta mais depende da velocidade, do tipo de carro, da tecnologia do ar condicionado e da intensidade do calor. No essencial, abaixo dos 80 quilómetros por hora, as janelas abertas podem compensar. Acima desse valor, o ar condicionado usado com moderação tende a ser a escolha mais eficiente e segura para viajar com conforto.

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Escola fechada por greve e filhos em casa? Saiba se pode faltar ao trabalho sem perder salário

13 June 2026 at 09:00

A escola fecha por greve, os filhos ficam em casa e muitos pais deixam de ter alternativa para se apresentarem ao trabalho. A dúvida surge quase de imediato: a falta é justificada ou o empregador pode descontar o dia?

De acordo com o Ekonomista, a resposta depende das circunstâncias concretas, mas há base legal para defender que a ausência pode ser justificada quando o trabalhador tem de prestar assistência a filho menor e não dispõe de outra solução de acompanhamento.

O que diz o Código do Trabalho

O ponto de partida está no artigo 249.º do Código do Trabalho. A norma considera justificadas as faltas motivadas por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto não imputável ao trabalhador, incluindo situações relacionadas com o cumprimento de obrigação legal.

É neste enquadramento que pode entrar o encerramento da escola por greve. Se a paralisação impede a criança de ficar no estabelecimento de ensino, se o filho precisa de acompanhamento e se o trabalhador não tem outra alternativa, a ausência pode ser enquadrada como falta justificada.

Segundo a DECO Proteste, citada pelo Ekonomista, os pais têm um dever legal de assistência aos filhos menores. Por isso, quando a escola encerra por greve, a falta ao trabalho pode ser justificada, desde que se demonstre que a assistência era efetivamente necessária.

Falta justificada significa salário protegido?

A questão mais sensível está na remuneração. Em Portugal, falta justificada e falta remunerada não são sempre a mesma coisa. O artigo 255.º do Código do Trabalho prevê os casos em que uma falta justificada implica perda de retribuição. A interpretação mais favorável aos pais sustenta que a ausência por encerramento da escola, quando enquadrada como cumprimento de obrigação legal de assistência ao filho, não consta dessa lista de faltas justificadas com perda de salário.

Assim, quando estão reunidos os requisitos, há fundamento para defender que a falta deve ser justificada e remunerada. Ainda assim, o Ekonomista sublinha que a situação das greves nas escolas não está regulada de forma expressa e autónoma. Por isso, a gestão destes casos pode depender da prova apresentada pelo trabalhador e do entendimento da entidade patronal.

O direito não é automático para ambos os pais

A falta não deve ser vista como um direito automático para os dois progenitores ao mesmo tempo. O ponto essencial é perceber quem ficou efetivamente impedido de trabalhar para assegurar o acompanhamento da criança.

O trabalhador deve conseguir demonstrar que não tinha alternativa razoável. Isto pode ser particularmente relevante em famílias monoparentais, nos casos em que o outro progenitor está impossibilitado de prestar assistência ou quando ambos trabalham presencialmente. Se um dos pais pode teletrabalhar e o outro não tem essa possibilidade, a situação pode ser analisada de forma diferente. O empregador pode pedir elementos que comprovem que a assistência era necessária.

A idade da criança também pesa

A situação é mais evidente quando estão em causa filhos pequenos, sobretudo em idade pré-escolar ou no 1.º ciclo, que não podem ficar sozinhos em casa. Segundo a leitura defendida pela DECO Proteste, a justificação ganha força quando o trabalhador tem de assegurar o acompanhamento de filho menor de 12 anos e não existe alternativa.

Quanto mais dependente for a criança, mais forte será o argumento de que a ausência ao trabalho resultou de uma obrigação legal de assistência familiar.

Que documentos deve pedir à escola

A documentação pode fazer a diferença entre uma falta aceite sem conflito e uma discussão com a entidade patronal. O primeiro passo deve ser pedir à escola uma declaração ou comunicação escrita a confirmar que o estabelecimento esteve encerrado por motivo de greve, ou que não tinha condições para receber a criança naquele dia.

Essa declaração deve identificar a escola, a data e, sempre que possível, a razão pela qual não foi possível assegurar atividades letivas ou acompanhamento. Também podem servir como prova emails da direção, mensagens na plataforma escolar, avisos oficiais ou outros documentos enviados aos encarregados de educação.

Como avisar o empregador

A comunicação ao empregador deve ser feita por escrito, preferencialmente por email, para que fique registo. O trabalhador deve explicar que a ausência resultou do encerramento da escola por greve e da necessidade de prestar assistência a filho menor, por inexistência de alternativa de acompanhamento.

Pode ainda fazer referência ao artigo 249.º, n.º 2, alínea d), do Código do Trabalho, invocando a impossibilidade de prestar trabalho por facto não imputável ao trabalhador e relacionado com o cumprimento de obrigação legal. A declaração da escola deve ser enviada em anexo ou entregue logo que possível.

E se o empregador descontar o dia?

Se o empregador considerar a falta injustificada ou descontar o salário, o trabalhador deve pedir esclarecimento por escrito. É aconselhável solicitar a indicação do fundamento legal usado para justificar o desconto ou a recusa da falta. Essa resposta pode ser útil caso seja necessário avançar para uma reclamação.

Quando o conflito se mantém, o trabalhador pode contactar a Autoridade para as Condições do Trabalho. A ACT pode prestar informação, analisar a situação e intervir se estiver em causa incumprimento das regras laborais.

Greves voltaram a levantar dúvidas

O tema ganhou maior relevância devido à sucessão de greves no setor da educação, com impacto em docentes, trabalhadores não docentes, pré-escolar e 1.º ciclo. São precisamente estes níveis de ensino que mais dependem da presença de adultos para garantir a segurança das crianças. Quando a escola encerra, muitas famílias ficam sem resposta imediata.

O problema é que a lei não contém uma norma simples e específica para todos os casos de greve escolar. Por isso, a interpretação jurídica, a documentação apresentada e a comunicação com o empregador tornam-se decisivas.

A resposta para os pais

Se a escola fechou por greve e o trabalhador não tinha alternativa para assegurar o acompanhamento do filho menor, há fundamento para considerar a falta justificada. A interpretação mais favorável sustenta ainda que o salário não deve ser descontado, desde que a falta seja enquadrada no cumprimento de obrigação legal e não esteja incluída nas situações que determinam perda de retribuição.

Mas a proteção não dispensa prova. Declaração da escola, comunicação escrita ao empregador e registo de todos os documentos são essenciais. No essencial, a lei pode estar do lado dos pais, mas é a forma como a falta é comunicada e documentada que pode evitar problemas no trabalho e proteger o salário.

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Afinal, há mesmo “turismo médico” para partos em Portugal? INE mostra que partos de mães não residentes foram residuais

13 June 2026 at 08:00

O debate político sobre o acesso de imigrantes e não residentes ao Serviço Nacional de Saúde tem recuperado uma ideia recorrente: a de que muitas mulheres se deslocam a Portugal para terem filhos recorrendo às maternidades portuguesas. Mas os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística apontam para uma realidade bastante diferente.

Segundo as Estatísticas dos Partos de 2025, analisadas pelo blogue Economia e Finanças, especializado nessas matérias, com base nos dados do INE, Portugal registou 87.130 partos ao longo do ano passado. Destes, apenas 261 tiveram como mãe uma mulher residente no estrangeiro. O valor representa 0,3% do total, ou seja, cerca de três partos em cada mil.

Números colocam debate em perspetiva

A expressão “turismo médico” tem sido usada no espaço político para descrever alegadas situações em que pessoas vêm a Portugal com o objetivo de utilizar serviços públicos de saúde, incluindo maternidades.

Partidos como o Chega têm feito do controlo do acesso de estrangeiros não residentes a serviços públicos uma das suas bandeiras políticas. Em 2024, segundo a Lusa/RTP, o partido agendou um debate parlamentar sobre o chamado “turismo de saúde”, defendendo regras mais restritivas para estrangeiros não residentes no acesso ao SNS. Noutros diplomas, o Chega também tem defendido regras mais apertadas para o acesso de estrangeiros a determinadas prestações sociais.

No caso dos partos, porém, os números disponíveis não apontam para um fenómeno com escala. Pelo contrário, os dados do INE indicam que 99,7% dos partos realizados em Portugal em 2025 tiveram como mães mulheres residentes no país.

Apenas 261 partos de mães não residentes

O universo máximo de situações que poderiam ser analisadas à luz da discussão sobre deslocações a Portugal para dar à luz é, assim, de 261 partos num ano inteiro. Mesmo dentro desse número, não é possível concluir que todos correspondam a casos planeados de turismo médico. O INE identifica a residência da mãe, mas não apura a motivação da deslocação, se o parto ocorreu no SNS ou no privado, se foi pago, gratuito, coberto por seguro, por acordo internacional ou por outro regime.

Num país que recebeu dezenas de milhões de hóspedes em alojamento turístico em 2025, parte destes partos pode corresponder a situações inesperadas, urgentes ou não planeadas, envolvendo mulheres que se encontravam temporariamente em território nacional.

O blogue Economia e Finanças sublinha precisamente essa cautela: num contexto de grande fluxo turístico, há margem para que alguns partos de não residentes tenham ocorrido sem que a deslocação a Portugal tivesse esse objetivo.

Nascer em Portugal não dá automaticamente nacionalidade

Outro ponto relevante é que nascer em Portugal não confere automaticamente nacionalidade portuguesa à criança, ao contrário do que acontece noutros países com regimes mais próximos do chamado direito de solo.

A nacionalidade portuguesa depende de regras próprias, ligadas, entre outros fatores, à situação legal e ao tempo de residência dos progenitores. A Lei da Nacionalidade foi alterada pela Lei Orgânica n.º 1/2026, de 18 de maio, que reforçou requisitos em várias situações.

Nos termos da lei atualmente em vigor, os filhos de estrangeiros nascidos em Portugal podem ter acesso à nacionalidade portuguesa em certas condições, nomeadamente quando um dos progenitores reside legalmente no território português há pelo menos cinco anos, mas o simples nascimento em Portugal não atribui automaticamente nacionalidade em todos os casos. Ter um filho em Portugal também não atribui automaticamente nacionalidade aos pais.

Este detalhe é importante para enquadrar o debate. Mesmo admitindo que possam existir casos pontuais de mulheres que escolhem Portugal por confiarem mais no sistema de saúde, os incentivos jurídicos e administrativos não são comparáveis aos de países onde o nascimento no território confere automaticamente cidadania.

Mães de nacionalidade estrangeira têm peso crescente

O dado mais expressivo das estatísticas de 2025 não está nos partos de mães residentes no estrangeiro, mas no aumento da proporção de mães de nacionalidade estrangeira no total de partos. Segundo os dados do INE citados pelo Economia e Finanças, a proporção de mães de nacionalidade estrangeira no total de parturientes passou de 26,3% em 2024 para 28,8% em 2025.

Este número não deve ser confundido com turismo médico. Nacionalidade estrangeira não é o mesmo que residência no estrangeiro. Uma mãe brasileira, angolana, cabo-verdiana ou de outra nacionalidade que resida em Portugal faz parte da população residente no país.

Entre as nacionalidades estrangeiras mais representadas, destacam-se as mães brasileiras, que corresponderam a 10,5% do total de partos em 2025. Seguem-se Angola, com 2,6%, Cabo Verde, com 2,2%, São Tomé e Príncipe, com 2,0%, e Guiné-Bissau, com 1,9%.

Brasil surge destacado nas estatísticas

A forte presença de mães brasileiras nas estatísticas acompanha a evolução demográfica recente do país e o aumento da comunidade brasileira residente em Portugal. Também aqui a distinção é essencial: uma mãe brasileira residente em Portugal não corresponde a uma turista médica. É uma residente estrangeira que vive no país e acede aos serviços de saúde nos termos previstos na lei.

A leitura dos dados mostra, por isso, duas realidades diferentes. Há um peso crescente de mães de nacionalidade estrangeira nos nascimentos em Portugal, mas há um número muito reduzido de partos de mães residentes no estrangeiro. Misturar estes dois fenómenos pode gerar uma perceção distorcida sobre a pressão real colocada sobre as maternidades portuguesas.

Número de partos recuperou em 2025

As estatísticas do INE mostram ainda que 2025 foi um ano de recuperação no número total de partos. Foram registados 87.130 partos, mais 3,7% do que em 2024. A região Norte destacou-se com uma subida de 5,9%, contribuindo para a recuperação global. A série divulgada pelo INE mostra que Portugal está nos valores mais elevados dos últimos dez anos em número de partos, depois de ter atingido um mínimo recente em 2021, com 78.909 partos. Ainda assim, o valor continua abaixo dos 95.823 partos registados em 2011, mostrando que a recuperação recente não apaga a tendência demográfica de longo prazo.

Primeiro trimestre de 2026 mantém tendência

Os dados provisórios do primeiro trimestre de 2026 indicam que a tendência de recuperação poderá continuar. Segundo a análise do Economia e Finanças, com base em dados do INE, nasceram mais 572 nados-vivos em território nacional do que no mesmo período de 2025, uma subida de 2,8%.

Este dado reforça a ideia de que Portugal pode estar a viver uma fase de ligeira recuperação nos nascimentos, ainda que essa evolução dependa de fatores como imigração, estabilidade económica, políticas de família e condições de acesso à habitação. Mais uma vez, os dados sugerem que a presença de população estrangeira residente tem impacto na natalidade, mas não sustentam a ideia de um fenómeno expressivo de partos de mães residentes no estrangeiro.

Debate político continua, mas dados limitam a acusação

O acesso de estrangeiros ao SNS e aos apoios públicos deverá continuar a ser tema de confronto político. O Chega e outros setores à direita têm defendido regras mais restritivas, sobretudo para cidadãos estrangeiros não residentes ou para quem não tenha uma ligação estável ao país.

Mas, no caso específico dos partos, os números do INE tornam difícil sustentar a ideia de que Portugal enfrenta uma vaga de turismo médico para dar à luz. Com apenas 261 partos de mães residentes no estrangeiro em 2025, num universo de mais de 87 mil, os dados disponíveis apontam para uma realidade estatisticamente residual. Representa 0,3% do total.

O que os dados mostram

A leitura mais prudente é esta: há cada vez mais mães de nacionalidade estrangeira a terem filhos em Portugal, o que reflete a transformação demográfica do país. Mas isso não é o mesmo que turismo médico. Os partos de mães residentes no estrangeiro existem, mas são muito poucos face ao total. Podem incluir situações planeadas, mas também casos acidentais, urgentes ou ligados à presença temporária em Portugal.

No essencial, os dados do INE não confirmam a ideia de que muitas pessoas venham propositadamente a Portugal para ter filhos. Pelo contrário, mostram que, quando se olha para os números, os partos de mães não residentes são residuais no conjunto dos partos realizados no país.

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Vem aí trovoada, chuva forte e granizo: mau tempo volta nesta data e estas regiões serão as mais afetadas

13 June 2026 at 06:00

O sábado deverá começar com tempo quente em grande parte de Portugal continental, mas a estabilidade pode não durar todo o dia. A partir da tarde, algumas regiões deverão registar aumento de nebulosidade e condições favoráveis à ocorrência de aguaceiros, trovoadas e até queda de granizo.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a previsão para sábado, 13 de junho, aponta para céu pouco nublado na maior parte do território continental, mas com instabilidade a ganhar expressão sobretudo no interior Norte e Centro.

Interior Norte e Centro na linha da frente

Nas regiões Norte e Centro, o dia deverá começar com céu pouco nublado ou limpo e ambiente quente. A partir do final da manhã, contudo, a nebulosidade deverá aumentar temporariamente, em especial no interior.

Segundo o IPMA, os aguaceiros serão mais prováveis a partir da tarde e nas regiões montanhosas do interior. Nessas zonas, a precipitação poderá ser por vezes forte, acompanhada de trovoada e queda de granizo. Esta será a principal nota de instabilidade prevista para o continente, num dia em que o calor continuará presente, mas com maior risco de mudanças rápidas no estado do tempo em áreas montanhosas.

Granizo pode acompanhar os aguaceiros

A possibilidade de granizo torna a previsão mais relevante para quem tem planos ao ar livre, sobretudo em zonas do interior Norte e Centro. Este tipo de fenómeno tende a ocorrer de forma localizada e irregular, pelo que nem todos os locais dentro das regiões indicadas deverão ser afetados da mesma forma.

Ainda assim, em situações de aguaceiros fortes e trovoada, o tempo pode mudar em poucos minutos, com redução de visibilidade, piso escorregadio e maior risco para atividades em estrada, caminhadas ou eventos ao ar livre.

Vento mais forte nas terras altas

O vento deverá soprar, em geral, fraco do quadrante leste nas regiões Norte e Centro. Durante a tarde, deverá rodar para o quadrante oeste no litoral e temporariamente nas terras altas. Nas zonas mais elevadas, poderá soprar por vezes forte, até 45 quilómetros por hora, sobretudo até meio da manhã e novamente a partir do final da tarde.

O IPMA prevê ainda uma pequena subida da temperatura mínima no interior, mas uma pequena descida da temperatura no litoral a norte do Cabo Mondego.

Sul também com alguma instabilidade localizada

Na região Sul, o sábado deverá manter-se quente, com céu pouco nublado ou limpo durante grande parte do dia. A partir da tarde, a nebulosidade deverá aumentar temporariamente, sobretudo por nuvens altas. Na costa sul do barlavento algarvio, o céu deverá tornar-se geralmente muito nublado a partir do final da tarde.

O IPMA admite ainda a possibilidade de aguaceiros dispersos nas serras do Alto Alentejo durante a tarde. O vento deverá soprar fraco a moderado, até 30 quilómetros por hora, de leste ou sueste, podendo ser por vezes forte, até 45 quilómetros por hora, na costa sul do Algarve e nas serras, em especial nas serras algarvias.

Lisboa e Porto com tempo quente

Na Grande Lisboa, o sábado deverá ser quente, com céu pouco nublado. Ao longo do dia, poderá ocorrer um aumento temporário de nebulosidade por nuvens médias e altas. O vento deverá ser, em geral, fraco e de vários rumos. Está prevista uma pequena descida da temperatura máxima.

No Grande Porto, o cenário será semelhante: tempo quente, céu pouco nublado e aumento temporário de nebulosidade. O vento deverá soprar fraco, podendo tornar-se temporariamente moderado, entre 15 e 25 quilómetros por hora, do quadrante oeste, entre o final da manhã e o meio da tarde. Também no Porto está prevista uma pequena descida de temperatura.

Mar mais agitado na costa sul

Na costa ocidental, estão previstas ondas de noroeste com cerca de 1 metro, aumentando gradualmente para 1 a 1,5 metros. A temperatura da água do mar deverá variar entre 16 e 17 graus. Na costa sul, as ondas deverão ser de sueste, com 2 a 2,5 metros. A temperatura da água deverá situar-se entre 19 e 21 graus. Estas condições deverão ser tidas em conta por quem planeia atividades marítimas, especialmente na costa sul.

Açores com chuva fraca e aguaceiros

O Grupo Ocidental deverá ter períodos de céu muito nublado com boas abertas. O vento será de oeste, bonançoso a moderado, rodando para sudoeste para o fim do dia. No Grupo Central, o céu deverá apresentar-se muito nublado, com boas abertas a partir da manhã. Estão previstos períodos de chuva na madrugada, passando depois a aguaceiros fracos. Já no Grupo Oriental, o céu deverá estar muito nublado, com abertas a partir da tarde. Também estão previstos períodos de chuva fraca, passando a aguaceiros fracos.

Madeira com períodos de muita nebulosidade

Na Madeira, o IPMA prevê céu com períodos de muita nebulosidade. O vento deverá soprar fraco a moderado, até 30 quilómetros por hora, de norte ou noroeste. Nas terras altas, está prevista uma pequena descida da temperatura máxima. Na região do Funchal, o céu deverá apresentar períodos de muita nebulosidade, com vento fraco.

Mau tempo regressa de forma localizada

Apesar de o calor continuar a marcar o estado do tempo, a tarde de sábado deverá trazer uma mudança em várias zonas do interior. As regiões mais afetadas deverão ser o interior Norte e Centro, sobretudo as áreas montanhosas, onde há condições para aguaceiros por vezes fortes, trovoada e granizo. No Sul, a instabilidade deverá ser mais limitada, com possibilidade de aguaceiros dispersos nas serras do Alto Alentejo e aumento de nebulosidade no Algarve ao final do dia.

Para quem tem planos ao ar livre, viagens ou atividades em zonas montanhosas, a recomendação passa por acompanhar as atualizações do IPMA e estar atento a mudanças rápidas no céu durante a tarde.

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